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terça-feira, 7 de junho de 2011

QUE SAUDADE DO NAVIO FUNCHAL...


O ano era 1990. Experimentava-se ali uma nova forma de de chegar a Fernando de Noronha, navegando no navio Funchal, que vinha de Portugal, com tripulação predominantemente portuguesa, conduzida pelo comandante português Amadeu Albuquerque, para abrir a rota marinha que levaria tantos a percorrerem capitais do Nordeste e, em especial, a desembarcarem no Arquipélago, que já era um sonho dos brasileiros.

Foi a postagem das reminiscências de Laire José Giraud, no site Portogente, neste 07 de junho de 2011, que me animou a também lembrar aquele tempo bom, aquelas idas e vindas ao "paraíso", nesse navio tão aconchegante, que me atiçou a vontade de também falar sobre ele, recentemente avistado por mim no Porto de Lisboa, num passeio de barco que fiz no Rio Tejo.

De repente, diante dos meus olhos desacostumados, parado naquele porto por onde seguia o catamarã onde eu estava, eu vi o meu inesquecível "naviozinho" tão querido, precursor de todas as tentativas para consolidar um roteiro marítimo arriscado, que exigia um desembarque no mar aberto, depois de estar fundeado em frente a Fernando de Noronha, com o sofrido deslocamento em embarcações pequenas até o Porto de Santo Antônio, na Ilha, cheios de passageiros amedrontados mas ansiosos nas suas expectativas.

Olhando o Funchal ali parado, diante de mim, revivi um passado de vinte e um anos de acertos e erros, de tentativas arrojadas, muito mais positivas do que poderia ser esperando desse empreendimento, continuado por tantos outros navios que seguiram: Vasco da Gama, Princess Danae, Pacific, Blue Dream, Rembrandt, Ocean Dream, Orient Queen, Bleu de France... Pensei como aqueles roteiros iniciados em 1990, pelo Funchal, foram sendo consolidados e hoje são um sucesso de público e de recordações positivas.

E há ainda outras lembranças boas... Foi o Funchal que, em 1972, trouxe ao Brasil os restos mortais de Dom Pedro I, no "Sesquicentenário da Independência", aqui comemorada. Foi o Funchal que abriu novamente o mar brasileiro ao turismo, décadas depois, quando resolveu autorizar o aproveitamento de suas extensas costas marítimas... Com ele reinaugurava-se - de forma prazerosa - o lazer pelo oceano, o gosto pelo "glamour" em viagens de navio... Vê-lo em Portugal, à margem do Tejo, foi muito bom, apesar das lágrimas que teimavam em experiorizar a minha emoção!

Que saudade do navio Funchal!
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Foto 01 - O Funchal em frente ao Arquipélago de Fernando de Noronha
Foto 02 - O Funchal atracado no Porto de Natal. Desembarque de Denise Collucci, Marieta Borges e Pedro Lins)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O MAR QUE ACOLHE OU REPELE...


Fernando de Noronha é, sem dúvida, o sonho da maioria dos brasileiros. Para realizá-lo, muitos enfrentam dificuldades, custos altos, receio de viagens que lhes parecem arriscadas e partem, cheios de expectativas, rumo ao desconhecido, à beleza, ao paraíso!

Por razões que não podemos explicar, às vezes esses sonhos são frustrados. Uma chuva que chegou inesperadamente, num lugar onde o sol sempre predomina; um mar calmo que se agita de repente e impede a saída e/ou a chegada de embarcações ao porto; ou outra qualquer inesperada ocorrência que exija a modificação ou adequação de planos estabelecidos.

Isso aconteceu recentemente, em uma das viagens do navio Orient Queen, cumprindo o cruzeiro marítimo da CVC que inclui o Arquipélago no seu roteiro: um swel inesperado impediu que centenas de passageiros abordassem a ilha, pelas difíceis condições do mar e pelos danos ocorridos no píer do Porto de Santo Antônio, face à fúria das ondas.

Claro, as “condições do mar” são previstas no contrato de viagem, como um elemento que pode impedir o desembarque, sim. Ninguém desconhece isso... Mas a dor de ver o seu sonho ir por “água abaixo” é grande e, para muitos, impossível de ser superada. Em cada rosto escondia-se a decepção, a constatação que chegara tão perto do seu objeto de cobiça e o perdia, porque o soberano mar assim o resolveu.

Certamente, para muitos, a oportunidade pode vir a ser repetida... Mas os planos frustrados pesam muito no contexto e provocam lágrimas, revoltas, até mesmo gestos e palavras impensadas, como o desabafo dos que não conseguiram viver aquilo que sonharam!

O swel não é freqüente em Fernando de Noronha. Ele ocorre de tempos em tempos e costuma ser mais comum nos meses de janeiro e fevereiro. Chega e se vai com a mesma pressa, sem que se possa definir quanto tempo levará ativo, complicando as atividades de mar, tão constantes na ilha e tão esperadas pelo turista que vem de navio.

Curioso é constatar que a mesma agitação do mar, crescido em ondas de grande altura, é a delícia dos surfistas, que esperam esses momentos em busca de um esporte radical e emocionante.

Ó mar salgado”, como diria o poeta Fernando Pessoa, por respeitar teus limites só nos podemos aventurar quando estamos em segurança, porque a vida assim o exige. E é assim que terão de ser mantidas as cautelas no chegar-se à ilha, quando o mar que a rodeia estiver furioso e soberano...

Vale temer o risco e minimizá-lo, tanto quanto possível!