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sábado, 8 de janeiro de 2011

REZAR NO POR-DO-SOL NORONHENSE...



O convite é tentador: participar de uma Missa diante da pequena capelinha de São Pedro dos Pescadores, em Fernando de Noronha, cercado por paisagens deslumbrantes, deixando-se envolver pela magia do por-do-sol...

Quando a celebração começa, turistas desavisados que por ali caminham param, aproximam-se e, quase sempre, deixam-se ficar, sentindo que ali a presença de Deus é clara e definitiva.

Aos poucos, o sol vai se tingindo de cores as mais diversas o mar a tudo rodeia... Os rochedos e ilhotas secundárias tão próximas e, ao mesmo tempo, tão inacessíveis, compõem o cenário que se vai tingindo de escuros, até que o sol desaparece no horizonte... É inesquecível!

Isso é a mais nova maneira de orar-se em Fernando de Noronha. Todos os dias úteis da semana, às 17h, o ritual se repete. E é sempre surpreendente!

A capela - no alto do morro - próxima à região da Air France, visível de muitos lugares (sobretudo nos passeios de barco) é um encanto! Ao seu redor o mar-de-fora (de um lado da ilha) e o mar-de-dentro (no lado contrário)... E a beleza que entra no coração, devagarinho, sobretudo quando esse lugar é o altar onde se pode agradecer a magia de estar ali e reencontrar-se com o Pai...

Fica o convite: venha rezar no final do dia diante da beleza em plenitude!

Fernando de Noronha espera...






terça-feira, 17 de agosto de 2010

BURRA-LEITEIRA: A ÁRVORE TRAÇOEIRA DE FERNANDO DE NORONHA


Dizem que ela só existe em Fernando de Noronha. Não é bem assim, claro. Mas famosa no Arquipélago ela é, e como! Suas folhas possuem um veneno terrível, causticante... Basta o homem levar aos olhos as mãos que haviam tocado em sues folhas para que ele fique cego por algum tempo; sua seiva queima, dói.

Ela é a burra-leiteira, uma árvore de quatro a cinco metros de altura, que causa enorme perigo. O simples fato de cortá-la contra o vento faz com que o ar volátil que se desprende queime as pessoas, até por sobre o tecido das roupas. As partes atacadas por essa estranha planta, mesmo nos animais, jamais criam pelos.

Sua madeira não pode ser empregada como lenha combustível, porque a fumaça produzida ataca a vista de quem a usa. Uma gota de sua seiva provoca uma queimadura semelhante à do fogo. Como uma maldição, a burra-leiteira é a peçonha que ataca de muitas formas, ferindo o homem e deixando marcas.

Vários escritores fararam sobre essa singularidade no passado. Pereira da Costa, Olavo Dantas, Frei Caude D´Abeville, foram alguns dos que registraram suas impressões sobre a planta mais característica de Fernando de Noronha. Para D´Abeville ela era "uma árvore muito bela e agradável, de folhas bem verdes, semelhantes ao loureiro" e segue descrevendo os males causados por ela, a ponto de compará-la ao "pecado mortal - na aparência exterior agradável, sorridente, convidativo; quando, porem, tocado, com as mãos das obras e o consentimento de uma vontade determinada, faz perder a graça, que é a vista da alma e provoca imediatamente uma dor viva, pungente remorso".

No período do Presídio Comum, a burra-leiteira foi usada como uma forma de castigo. O preso era obrigado a açoitar a árvore e suportar a seiva que lhe molhava os braços, as mãos, queimando, doendo, abrindo feridas no seu corpo. E foram muitas torturas praticadas assim, numa árvore bela mas fatal.

Por outro lado, uma gota dessa seiva tão forte colocada sobre uma verruga, curava a pessoa que o fizesse, porque a verruga caía, após alguns dias. Contraditório uso, na linha da farmacopéia popular.

