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domingo, 5 de agosto de 2012

ESTE É O DIA DA REDEDICAÇÃO DO CARMO DE OLINDA

Em Vossa Casa, ó Pai, Vos louvamos;
com festas e luzes nós Vos celebramos”!

Hoje e o dia de dar graças, de unir-se a tantos que perseveraram, na luta em favor da restauração e reabertura definitiva da Igreja do Carmo de Olinda, a mais antiga igreja carmelita das Américas, O dia de “voltar para casa”, dessa vez para ficar...

5 de agosto de 2012. Desde cedo, a movimentação pelas ruas dos sítios históricos, precedendo a grande emoção de caminhar em direção ao templo, por tantos anos semi-destruído. Depois, a chegada “em casa”, soberba no alto da colina suave, profusamente iluminada e ornada com flores e cantos. E deu-se a celebração solene da rededicação daquela que é o berço da presença Carmelita no continente americano.

A espera foi longa... Mais de um século da perda do imóvel para União. Décadas de resistência amorosa alimentando o sonho. Força e fé de um punhado de gente de alma carmelitana. Busca da Lei que - vencidas todas as etapas, em todas as instâncias - consolidassem a merecida posse.

E o convento, erguido no século XVI, na antiga ermida de Santo Antônio e São Gonçalo, onde se abrigaram os primeiros frades desembarcados “por acaso” em Pernambuco, naquele distante 1580, desabrocha agora, símbolo do núcleo inicial nesse “Novo-Mundo”, de onde partiram os frades para cristianizar o continente inteiro.

As emoções deste dia nem podem ser descritas, tal foi a força com que se sucederam... Quatro horas inteiras de orações, cantos, incenso, no ritual próprio da solenidade, que depositou relíquias no altar, benzeu-o com o óleo do Crisma, trasladou o Santíssimo Sacramento para o seu lugar de permanência, na lateral do templo – o altar do Crucificado – tendo acima de si, o singelo afresco do Monte Carmelo, por tanto tempo escondido sob camadas de tinta.

Para mim, devota da Virgem do Carmo, integrante daquele grupo cheio de esperanças, que amparou a reabertura da igreja mesmo ainda fora das condições de acolhida, é momento de curvar a cabeça em Ação de Graças, por toda a coragem que nos uniu e impulsionou a seguir adiante; por todos que estiveram conosco e que já se foram, para a morada eterna; por tudo que ansiávamos e acreditávamos que chegaria, um dia.

Hoje é esse dia! De agora em diante, pelo mundo afora, esse monumento olindense terá o destaque merecido, por ser o primeiro da Ordem Carmelita, o deflagrador, o marco inicial de uma aventura religiosa, a casa dos que veneram A Mãe de Deus, sob a invocação de N. Sª do Carmo.

Abençoados sejam todos que tornaram possível tudo isso acontecer!

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Fotos: Jamildo Melo / Maria Luiza Borges

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DIA DO PADRE E DOS PÁROCOS


ENTREGA


Um Amigo te esperava

na curva do teu caminho

e te aguardava, confiante,

sabendo que chegarias.


Um amigo precisava

de teus jovens braços disponíveis

para abrigar a solidão que os homens sentem

e pela qual se desorientam na caminhada.


Este Amigo – o teu Cristo - hoje ao teu lado,

recebeu teu coração ansioso

e habitou dentro dele, em plenitude,

dando-te a força para prosseguir

buscando a coragem para não temeres,

os atropelos do caminho,

a ousadia para continuares andando,

o amor, capaz de fazer de ti

um arauto do Reino de Deus!


Deus te abençoe por isso, PADRE!


(No dia do Padre e do Pároco)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

JULHO - O MÊS DA VIRGEM DO CARMO

Dentre os seres humanos criados por Deus Maria está em 1º lugar... Nós, cristãos católicos, a veneramos porque Deus a escolheu para ser a mulher que traria o Salvador ao mundo. “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. disse Isabel, ao recebê-la em sua casa...

Essa mulher especial, de mais de mil títulos, é celebrada - no dia 16 de julho - como N. Sª. do Carmo, um nome que vem do século XIII, quando, no Monte Carmelo (que significa Jardim), na Palestina, juntou-se um grupo de eremitas, que queria seguir o exemplo do profeta Elias, num jeito novo de viver que, mais tarde, se estenderia ao mundo. Daí nasceu a comunidade dos "Carmelitas".

Diz a tradição que esses eremitas ergueram uma capela dedicada à Maria que, mais tarde, seria chamada "N. Sª do Carmo" ou "N. Sª do Monte Carmelo". Essa devoção se espalhou pela Europa e, daí, foi levada para todo o continente americano, instalando-se primeiramente em Olinda, onde está a mais antiga casa carmelita das Américas. E a Virgem foi assim louvada em igrejas, lugarejos, capelas, oratórios, como uma prova de como esta devoção saiu dos âmbitos dos conventos carmelitanos e se tornou propriedade do povo, enraizada no coração de todos.

