segunda-feira, 8 de março de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


"Não nos condene a ser sós estando juntos.

Permite-nos estar juntos estando sós"


(Dom Helder Camara)

MULHER - UMA HOMENAGEM

Mulher:
Não és deusa.
Nem mesmo creditam a ti
a primazia da criação,
porque vieste depois,
para ser a companheira do homem,
conforme quis o Criador.

Dizem que és o sexo frágil...
Logo tu, talhada para a dor, para a espera,
para o desdobramento na maternidade,
o fortalecimento do filho na amamentação,
a segurança da família,
renovada em cada novo dia,
no aconchego do lar
ou na luta pela sobrevivência?...

Não és deusa, mulher,
mas bem que pareces.

Desdobra-te, dentro e fora de casa.
Abrigas os filhos
como se sobre eles
desdobrasses asas protetoras,
protegendo-os dos perigos
e zelando por eles, sempre...

Mulher, quem é maior que tu?

(publicado no meu livro “No silêncio do coração”, São Paulo, Catolicanet)

sexta-feira, 5 de março de 2010

INTERDITADA A MATRIZ DE SÃO JOSÉ – NO RECIFE


A notícia pegou a todos de surpresa... A velha Matriz de São José, no Recife, foi interditada, porque está com a estrutura danificada e há riscos para os freqüentadores do velho e tão querido templo.

Sua construção iniciou-se em 1845, no bairro de São José / ilha de Santo Antônio e só viria a ficar pronta duas décadas depois. Ao seu redor a cidade cresceu, transformou-se, viu aumentar o fluxo de carros nas suas proximidades, abalando e interferindo na edificação como um todo, dados esses hoje expostos e preocupantes, como feridas nascidas do abandono dos homens e dos que protegem o patrimônio cultural do País.

Claro, algumas obras urgentes de conservação foram executadas, em períodos diversos mas, o que se sabe hoje, é que as vigas que sustentam o telhado estão danificadas; o madeiramento destruído pelo cupim; há rachaduras nas paredes, tudo evidenciando o perigo e o lamentável abandono, apesar das iniciativas dos paroquianos gerando parcos recursos, para tratar o que fosse mais urgente, nessa estrutura tão fragilizada...

Única igreja em estilo neoclássico do centro do Recife, a Matriz de São José é uma construção do século XIX, com frontispício austero e torres pesadas, conforme ficou após uma discutida restauração. Há um trabalho na fachada: mosaicos azuis e brancos, num semicírculo, de Francisco Brennand. Tochas com labaredas de pedra, adornam o muro do adro. Dois quadros dentro da igreja, de autor desconhecido, mostram Dom João Marques Perdigão, bispo da Diocese de Olinda, à época da construção do templo e o Deão Farias, personagem da época. Sua maior atração está nas portas internas da sua entrada principal, toda ela feita em pau-brasil.

A criação da Paróquia se deu em 02 de maio de 1844 e a bênção e festa de inauguração ocorreram nos dias 07 e 08 de dezembro de 1864. Seu vigário, há mais de três décadas, é o padre José Augusto Esteves, que tentou várias alternativas para conseguir recursos que permitissem iniciarem-se as obras emergenciais... Mas isso é quase impossível, diante dos danos identificados e da impossibilidade de receber-se ali o apoio público, por não ser a Matriz tombada, nem a nível estadual, como nacional. Sem a proteção oficial dos órgãos de patrimônio, reconhece-se apenas que ela se encontra em um perímetro de tombamento, incluída no inventário de patrimônios religiosos do estado que está sendo realizado pelo IPHAN.

É uma pena que um bem patrimonial de tanta importância chegue a esse ponto... Tomara que ele ainda mereça as atenções dos que podem salvaguardá-lo! Tomara!

quarta-feira, 3 de março de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


“FELIZES OS QUE SONHAM;
alimentarão a esperança de muitos
e correrão o doce risco de, um dia,
ver os sonhos realizados.”
(Dom Helder Camara)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

GERCY TELLES DE MENEZES - UM NOME INESQUECÍVEL PARA NORONHA


Todos os que nasceram ou viveram em Fernando de Noronha, a partir da década de 1960, carregam na alma a lembrança forte de versos que dizem: “Fernando de Noronha é um sonho do qual ninguém quer despertar...” São palavras do inspirado HINO DE FERNANDO DE NORONHA, composto em 1959, pelo então Major Gercy Telles de Menezes, intérprete dos americanos que, àquela época, haviam instalado na lha o Posto de Observação de Mísseis Teleguiados.

