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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O REPOUSO DERRADEIRO DO PASTOR


De forma definitiva, Dom Helder Camara agora repousa num espaço apropriado, na Igreja da Sé, Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife. Próximos a ele, no mesmo altar preparado com zelo e carinho, estão o querido Dom José Lamartine - farol que iluminou os tempos helderianos, lado a lado com o Profeta, ajudando-o, como Bispo Auxiliar, na condução da Arquidiocese – e, mesmo que pareça estranho, foi unânime a decisão de colocar-se ali também - junto ao mestre e pastor - o mártir Padre Antônio Henrique, apóstolo sereno e atuante, militante em prol da juventude consciente e perseguida, dando sua vida pela causa que abraçara, hoje objeto de busca da verdade, nesses tempos de clareza e explicações.

Um momento especial foi preparado e aconteceu no dia de hoje - 27 de agosto - data em que os 13 anos de sua partida foram rememorados. Conduzindo a cerimônia com o carinho de filho, esteve o especial Arcebispo desse tempo de busca da luz, Dom Fernando Saburido, que tudo providenciou, cumprindo o dever de condutor do seu rebanho e “helderólogo” convicto. E abençoou as urnas que guardavam os restos mortais dos três amigos, para que o Dom repousasse no templo onde tantas vezes celebrou – inclusive as inesquecíveis Missas Natalinas – no seu sossego de agora, após o dever cumprido fielmente, ladeado de companheiros de fé e de lutas.

Claro que as lembranças se avolumam... Este homem pequenino, de gestos largos e enorme capacidade de olhar bem longe, antecipando um tempo em que todos seriam felizes, continuará dormindo e seu eterno sono, na sua catedral, junto dos seus dois grandes amigos, e dali vai emanar o vento bom da certeza do céu que ele fez por merecer chegar e de onde continuará nos abençoando a todos, seus devotos verdadeiros.

Olinda tem agora mais um local de veneração e prece. Na Igreja de tantos séculos, dedicada ao Salvador do Mundo, escolhida para tanto desde 1534, fiéis e turistas, gente do povo, anônimos passantes, hão de persignar-se diante daquele altar especial, por que nele – adormecido - está o santo dos nossos dias, o corajoso homem que o mundo acolheu e concedeu honrarias, descansando das fadigas e incompreensões da vida, confabulando com gente que lhe esteve tão próxima – na vida e nos ideais abraçados – que se fizeram dignos dessa partilha de agora.

Abençoados sejam!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

OS PRIMEIROS CONVENTOS FRANCISCANOS NO BRASIL


Recebi, do escritor Antônio Noberto, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, um interessante trabalho sobre o mais antigo convento capuchinho do Brasil – o Convento São Francisco, em São Luiz (le Couvent Saint-François), edificado em 1612 onde hoje se encontra o Seminário Santo Antonio, no Centro da capital maranhense, Quatro capuchinhos acompanhavam Daniel de la Touche naquela viagem: Frei Yves d’Evreux (superior da missão), Frei Claude Abbeville, Frei Ambroise d’Amiens e Frei Arsene de Paris. Mais tarde, em 1613, viriam mais 11 capuchinhos, para viverem nessa casa conventual, construída de taipa de pilão e de pedra “como se fazia na França” tornando-se mais sólida, com o uso posterior de outros materiais construtivos.

Ler sobre isso despertou-me dois desejos:

  • : falar de um outro convento também franciscano, erguido em Olinda, em 1585: o Convento de São Francisco da Ordem dos Frades Menores, o mais antigo do Brasil daquela congregação,
  • : falar sobre Frei Claude d´Abeville, integrante da expedição que se dirigia ao Maranhão mas que, aproximando-se do Brasil, sentiu necessidade de parar em um arquipélago encontrado na sua rota marítima, para se abastecer.

O Convento franciscano de Olinda é muito conhecido pelos devotos de São Francisco e muito visitado pelos turistas que chegam à 1ª capital pernambucana. Erguido numa colina suave, a caminho do Alto da Sé (a Catedral do Arcebispado), no coração do sítio histórico da Cidade Patrimônio Mundial, foi invadido pelos holandeses no século XVII, abandonado à sua própria sorte por muitos anos, reconstruído, ornamentado com azulejos portugueses, preciosas talhas douradas, pinturas que trazem a natureza para enfeitar o interior do conjunto – mostrando folhas e frutos - e figuras de anjos com traços fisionômicos índígenas, entalhados em jacarandá.

Ali nasceu o Mamulengo, expressão criativa de usar-se o boneco feito em mulungu, para a catequese dos índios e escravos, usada pelos franciscanos da primeira hora. Ali vive – desde aquele tempo - a comunidade de Frades Franciscanos Menores, em terras doadas por Dona Maria da Rosa, a 1ª franciscana secular, que fez nascer daquela casa, desde 1577, a mais antiga e Venerável Ordem Terceira Franciscana secular do País, núcleo tradicional de religiosos que chegam até os nossos dias.

Frei Claude d´Abeville, um de dos companheiros de La Touche, conquistador do Maranhão, como seu escrivão na expedição, escreveu uma bela obra: “História da Conquista do Maranhão e Terras Circunvizinhas” e nela incluiu um capítulo “Fernando de Noronha”, no qual descreve o arquipélago com riqueza de expressões e de detalhes, do que seria a esplendorosa natureza que descobriu, ao parar por 15 dias na ilha principal do arquipélago, onde quis deixar plantada a força da fé católica, improvisando uma paliçada sob a qual celebrou a 1ª Missa naquelas paragens. Esse feito é contado também na coleção “História da Igreja no Brasil”, do Pe. Arlindo Rupert, ao referir-se aos frades capuchinhos franceses que andaram pela nossa terra.

