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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O REPOUSO DERRADEIRO DO PASTOR


De forma definitiva, Dom Helder Camara agora repousa num espaço apropriado, na Igreja da Sé, Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife. Próximos a ele, no mesmo altar preparado com zelo e carinho, estão o querido Dom José Lamartine - farol que iluminou os tempos helderianos, lado a lado com o Profeta, ajudando-o, como Bispo Auxiliar, na condução da Arquidiocese – e, mesmo que pareça estranho, foi unânime a decisão de colocar-se ali também - junto ao mestre e pastor - o mártir Padre Antônio Henrique, apóstolo sereno e atuante, militante em prol da juventude consciente e perseguida, dando sua vida pela causa que abraçara, hoje objeto de busca da verdade, nesses tempos de clareza e explicações.

Um momento especial foi preparado e aconteceu no dia de hoje - 27 de agosto - data em que os 13 anos de sua partida foram rememorados. Conduzindo a cerimônia com o carinho de filho, esteve o especial Arcebispo desse tempo de busca da luz, Dom Fernando Saburido, que tudo providenciou, cumprindo o dever de condutor do seu rebanho e “helderólogo” convicto. E abençoou as urnas que guardavam os restos mortais dos três amigos, para que o Dom repousasse no templo onde tantas vezes celebrou – inclusive as inesquecíveis Missas Natalinas – no seu sossego de agora, após o dever cumprido fielmente, ladeado de companheiros de fé e de lutas.

Claro que as lembranças se avolumam... Este homem pequenino, de gestos largos e enorme capacidade de olhar bem longe, antecipando um tempo em que todos seriam felizes, continuará dormindo e seu eterno sono, na sua catedral, junto dos seus dois grandes amigos, e dali vai emanar o vento bom da certeza do céu que ele fez por merecer chegar e de onde continuará nos abençoando a todos, seus devotos verdadeiros.

Olinda tem agora mais um local de veneração e prece. Na Igreja de tantos séculos, dedicada ao Salvador do Mundo, escolhida para tanto desde 1534, fiéis e turistas, gente do povo, anônimos passantes, hão de persignar-se diante daquele altar especial, por que nele – adormecido - está o santo dos nossos dias, o corajoso homem que o mundo acolheu e concedeu honrarias, descansando das fadigas e incompreensões da vida, confabulando com gente que lhe esteve tão próxima – na vida e nos ideais abraçados – que se fizeram dignos dessa partilha de agora.

Abençoados sejam!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

OS PRIMEIROS CONVENTOS FRANCISCANOS NO BRASIL


Recebi, do escritor Antônio Noberto, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, um interessante trabalho sobre o mais antigo convento capuchinho do Brasil – o Convento São Francisco, em São Luiz (le Couvent Saint-François), edificado em 1612 onde hoje se encontra o Seminário Santo Antonio, no Centro da capital maranhense, Quatro capuchinhos acompanhavam Daniel de la Touche naquela viagem: Frei Yves d’Evreux (superior da missão), Frei Claude Abbeville, Frei Ambroise d’Amiens e Frei Arsene de Paris. Mais tarde, em 1613, viriam mais 11 capuchinhos, para viverem nessa casa conventual, construída de taipa de pilão e de pedra “como se fazia na França” tornando-se mais sólida, com o uso posterior de outros materiais construtivos.

Ler sobre isso despertou-me dois desejos:

  • : falar de um outro convento também franciscano, erguido em Olinda, em 1585: o Convento de São Francisco da Ordem dos Frades Menores, o mais antigo do Brasil daquela congregação,
  • : falar sobre Frei Claude d´Abeville, integrante da expedição que se dirigia ao Maranhão mas que, aproximando-se do Brasil, sentiu necessidade de parar em um arquipélago encontrado na sua rota marítima, para se abastecer.

O Convento franciscano de Olinda é muito conhecido pelos devotos de São Francisco e muito visitado pelos turistas que chegam à 1ª capital pernambucana. Erguido numa colina suave, a caminho do Alto da Sé (a Catedral do Arcebispado), no coração do sítio histórico da Cidade Patrimônio Mundial, foi invadido pelos holandeses no século XVII, abandonado à sua própria sorte por muitos anos, reconstruído, ornamentado com azulejos portugueses, preciosas talhas douradas, pinturas que trazem a natureza para enfeitar o interior do conjunto – mostrando folhas e frutos - e figuras de anjos com traços fisionômicos índígenas, entalhados em jacarandá.