Musicista, muito chegado a cantorias, costumava participar das áreas de lazer daquele grupo de americanos servindo na ilha e, nessa época, compôs a bela melodia que era – originalmente – uma valsa: “Saudades de Noronha”, adaptada para Dobrado pelo musicista pernambucano Laffayte Lopes e gravada em compacto, na extinta Fábrica de Discos Rozemblit, do Recife / PE, com a Banda e o Orfeão da Polícia Militar de Pernambuco e solo do Cel. PM Leogivildo Maranhão.

Deixou o Arquipélago quando a Base foi desativada e continuou a sua carreira militar, deixando por lá, no entanto, a sua contribuição mais bela, para o engrandecimento do pequeno espaço insular. Imortalizou-se, com aquele poema em forma de canção!

Gercy Teles de Menezes nasceu em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, no dia 14 de maio de 1921. Estudou no Colégio militar e tornou-se um desses, servindo em diversos lugares pelo Brasil (Bagé/RS, Castro/PR, Curitiba/PR, Campo Grande/MT e Fernando de Noronha, lugar que guardou em sua alma de forma definitiva). Era coronel reformado do Exército e Mestre em Eletrônica (curso feito nos Estados Unidos). Serviu em Fernando de Noronha entre 1957 e 1965. Reformado como militar, atuou na EMBRATEL.

Voltou à ilha na década de 1980, como técnico da EMBRATEL e não chegou a ser reconhecido por nenhum daqueles que viveram ali na mesma época dele.. . Caminhou, incógnito, por todos os lugares, sem que o seu nome despertasse qualquer lembrança....

Só em 1992 foi localizado no Rio de Janeiro, onde morava, depois de buscas junto ao Ministério do Exército. Depois desse encontro, foi convidado a fazer-se presente na palestra realizada no evento internacional realizado naquele Estado (a RIO/92 e, no encontro, convidado para a mesa de autoridades e muito aplaudido por todos os noronhenses que se encontravam participando daquele evento.

Em 2003 deu uma longa entrevista para a TV Golfinho, no Rio de Janeiro, com imagens gravadas pela equipe do Globo Ecologia, da TV Globo e essas imagens foram exibidas ao longo do mês de agosto daquele ano, em comemoração aos 500 anos de descobrimento da ilha.

Gercy Telles de Menezes era casado com Marina Jovita Picconi de Menezes e deixa três filhos, que foram todos moradores de Fernando de Noronha ao tempo em que era ele um dos intérpretes dos americanos que se haviam instalados na região do Boldró. Todo o seu acervo fotográfico, de fotos feitas por ele próprio, no seu "tempo-de-Noronha" foram doadas para o acervo do "Programa de Resgate Documental de Fernando de Noronha".

Também escritor, publicou em 2006 suas reminiscências, na obra CRÔNICAS DO GERCY, patrocinada pela EMBRATEL. Na abertura de depoimentos sobre ele está escrito: "Um grande amigo; um homem bom". E era isso o que ele era, além da veia poética e de uma espirituosidade evidente e inimitável.

Morreu neste dia 22 de fevereiro de 2010, aos 89 anos.

Gercy Telles de Menezes é, para Fernando de Noronha, um nome inesquecível! Como diz a letra do Hino que compôs, ele também será uma “lembrança para a vida inteira”, porque imortalizou-se através da sua música, hoje nosso orgulho e força!.


HINO DE FERNANDO DE NORONHA
Letra e Música: Gercy Teles de Menezes

Entre ondas bravias, azuis,
Sob um céu sempre cheio de luz,
Há um pedaço da minha terra,
Esta ilha, que a todos seduz.
Brancas praias, rochedos, luar
E o Pico, altaneiro, sem par,
Fernando de Noronha é um sonho
Do qual ninguém quer despertar.

Quem já viu qualquer coisa mais bela
Que os abismos do Sancho e Sapata,
Italcable, Cacimba do Padre
E o mar, espumando na Rata?
Atalaia, baía Sueste,
E, no mastro do forte, a bandeira,
São cenários que nunca se esquecem,
São lembranças para a vida inteira!

.......................................................................