Detalhes da uma grande história que se construiu aos poucos, mas que deixou sólidas informações e nos ajudam a resgatar o passado, seja em Pernambuco, seja no Maranhão, com gosto de eternidade!

Imagem: claustro do convento franciscanos de Olinda - o mais antigo do Brasil.


domingo, 3 de junho de 2012

OLINDA - A BELEZA VISTA DO ALTO


Olhar Olinda, a qualquer hora do dia ou da noite, no coração do seu “Sítio Histórico”, é sempre um colírio para os olhos... Vê-la do Alto da Sé, é reafirmar a expressão de encanto atribuída ao seu donatário – Duarte Coelho – quando aqui chegou, em 1535 e, extasiado, teria poetizado diante do que via: “Oh! Linda situação para construir-se uma Vila!”.

Foi sempre essa a minha compreensão, contemplando aqueles monumentos, sabiamente dispostos pelas sete colinas que circundam e compõem o espaço urbano, marcado por descidas deliciosas, casario irregular, quintais explodindo de tanto verde, “rasgos” de um mar que a tudo margeia, céu azul, tingindo-se de luz e de sombras, quando o dia se vai...

De repente, um elemento novo se acrescenta a esse caleidoscópio de lindeza, dando a uma edificação importante – a Caixa d´Água do Largo da Sé - um elevador panorâmico. E as filas se sucedem, atraindo gente de todas as idades e procedências, para galgar aquele espaço físico e ser levada, aos poucos, para o alto, para a paisagem, para o choque inesquecível em perceber que aquele lugar já tão emblemático, está ainda mais bonito!!! E o prédio - pioneiro no uso do elemento vasado em sua construção - pareceu-me, àquele momento, “perdoado” por ter sido tantas vezes acusado de estar plantado em lugar inadmissível!

Não há como ficar indiferente... Chegar lá em cima, é quedar-se diante de cenas já conhecidas, agora vistas do topo possível de chegar-se pelo engenho humano e pelas realizações certeiras dos que decidem por escolher o que for melhor.

De repente, lá estava eu, olhos e coração abertos para o “Horto del Rey”, somente antes espreitado por rasgos de vegetação ou a partir da contemplação do terraço das Dorotéias, nem sempre permitido...

De repente, aquele verde secularmente protegido, desde as “Hortinhas” de Duarte Coelho, levava-me a um passado relativamente próximo, quando sonhou-se a união daquele espaço com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para nele abrirem-se meandros, permitindo visitações, caminhadas... Tudo isso “apalavrado” com o Dr Sérgio Bruni, representando-o na assinatura de um Protocolo de cooperação técnica...

De repente, Olinda estava aos meus pés, com seu Farol, suas Igrejas, seus caminhos tortuosos, espalhando-se para longe, até suas terras distantes, do antigo Termo da Vila, na contemplação do Porto, dos “Arrecifes dos Navios”, da cidade-irmã Recife, que cresceu tanto a ponto de suplantá-la.

Naquele terraço superior, do alto da Caixa d´Água, recordei Duarte Coelho, o visionário, que batizou essas terras, dando-lhe deu nome e uso pelo seu Foral... Recordei Germano Coelho, que sonhou uma Olinda construindo seu futuro com as lições do passado... E recordei Carlos Penna Filho, o poeta, ao descrevê-la como um lugar tecido de “limpeza e claridade”, iluminando nossos corações para sempre!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O HOMENAGEADO DO CARNAVAL DE OLINDA EM 2012

Um dia, alguém que o entrevistava escreveu que “ele era um poeta, acima de tudo, porque falava de tudo de forma poética”. Duas vezes coube-lhe conduzir os destinos de Olinda, como um dos seus mais apaixonados defensores. Um marco: isso fora Germano Coelho, para a “Cidade Patrimônio Mundial”, em todos os tempos...

De repente, quando muitos lamentavam ter sido ele talvez “esquecido”, a grande notícia surge: aquele Prefeito-poeta, Jurista, Historiador, incansável leitor de todas as importantes obras das mais famosas já publicadas sobre essa “muy nobre e sempre leal Villa d´Olinda”, fora escolhido para ser o HOMENAGEADO EM OLINDA no Carnaval 2012! Evoé!!! Aleluia!!!

Quem fizera mais do que ele por esse Carnaval-participação? Quem tinha levado o Carnaval a retomar a liberdade de sair no horário e do local costumeiro, com itinerário de sua preferência, depois de anos obrigado a descer ladeiras em direção aos palanques oficiais, às passarelas com as quais nunca se haviam conformado? Quem valorizara os maracatus, os bonecos gigantes, as máscaras populares, os blocos, as troças, os clubes, permitindo que todo o sítio histórico fosse o especial local de desfiles, agregando enormes grupos de agremiações, gerando o lindo desfile de bonecos, de caboclos do maracatu rural? Quem instituíra essa programação livre, espontânea, apenas mencionada nos panfletos orientadores, marcados pelo respeito aos brincantes e carnavalescos?

E ainda: Quem “rasgara” avenidas em várias direções, simplificando e aproximando bairros, facilitando o ir e vir dentro do mesmo município, durante e o Carnaval e fora dele?