Ali nasceu o Mamulengo, expressão criativa de usar-se o boneco feito em mulungu, para a catequese dos índios e escravos, usada pelos franciscanos da primeira hora. Ali vive – desde aquele tempo - a comunidade de Frades Franciscanos Menores, em terras doadas por Dona Maria da Rosa, a 1ª franciscana secular, que fez nascer daquela casa, desde 1577, a mais antiga e Venerável Ordem Terceira Franciscana secular do País, núcleo tradicional de religiosos que chegam até os nossos dias.

Frei Claude d´Abeville, um de dos companheiros de La Touche, conquistador do Maranhão, como seu escrivão na expedição, escreveu uma bela obra: “História da Conquista do Maranhão e Terras Circunvizinhas” e nela incluiu um capítulo “Fernando de Noronha”, no qual descreve o arquipélago com riqueza de expressões e de detalhes, do que seria a esplendorosa natureza que descobriu, ao parar por 15 dias na ilha principal do arquipélago, onde quis deixar plantada a força da fé católica, improvisando uma paliçada sob a qual celebrou a 1ª Missa naquelas paragens. Esse feito é contado também na coleção “História da Igreja no Brasil”, do Pe. Arlindo Rupert, ao referir-se aos frades capuchinhos franceses que andaram pela nossa terra.

Detalhes da uma grande história que se construiu aos poucos, mas que deixou sólidas informações e nos ajudam a resgatar o passado, seja em Pernambuco, seja no Maranhão, com gosto de eternidade!

Imagem: claustro do convento franciscanos de Olinda - o mais antigo do Brasil.


sábado, 7 de abril de 2012

É PÁSCOA...

Todos nós fomos convidados

a viver a esperança de um novo tempo...


Tivemos tempo para refletir,

para rever uma historia tão antiga,

para encontrar o caminho seguido pelo Cristo,

querendo salvar-nos a todos.


Tivemos tempo para preparar o coração

para inundá-lo de alegria e esperança

na Páscoa redentora que chegava,

acelerando a nossa emoção por nos sabermos salvos.


E, hoje, o tempo chegou. É Páscoa!

Hoje é o dia abençoado que esperamos tanto...

Hoje é o dia de abraçar amigos, partilhar afetos

e, sobretudo, agradecer Àquele que veio para nos salvar!


Feliz Páscoa, amigo!!!

Que a Páscoa chegue ao seu coração

e nela faça morada!

Feliz Páscoa, amigo!!!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUE SAUDADE DO PRESÉPIO DE OLINDA...


As manchetes dos jornais foram contundentes: “Presépio gigante encanta visitantes de Olinda neste Natal...”; “O Maior Presépio do Brasil está em Olinda/ Pernambuco”; “Presépio gigante é destaque no Ciclo Natalino de Olinda em 2010”; Olinda celebra o Natal com a montagemdo maior presépio do Brasil”; “Olinda inaugura neste domingo o maior presépio do País”; “Mai

or presépio do mundo está em Olinda”.

..

Não havia dúvidas: exibir um presépio gigante numa das mais emblemáticas praças da “Cidade Patrimônio Mundial” fora uma decisão acertada, oportuna, encantadora! Ninguém ficou indiferente àquele enorme número de figuras religiosas, da tradicional cena imaginada por São Francisco, séculos antes de nós todos, mas exibindo-se agora de forma surrealista, única, pela genialidade de um dos maiores e mais talentosos artistas olindenses: Fernando Augusto Gonçalves.


Plantado na suave Colina do Carmo, às vistas de quem passava, o presépio atraiu a todos, tornando-se, em 2009 e 2010, a maior atração do Natal pernambucano, louvado em registros escritos, radiofônicos, televisivos... Quem o via, tornava-se um divulgador, convocando outras e outras pessoas para o momento mágico de estar ali, diante da cena tão familiar ao mundo, no entanto mostrada na enormidade da Arte verdadeira, atraindo famílias inteiras, crianças que brincavam na praça, parando a cada momento para contemplar a maior representação do Natal, numa cidade capaz de ousar, com o tantos dos seus filhos o fizeram, no passado.


Este ano, nada aconteceu. O presépio gigante ficou na lembrança, sem explicações convincentes que o justificassem. Faltou algo defundamental na Colina Carmelita, como se dela houvesses extraído o “toque” de genialidade, esvaziando-a e apagando-a aos nossos olhos.


Restou a saudade. Enorme saudade de visitas constante ao lugar dos sonhos, onde se podia mergulhar no imaginário popular, tendo ou não qualquer vinculação religiosa, mas reconhecendo que a imortalidade do presépio descomunal tinha sido desconsiderada, por qualquer motivo que fosse.


A mim, apaixonada por Olinda e pelo Carmo de Olinda, doeu não encontrá-lo novamente de pé, talvez até com mais peças, mais elementos de beleza, como se isso fosse possível, numa obra de Arte tão valiosa.