Foto 01 - Major Gercy, quando servia na ilha
Foto 02 - Major Gercy entre militares e visitantes, na ilha
Foto 03 - Coronel Gercy, aos 88 anos.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL – PELA GRAÇA DA MINHA “FADA / BORBOLETA”


Meninha sapeca
que admira o vôo das borboletas
e se enamora por vê-las frágeis e livres...

Meninha bonita,
que sonha com fadas etéreas,
de lindas asas esvoaçantes...

Menininha querida,
transmutada em “Fada / Borboleta”,
no Carnaval tão esperado...

Vejo-se saltitar, faceira,
com a graça de uma borboleta colorida
e os doces olhos de fada-criança,
encanto dos dias de agora
e doçura aguardada numa geração me sucede.

Vejo-te irradiado a contagiante alegria
desse “faz-de-conta” inventado
porque chegou o Carnaval
e o sonho é possível e estimulado,
no tempo certo de reinventar a vida.

Vejo-se, mostro-te a tantos,
porque me encanta te ver assim,
vivendo o duplo anseio de ser fada (irreal)
sendo também a borboleta de asas de brinquedo,
ensaiando vôos pela vida afora...


Ah! Meninha Laurinha,
Como você me faz feliz!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

UM SUSTO / MIL RAZÕES PARA AGRADECER...


Um dia comum, de trabalho, na redação do jornal. Uma dor lancinante. A ação imediata e carinhosa dos colegas jornalistas para levá-la a uma emergência. A hemorragia abdominal detectada. A cirurgia feita às pressas...

Tudo precisando do rápido e eficiente controle dos médicos do Memorial São José (abençoados sejam!). E a espera - nos corredores do hospital – da solução mais correta, dos procedimentos necessários, da reposição do sangue que perdera.

Naquela madrugada do janeiro que se findava muitos entravam em sintonia com familiares, amigos, companheiros de jornada. E velaram pelo seu sono, seu restabelecimento, sua recuperação, sua “volta à vida”, depois de ter estado tão perto de perdê-la, talvez, não fosse o apoio recebido.

Esses foram os momentos de dificuldade vividos por todos nós, porque nossa IZA (Maria Luiza Borges, a jornalista do Jornal do Commercio) enfrentava a complicada descoberta de uma “prenhês ectópica”, inesperada e dolorosa.

Valeram todos os contatos de solidariedade recebidos. Valeram todas as doações de sangue feitas. Valeram todas as mensagens, presenças, orações... Ela está salva!

Agora é agradecer a Deus por nos ter devolvido a nossa menina, para a alegria de todos e permitir que soubéssemos o quanto ela é querida pela legião dos que pensaram positivo e foram razão de fluidos benéficos, nessa estrada que ela precisou percorrer... Os “plantões de carinho” serão inesquecíveis para todos nós.

Que o Pai os abençoe a todos!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DOM HELDER - 101 ANOS


De muitas formas,
E com profunda alegria
Foste homenageado, meu Dom,
Por aqueles que te têm guardado no coração

Afinal, cem anos é data correta,
Merecedora de homenagens,
Sobretudo quando esse século de existência
Foi tão marcante, tão inesquecível!

Os louvores partiram de todos os cantos.
O mundo celebrou teu centenário
Trazendo-te de volta pelas palavras deixadas,
Pelos exemplos marcantes,
Pela coragem de ousar
E de amar sem medida...

Não importava em que idioma
as reverências se faziam...
Não importavam em que rito eras lembrado...
Só a certeza de que a tua longa vida existira
E permanecia pairando sobre nós,
com toda a sabedoria partilhada,
e os gestos de amor carregados de humildade!

Dom Helder, pequenino e gigante,
Muito poucos foram como tu.
Dom Helder franzino, de olhar sereno,
Quem resistiu à tua indagadora visão de mundo?
Dom Helder profeta,
Como não lembrar o teu profetismo
E a tua força escondida
Numa fragilidade evidente?

101 anos.
Tempo longo. Tempo sempre novo.
O tempo de um homem que ficou,
Naquilo que fez, sonhou, realizou.
Um tempo absolutamente inesquecível!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ENCERRAMENTO DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE DOM HELDER - - 101 anos do Dom -


Foram dois anos de celebrações, homenagens, festividades, seminários, exposições, lançamento de livros, destaque na mídia... Foram dois anos de saudade apregoada, de repercussão dessa fidelidade a um profeta, de envolvimento de muitos, de partilhas formidáveis, nessa programação que agora termina...