O que se viu, na coletiva que o proclamou como HOMENAGEADO, foram os aplausos de uma platéia de pé, constituída pelo representantes da imprensa e das agremiações carnavalescas, muitos com os olhos molhados de emoção!

Enfim, a justiça é feita. O sonhador, o realizador, o amante de Olinda, o apaixonado por uma terra chegava - pelo gesto de acolhida do dirigente de agora - para ser saudado por tudo o que fora, como Prefeito da “Cidade Monumento Nacional”, amado pela multidão que seguia seus passos então ligeiros, acompanhando – por horas a fio – o Carnaval que sempre amou.

Olinda tem o homenageado que merece! Germano Coelho tem a unanimidade que soube conquistar O Carnaval acolhe, de braços abertos, esse ser especial, feito de sonho e de amor!

Parabéns, Germano! Parabéns, Olinda!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUE SAUDADE DO PRESÉPIO DE OLINDA...


As manchetes dos jornais foram contundentes: “Presépio gigante encanta visitantes de Olinda neste Natal...”; “O Maior Presépio do Brasil está em Olinda/ Pernambuco”; “Presépio gigante é destaque no Ciclo Natalino de Olinda em 2010”; Olinda celebra o Natal com a montagemdo maior presépio do Brasil”; “Olinda inaugura neste domingo o maior presépio do País”; “Mai

or presépio do mundo está em Olinda”.

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Não havia dúvidas: exibir um presépio gigante numa das mais emblemáticas praças da “Cidade Patrimônio Mundial” fora uma decisão acertada, oportuna, encantadora! Ninguém ficou indiferente àquele enorme número de figuras religiosas, da tradicional cena imaginada por São Francisco, séculos antes de nós todos, mas exibindo-se agora de forma surrealista, única, pela genialidade de um dos maiores e mais talentosos artistas olindenses: Fernando Augusto Gonçalves.


Plantado na suave Colina do Carmo, às vistas de quem passava, o presépio atraiu a todos, tornando-se, em 2009 e 2010, a maior atração do Natal pernambucano, louvado em registros escritos, radiofônicos, televisivos... Quem o via, tornava-se um divulgador, convocando outras e outras pessoas para o momento mágico de estar ali, diante da cena tão familiar ao mundo, no entanto mostrada na enormidade da Arte verdadeira, atraindo famílias inteiras, crianças que brincavam na praça, parando a cada momento para contemplar a maior representação do Natal, numa cidade capaz de ousar, com o tantos dos seus filhos o fizeram, no passado.


Este ano, nada aconteceu. O presépio gigante ficou na lembrança, sem explicações convincentes que o justificassem. Faltou algo defundamental na Colina Carmelita, como se dela houvesses extraído o “toque” de genialidade, esvaziando-a e apagando-a aos nossos olhos.


Restou a saudade. Enorme saudade de visitas constante ao lugar dos sonhos, onde se podia mergulhar no imaginário popular, tendo ou não qualquer vinculação religiosa, mas reconhecendo que a imortalidade do presépio descomunal tinha sido desconsiderada, por qualquer motivo que fosse.


A mim, apaixonada por Olinda e pelo Carmo de Olinda, doeu não encontrá-lo novamente de pé, talvez até com mais peças, mais elementos de beleza, como se isso fosse possível, numa obra de Arte tão valiosa.


Ah! Que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


Quem sabe um dia ele volta, tão belo quanto o foi, tão forte como era visto, tão oportuno como o é, nos Natais de todos os lugares, de todas as igrejas, de todos os corações!...

Repetimos, emocionados: que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

É FESTA NOVAMENTE NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE


Dia 16 de novembro é uma data muito especial para Olinda. Neste dia foi criada – em 1676 - a DIOCESE DE OLINDA, tendo como instrumento de criação a Bula “Ad sacram Beati Petri sedem”, do Papa Inocêncio VIII. Um momento importante para esta parte do Nordeste do Brasil, até então sem autonomia eclesiástica, apenas sufragânea da Diocese de São Salvador da Bahia, desde 1624. E, na época, foi designado o seu primeiro Bispo: Dom Estêvão Brioso de Figueiredo.


Desde aquele momento inicial, a Igreja da Sé foi a Catedral da Diocese, como o é até os dias atuais e, mesmo tendo experimentado o incêndio holandês de 1631 e o abandono dos homens pelos tempos que se seguiram, o templo continuou lindamente fincado no alto do morro, descortinando beleza por todos os lados.


Olinda era considerada a “fina flor da fidalguia”, plantada num sítio que havia encantado o donatário Duarte Coelho no século XVI (uma das teorias para o seu nome, nascido da admiração daquele fidalgo ao dizer: “Oh! Linda situação para se erguer uma vila!”). No alto, em uma das sete colinas onde o traçado urbano haveria a se espalhar, estava a e, ao seu redor, derramava-se o casario, os muitos verdes, a visão do mar lá longe...


Em 5 de dezembro de 1910 a Diocese foi elevada à Arquidiocese e Sede Metropolitana, através do Decreto da Sagrada Congregação Consistorial. Seu primeiro Arcebispo foi Dom Luís Raimundo da Silva Brito.Oito anos mais tarde, pela Bula Cum urbis Recife, de 26 de julho de 1918, a ela seria anexado o Recife, que passara a ser a capital. E ela denominou-se, a partir dali, Arquidiocese de Olinda e Recife, única no Brasil a conter o nome de duas cidades na sua titulação.