Ah! Que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


Quem sabe um dia ele volta, tão belo quanto o foi, tão forte como era visto, tão oportuno como o é, nos Natais de todos os lugares, de todas as igrejas, de todos os corações!...

Repetimos, emocionados: que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


terça-feira, 4 de outubro de 2011

EM LOUVOR A SÃO FRANCISCO DE ASSIS!


O doce Francisco descobriu muito cedo

a beleza infinita que havia nas coisas criadas,

elevando-as, todas, à honra de serem chamadas de “irmãos” / irmãs”...


Amou os homens e os irracionais, os rios e as florestas,

o sol que iluminava o mundo todos os dias

e a lua que abençoava a escuridão que chegava, sempre...


Viveu para amar a Deus e, em Seu Nome,

resgatar a justiça e promover a paz,

mesmo que isso lhe custasse muito...


Mergulhou na sabedoria desse Deus onipresente,

compreendendo a missão a que fora destinado,

ainda que com o sacrifício da sua vida...


E atravessou os tempos guardado e buscado

pelos que descobriram o sei jeito de ser cristão

e a ternura de frade, humilde e encantador!


Francisco de Assis, o “espelho da perfeição”,

o santo preferido e amado por muitos,

o discípulo fiel de um Criador apaixonante!


Francisco de Assis, aquele que jamais será esquecido,

o Patrono da Ecologia, o protetor dos animais e dos homens de bem,

eternamente guardado no céu onde sonhou viver!


Amém.


(No "Dia da Ecologia", em louvor a São Francisco de Assis)

domingo, 18 de setembro de 2011

PALAVRAS DO PROFETA


"Acho um encanto, Senhor,

que criaturas tuas,

saídas diretamente de tuas mãos,

- pássaros e o vento –

carregam

de planta a planta,

de árvore a árvore

sementes de amor."

(Dom Helder Camara)


quarta-feira, 1 de junho de 2011

REZANDO PELA EUROPA...


De volta à terrinha...

Por mais de quinze dias perambulei pela linda Europa, experimentando a sonhada peregrinação por lugares abençoados, rezando com mais de oitenta fervorosos peregrinos, todos em busca do aprofundamente sua fé.
Foram emoções que se sucederam, a cada dia, com re-descobertas, visão com outros olhos, reflexões oportunas e partilhas inesperadas...

Foram encontros com milhares de pessoas igualmente sedentas de religiosidade, e também ansiosas por descobertas de espaços
imaginados, muito mais velhos que toda a nossa herança européia, guardada nos séculos que se passaram e prontos para emocionar corações brasileiros de quase todo o País, unidos ali por graça providencial.

Igreja de Sto. Antônio, Santuário de Fátima, Santuário do Bom Jesus de Braga, Santiago de Compostela, Lisieux, Medalha Milagrosa, Santuário de São Vicente de Paula, Sacre Coeur de Montmartre...

Quantas boas lembranças deixadas!


Agora retomo.

Falarei mais sobre essa experiência. Ela me fez muito bem! Aleluia!

domingo, 1 de maio de 2011

REVERENCIANDO MARIA EM FERNANDO DE NORONHA




Novamente é MAIO em Fernando de Noronha. Como um costume antigo, as reverências à Mãe de Deus brotam de todos os lugares, desde os espaços marianamente erguidos, em tempos distantes, às vilas, às casas, aos espaços noronhenses, num fervor que se faz História também e que tem belas e inesquecíveis lembranças de procissões, de cortejos de crianças vestidas de anjos, de andores enfeitados e conduzidos por mãos piedosas, de recitações de terços no começo das noites, de celebrações em lugares os mais diversos...



Novamente é MAIO, em Fernando de Noronha. É MAIO numa terra sob a proteção de Nossa Senhora, sob a titulação "dos Remédios" (no principal templo da ilha e na capela da Fortaleza dos Remédios), "da Conceição" ou "das Graças" (na pequena e singela Capela da Quixaba, na vila distante) e novamente "da Conceição", como foi na capela do cemitério (hoje, inexistente) ou "do Rosário" (no templo erguido por mãos presidiárias, também arruinada pelo tempo e o descaso dos homens).



Novamente é MAIO, numa ilha essencialmente mariana, que louvou a Mãezinha do Céu desde o século XVIII, e prosseguiu na sua devoção, repetindo orações, cânticos, terços e muita devoção...



Novamente é MAIO em Fernando de Noronha. Neste 1º dia do mês, engalanada, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios acolheu seus filhos e deixou-se preencher dos sons que trazem o amor e o carinho dos seus filhos, jovens e antigos devotos.