Agora prepara-se o momento final, com a grande Concelebração Eucarística na Igreja das Fronteiras, no Domingo, dia 7 de Fevereiro, às 10h, com cânticos entoados por um coro coordenado pelo Padre redentorista, Francisco Gabriel e presidida pelo Pe. Ernanne Pinheiro, Secretário Executivo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Camara, da CNBB Nacional.
A escolha de um padre para ser o presidente da Concelebração é uma homenagem ao Ano Sacerdotal, vivido pela Igreja desde junho de 2009 e num gesto significativo de humildade e gentileza do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e demais bispos que se fizerem presentes, para honrar os padres no ano a eles dedicado..

Outro gesto encantador: a Procissão de Ofertório será feita com expressão corporal, por crianças e adolescentes da Casa de Frei Francisco, uma das iniciativas do Dom, no difícil e tão violento bairro dos Coelhos, no Recife. Precedendo esse momento, Zezita Duperron (secretária de Dom Helder na AOR) e Irmã Catarina Damasceno (enfermeira de Dom Helder por muitos anos), levarão flores para o altar da celebração.

Mas a festa será maior ainda... Após a missa, ocorrerá o lançamento do livro "Memória e Missão - Experiência de Vida", do mesmo Pe. Ernanne Pinheiro, que narra, inclusive, seu importante trabalho com o Dom no Recife. E isso acontecerá no Espaço Dom Lamartine Soares - terraço da Igreja das Fronteiras, ao lado do templo. Um Coquetel oferecido pela UNICAP e a apresentação, no pátio externo: da Igreja, do “Bloco Brinque na Paz”, do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, será a homenagem carnavalesca a Dom Helder, que nasceu num Domingo de Carnaval e foi sempre saudado por agremiações carnavalesca em cada aniversário...

Encerram-se aqui os atos oficiais. A reverências continua, no tempo e nas homenagens que virão, porque Dom Helder foi eternizado naquilo que deixou, como herança de vida, de fé e de esperança...

Desfaz-se a “Comissão Rumo ao Centenário de Nascimento de Dom Helder Câmara”, formada por quatro instituições (CNBB Regional Nordeste 2 / Arquidiocese de Olinda e Recife / Universidade Católica de Pernambuco e o Instituto Dom Helder Câmara), e apoiada por outras tantas, que sonhou esse Centenário e tudo fez para que ele ocorresse em dois anos de intensa atividades. Fica o registro de empenho, entendimento, amizades construídas, solidariedade confirmada, empenho de muitos, amor de todos.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UM "CENTRO DE MEMÓRIA PRISIONAL" PARA FERNANDO DE NORONHA


Por mais de duzentos anos Fernando de Noronha abrigou um Presídio Comum e Colônia Correcional, recebendo prisioneiros condenados a longas penas, e – eventualmente - presos políticos, dos grandes movimentos ocorridos em todo o Brasil. Até então, era Pernambuco o responsável pela manutenção daquele confinamento, usando o encarcerado como mão-de-obra para todos os trabalhos.

Em duas épocas distintas (1938/1942 e 1964/1965) somente presos políticos foram mandados para lá, época em que a ilha saiu da esfera pernambucana, para ser administrada pelo Governo Federal.

Imagens, narrativas, obras, trazem aos dias atuais as características desse degredo insular, tão pouco conhecido do Brasil. E, num tempo em que o Turismo espreita o Arquipélago, ávido principalmente pela sua beleza natural, é significativo pensar-se em registrar essa memória prisional em um espaço-símbolo, que apresente os dados obtidos no “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”, em curso há mais de três décadas.

É preciso que, em tempo, crie-se no Arquipélago o “Centro de Memória Prisional de Fernando de Noronha”, enquanto resta parcialmente de pé um dos três edifícios construídos para esse fim, como um espaço especial de Cultural e de Serviços, de registro e de visitação, esclarecendo, de forma museográfica, o que foi o longo tempo de presídio no meio do oceano, com sua riqueza histórica apresentada de forma digna e oportuna. A isso se chama SALVAGUARDA.

“Entende-se por “salvaguarda” a identificação, a proteção, a conservação, a restauração, a reabilitação, a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno”. (Recomendação relativa à salvaguarda dos conjuntos históricos e sua função na vida contemporânea – UNESCO, 1976 – item 01, letra c)
Para realizar esse intento, seria conveniente implantar-se um espaço cultural na única edificação restante, dentre as que abrigaram presos, em todos os tempos: a ALDEIA DOS SENTENCIADOS / PRESÍDIO FEMININO, localizada no centro da Vila dos Remédios, antiga “Praça d´Armas” ou "Praça do Commando”. E usar-se o espaço para trazer de volta o passado, em setores a serem ocupados com a museografia pertinente e serviços como auditório, lojas, setores administrativos, dando funcionalidade ao edifício com a sua requalificação.