Em dezembro de 2011, em meio a festas e acontecimentos, comemorou-se a existência tão antiga da arquidiocese pernambucana. Afinal, são 335 anos de vida, de tradição, de pioneirismo olindense, de uma fecunda evangelização através dos tempos.

Hoje, mais de três séculos depois, a Arquidiocese de Olinda e Recife está organizada em 103 paróquias, que pertencem aos cinco Vicariatos criados pelo Arcebispo atual, Dom Fernando Saburido, abrangendo a Região Metropolitana do Grande Recife, incluindo-se, também, o Arquipélago de Fernando de Noronha.


Na sua história de tantos feitos há o registro de muitos e santos Bispos e Arcebispos que, nesses séculos, a conduziram com apostólico zelo. Alguns se notabilizaram a seu tempo. Outros deixaram-se ficar na marca do seu pastoreio e dos seus passos de profeta, como o inesquecível Dom Helder Câmara, que levou a AOR por todos os lugares do mundo, na força da sua voz, dos seus escritos, da sua santidade e da luta em favor da Paz e da Justiça. E é ele que é procurado por tantos quantos visitam a Catedral, para ajoelharem-se diante do seu túmulo, fazerem seus pedidos e apresentarem suas orações...


Na data de festa de sua criação – 16 de novembro -, saudemos todos aqueles que escreveram seus nomes na história dessa antiga Diocese, hoje Arquidiocese! Saudemos os cristãos católicos que se orgulham do passado e veneram os que se fizeram dignos de honras e de saudades! Saudemos OLINDA, por tudo o que significa em Pernambuco, desde os áureos tempos em que floresceu pelas colinas suaves, implantando nela a civilização cristã!

sábado, 9 de abril de 2011

EM OLINDA É TEMPO DE ORAÇÃO E PROCISSÃO




O período que antecede a Semana Santa e todos os dias dessa semana diferenciada é, para Olinda, um tempo de tradições, de religiosidade, de encontros, de trocas afetivas, de fé...


Pelas ruas, largos, ladeiras e becos da cidade paira um clima favorável para que a comunidade católica olindense cante, reze e medite nas igrejas, nos caminhos antigos e estreitos, diante dos nichos e em procissões que repetem passos e confirmam a verdade da fé.


São muitos os momentos. Em dois dias da semana que antecede a Semana Santa, propriamente dita, duas procissões ganham as ruas:


* a PROCISSÃO DO ENCERRO (popularmente chamada "procissão das velas");

* e a PROCISSÃO DOS PASSOS, que repete momentos da Via Sacra, parando diante de Nichos iluminados e decorados para que ali, diante de uma cena da Paixão de Cristo, aconteça uma reflexão.


Depois, seguem-se as celebrações do período, com:

* a PROCISSÃO e MISSA DE RAMOS,

* as cerimônias penitenciais,

* a MISSA DOS SANTOS ÓLEOS - na quinta-feira santa (essa na Sé-Catedral, com a presença de todos oa padres da Arquidiocese de Olinda e Recife, renovando seus votos sacerdotais e cada Paróquia recebendo os óleos que usarão ao longo do ano (para o Batismo, o Crisma e a Unção dos Enfermos),

* a PROCISSÃO DO SENHOR MORTO - na sexta-feira santa;

* as vigílias pascais que atravessam a noite e terminam com o nascer do Domingo de Páscoa;

* a PROCISSÃO DA RESSURREIÇÃO, ao amanhecer do Domingo, anunciando a vitória da Vida sobre a morte de Cristo;

* e as Missas de Páscoa.


Claro, por muitos outros lugares procissões e missas recordam o sofrimento do Cristo e o seu triunfo sobre a morte... Mas em Olinda esses momentos ganham em se participar disso em um ambiente propício, a começar pelas 22 igrejas e 11 capelas espalhadas pelo sitio histórico, badalando seus sinos ou movimentando suas matracas, em pungentes ou gloriosos proclamas religiosos.


E um encanto para os olhos que seguem cortejos, corações que pulsam animados pela fé e beleza plástica por que isso acontece numa cidade impar e singular, que é OLINDA!


sábado, 12 de março de 2011

OLINDA / RECIFE - IRMÃES E ANIVERSARIANTES



De um lado está OLINDA: preciosa jóia lusitana, plantada em sete colinas, espraiada a partir do mar, agregadora de tempos que se foram mas deixaram-se ficar, no casario azulejado, nas tantas igrejas e capelas, nos conventos e mosteiros, nas ladeiras íngremes e estreitas, nos becos de nomes sonoros, nos sabores inesquecíveis e criativos...

Do outro lado, o RECIFE: plano em sua maior parte, serpenteado por rios domados por pontes que por eles se debruçam, traçado em ilhas que se juntam para fazer nascer o espaço urbano, protegido pela linha natural de arrecifes que vieram a batizá-lo lindamente...

Duas cidades distintas e unidas. Dois polos tão próximos que parecem ser só um. Dois destinos interligados, embora tenham, cada um deles, suas características próprias...

Uma - OLINDA - a mãe e matriz, nascida do sonho de um donatário destemido, a "oh! linda situação para se construir uma vila" que se fez verdade. Outra - RECIFE - filha interligada pelo porto natural que permitia o ir e vir europeu e que cresceu e se traçou pela cobiça holandesa que veio mais tarde - no século XVII - permitindo a diferenciação que foi surgindo e veio a separá-las em definitivo!

OLINDA, a capital primeira, o berço dos estudos ligados à Coimbra, religiosa no seu crescer à sombra da cruz, acolhendo jovens decididos em suas andanças de arte e de som. RECIFE. a terra onde viviam os mascates, o ambiente portuário, o enriquecimento a partir das atividades econômicas que explodiam por toda a parte.