Que ela - a Mãe dos Remédios - nos abençoe a todos!


terça-feira, 19 de abril de 2011

ALELUIA! É PÁSCOA!


A vida nos cobra, a cada momento,
uma tomada de posição:
caminhar sozinho, isolado,
ou partilhar com os outros.

Parar para refletir nisso
não é "perder tempo"
mas fortalecer-se para luta,
que nos quer em marcha, sempre.

PÁSCOA é tempo de reflexão.
Há uma ressurreição a celebrar
e a nos impulsionar para o alto,
para o bem, para os outros...

Cheguemos a ela assim:
desarmados, predispostos à mudança,
fazendo da amizade verdadeira
um dom precioso nas nossas vidas!

Acolhamos o bem, sem demora
e experimentemos a alegria de viver,
de ter sonhos a realizar hoje,
amanhã e depois, como impulso vital...

Nada é acaso. Nada é inútil.
Tudo tem vida. Tudo tem razão de ser.
E na PÁSCOA essa verdade se faz maior
porque um Deus nos deu a salvação!

Aleluia! Feliz Páscoa!

MARIETA
(na Páscoa de 2011)


domingo, 26 de dezembro de 2010

NAQUELA NOITE ESPECIAL...


O Menino acabara de nascer.
Ruídos vinham de longe
e se aproximavam, para anunciar
a chegada de pastores curiosos
e animais inesperados.

A noite se agigantava.
No céu, brilhava a estrela andarinha
que partira, solitária e apressada,
para chamar os estrangeiros
que viriam da noite sem fim para adorá-Lo.

Em nada aquela noite era diferente de outras,
a não ser no segredo daquele estábulo,
daquela manjedoura singela,
daquele homem e daquela mulher
que velavam o sono do Menino.

Ali, na paz dos campos escuros,
o céu resplandecia, de repente,
inaugurando o novo tempo esperado
para a salvação dos homens
de todos os tempos, até nós...

Era o primeiro Natal.
Era a promessa que se cumpria,
Era o desejo de paz que os anjos entoavam.
Era a redenção e o resgate das culpas
que carregavam os que ali estavam
... e os que haveriam de vir,
pelos séculos sem fim,
como eu, como você, como todos.

Abençoado Natal que repetimos,
sempre, sempre, como a lembrar
que ainda há chance de salvar-se a PAZ,
quando ela brota do nosso coração
e se faz oferenda de amor
... para mim, para você, para os
"homens de boa vontade",
para todos. Amém.

(No Natal de 2010)


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A IGREJA E O CARNAVAL DE OLINDA ESTÃO DE LUTO


Certas perdas são irreparáveis... Sobretudo, quando aqueles que se vão não deixam seguidores, quando o saber fica nos frutos que "nasceram", daquelas mãos, daquela alma, daquele dom.

Esse é o sentimento que predomina no coração de muitos, ao prantearem MARIA DO MONTE MARQUES BURITY, a talentosa e singela bordadeira de Olinda, que fez do seu ofício um exercício de beleza, criando as mais belas peças litúrgicas, os mais característicos estandartes de Carmaval, os mais rebuscados mantos para imagens de procissão...

Foram inúmeros clubes, troças e blocos, de Olinda, do Recife, de Vitória de Santo Antão e de outras localidades que se entregaram à folia momesca precedido do seu marcante estandarte ricamente bordado por ela... Foram muitas as irmandades, congregações religiosas que quiseram-na ter como autora dos suntuosos mantos dos seus padroeiros, das imagens significativas que guardariam no interior das suas igrejas ou nos andores percorrendo as ruas, nas festas marcantes.

MARIA DO MONTE foi considerada "um patrimônio vivo de Olinda", ao tempo do Prefeito Germano Coelho, ao lado de outros ícones olindenses, como o Mestre Salustiano, o artífice Julião das Máscaras, o compositor Alex Caldas (autor do Hino de Pitombeira) e outros diversificados artistas, importantíssimos para a Cidade Monumento Nacional e Patrimônio Cultural da Humanidade... E foi a homenageada do Carnaval da cidade em 1990.

MARIA DO MONTE usou suas mãos abençoadas para trançar delicados fios de ouro e de prata, dando forma à beleza sobre tecido. E fez desse ofício uma missão, dedicando-se ao ensino profissional e às especiais encomendas dessas peças durante toda a vida...

MARIA DO MONTE viveu o franciscanismo como leiga consagrada, da Ordem Terceira de Olinda, espalhando a PAZ e o BEM como queria o "pobrezinho de Assis"...

MARIA DO MONTE vai deixar saudade. Ah! Como vai!