Um bem sucedido exemplo existe: o presídio de Ushuaia, na Patagônia Argentina, “la ciudad más austral del mundo”, que funcionou de 1902 a 1947 e foi transformado num dos mais impressionantes museus do gênero - o "Museo Maritimo y Presidio de Ushuaia", trazendo de volta a memória daquele tenebroso e gelado cárcere no extremo do mundo.

A antiga “Aldeia dos Sentenciados / Presídio Feminino" é o único exemplar ainda de pé em Fernando de Noronha que registra a existência de um longo presídio de quase três séculos. Uma edificação de caráter monumental, erguida no século XXVIII, com área total de 2.100,00m², parte desta área - de 1.296,40m² - com grande parte das referências arquitetônicas conservadas e um pátio interno de 345,00m². Usada em épocas mais recentes para muitos fins está atualmente bastante danificada. Todos os registros arquitetônicos ainda visíveis estão ameaçados de destruição, podendo causar uma perda irreversível desse bem material e perdendo-se a chance de compreensão da história prisional ali vivida.

Do ponto de vista ambiental, essa é uma área que já causou impacto, pela extensa área de solo impermeabilizado, sendo a proposta de restauração e novo uso do espaço uma ação para salvar-se um bem cultural, sem comprometer novos lotes de solo natural, e oferecer nele oportunidade de ampliação da oferta de Serviços e de Cultura, centrando ali, como atração histórica, o desenrolar de três diferentes formas de aprisionamento insular, a partir do século XVIII, resgatando o passado e dando a funcionalidade de serviços garantidores da sustentabilidade do equipamento.
Um bem cultural tangível - a edificação - corre riscos de desaparecer, em Fernando de Noronha, como já ocorreu com tantos outras erguidas, nos dois primeiros séculos de ocupação definitiva (a partir do século XVIII) e o mais grave, com ele acabarem-se as chances do registro intangível dessa dantesca prisão no oceano, distante de tudo e de todos. Tomara que isso possa acontecer!
........................................................................................................
Foto 01 - Presos diante da Aldeia dos Sentenciados
Foto 02 - Aldeia dos Sentenciados
Foto 03 - Presídio de Ushuaia

sábado, 23 de janeiro de 2010

PICHARAM A IGREJA DAS FRONTEIRAS...


Ninguém acreditava que alguém tivesse coragem de macular o branco da Igreja das Fronteiras - a "!greja de Dom Helder -, inaugurada na sua restauração primorosa em dezembro passado... Mas aconteceu, lamentavelmente!

De repente, toda a luta por recursos que permitissem restaurá-la por completo, no ano do centenário do nascimento do Profeta, parecem ter ido “por água abaixo”, nos riscos característicos de vândalos, escondido na atividade criminosa, que destrói aquilo que se recuperou, com sacrifício e Arte...

Que instinto do mal leva esses covardes a gastarem seu provável talento em ações nefastas, que denigrem e estragam aquilo que se faz de bom, em favor do patrimônio cultural de uma terra? Como não respeitar o espaço emblemático que Dom Helder escolheu para viver? Por quê macular a singela Igreja de N.Sª da Assunção das Fronteiras da Estância de Henrique Dias, um lugar histórico, que tem raízes na luta contra os holandeses e que veio a abrigar o Profeta do século, por sua escolha?

Não há muito mais a dizer. Resta-nos tentar manter-nos a todos vigilantes, tentando apagar os rastros deixados por esses marginais, a cada vez que uma outra ousadia como essa ocorra!

Ah! O homem!!!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

“A LENDA DO PECADO” de FERNANDO DE NORONHA


Um lugar sem mulheres, por séculos... O erotismo de homens presos reprimido pelas injustas condições de vida... As pedras enormes, escuras, envolvidas em fina camada esbranquiçada, resultado do milenar depósito de excrementos de aves marinhas sobre elas, como uma névoa... Clima de mistério e de busca de semelhanças, denominando espaços e originando lendas...