A festa da Padroeira dos Carmelitas foi fortalecida entre 1376 e 1386, comemorando a aprovação da sua regra pelo Papa Honório III. A data foi fixada para o dia 16 de julho, porque é também a data em que - segundo a tradição -, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário, um sinal efetivo de devoção carmelitana.

A ordem carmelita é uma das mais antigas na história da Igreja, Considera o profeta Elias como o seu patriarca. Elias e Maria estão unidos numa narração que se assemelha a uma lenda. Fala de uma visão que mostrou ao profeta a vinda da Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saia da terra e se dirigia para o Monte Carmelo. Perseguidos pelos sarracenos no século XII, os frades se dividiram em dois grupos: os que ficaram ali foram massacrados e o convento incendiado; os que se refugiaram em outros lugares partiram depois para a Europa, onde fundaram conventos. A um desses frades, Simão Stock, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de anjos, segurando nas mãos o escapulário e disse a ele: "Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas". Vem daí a devoção do Escapulário (cujo nome significa “armadura”, “proteção”). O uso do escapulário é um sinal de confiança em Nossa Senhora, para que ela cubra de graças aquele que o usa e o proteja de todos os perigos espirituais e corporais.

Para os recifenses, julho é um mês especial. O novenário começa hoje... Milhares de fiéis acorrem à bela Basílica do Carmo do Recife, para lembrar a “videira florescente” que é Maria! Flores, tapetes, cortinas e tantos outros ornamentos, tornam ainda mais bonito o templo da Padroeira! No ar, o precioso som do CORAL DO CARMO DE RECIFE, com mais de 60 anos de existência, dedicados à Virgem do Carmo, entoando seus louvores, extraindo do Cancioneiro Carmelita as belas e imorredouras canções, a elas somando a privilegiada obra composta pelo saudoso Maestro M. Bezerra, para louvar sua e nossa Mãezinha.

Ó Rainha do céu, flor do Carmelo”, cantou ele na inesquecível “Prece”. E, comovidos nós todos repetimos, essa que é a mais bela prece de toda a criação de Bezerra: “Ó Rainha do céu, flor do Carmelo”,!

Vamos saudar a Virgem do Carmo?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

HOUVE UM HOMEM CHAMADO JOÃO


Foste abençoado antes de nascer,

no ventre da tua mãe, João...


Desde aquele momento,

tua missão de precursor pontificava.

Era teu o compromisso de “preparar o caminho

daquele que viria para salvar todos os homens,

em todos os tempos.


E assim aconteceu.

Feliz o ventre que te concebeu,

como um milagre, na velhice da tua mãe, Isabel!

Doce espera vivida por ela, portando em seu ventre

o esperado homem que antecederia a missão do Mestre!


João Batista, humilde e dedicado servo do Senhor,

incapaz de pedir privilégios para si mas inteiramente dedicado

à tarefa maior de anteceder aquele que viria,

carregando a paz e a esperança para um mundo

que parecia perdido...


João Batista, o singelo habitante do deserto,

que se alimentava de mel e frutas silvestres,

e pastoreava rebanhos, enquanto fitava o céu que o escolhera

para ajudar o mundo no caminho da salvação...


João Batista, em tua memória rezamos, confiantemente,

para que o teu exemplo se perpetue

naqueles que acolhem a chamado à missão

e se doam inteiros para cumprir, amorosamente,

o seu dever!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PALAVRAS DO PROFETA



"Perdoem os sonhos.
Há tanta pureza de intenção,
tanto amor à Igreja,
tanto sonho
em vê-la
à frente da luta
pelos
humildes e pelos pobres..."

(12º Circular. Roma, 24/10/1962)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O TEMPO ESPECIAL DO NATAL


Nada é comum nesse tempo... As ruas se enfeitam. As luzes tornam mais belos os espaços urbanos. Através de janelas e sacadas pode-se entrever um mundo de detalhes coloridos, enriquecidos pela criatividade que faz nascer a fantasia em forma de beleza.

Isso é o Natal. Isto é a exteriorização de um sentimento de plenitude que a tudo permeia, engalanando o mundo e despertando sentimentos de paz e de solidariedade.

Pena que, nesse frenesi estimulado pelo consumo desenfreado e, ao mesmo tempo, guiado pela ternura que se derrama nas ruas e praças e que nasce também no nosso coração, vá conduzindo as pessoas para o terreno meramente material, fazendo com que o fato dominante do Natal seja esquecido ou minimizado, perdendo muita gente o sentido cristão que o caracteriza e que se faz verdade na representação do PRESÉPIO, forma concreta de representar o nascimento do Menino Deus.

A inquietação começa quando se torna claro que aquele Deus pequenino nasceu pobre, num lugar improvisado, cercado de singeleza e de mistério. Havia uma mulher grávida, prestes a dar a luz. Protegendo-a, um homem mais velho, cansado da caminhada inglória que não os levara a nenhum dos lugares esperados e sim a um estábulo, onde animais comiam. Não havia tempo para procurar mais...