E nós todos, que vivemos o privilegio de conviver com ela, vamos "senti-la" pairando pelas ruas e pelos templos, cada vez que uma manifestação religiosa católica ou um clarim carnavalesco trouxerem o eco dos tempos em que era dela a manifestação primeira de cada momento cultural e religioso.

Tomara que o processo de reconhecê-la como PATRIMÔNIO VIVO DE PERNAMBUCO não pare, não se interrompa e sim ganhe mais força, diginificando-a com o título in memoriam, por merecimento e por reconhecimento de todos, sobretudo do Governador de Pernambuco!

Ela merece isso! Pernambuco, também!


domingo, 10 de outubro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


POR QUE TE APRESSAS?

Se pretendes fazer muito
se sonhas
com criações perenes
não te apresses.

Só constrói para a eternidade
quem no meio dos trabalhos
encontra vagar
para descobrir as criaturas,
muitas das quais
mal conseguem esconder
o Criador.

(Dom Helder Camara)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CONVERSA COM SÃO FRANCISCO DE ASSIS


O que foi que fez de ti
o santo preferido de tanta gente?

Em que momento de tua vida fizeste seguidores,
fiéis a ti pelo tempos que haveriam de vir?

O que foi, em ti, que encantou multidões
elegendo-se , para sempre, como exemplo a ser seguido?

Talvez nem mesmo tu o saberias,
santinho querido de Assis...

Por fidelidade a Deus
e diante da missão ameaçadora recebida,
como Maria, disseste SIM
e foste seguindo em frente, destemidamente...

Não olhaste as dificuldades dos caminhos
nem ficaste intimidado com os fardos
que carregarias dentro do coração,
e sorrias, certamente, no momento em que partias...

Deixaste tua casa, tua riqueza,
teus amigos frívolos e tolos e te foste,
como um anjo de luz,
pelo mundo afora...

Timidamente, saiste trilhando sendas,
apregoando uma PAZ que assustava os homens,
pelas difuculdades em seguir por caminhos novos
e pela luta inglória, por vezes, para obtê-la...

Os estigmas com que foste marcado
foram a certeza da preferência do Pai.
O encantamento com que tantos te seguiram
proclamaram ao mundo as tuas certezas.

E hoje???

Quanto tempo se passou depois que te foste
e nos continuamos almejando
os mesmos sonhos que apregoaste,
mesmo sabendo-nos inseguros
e vacilantes na fé...

E hoje, Francisco???

O que tens a nos dizer,
dessa louca aventura que foi a tua marca,
a não ser que procuremos ser santos como foste,
para um dia merecermos o céu que agora é teu,
querido pobrezinho de Assis...

E hoje, Francisco???
E hoje???
.......................................................................................................

(no dia de São Francisco de Assis, em 04/10/2010)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

OLHA POR NÓS, PROFETA!


De lá, do ceu, onde mereceste viver,
tu nos contemplas, Profeta...

Olhas esse mundo sedento do teu saber.
saudoso da tua voz
e da tua presença iluminada...

Vês os olhos molhados
de tantos orfãos que deixaste aqui?
Sentes como és, ainda hoje,
o modelo que escolhemos
para sermos melhores?

E o que fazer, Profeta querido?

Ah! Helder...
Intercede por nós nas nossas dores.
Estende os braços para acolher nosso coração que sofre.
Acaricia nosso rosto, marcado pela saudade.

Afinal, são 11 anos sem a tua presença real
e toda uma vida para crer que acenas,
de lá, onde te encontras,
cada vez que rezamos e buscamos a ti,
ou abraçamos hoje aquilo que deixaste.

Pastor das madrugadas sagradas,
quanta sabedoria ficou, daquilo que criaste...
Quantas lições para os dias de agora,
como se as tivesses escrito ontem, ou a pouco...

Consola o nosso coração, Helder de Paz,
e nos faz gratos por termos vivido
no mundo em que viveste,
impregnados do teu modelo de homem,
de padre, de santo.
Amém.

(no 11º aniversário da sua partida para o céu)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

LOUVOR À VIRGEM DO CARMO


Entre tantos títulos
como és chamada, ó Mãe,
porque me enternece tanto
chamar-te Nossa Senhora do Carmo?

Bem sei que és a mesma jovem de Nazaré,
concebida sem pecado e assim louvada...
Bem sei que tua intercessão pelos homens
valeram-te nomes lindos pelos mundo afora...
Bem sei que és a Virgem da Conceição,
a Senhora de Nazaré, a Mãe Rainha de todos nós...