Isso é o tesouro imaterial de Fernando de Noronha, perpetuado através dos tempos, gerador de histórias fantasiosas, que falam dos medos, dos desejos, das estranhas explicações para os acontecimentos do dia-a-dia.

No caldeirão de mistérios perpetuados está a LENDA DO PECADO, que fala do amor proibido de dois seres gigantescos – um homem e uma mulher – castigados por terem amado demais e pecarem por amor. Para ela, o castigo de ter seus seios perpetuados à flor do mar azul turquesa, em pedra, no Morro dos Dois Irmãos; para ele, a pena de ter seu falo petrificado, também em pedra, no Morro do Pico, sentinela altaneira, ponto culminante da ilha, nos seus 323 metros de pura beleza e segredos.

Distantes e aproximados. Eternamente reunidos embora distantes entre si, os dois simbolizam o amor-pecado, condenado pelos homens. Petrificados, nada podem, nada fazem, nada almejam,...

O tempo trouxe também a chacota e a brincadeira para com os símbolos eróticos tão evidentes. Ela, chamada carinhosamente de “Fafá de Belém”, com seus seios fartos erigidos nas elevações vulcânicas junto a Praia da Cacimba do Padre; ele, por algum tempo re-batizado de “Bráulio”, numa alusão à campanhas de saúde passadas... Os dois, testemunhas evidentes do poder do amor e do desejo, apesar de todos os medos e de todos os riscos...

Essa é a LENDA DO PECADO, dessa Fernando de Noronha de tantos encantos, sutil e bela, naquilo que a inpirou!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ESTRAGOS NO PORTO DE SANTO ANTONIO - EM FERNANDO DE NORONHA


O mar, soberano, fez um grande e recente estrago no Porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha... Desde dezembro, açoitado por ondas enormes, o equipamento de desembarque de passageiros - construído com tantas dificuldades – danificou-se, impedindo o seu uso, até que as ondas enormes diminuam e os serviços de reparo possam ser iniciados. Isso obriga uma improvisação diária, para que as atividades náuticas no Arquipélago.

Historicamente, o Porto de Santo Antônio foi Identificado como um “boníssimo porto”, por Américo Vespúcio, na carta (Lettera) de 1504 e a “baía de Santo Antônio” foi, desde então, o ancoradouro natural para onde convergiam as embarcações que atingiam o Arquipélago.

Aí os holandeses abrigaram suas embarcações invasoras, em 1629, todas elas afundadas propositalmente quando da tentativa de retomada da ilha, então em poder dos batavos. Aí ergueram-se entrepostos de pescas e armazéns para estocagens de produtos, tanto no século XVII (durante os 25 anos de permanência holandesa – 1629 / 1654), como no pequeno período de ocupação francesa (1736 / 1737) e a partir da definitiva ocupação – em 1737 - através da Capitania de Pernambuco, quando se ergueu uma pequena vila, sobretudo ocupada por presidiários-pescadores, em regime de semi-liberdade.

O desembarque de mercadorias, no “porto”, era momento de dificuldade. Balsas improvisadas e cadeiras especiais, conduzidas nos ombros dos presidiários, transportavam para a terra tudo o que era trazido nos navios, para abastecimento da ilha. Não havia molhe de atracação.

Ponto de chegada para aqueles que se aventuram pelo mar, em cruzeiros marítimos cada vez mais procurados, ou de partida para os que tencionam cumprir roteiros de passeios marítimos ou de mergulhos, o Porto de Santo Antônio cresceu em importância a partir de 1942, quando a II Guerra mundial trouxe para Fernando de Noronha o Destacamento Misto, com mais de três mil homens, que deveriam vigiar o oceano e preparar-se para a guerra. Isso exigiu o desembarque de equipamentos bélicos pesados, o que motivou a implantação do primeiro “porto”, com a construção do primeiro molhe de atracação, em ferro e madeira, molhe esse levado pela ressaca ocorrida naquele ano. Eram dois pontilhões vazados, que adentravam pelo mar, na baía de Sto. Antônio. Tudo foi destruído, restando apenas restos, junto à praia.

Em 1997 um molhe definitivo foi feito, a partir da dinamização do morro Boa Vista, para a obtenção de pedras, apesar das queixas dos ambientalistas, à época. Esse molhe veio recebendo melhoramentos, nos anos que se seguiram, por iniciativa do Governo do Estado de Pernambuco, ao qual foi Fernando de Noronha reintegrado, a partir de 1988, por força da Constituinte. Sua implantação permitiu o desenvolvimento de atividades marítimas, gerando um turismo mais seguro e diversificado no mar, tanto em atividades regulares de passeios e mergulhos, como eventos de nível nacional e internacional, sendo ele, aos poucos, dotado de estrutura necessária que assegure ao visitante a possibilidade de utilizá-lo em condições satisfatórias, com conforto, afora o uso como mirante, diante de uma das mais significativas paisagens do arquipélago.