É o evangelista São Lucas que nos fala daquela noite misteriosa, incluindo na cena o sobrenatural, representado pelos Anjos que entoam louvores e pedem PAZ. É ele também que descreve os pastores que, surpreendentemente, enfrentavam o frio dos campos da região e acabam por representarem o povo – daquele momento e dos séculos sem fim – prestando suas homenagens ao Menino recém-nascido.

O Filho de Deus fora anunciado, através dos séculos. Para a maioria dos que acreditavam na promessa do Redentor que chegaria, ele viria reinar, salvando o seu Povo da escravidão. Mas ele chega como um paradoxal momento histórico, inaugurando o novo momento, pequenino, indefeso, dependente, como qualquer criatura humana, semelhante em tudo a ela, menos no pecado.

Bendito tempo que reaparece a cada dezembro, na lembrança dos que esperam que o Cristo renasça novamente em nós, na nossa vida, no nosso mundo tão carente de amor!... Bendito dezembro nos amolece a alma, deixando-nos ansiosos para re-acreditar que a PAZ AINDA É POSSÍVEL, como apregoaram os anjos naquele estábulo em Belém e que nos levam a repetir esse presságio de esperança e de sonho! Bendito Natal que chega!

Que ele venha para nos fazer mais felizes e mais humanos. E que possamos crer que “no coração daquele que cumpre sua parte na vida, o Cristo nasce todo dia!!!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sua alegria - quase sempre presente no contato com os amigos - era contagiante. Sua voz poderosa, tão própria para as inúmeras atividades num palco, ou num altar, convenciam e atraiam pessoas para a figura daquele homem imenso, doce, talentoso, contraditório e multifacetário...

Quem conheceu ENÉAS ALVAREZ sabia disso. Sabia o quão dócil ele era, diante das muitas partilhas pela vida. Sabia com que propriedade ele abordava assunto diversos, com a sabedoria dos que muito sabem. Sabia do latente anseio de ser padre – desde sempre escondido no seu coração – e plenamente realizado na Igreja Ortodoxa Siriana , assumida por ele “como vocação tardia”, como ele mesmo apregoava.

Padre Enéas foi assim: querido por muitos, procurado por tantos, disponível a todos que dele necessitassem, presente e alerta, como um bandeirante da fé e do amor!

Padre Enéas foi o múltiplo e generoso ser humano, que enfrentou o difícil tempo de provação, de doenças várias e de riscos constantes, com uma aceitação e serenidade que confundiam até aqueles que o buscavam, temerosos de ouvir lamúrias e que acabavam sendo confortados pelo exemplo de resignação e fé em Deus com que se encontravam...

Padre Enéas partiu agora, em busca da eternidade sonhada, deixando órfãos os filhos que atraiu para a sua igreja de Olinda e os amigos que formaram fileiras para despedirem-se dele, na triste tarde da encomendação de sua alma, lindamente feita na celebração de corpo presente, com tanta gente em sintonia, pedindo por ele ao Pai e, num profundo momento de amor, no poema declamado pela amiga de todas as horas – Geninha da Rosa Borges – junto ao seu corpo inerte e sereno.

Que seja bonita a sua chegada ao céu, como você tanto sonhou, querido e inesquecível Enéas Alvarez! Dê as nossas lembranças a Dom Helder, que você amava tanto e interceda por nós, que aqui continuamos o caminho traçado pelo Pai de todos! Amém.


domingo, 25 de setembro de 2011

PALAVRAS DO PROFETA


"Feliz de quem entende

que é preciso mudar muito

para ser sempre

o mesmo."

(Dom Helder Camara)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A MISSIONÁRIA IRMÃ QUERUBINA SBARAINI EM FERNANDO DE NORONHA


Desde 1986, uma prática interessante foi adotada, como apoio à Igreja Católica de Fernando de Noronha. A cada ano, a partir de meados de julho, duas freiras da Congregação Paulinas eram designadas para prepararem a “Festa da Padroeira”, N.Sª dos Remédios, visitando as casas, providenciando brindes para a quermesse que acontecia paralela à festa, ensinando cânticos novos e coordenando os festejos religiosos e profanos.

Em 1990 a Irmã QUERUBINA SBARAINI, catarinense, residindo e atuando àquela altura no Recife, foi também mandada para a ilha, tendo ainda o compromisso de ministrar um curso de “Literatura Infanto-Juvenil” (na qual é especialista) e realizar, a “1ª Feira de Livros e CDs” que foi um verdadeiro sucesso. Começava ali uma amizade e uma parceria definitivas.

No arquipélago, envolveu-se em festejos diversos, sensibilizando a juventude e a comunidade residente mais velha, para um ressurgimento da Igreja, lutando – inclusive – para organizar a Equipe Pastoral, para implantar o dízimo entre os católicos, para realizar programas de rádio de cunho cristão, como não se costumava fazer.