Mas foi como a Senhora do Carmelo
que te elegi minha protetora.
Foi como uma mãe zelosa
que - um dia - estendeste sobre mim
o teu Escapulário bendito
e te fizeste preferida!

Mãe do Carmo, minha Mãe,
tenho certeza que,
fiel ao compromisso assumido,
quando eu era ainda criança,
jamais me abandonarás,
como creio, firmemente,
que velas igualmente por aqueles que amo
e que, um dia,
também foram consagrados a ti.

Nossa Senhora do Carmo,
para sempre minha Rainha.
Amém.


(16 de julho - Dia da Padroeira do Recife)

domingo, 13 de junho de 2010

SANTO ANTÔNIO - UM SANTO DO POV0


Chamava-se Fernando de Bulhões. Nasceu em Lisboa, em 1195, numa família rica. Entrou para o Convento dos Agostianinos aos 15 anos. Ordenou-se padre em Coimbra. Em 1220 ingressou na Ordem Franciscana Menor, abraçando a pobreza. Trocou seu nome para Antônio. Foi missionário no Marrocos e, doente, foi mandado para a Itália, onde lecionou Teologia em várias Universidades, indicado pelo próprio São Francisco de Assis, que o admirava muito. Era um orador sacro prodigioso, de forte apelo popular. Fazia milagres espantosos. Possuía o dom da "bi-locação" (estar em dois lugares ao mesmo tempo). Sua fama de santidade era muito grande.

Com saúde precária, recolheu-se ao Convento Franciscano de Arcélia, localidade próxima a Pádua, na Itália, onde viria a morrer, em 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos. Foi canonizado 11 meses após a sua morte, pelo Papa Gregório IX, em 13 de maio de 1232.

Foi reconhecido como "Doutor da Igreja", pela sua sabedoria. Sua veneração espalhou-se pelo mundo, principalmente em Portugal e no Brasil, como herança da colonização portuguesa. É considerado o "padroeiro dos pobres e dos casamenteiros" e invocado também para "encontrar objetos perdidos". Sobre seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada, que guarda, como um tesouro especial, sua língua incorruptível, com a qual tanto pregou em vida.

O encantamento do povo simples por Santo Antônio é comovente! Não é o "Doutor da Igreja" que veneram... É o "Antonino" (uma forma tão carinhosa de chamá-lo em nosso idioma); é o "santo casamenteiro" que ajuda moças desencantadas a encontrar o seu par; é o protetor dos pobres, que dava aos famintos o pão do convento em que vivia e que, por isso, fez nascer o costume da distribuição do "pão de Santo Antônio" em cada 13 de junho.

É ele o santo invocado nas "simpatias" feitas em seu nome, nas festas juninas, nascidas do imaginário da gente simples e que fazem parte das superstiçoes características do povo brasileiro, quase uma "brincadeira", nascida da necessidade de ter-se fórmula para tudo, até para buscar o impossível.

O que justificaria uma pessoa "enterrar uma faca, à meia-noite, numa bananeira", na esperança de que o líquido que escorresse da planta viesse a formar a letra do nome do futuro companheiro? Os escrever os nomes dos pretendentes a marido em vários papéis, sendo um deles deixado em branco (para o caso de ficar a jovem vitalina) e colocá-los à meia-noite do dia 12 de junho em um prato com água, deixando-o por toda a madrugada no "sereno", para encontrar, no dia seguinte (dia de Santo Antônio) um dos papíes abertos, indicando qual seria o escolhido?

Como entender que, cheio de fé e de esperança, uma moça adquira uma imagem do santo, faça a ele o pedido de arranjar marido e, para "comprometê-lo", roube-lhe o Menino Jesus, dizendo que só o devolve quando conseguir namorado? Ou ainda virar o santo "de cabeça para baixo", até o pedido ser atendido? E "amarrar uma aliança num fio e segurá-la sobre um copo com água", para saber quantos anos faltam para se casar, perguntando isso ao santo à meia-noite, na véspera do seu dia, crendo que o número das batidas da aliança no copo seria essa resposta?

São costumes repetidos ao longo dos tempos. São rituais, simpatias, que fazem a delícia da crendice popular, sabendo-se que, nesses casos, o que importa não é o que se faz mas a fé de cada um, naquilo que almeça. É o patrimônio imaterial que se continua...

Santo Antônio é representado sempre com seu hábito de frade franciscano, com símbolos especiais, que sinalizam sua fé e sua vida. Há uma Bíblia na sua mão esquerda simbolizando sua fé nos Evangelhos) e, sobre ela, está o Menino Jesus. Na mão direita ele sustenta a Cruz e um Lírio (símbolo da sua pureza).