Foi essa estrutura a área atingida agora, no “swel” que avançou sobre toda a região, em ondas que continuram a crescer desde meados de dezembro de 2009... Resta a passarela de acesso mas a área de desembarque não funcionará, até que os reparos necessários possam ser iniciados. E, enquanto isso, é no local de desembarque da “carga” que toda a movimentação marítima vem ocorrendo. Uma grande pena, realmente!

Para a alegria dos que sonham com o limpo e claro mar noronhense e as atrações que ele oferece, daqui a um pouco de tempo isso será retomado, sempre a depender da vontade do mar, no qual serão restabelecidos os equipamentos ora destruídos.

Tomara que não demore muito!

sábado, 9 de janeiro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA

"Só as grandes humilhações
nos levam
ao recesso último
de nós mesmos,
lá onde as fontes interiores
nos banham de luz,
de alegria
e de paz."


(Dom Helder Camara)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O MAIOR E MAIS LINDO PRESÉPIO DO BRASIL SE FOI...


20h, de um dia comum... A Praça do Carmo (ou “da Preguiça”), em Olinda, cheia de gente: famílias inteiras, com suas crianças saltitantes; idosos saudosistas emocionados e felizes; turistas de máquinas fotográficas em punho, disputando com transeuntes o espaço possível para imortalizarem aquele momento mágico; clima natalino no ar e o PRESÉPIO – enorme, inesperado, fiel às páginas sagradas, caprichosamente construído por mãos populares, sob a “batuta” de um gênio: o artista plástico, museólogo, sociólogo e mamulengueiro Fernando Augusto Gonçalves!

Algo surrealista espraiado pela colina do Carmo, uma das menores, dentre as sete que compõem o sítio histórico olindense. Como “pano-de-fundo” a mais antiga igreja carmelita das Américas, engalanada pela lua e pela luz para aquela festa, acolhendo a Arte olindense na sua expressão mais genuína: a dos bonecos, na “pátria dos bonecos”, sejam eles pequenos (os mamulengos) ou grandes e, nesse caso, enormes, gigantescos.

Um ir e vir que parecia não terminar nunca... Onde o melhor ângulo para ver tudo? De que lugar a melhor foto? Onde postar-se para ouvir-se claramente a trilha sonora natalina, pontuada de canções imortalizadas pelo mundo?

E ali, bem pertinho, o mimoso coreto redondo, de procedência inglesa, em ferro fundido e motivos decorativos únicos, também lindamente iluminado, integrava-se e compunha a cena gloriosa, presente de Natal dado a todos que acreditaram no que se adivinhava pelas noticias da mídia e no que se leu, nos registros elogiosos feito na imprensa.

Estava de volta, naquela praça, naquele dezembro que terminava, o ir e vir contínuo de pessoas de todas as idades. Retomava-se, no tempo, o sadio e quase esquecido costume de caminhar desassombrado por um espaço característico de Olinda... E isso, atraídos e protegidos todos pelo PRESÉPIO monumental, pelo ambiente surreal criado por mãos talentosas, por esse tempo de Natal comemorado aqui bem ao gosto olindense, que “bonequiza” todos os que se vão, numa homenagem popular e que recebeu, no último mês de 2009, as tradicionais cenas do nascimento de Jesus, nas “Lapinhas” (criadas por São Francisco) também “bonequizadas”.

De parabéns estão os que conduzem atualmente os destinos de Olinda, por terem acreditado no sonho e no talento do criador daquela maravilha! De parabéns estamos nós, que podemos viver o privilégio de sentir o calor da noite olindense, diante de um PRESÉPIO nunca visto, de uma cenografia impressionante e especial, de um clima de magia e de verdade, traduzido em figuras singelas de animais e de gente, compondo um todo inesquecível!

Agora, a imagem se foi... Como nos bons e riqúissimos natais do passado, o ciclo natalino se encerrou e o presépio foi sendo desmontado... Tomara que venham mais e mais bonecos nesta Olinda singular, nos tempos que hão de vir!