Ano após ano Irmã Querubina voltou a Fernando de Noronha. Prestou todos os serviços possíveis. Montou desfiles bíblicos, entronizou Bíblias em todos os recantos da ilha, preparou comemorações inesquecíveis, procissões e encenações significativas, pelo Natal, mês de Maio, Dia da Criança e do Professor... Conseguiu doações inesperadas, como as figuras do Presépio (que ela mesma armou pela primeira vez, no altar-mor da Igreja dos Remédios), a Via-Sacra (até hoje existente na nave da Igreja), o serviço de som do templo (pedido à Fundação BRADESCO) e muitos outros bens, que foram dando condições de uso do monumento, abandonado que fora por tanto tempo e, principalmente, pela Arquidiocese de Olinda e Recife que, no tempo de Dom Helder Camara, não tinha autorização dos militares para visitar o seu rebanho e, depois dele, não havia tomado consciência de ser o arquipélago a ela subordinado.

Em 1993 ela escolheu vivenciar na ilha o seu “ano sabático”, uma espécie de “licença-prêmio” para religiosos, permanecendo por seis meses ali, desenvolvendo missões com todos os moradores, inclusive de outras denominações e credos. Desse tempo são as campanhas que resultaram aquisição do mobiliário da sacristia (armários, mesas c/cadeiras, móvel para acondicionar o som, etc); da confecção da estante improvisada por sob a escada interna, onde foram acomodados tapetes, passadeiras, livros de Batismo e Casamentos, livros de cantos; flores e folhagens artificiais para decorações da Igreja, afora a assinatura do jornal “O Domingo”, facilitador das celebrações. Também desse tempo foi a procura e a indicação de sacerdotes que tivessem disponibilidade para temporadas na ilha.

Em 1998 ela foi transferida para São Paulo, onde iniciou uma nova vida, sem jamais deixar de lutar em favor do lugar que amava e onde fizera tantos amigos. Todos os anos, é dela que chegam doações, conseguidas na capital paulista, para as festas religiosas e para todas as campanhas deflagradas na ilha, que precisem de recursos para ações importantes. Uma delas girou em torno da restauração de uma ruína, próxima à Igreja dos Remédios, criando-se nela o alojamento para padres (“Casa Paroquial”), inaugurado em janeiro de 2006, pelo então Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso. Os recursos obtidos na “Adveniat” da Alemanha, pelo esforço do Bispo Emérito de Maceió/AL, Dom Edvaldo Amaral, então responsável pela condução da comunidade católica noronhense, permitiram as obras de restauro; a mobilização de Irmã Querubina para ajudar nessa campanha, foi garantindo a compra do que era necessário para dar condições de habitabilidade ao alojamento. Coube-lhe enviar brindes, para serem vendidos a preços módicos, revertendo o dinheiro para aquilo que fosse preciso para a casa. Volumes de livros foram conseguidos por ela junto à direção geral das Paulinas, a serem também transformados em ajuda para a Casa Paroquial. E postais com a imagem de N.Sª dos Remédios, a Padroeira aumentaram essas ofertas....

Esta é a IRMÃ QUERUBINA SBARAINI, um anjo colocado no arquipélago de Fernando de Noronha para apoiar a comunidade, fazendo isso com grande devotamento e persistência até hoje, mesmo estando agora distanciada de todos.

Em março de 2006 ela voltou ao arquipélago, liberada pelas suas Superioras, para envolver-se novamente na comunidade e solidificar esse carinho recíproco que soube conquistar. E o reconhecimento da comunidade de Fernando de Noronha concretizou-se, pela sua marcante passagem na história insular, concedendo-lhe o honroso título de CIDADÃ NORONHENSE.

Não termina com ela a presença Paulina na ilha. Ela é enriquecida com o aumento do acervo musical do Sistema Golfinho de Rádio e Televisão, pela doação de mais de 130 CDs, para servirem como apoio e complemento do programa “Rei Jesus”, que vai ao ar das 17 às 18h, nas sextas-feiras. E, como um coroamento da presença Paulina no distante espaço insular, em ocasiões especiais foram levados para lá o Pe Zezinho, o Pe Antônio Maria, o Pe. Cleodon, a Irmã Miria Kolling (que ministrou um curso de Canto e Liturgia), o Pe João Carlos, o cantor leigo Antônio Cardoso... São artistas da música religiosa que levam suas mensagens sonoras para uma população ilhada, com poucas chances de serem evangelizadas e de adquirir material de cunho religioso. E essa disponibilização começou exatamente com esse anjo-bom, que fez de Fernando de Noronha sua nova terra, nascida no seu coração, para sempre! Abençoada seja ela!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

É TEMPO DE CELEBRAR A PADROEIRA DE FERNANDO DE NORONHA


Agosto é um mês de festas, para Fernando de Noronha. Dois feriados distritais celebram datas importantes para a ilha. Primeiro comemora-se o 10 de agosto de 1503, data considerada aquela mais aceita pelos historiadores para explicar a abordagem do arquipélago, por Américo Vespúcio, participante da expedição que passava por ali e aí perdeu, por naufragio, uma de suas naus. E depois todas as atenções convergem para celebrar a Senhora dos Remédios, padroeira daquele espaço insular desde o século XVIII, quando ali funcionava um presídio comum.