O jeito é relembrar, nesse 13 de junho, o querido santinho português/ italiano, repetindo os versos antigos, com os quais sua glória foi sempre lembrada: "Glorioso Santo Antônio, grande amigo do Senhor/ escutai nosso pedido/ sede nosso intercessor!" Ou as palavras do"Responsório de Santo Antônio": "Se milagres tu procuras pede logo a Santo Antônio/ fogem dele as desventuras, o erro, os males e o demônio..."


sexta-feira, 14 de maio de 2010

A DEVOÇÃO MARIANA EM FERNANDO DE NORONHA


Uma terra dedicada, desde muito tempo, à Mãe de Deus, deveria mesmo louvá-la de muitas formas e por razões diversas... Em Fernando de Noronha foi assim, desde que se deu a definitiva ocupação por Pernambuco, a mando de Portugal.

Século XVIII. 1737. O homem chegava para ficar, para construir, para se abrigar e desenvolver ali um núcleo habitacional que gravitava em torno de uma dolorosa destinação: ser um Presídio para presos comuns, todos condenados a longas penas. Como uma forma de consolo, talvez, começava-se a fazer o primeiro e mais importante templo católico - a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios - iniciada naquele ano de chegada e conluída em 1772, data que aparece em sua fachada.

A dedicação à Virgem dos Remédios foi a devoção primeira, que viria a titular também o principal forte construído na Ilha - a Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios - e toda a vila - Vila dos Remédios. E, logo depois, em 1768, a Senhora dos Remédios era tomada como Padroeira do Presício.

Uma imagem portuguesa foi entronizada no altar e viria a desaparecer em 1817, quando todos os bens da Ilha foram retirados dela em conseqüência da Revolução Pernambucana de 1817, que remeteu para lá um grupo com o fim de "trazer para o continente braços fortes para a luta" (os prisioneiros), desmantelar tudo o que encontrasse erguido ou desenvolvido e "retirar da Igreja todos os trastes de valor, tratando com decência esses bens"...

Mais tarde, findo o movimento político, uma outra imagem seria trazida para ilha, abençoada em 1880, conforme a "Ordem do dia" de 22 de julho de 1880. Tembém essa desapareceria ao ser enviada para o Recife, na década de 1930, para ser restaurada. E a terceira imagem, que esteve no altar a partir da década de 1940, não correspondia à iconografia dessa devoção.

Hoje a Virgem dos Remédios é venerada com duas belas imagens, corretamente feitas em madeira e resina, pelo santeiro de Olinda Elias Sultanun, em tamanhos diferentes, para servirem às Procissões (a imagem menor) e reinar no altar-mor do templo (a imagem maior).

Mas não foi apenas no principal templo que o culto a Maria se deu... A Capela da Fortaleza dos Remédios, hoje semi-destruída, também foi dedicada à Senhora dos Remédios; a Capela do Cemitério, erguida em 1843 e hoje não mais existente, foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a Capela da Vila da Quixaba (ou da Sambaquixaba), segundo núcleo habitacional historicamente erguido, foi também colocada sob a invocação da Virgem da Conceição, titulação substituída por "Nossa Senhora das Graças", quando a imagem primitiva de Nossa Senhora da Conceição desapareceu e uma outra, mais singela, da Virgem das Graças, foi deixada sobre o altar único, por ser grande demais para ocupar o nicho apropriado desse altar.

No século XIX, os prisioneiros quiseram ter também o seu lugar de culto. E, para isso, ergueram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Sentenciados, construída na metade daquele século, hoje inesxistente, da qual só se conhece a visão por relatos antigos de sua existência e por ter sido registrada numa obra de arte em óleo sobre madeira, do pintor francês Eugene Laissaily, à época, hoje pertencente ao acervo do Instituto Ricardo Brennand, no Recife.

E, pelos séculos que se seguiram, as festas marianas foram sempre comemoradas, ano a ano, nas solenidades do Mês de Maio e nas Procissões e Festas nas datas de cada uma das venerações escolhidas, com crianças vestidas de anjos, coroando Nossa Senhora, acompanhando procissões fervorosas, recitando o Terço nas residências e nos templos, dedicando a Maria as mais tradicionais e belas canções, em louvor à Mãe de Deus e nossa.

Neste Maio, uma vez mais se faz reverência a essa Mãe, que abençoa seus filhos, ilhados e fervorosamente à espera das bênçãos que lhes alimente a vida!
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Foto 01 - imagem desaparecida na década de 1930.
Foto 02 - imagem atual, com a iconografia correta.
Foto 03 - celebração mariana em 1992.

sábado, 1 de maio de 2010

CURIOSIDADES DO MÊS DE MAIO EM OLINDA


É MAIO, uma vez mais, um mês tradicionalmente dedicado a MARIA e celebrado de muitas maneiras e em quase todas os lugares deste imenso Brasil...