Em Olinda, a arte estava naquilo que se erguia, nos monumentos religiosos e civis que surgiam, na Vila que se consolidava, onde habitavam os senhores da terra. No Recife, a primeira ponte chegou no século seguinte à sua formação, nos ares estrangeiros que a fizeram solo, cuidando que seus rios fossem a marca, o diferencial, a lembrança mais forte.

E hoje, dia 12 de março, juntas essas duas terras comemoram o seu aniversário, a data que vale como uma certidão de nascimento... Para uma - a VILA D´OLINDA - o dia em a Câmara já existente concedeu à terra a sua Carta de Foral, distribuindo seus espaços para sempre, com aqueles que a fizeram surgir. Para a outra - a RIBEIRA DO MAR DOS ARRECIFES - o "reconhecimento histórico da sua existência" ali, tão perto e tão necessária. Para as duas, razão de orgulho e respeito!

Saudemos essas cidades-irmãs, que celebram juntas um dia de reconhecimento e de razão para festejar! Saudemos a MARIM, antes habitada por índios Caetés e Tabajaras e o PORTO DOS NAVIOS próximo a ela, que viriam a ser chamadas, para sempre, de OLINDA e de RECIFE!

E que seus filhos tenham a alegria de poder dizer: PARABÉNS!!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ARTISTA PLÁSTICO RECEBE UMA MERECIDA HOMENAGEM!


O anúncio surpreendeu, principalmente, o homenageado: FERNANDO AUGUSTO GONÇALVES será o alvo de todas as honrarias do Carnaval de Olinda em 2011, um tributo merecido pelas tantas vezes que coloriu e vestiu de poesia a cidade, exatamente para a folia carnavalesca...

Um decisão justa. Uma recompensa talvez tardia para quem fez os mais fantásticos enredos, ano a ano, re-criando bonecos, totens, figuras, cores, matos, beleza, engenho e arte, a mais bela e popular Arte espalhada por ladeiras, ruas, sacadas seculares, caminhos dos homens e dos sonhos.

Quem é esse homem múltiplo, talentoso e criativo, capaz de distribuir o belo pelos espaços olindenses, no Carnaval e fora dele, em "quadros sequenciados" de figuras mágicas, envoltas em miragens e delírios inesperados? Quem é esse ator, escultor, manipulador, bonequeiro, mestre popular na arte do Mamulengo, nos palcos da vida, nas aulas magistrais ministradas, nas instituições que imaginou e fez nascer para sempre?

Quem é esse profissional da Arte, Ex-Secretário-Adjunto de Patrimônio, Cultura e Turismo dessa mesma Olinda que o homenageia? Quem é Fernando Augusto Gonçalves, amigo de tantos e unanimidade no seu talento agora em destaque?

É aquele que carnavaliza Olinda, reveste-a de figuras bíblicas nos presépios natalinos gigantes; que cria e torna visíveis peças exclusivamente feitas para teatro de bonecos; que imaginou e tornou verdade (com apoios diversos, todos embarcados em seu sonho) o 1º MUSEU DO MAMULENGO em Olinda, de onde brotaram outras experiências semelhantes, pelo Brasil afora...

Nesse próximo Carnaval ele não se retirará, caindo de cansaço pelas noites indormidas no preparo do seu enredo (como costumava fazer), mas caminhará pelas ruas, como "um criador diante das criaturas criadas", para receber o aplauso e os abraços dos amigos, dos admiradores e dos anônimos foliões, gratos todos pela genialidade com que vestirá Olinda, mais uma vez, fazendo-a mais bela do que já é...

Neste próximo Carnaval, ele será parte dessa festa de cor, de luz, de coragem, como membro e guia dessa equipe fantástica, preparada sob seu comando e feitio e adormecerá cada dia embalado pela maravilha que fez brotar e fazer-se força no palco da folia e da Arte!

Parabéns, Olinda, pela homenagem concedida! Poucos a mereceriam como o homenageado de 2011!

Parabéns, Olinda!
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Fato 01 - Decoração do Carnaval de Olinda feita pela homenageado.
Foto 02 - Fernando Augusto - o homenageado
Foto 03 - Presépio-gigante feito no Natal, por Fernando Augusto




sábado, 13 de novembro de 2010

16 DE NOVEMBRO DE 1676 - HÁ 334 ANOS CRIAVA-SE A DIOCESE DE OLINDA


Olhar Olinda, plantada entre verdes colinas, torres de Igrejas e mar que se oferece como um refrigério para os olhos, é sempre uma ocasião de louvação e deleite. Da "linda situação para se erguer uma vila" à ação, e aqueles ermos foram sendo povoados, pouco a pouco, sob a inspiração e a fé no Salvador do Mundo, seu padroeiro.

Nem o criminoso incêndio holandês de 1631 apagou seu brilho! Ferida em seus flancos, arruinada em seus bens culturais edificados, ela resistiu, deixou-se abandonar, restou lá, no alto que encantara o donatário desde 1535, para voltar a receber honrarias após a expulsão do invasor, em 1654, ganhando o foro de Cidade em 16 de novembro de 1676, com a criação da DIOCESE DE OLINDA, pela Bula papal "Ad Sacram Beati Petri Sedem", e a determinação de ser a Sé a sua Catedral.