A festa dura sempre dez dias, como costuma ocorrer em quase todos os municípios brasileiros. Uma novena prepara o grande dia principal, quando a imagem de N. Sª dos Remédios percorre a Vila dos Remédios, em direção à Igreja de N. Sª dos Remédios, um dos monumentos tombados pelo IPHAN, desde 1981.

Excepcionalmente, neste ano de 2011, os nove dias anteriores à data dedicada à padroeira foram pensados para serem diversificados, diante do que se fazia sempre. Instituições públicas e privadas, grupos culturais e esportivos instalados na ilha, prepararam-se para acolher a presença do padre-residente e sua equipe pastoral para visitas, celebrações, apresentações artísticas, atividades esportivas, filmes e palestra, esta última sendo o marco inicial da festa agora em curso...


E, com esse espírito de ampliar a relação entre a igreja católica e a população insular, a palestra discorreu sobre "A RELIGIOSIDADE EM FERNANDO DE NORONHA", desde
1612, quando ali foi celebrada a primeira missa na ilha (pelo frade capuchinho francês Frei Claude D´Abbeville, companheiro do conquistador de Maranhão, numa parada das suas embarcações na ilha)... E prosseguiu falando da presença calvinista holandesa, entre 1629 e 1654, quando da permanência da Holanda ali, por 25 anos e tantas outras referências.


Uma história religiosa de muitos séculos, predominante católica, passada toda ela longe do continente, na distância do arquipélago, escolhida para marcar o início das comemorações para a padroeira. Uma história que caminha no tempo até os dias de agora, quando Fernando de Noronha vive a segurança de contar com um padre-residente, lider do seu rebanho e seu atual condutor, sem que fossem esquecidos os registros das denominações evangélicas e do grupo espírita, igualmente cristãos, que vivem a sua fé no mesmo pedaço ilhado ...


É tempo de celebrar a padroeira de Fernando de Noronha de muitas formas e com muito entusiasmo... E esse tempo já está acontecendo!


sábado, 6 de agosto de 2011

SANTÍSSIMO SALVADOR DO MUNDO - PADROEIRO DE OLINDA


A festa existiu por muito tempo, em outras épocas. A cada dia 06 de agosto e em cada ano, a Igreja da Sé, Catedral da Arquidiocese de Olinda e Recife, engalanada, celebrava o Cristo transfigurado no Monte Tabor, o Salvador do Mundo, que veio ao mundo para salvar os homens. Depois, o descaso de muitos eliminou a comemoração oficial. E algumas vozes se levantaram para cobrar das autoridades civis e eclesiásticas aquele costume tão antigo, do qual todos pareciam esquecidos.

Uma voz, em especial, se fez ouvir, para cobrar o retorno à prática religiosa, fazendo justiça ao Filho de Deus, escolhido como padroeiro da Arquidioese e da cidade de Olinda. Foi Gaston Manguinho, com mais de 90 anos, a quem se havia dado o título de "Patriarca de Olinda", que coordenou os pedidos insistentes para que a festa voltasse a existir, e não apenas as comemorações modestas que marcavam esse dia que, inclusive, tinha sido o dia em que fora batizado, no final do século XIX, quando nascera...

Sua voz foi ouvida. E em 1978, restabeleceu-se a FESTA AO SALVADOR DO MUNDO que, a cada ano, foi atraindo as paróquias de Olinda, espalhando um saber que ficara guardado no tempo e que agora era retomado, pela cautela e fidelidade à verdade do historiador que criara o Instituto Histórico de Olinda, prestando agora mais um serviço exemplar à terra do seu amor e do seu carinho.

De lá para cá, nunca mais deixou-se de celebrar a data, incluída dentre os feriados municipais da cidade e profundamente vivenciada, com o envolvimento das igrejas olindenses, celebrações diárias e a Procissão deste dia 06 tão aguardado.

Atitudes assim não podem ser esquecidas. Vale recordar - como uma oração - o refrão do Hino da festa que diz: "Cristo, Salvador do Mundo de Olinda é o Padroeiro. Abençoa esta terra querida e dá paz ao mundo inteiro!"*
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* Hino ao Salvador do Mundo, de Marieta Borges e o Pe. Silvio Milanez

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"DIA DO PADRE"


Certos homens, aparentemente tão comuns,
carregam em si uma chama de luz

que os difere dos outros homens.


Não parecem ter nada de especial...

Diante do mundo parecem iguais
a todos os outros, com qualidades e defeitos.

Suas vidas poderiam ser também semelhantes
àquelas dos que se doam à família,

aos filhos que geram, ao mundo...


Seus dias poderiam ser povoados
por vozes infantis e sorrisos femininos,
como qualquer outro ser humano experimenta...

Mas esses homens escolheram
um outro caminho,
uma missão especial,
doando-se por inteiro
à aventura de serem PADRES.

Eles sabem o quanto de renúncia enfrentarão.
Estão certos de como será difícil a opção feita
e como são frágeis, apesar da fé com que se entregam...

E, apesar disso, nada os detém,

diante da aventura de serem
PADRES,
mergulhados na certeza que lhes fortalece a alma.