Em Olinda, celebrar o mês mariano foi sempre um costume familiar e comunitário, com recitação do Terço nas casas e/ou nas igrejas e capelas, dentre as muitas erguidas para louvar a Mãe de Deus, desde o início da ocupação da "mimosa e sempre leal Vila d´Olinda"...

Durante séculos esses espaços de culto se localizavam apenas na área hoje definida como "sítios históricos", caracterizada pelas sete colinas suaves, onde se fez a colonização a partir de 1535, com a chegada do donatário Duarte Coelho. Foi a empolgação desse fidalgo português, diante da "linda situação para se construir uma vila" que fez Olinda surgir, do "sonho dos homens"... Mais tarde, já no final do século XIX, deu-se a corrida para as praias, para os "banhos de mar", por razões terapêuticas, estendendo-se a ocupação para os demais espaços do "Termo da Vila", povoando outros lugares e neles erguendo outras igrejas e capelas, a maioria delas dedicadas à "Senhora dos Mil Títulos".

E assim surgiram a Igreja de N.Sª do Monte (a destinação citada no Foral de Olinda, de 1537); a Igreja de N.Sª da Misericórdia, de 1540; a Igreja de N.Sª do Carmo (a mais antiga das Américas), de 1580; a Igreja de N.Sª das Neves, do Convento Franciscano (o mais antigo da Ordem, no Brasil), de 1585; a Igreja de N.Sª da Graça, do antigo Real Colégio dos Jesuítas, depois, Seminário de Olinda, de 1551; a Igreja de N.Sª da Conceição do Recolhimento das Dorotéas; a Igreja de N.Sª do Rosário dos Homens Pretos (a primeira erguida em terras brasileiras por escravos, que nela deixaram lindos arcos e painéis com pinturas em motivos africanos, somente aflorados na restauração de 1996; a Igreja de N.Sª do Amparo; a Igreja/Paróquia de N.Sª de Guadalupe dos Homens Pardos (a primeira no Brasil dedicada à Virgem de Guadalupe, padroeira da América Latina); a Igreja de N.Sª da Boa Hora; a Capela de N.Sª de Lourdes (do abrigo de idosos); a Capela da Rosa Mística... Todas essas somente no pequeno espaço onde a vila começou e até hoje razão de orgulho para os olindenses.

Depois, vieram outros tempos, surgiram outros bairros, na trilha da ocupação em direção ao mar e perto dele... Mais tarde, buscaram-se os morros, nas cercanias da cidade que crescia, mantendo-se o costume de cultuar Nossa Senhora nas igrejas e capelas, como a Igreja/Paróquia de N.Sª de Fátima, no Bairro Novo; a Igreja/Paróquia de N.Sª da Ajuda, no bairro de Peixinhos e as Capelas de N.Sª da Conceição e N.Sª do Perpétuo Socorro, a ela pertencentes; a Capela de N.Sª Conceição, no bairro de Casa Caiada; a Igreja/Paróquia de N.Sª da Assunção de Maria, no bairro de Rio Doce; as Capelas de N.Sª da Bondade, N.Sª do Perpétuo Socorro, N.Sª Auxiliadora e N.Sª do Carmo, pertencentes à Paróquia de Salgadinho e distribuídas em bairros populares; o Santuário da Mãe Rainha, no bairro de Ouro Preto, no morro onde existiu outrora o "Santuário de N.Sª da Encarnação, dos Recoletos de São Felipe Neri"... Todas em Olinda... Todas nas "muitas Olindas"... Isso sem contar os altares com magníficas imagens de Maria, sob tantas invocações, em igrejas com titulações não marianas (algumas com nomes bem estranhos, como N.Sª do Boi, do Convento de Santa Tereza, na entrada da cidade),

Afora esses espaços, especialmente erguidos para o culto regular, semanal, também se fez um nicho mariano, singelo e bonito, engastado junto ao Mercado da Ribeira, na área de restrita preservação, único não dedicado ao tema da Paixão de Cristo, dentre os que marcam os caminhos das Semanas Santas, a cada ano, e sim voltado para reverenciar a Mãe de Deus, e que só se abre para a reza do terço nas noites de Maio, com devotos sentados em assentos improvisados, diante daquele belo e pequeno altar, junto à rua e aos que por ela transitam.

Olinda e suas curiosidades. Olinda e seus mistérios, suas tradições fortes, enraizadas na alma do seu povo, contagiando a tantos quantos se apercebem dessas singularidades e por ela se encantam! Salve!