Restabelecia-se um tempo de evidência e glória, ainda que a opulenta Vila estivesse ferida no seu abandono. A elevação da Sé a Catedral do Bispado que surgia, com seu Corpo Capitular, só poderia ser mesmo naquela Igreja, designada como primeira Paróquia do Salvador do Mundo desde 1534, antes mesmo que Duarte Coelho viesse tomar posse da sua Capitania. E sua primitiva construção, feita de taipa de mão e madeira, era testemunha da intenção de cristianizar-se as terras de Brasil.

Agora, 334 anos depois, Olinda não está sozinha, na identificação comorativa. Os séculos viram essa Diocese ser transformada em Arquidiocese - data centenária a ser comemorada neste em 05 de dezembro de 2010 - e a ela se viria juntar o Recife, em 1918.

Mas nesse 16 de novembro que aí vem é o momento primeiro que se rememora...

Saudemos essa Olinda fecunda e bela! Saudemos seu Padroeiro, o Santíssimo Salvador do Mundo! Saudemos os tempos novos que viram ser consolidade a vocação primeira da antiga Matriz, razão de orgulho e veneração de todos!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

RENASCEM AS ESPERANÇAS NA RESTAURAÇÃO TOTAL DO CARMO DE OLINDA...



Hoje poderia parecia ser um dia qualquer, nos sítios históricos de Olinda. Parecia... Mas não era. Uma movimentação diferente acontecia na sede da Prefeitura da cidade, para onde acorriam religiosos, autoridades nas esferas municipais, estaduais e federais, políticos, gente comum... Preparava-se o momento da "alforria" para os carmelitas, que sonharam sempre com a restauração e entrega ao culto da sua "Casa-Mãe", o primeiro conjunto carmelitano erguido nas Américas, a partir de 1580.

Foi longa a espera. Foram muitos os sonhos da comunidade que se formou em torno da retomada daquele espaço religioso, constituindo a chamada "turma da resistência carmelitana", que tornou possível as celebrações semanais, a vivência do calendário litúrgico, convivendo com manifestaçoes artísticas no seu entorno, como as cenas da Paixão de Cristo - (por ocasião das Semanas Santas de 2009 e 2010 - e o magnífico Presépio-de-figuras-gigantes - no Natal de 2009. Para essas expressões de Arte, nenhum cenário seria mais adequado e belo do que a colina do Carmo, tento a soberba Igreja como pano-de-fundo...

Pois hoje, dia 02 de setembro de 2010, após uma espera de décadas, todos os que lutaram e se fizeram presentes nos ofícios religiosos celebrados em meio aos escombros, aos altares semi-destruídos e a um chão desprovido de piso, festejaram a alegria da assinatura da "Ordem de Serviço" para as obras de completa restauração, da Igreja e do seu entorno, com afloramentos arqueológicos e douramento de seus altares. Aleluia!

Muitos que começaram conosco essa causa meritória já se foram para a outra vida. Certamente, de lá, da glória celeste, olham-nos felizes e agradecidos, porque fomos capazes de continuar lutando, persistindo e sonhando. Companheiros de caminhada, eles se foram antes que o momento de hoje ocorresse...

Outros, chegados a pouco tempo, sentiram-se engajados pelo significado da ação que se fez concreta nesta data, talvez porque sentiram a força com que conduzimos esses tempos de penúria, de conviver com o abandono, sonhando sempre que um dia teríamos de volta a Casa-Mãe, para que nela viessem viver novamente Carmelitas.

Assim são as coisas dos homens. Dias de sofrer, pela desesperança e lentidão os atos que garantam as ações nenessárias e dias de aplaudir, de chorar de alegria, porque o momento esperado chegou!

A certeza: a Igreja do Carmo de Olinda será restaurada. Na íntegra. Por dentro e por fora.

Valeu a pena esperar tanto!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

11 DE AGOSTO - O PIONEIRISMO DE OLINDA



Foi em Olinda e em São Paulo que surgiram os primeiros cursos superiores do Brasil, com a criação - em 11 de agosto de 1827, pelo Imperador Pedro I - a Faculdade de Direito de Olinda, simultaneamente com a Faculdade de Direito de São Paulo, só então surgindo da nossa terra dois cursos superiores de Ciências Jurídicas e Sociais.

Por essa razão, esta é a data em que se celebra o DIA DO ESTUDANTE, comemorado, a cada ano, nos dois lugares escolhidos para sediarem os cursos de Direito, e ambos instalados, pouco tempo depois, em prédios religiosos, o de Olinda no Mosteiro de São Bento e o de São Paulo no Convento de São Francisco.

Para Olinda acorreram estudantes das províncias do norte e nordeste; para São Paulo, do sul e sudeste, afora alunos de outros países, como Angola e Portugal. Somente jovens com mais de 15 anos podiam ser matriculados, depois de serem aprovados em estudos preparatórios de Francês, Gramática Latina, Filosofia Racional e Moral, e Geometria.
A grade curricular da época era dividida nas seguintes disciplinas, a cada ano:
  • 1º ano - Direito Natural, Público, Análise da Constituição do Império, Direito das Gentes, e Diplomacia;
  • 2º ano - as cadeiras do ano anterior e mais o Direito Eclesiástico;
  • 3º ano - Direito Pátrio Civil e Direito Pátrio Criminal, com a Teoria do Processo Criminal;
  • 4º ano - continuação do Direito Pátrio Civil e o Direito Mercantil e Marítimo;
  • 5º ano - Economia Política e Prática do processo adotado pelas Leis do Império.
A primeira turma de Bacharéis em Ciências Jurídicas de Olinda formou-se em 1832. Em 1852 o curso foi transferido do Mosteiro de São Bento para o Palácio dos Governadores (atual sede da Prefeitura de Olinda). Em 1854 foi trazido para o Recife, passando a chamar-se Faculdade de Direito do Recife, sendo hoje a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE.