Para esses homens, a cada dia,
brotam preces dos que compreendem
o sacrifício de cada um, em todos os momentos...

Para esses homens, um
DIA DO PADRE, apenas, não basta,
para agradecermos por existirem

e entregarem suas vidas ao Pai, como arautos do amor!

Para esses homens, cheios de certezas,
nosso louvor, nosso carinho

nossa eterna gratidão.
Amém.

(No dia do padre, em 04 de agosto de 2011)


sábado, 16 de julho de 2011

HOJE É O DIA DE NOSSA SENHORA DO CARMO


Minha Mãe querida
hoje é o teu dia, novamente...

De todos os cantos
acorrem devotos
fiéis a ti,
à tua mensagem,

ao teu Escapulário prometido

e à certeza de que tu mesma

nos tomarás pela mão,

quando chegar a nossa hora

e caminharás conosco
para o lugar que nos for reservado...


Hoje - dia 16 de julho -
de muitas formas e de muitos lugares
os passos firmes dos teus filhos

irão em direção da tua Basílica,
no Recife,
para o louvor e a veneração merecida...

Fiéis entoarão hinos seculares,
cheios de fervor e de lembranças,
dirigindo a ti, Mãe do Carmelo,
sua gratidão pelas graças recebidas

e farão pedidos
pelo que ainda possam precisar...


Ouve esses filhos, Mãe
e Padroeira
e abençoa a todos,

hoje e sempre.
Amém.


domingo, 10 de julho de 2011

MAIS UMA VEZ O RECIFE REVERENCIA SUA PADROEIRA


Todos os anos, em julho, o Recife católico se une para reverenciar sua padroeira, N. Sª do Carmo. São dez dias de preparação para o grande momento da festa! São dez dias de orações e cânticos do tradicional hinário carmelita, com a força e experiência do Coral do Carmo do Recife e a participação da assembléia, guiada por um outro grupo, de apelo popular.

"Mãe do Carmelo, cuida deste povo que é teu" é o pedido fervoroso de todos, nesta 315ª edição da festa... O tema para 2011 é "O Recife é todo vosso, Nossa Mãe e Padroeira", reafirmando a crença secular na Mãe Santíssima, que recebeu do povo o voto de confiança ao ser intitulada padroeira "menos principal", no início do século XX (quando era Santo Antônio o padroeiro central) e suplantado em devoção o primeiro padroeiro para reinar absoluta sobre a cidade dos rios e das pontes,

Diversos sacerdotes e bispos foram
convidados para pregarem em cada uma das noites. Na sua maioria, escolhidos na própria comunidade carmelitana, vindos de todos os lugares do Brasil, esse religiosos desenvolvem, a cada dia, o tema especial, sempre apresentando Maria como a mulher obediente, a serva do Senhor, a cantora da liberdade, a Virgem modelo de doação, a Mãe peregrina, a perfeita discicula, a advogada e intercessora, a preferida, amada e venerada protetora da capital pernambucana.

E no sábado, dia 16 de julho - DIA DA FESTA - desde as 4h da manhã, em celebrações sucessivas, todos são convidados a rezarem na Basílica do Carmo e, no horário da tarde, percorrerem as ruas centrais da cidde, conduzindo a imagem da Virgem do Carmo, culminando com a Missa campal presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, osb.

A campanha de restauração dos sinos da Basílica e das suas escadas de acesso está instituída, para que esses devotos se envolvam nos cuidados para com esse patrimônio material e imaterial do povo pernambucano, numa campanha que atrai e edifica os que participam. "Deus ama aquele que dá com alegria (II Coríntios 9,7).

Entoemos: "Sublime estrela do Carmelo, protege, ampara com desvelo Recife, e nossa vida inteira." Amém.


domingo, 5 de junho de 2011

SANTO ANTONIO DE LISBOA - TÃO QUERIDO DOS BRASILEIROS!



Em todo o Brasil, as homenagens a Santo Antônio acontecem, desde o dia 1º de junho e até o dia 13, nas "trezenas" que o homenageiam, com o toque bem popular de um santo querido, venerado, a quem tantos recorrem nas suas tribulações.



Ele era um nobre, da família Bulhões, de Portugal, nascido em 1195 e batizado como "Fernando". Sua vocação sacerdotal o levou a tornar-se agostiano e estudar com esmero para ser padre. Mas aos 25 anos apaixonou-se pelo ideal franciscano e foi aí que resolveu viver: entre os "filhos de São Francisco", recebendo então o nome de ANTONIO.



Sua vida foi fascinante! Missionário na África, transferido para muitos lugares, foi próximo a Pádua/ na Itália, que viria a morrer, com apenas 36 anos. E é em Pádua que sua língua incorrupta é venerada, pelo bem que fez ao mundo nas palavras santas daquele frade tão amado...