Todos os anos, neste dia, solenidades feitas em Olinda comemoram a importante data - 11 de agosto - inclusive com ato na Biblioteca do Mosteiro beneditino, que funcionaou como sala de aula daqueles primeiros estudantes.

Vale lembrar, como curiosidade de Pernambuco, que somente neste ano de 2010, Fernando de Noronha formou seus primeiros ilhéus em um curso superior: o de Pedagogia (em janeiro) e, no final deste ano, formará sua primeira turma de Administração. As deficuldades para que isso pudesse acontecer e os avanços tecnológicos permitiram que, somente 183 anos após o pioneirismo em Pernambuco, a formação em nível universitário fosse possível no Arquipélago.

domingo, 28 de março de 2010

A CELEBRAÇÃO DA SEMANA SANTA EM OLINDA


As Confrarias, a Ordem Franciscana Secular, as Irmandades e Congregações religiosas de Olinda organizam, separadamente, suas Celebrações para a Semana Santa, com suas Procissões tradicionais (Procissão do Fogaréu, Procissão do Senhor Morto, Procissão da Ressurreição), suas Celebração Penitenciais e Confissões, suas Vigílias Pascais, suas Apresentações Artísticas nas Igrejas... Depois, em entendimento com da Prefeitura da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade vivenciam uma programação especial para Semana Santa em 2010.

A disposição topográfica da cidade favorece o clima de recolhimento e participação, pelas ruas e ladeiras, com seu casario antigo, atraindo gente que vem para rezar ou vem apenas para assistir e entra no clima mágico que a tudo transforma...

Este ano, além das atividades nos templos e em seus entornos, será realizado também, pela segunda vez, o espetáculo Cenas de Cristo, apresentado durante quatro dias, em frente à Colina da Igreja do Carmo de Olinda, de 1º a 4 de abril, às 18h20, sob a direção do ator e diretor de teatro José Pimentel.

Pernambuco tem uma grande tradição e competência para teatralizar a Paixão... Este de Olinda é um espetáculo grandioso, ao ar livre, com um elenco de 30 atores e cerca de 50 figurantes, afora a participação de 30 alunos de escolas públicas de Olinda, na cena do Sermão da Montanha. São oito cenas, diante da majestosa Igreja do Carmo serve como cenário, no alto de uma colina suave, que permite uma visão perfeita da encenação.

Na Quinta-feira Santa, outro momento especial: a “Bênção dos Santos Óleos” na Igreja da Sé, Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife, presidida pelo Arcebispo Dom Fernando Saburido, com a presença dos Párocos de toda a Arquidiocese que, após a celebração, levam para suas igrejas os óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos, abençoados na Missa.

Essa é a Olinda tradicional, cidade de cinco séculos, vivendo mais uma vez uma santa semana de oportunidades para uma mudança de vida, beleza naquilo que mostra e de fé!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O MAIOR E MAIS LINDO PRESÉPIO DO BRASIL SE FOI...


20h, de um dia comum... A Praça do Carmo (ou “da Preguiça”), em Olinda, cheia de gente: famílias inteiras, com suas crianças saltitantes; idosos saudosistas emocionados e felizes; turistas de máquinas fotográficas em punho, disputando com transeuntes o espaço possível para imortalizarem aquele momento mágico; clima natalino no ar e o PRESÉPIO – enorme, inesperado, fiel às páginas sagradas, caprichosamente construído por mãos populares, sob a “batuta” de um gênio: o artista plástico, museólogo, sociólogo e mamulengueiro Fernando Augusto Gonçalves!

Algo surrealista espraiado pela colina do Carmo, uma das menores, dentre as sete que compõem o sítio histórico olindense. Como “pano-de-fundo” a mais antiga igreja carmelita das Américas, engalanada pela lua e pela luz para aquela festa, acolhendo a Arte olindense na sua expressão mais genuína: a dos bonecos, na “pátria dos bonecos”, sejam eles pequenos (os mamulengos) ou grandes e, nesse caso, enormes, gigantescos.

Um ir e vir que parecia não terminar nunca... Onde o melhor ângulo para ver tudo? De que lugar a melhor foto? Onde postar-se para ouvir-se claramente a trilha sonora natalina, pontuada de canções imortalizadas pelo mundo?

E ali, bem pertinho, o mimoso coreto redondo, de procedência inglesa, em ferro fundido e motivos decorativos únicos, também lindamente iluminado, integrava-se e compunha a cena gloriosa, presente de Natal dado a todos que acreditaram no que se adivinhava pelas noticias da mídia e no que se leu, nos registros elogiosos feito na imprensa.

Estava de volta, naquela praça, naquele dezembro que terminava, o ir e vir contínuo de pessoas de todas as idades. Retomava-se, no tempo, o sadio e quase esquecido costume de caminhar desassombrado por um espaço característico de Olinda... E isso, atraídos e protegidos todos pelo PRESÉPIO monumental, pelo ambiente surreal criado por mãos talentosas, por esse tempo de Natal comemorado aqui bem ao gosto olindense, que “bonequiza” todos os que se vão, numa homenagem popular e que recebeu, no último mês de 2009, as tradicionais cenas do nascimento de Jesus, nas “Lapinhas” (criadas por São Francisco) também “bonequizadas”.

De parabéns estão os que conduzem atualmente os destinos de Olinda, por terem acreditado no sonho e no talento do criador daquela maravilha! De parabéns estamos nós, que podemos viver o privilégio de sentir o calor da noite olindense, diante de um PRESÉPIO nunca visto, de uma cenografia impressionante e especial, de um clima de magia e de verdade, traduzido em figuras singelas de animais e de gente, compondo um todo inesquecível!

Agora, a imagem se foi... Como nos bons e riqúissimos natais do passado, o ciclo natalino se encerrou e o presépio foi sendo desmontado... Tomara que venham mais e mais bonecos nesta Olinda singular, nos tempos que hão de vir!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O NATAL EM OLINDA


Algumas tradições foram sempre o ponto alto dos festejos natalinos em Olinda, tanto nas Igrejas – em celebrações cheias de emoção – como pelas ruas, ladeiras e becos da cidade, onde o canto, a dança, os folguedos fizeram a alegria de olindenses de todos os tempos.

Seresteiros percorreram ano a ano os caminhos do sítio histórico, na “Serenata Natalina" criada pelo saudoso Maestro Otoniel Mendes, sendo acolhidos pela sonoridade dos sinos das igrejas, unidos a outros corais convidados, cantando a alegria do Natal. Pastoris entoaram jornadas em pontos distintos da cidade, mantendo vivo esse folguedo característico do Natal, gostosamente preservado e difundido nas escolas e associações da cidade. Cavalos-Marinhos, Encenações, Presépios ao ar livre e dentro dos templos, constituíram sempre o encantamento dos que valorizam esse tempo como o mais iluminado e festivo dos ciclos folclóricos do nordeste.

Foram essas iniciativas que mantiveram a magia do Natal em Olinda, que teve, ao longos de muitos anos, a presença cativa de Dom Helder na Igreja da Sé, Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife, celebrando a “Missa-do-Galo” e abençoando seu rebanho ao findar-se a celebração... Gestos e sons repetidos, crenças antigas e novas afloradas, clima de paz e de bondade presentes nos olhos e nos gestos de sempre.

O tempo que passa carrega em si as novidades que chegam, conservando formas atemporais que permaneceram e permitindo que sejam mantidas as formas de viver o Natal com sabor de passado e o gosto do novo que se agiganta...

Neste ano de 2009, o sempre presente Presépio ganhou roupagens e tamanhos inesperados, para restabelecer no coração dos homens a mensagem bíblica de um Deus que se fez criança e veio viver entre nós, garantindo a Salvação esperada. Contemplando-o, retomamos o caminho da compreensão da mensagem tão clara dos anjos, que apregoaram “Paz na terra aos homens de boa vontade”... E, ao mesmo tempo, agradecemos ao Pai pelos artistas e artesãos que, anonimamente, conduzidos pela genialidade de Fernando Augusto Gonçalves, deram a Olinda esse presente especial, que se soma a toda a tradição mantida e revivida.

Viva o Natal em Olinda e nos nossos corações!

sábado, 12 de dezembro de 2009

OLINDA TEM O MAIOR PRESÉPIO DO BRASIL


Neste ano de 2009, Olinda celebra o Natal com a montagem do maior presépio do Brasil... São dezenas de bonecos-gigantes espalhados pela encosta do morro do Carmo, tendo como fundo a mais antiga Igreja Carmelita das Américas.

A “Pátria dos bonecos”, ganha agora um presépio à altura da tradução que ostenta, de ser o celeiro dos bonecos pequenos (“mamulengos”) e grandes (“bonecos-gigantes”, como parte da decoração natalina programada para os Sítios Históricos. É o maior presépio já montado em todo País, com 75 enormes figuras bíblicas, distribuídas pelo tradicional morro, em meio à Praça da Preguiça e a Avenida da Liberdade, rodeado por outros monumentos de grande valor..

O criador do presépio é o artista plástico Fernando Augusto Gonçalves, uma das maiores autoridades em bonecos de todo o Brasil, museólogo, autor do ontológico livro “Mamulengo – um povo em forma de boneco”, publicado pela FUNARTE/MEC e criador do Mamulengo Só-Riso, de Olinda.
Com uma proposta singular, o presépio natalino da cidade Patrimônio da Humanidade possui 75 bonecos-gigantes e a Igreja que lhe serve de cenário foi especialmente iluminada para a ocasião. Os personagens com alturas entre 6m a 2m estão expostos em praticáveis de diferentes níveis e alturas, criando sinuosidades topográficas e gerando um ritmo expositório com mais de 100m de cena aberta. Uma iluminação cênica em todo o conjunto completa o clima de magia e toda essa Arte ficará exposta até o Dia de Reis - 06 de janeiro de 2010 -, quando oficialmente se encerram os festejos natalinos no nordeste.

Em todos os dias um sistema de som, das 10h da manhã à meia noite, mostra um repertório do cancioneiro natalino brasileiro e internacional, canções eruditas mundialmente conhecidas, batuques ritualísticos e dobrados de procissões, tudo organizado pela equipe do Grupo Mamulengo Só-Riso, que acaba de receber do MIinC a comenda “Ordem do Mérito Cultural do Brasil

A abertura da programação será neste domingo, dia 13, às 18h.

É uma criação de beleza a uma nessa terra de tantos encantos!
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Fontes:
Foto: Ádria de Souza
Informações: site da Prefeitura de Olinda