O culto ao Santo Antonino da herança portuguesa espalhou-se pelo mundo e ganhou a preferência popular. Era a ele que o povo recorria quando perdia qualquer objeto... A ele as moças sonhadoras confiavam o seu desejo de casar-se... Por ele distribuia-se o "pão dos pobres", abençoado no dia de sua festa, para que nunca mais faltasse pão a quem o recebia... A ele atribuiam poderes para antecipar acontecimentos, nas populares "adivinhações" de junho... E tudo isso resistiu ao tempo, ao modismo, para continuar a ser uma verdade nascida no coração!



Recentemente, com muita emoção, rezei diante do quarto onde ele nasceu, na área histórica de Lisboa, em cima do qual ergueu-se a Igreja de Santo Antônio, bem próxima à Sé. Acabara de assistir à missa naquele templo e cumpria o ritual que todos querem repetir: descer ao lugar onde nascera Fernando, mais tarde transformado no nosso santinho querido, seja ele invocado como SANTO ANTONIO DE LISBOA ou SANTO ANTONIO DE PÁDUA.



Agora é o tempo do louvor a Santo Antônio! Repitamos, no silêncio do nosso coração, invocações eternizadas, em louvor a esse homem extraordinário, pela sua fé, sua coragem de abandonar-se aos planos de Deus, sua força que atravessou o tempo:



"Se milagres tu procuras,

pede logo a Santo Antônio.

Fogem dele a desventura,

o erro, os males e o demônio.



Torna manso o iroso mar;

das prisões quebra as correntes;

bens perdidos faz achar

e dá saúde aos doentes."

domingo, 16 de janeiro de 2011

ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE TEM MAIS UMA BASÍLICA



Mais um santuário da Arquidiocese de Olinda e Recife recebe o título de "Basílica Menor", concedido pelo Papa Bento XVI: a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos do Recife. A proclamação dessa honraria foi feita hoje, dia 16 de janeiro, em celebração especial, naquele santuário, presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido.

Esse honroso título já foi dado nesta Arquidiocese a quatro outros templos, sempre reconhecendo-se o destaque de cada uma dessas Basílicas, tanto pela sua arquitetura, como um bem cultural de grande valor, como pelos trabalhos desenvolvidos nas suas comunidades.

No Recife, estão a Basílica da Penha e a Basílica do Carmo, ambas no centro da cidade. Em Jaboatão dos Guararapes está a Basílica de N.Sª Auxiliadora, da Colônia dos padres salesianos daquele município. Em Olinda está a Basílica de São Bento, do Mosteiro beneditino, situado no sítio histórico olindense. A esses se vem juntar mais um espaço cultural de grande beleza, ligando-o diretamente ao Vaticano, como acontece com todos os outros já elevados à essa honra.

A solicitação foi feita por Dom Fernando Saburido em 2010, em documento também assinado pelo Reitor da igreja salesiana, Dom Edvaldo Amaral, Arceebispo Emérito de Maceió/AL e até pouco tempo Delegado Eclesiástico de Fernando de Noronha. Padres e fieis frequentadores da igreja referendaram a solicitação, tendo a aprovação ocorrido em outubro do ano passado e agora sido concretizada, com a proclamação feita no dia de hoje.

A Basílica do Sagrado Coração de Jesus está situada no espaço ocupado pela Ordem Salesiana, no bairro da Boa Vista, vizinha ao Colégio Salesiano do Sagrado Coração e à Faculdade Salesiana do Nordeste - FASNE. Comporta cerca de mil pessoas e é um espaço muito procurado pelos recifenses para grande solenidades.

Ela e as demais Basílicas da AOR são filiadas à às quatro Basílicas maiores - São Pedro, São Paulo, São João de Latrão e Santa Maria Maior - situadas em Roma/ Italia.

A Igreja, em Pernambuco, está de parabéns!
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Foto 1: Basílica do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos
Foto 2: Dom Edvaldo Amaral, Reitor da Basílica

domingo, 5 de dezembro de 2010

CENTENÁRIA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Texto de minha autoria, lido nas festividades dos 100 anos da Arquidiocese de Olinda e Recife, em 05/12/2010, pelos jornalistas Francisco José e Beatriz Castro, em praça pública,
precedendo o início da celebração.

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Olhar Olinda, plantada entre verdes colinas, torres de igrejas e mar que se oferece como um refrigério para os olhos é sempre uma ocasião de louvação e deleite. Da "linda situação para erguer-se uma vila" à ação, e aqueles ermos foram sendo povoados, pouco a pouco, sob a inspiração e a fé no Salvador do Mundo, seu padroeiro.

Nem o criminoso incêncio holandês de 1631 apagou o seu brilho! Ferida em seus flancos, arruinada em seus bens culturais edificados, ela resistiu, deixou-se abandonar, restou lá, no alto que tanto encantara o donatário, desde 1535, para voltar a receber honrarias após a expulsão do invasor, em 1654, ganhando o foro de cidade em 16 de novembro de 1676, com a criação da DIOCESE DE OLINDA, pela bula papal "Ad sacram Beatri Petri Sedan", e a determinação de ser a Sé a sua Catedral.

Restabelecia-se um tempo de esplendor e glória, ainda que a opulenta Vila estivesse ferida no seu abandono. A elevação da Sé a Catedral do Bispado que surgia, com seu Corpo Capitular, só poderia ser mesmo naquela igreja, designada como primeira Paróquia do Salvador do Mundo em 1534, antes mesmo que Duarte Coelho viesse tomar posse de sua Capitania. E sua primitiva construção, feita de taipa de mão e madeira, era testemunha da intenção de cristianizar-se as terras de Brasil.

Agora, tantos anos depois, Olinda não está mais sozinha na identificação comemorativa. Ela cresceu. Os séculos viram essa Diocese ser transformada em Arquidiocese e Sede Metropolitana, pelo Decreto da Sagrada Congregação Consistorial, em 05 de dezembro de 1910 - data centenária que comemoramos no dia de hoje - e, mais tarde, pela Bula "Com Urbs Recife", do Papa Bento XV, de 25/07/1019, passou a denominar-se ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE.

É essa data - 05 de dezembro de 2010 - que aqui se rememora, vivendo esse centenário que nos orgulha e engrandece!

Saudemos essa Olinda, mãe e matriz do Nordeste do Brasil!

Saudemos esse Recife onde estamos, Capital cosmopolita dessa parte do País, também plantado à sombra da Cruz!

Saudemos essa Arquidiocese centenária, que acolheu tantos santos e fervorosos Bispos e Arcebispos!

Saudemos suas Dioceses sufragâneas, espalhadas pelo Estado: Palmares e Nazaré - na Zona da Mata; Caruaru, Garanhuns e Pesqueira - na Zona do Agreste. Afogados da Ingazeira, Floresta, Salgueiro e Petrolina, - no Sertão, filhas todas de um mesmo tronco quatro vezes centenário!

Saudemos Olinda e Recife, irmãos na titulação arquidiocesana!

Saudemos os tempos novos, que consolidaram a vocação primeira da antiga Capitania, razão de orgulhe e de veneração por todos!

Parabéns, Arquidiocese de Olinda e Recife!!!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

LEVANDO O DOM NO CORAÇÃO...


Um encontro especial, em Lisboa/ Portugal, reuniu, naquela cidade querida, escritores "lusófonos", ávidos todos pela partilha e a sintonia com gente de muitos lugares onde se fala o português. Era o VII CONGRESSO DA UMEAL, para o qual acorreram escritores e artistas do Brasil, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, de Moçambique, da Cidade da Praia e de lugares diversos de Portugal.

Todos nós sabíamos que teríamos oportunidades de expressão, em poesia ou prosa, nas muitas sessões programadas para esse fim. E eu, fiel ao meu compromisso "helderiano", enviei o meu poema UMA VIDA ILUMINADA, para lê-lo quando escalada para isso, carregando toda a minha emoção em imaginar-me assim fazendo.

O local foi o Restaurante Martinho da Arcada, na Praça do Comércio, centro de Lisboa, um dos locais preferidos do imortal poeta Fernando Pessoa... Após o jantar fraternamente participado, cada poeta se fez porta-voz do seu próprio saber, declamando versos carregados de beleza e diversidade.

Para ilustrar o meu momento de poesia em louvor a Dom Helder Camara, carreguei comigo inúmeras imagens daquele Profeta brasileiro, esperando ilustrar minha fala com fotos que concretizassem o que o poema dizia, mostrando-o menino, jovem seminarista, padre, bispo, unido a tanta gente com quem se relacionou, pela vida... Mas o local não o permitia... Não havia onde projetar as cenas trazidas...

Então, erguendo-me para falar, contei da minha intenção em trazê-lo aos intelectuais que falam portugues pelo mundo afora e que já o conheciam pela trajetória de vida... Na impossibilidade da fazê-lo, abri o casaco que me abrigava do frio e afirmei: "eu o trouxe comigo no coração!", deixando que vissem, na camisa que vestia, seu rosto sereno e a expressão "O DOM DA VIDA". Os aplausos que se seguiram foram um estímulo a mais. E eu comecei.

O longo texto falava do "menino mirradinho', que "tinha tudo para não dá certo", nascido no pobre e esquecido nordeste do Brasil. Falava da sua caminhada, do seu aprendizado enquanto crescia e envelhecia, do silêncio obrigatório que lhe foi imposto num tempo doloroso de golpe militar no País... E da sua caminhada pelo mundo afora, acolhido por gente importante em todos os setores (inclusive eclesiásticos) e por pobres, sofredores, excluídos, novos e velhos, todos fascinados pelo seu carisma e seu jeito próprio de ser. Poucas vezes vivi emoção maior!

Ali estava eu, também brasileira e nordestina, fiel ao ideário daquele anjo de asas camufladas, dando-o - em palavras e emoção - aos tantos que comigo experimentavam a alegria do Congresso. E isso só foi possível porque eu o levava impresso no meu coração! Como sempre. Como antes. Como ele merecia estar!

Dom Helder, meu querido: sua "vida iluminada" serviu como exemplo para os patrícios e os irmãos no idioma de Camões e de Fernando Pessoa, e me fez muito feliz!