Quanto castigos essa traçoeira árvore terá propiciado??? Quantas curas para alguns males, também???

domingo, 11 de julho de 2010

FRANCISCO ADELINO - O PADRE DA CACIMBA EM FERNANDO DE NORONHA


Há muito tempo, em Fernando de Noronha, havia uma cacimba de água extraordinária, considerada "a melhor água da ilha", que chegou a ser reservada somente aos doentes, com castigos estabelecidos para aqueles que ousassem usá-la estando sãos. Chamada de CACIMBA DO PADRE, acabou por denominar a praia nas suas imediações, antes chamada "Praia da Quixaba", por ficar na parte baixa da Vila com esse nome, erguida no alto. E, destampada e abandonada, viria a ver sua água estragar-se, sendo hoje imprópria para o consumo.

Mas, por muito tempo, também, poucos tiveram a curiosidade de identificar quem seria esse "padre", imortalizado numa praia hoje famosíssima, pela beleza e por abrigar - a cada ano, os campeonatos internacionais de "surf".

Alguns historiadores, debruçados no passado noronhense (infelizmente não foram muitos mas, os que o fizeram, deixaram um precioso legado), falaram dessa cacimba e desse padre, como Olavo Dantas, Mário Melo e Beatriz Imbiriba. E quem chegou mais perto da correta identificação do "padre", na sua "imortalidade insular", foi mesmo o grande folclorista e historiador Luis da Câmara Cascudo. Foi ele que, na coletânea "Pesquisas e Lembranças do R.G.do Norte", publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, incluiu, no volume IV (de 1989), os dados mais precisos sobre o Padre FRANCISCO ADELINO DE BRITO DANTAS, nascido em Campo Grande, no R. G. do Norte, em 1825, imortalizado em sua terra por ter sido o fundador da povoação de Conceição do Panema, mais tarde transmudada em Vila de Upanema, com capela, correio e núcleo de população densa e também eternizado em Fernando de Noronha, onde foi viver por um tempo, como capelão da Igreja de N.Sª dos Remédios e onde descobriria um veio de água doce, de muito bom sabor, escolhendo então a região para morar, tendo todas as benércias de um lugar tranqulo, uma capela próxima para orações diárias (a "Capela de Conceição da Quixaba", restaurada por ele próprio, com ajuda da mão-de-obra presidiária) e a praia bem próxima.

Padre Francisco Adelino era filho do tenente Félix José Dantas, casado com uma sobrinha, Francisca Xavier de Lira, uma família tradicional nos municípios ao redor de Campo Grande, onde vivia. Era a pessoa mais conhecida da região, pela sua força descomunal, pelas suas habilidades na montaria, pela sabedoria como professor de Latim e Francês. Ordenou-se padre em 23 de maio de 1851. Tinha fixação pela construção de capelas e casas, sendo dele a segunda restauração da Capela da Conceição da Quixaba, logo que chegou a Fernando de Noronha.

Antes disso, em 1870, viajou para o Recife, vindo ensinar na Diocese de Olinda. Verificando a dificuldade de então para se enviar padres para o Arquipélago (na época, era por "sorteio" que se indicavam os padres e essa indicação era considerada uma penitência, um castigo...), solicitou sua indicação ao Bispo Dom Frei Maria Vital de Oliveira... E mudou-se para a ilha, onde ergueu "uma grande casa de taipa", em meio aos bosques arborizados", como sua morada provisória.

Sentindo a dificuldade que teria com a água (raríssima, sempre e somente encontrada nas Cacimbas de Atalaia e da Biboca e na Fonte do Mulungu)), tanto procurou que localizou a fonte de água deliciosa. E ali construiu a "Cacimba do Padre", com 14 metros, cavados pelos presos a seu serviço, ele próprio ajudando, de pá na mão e chapelão na cabeça. Em princípio de 1888 a cacimba ficou pronta. Não foi ele que a "batizou"... Foram os moradores e presidiários que a eternizaram assim, numa "consagração expontânea" e retribuição pelo que fizera.

Anos mais tarde, gravemente doente, o Padre Francisco Adelino pediu dispensa da capelania noronhense e voltou para o Recife, para despedir-se dos amigos e partir para sua terra, Campo Grande, agora re-batizada como Vila do Triunfo onde morreu, em 18 de agosto de 1893.

Um homem extraordinário, que viveu intensamente e foi eternamente ligado a duas das ações simbólicas que desenvolveu: fundou uma povoação e descobriu uma fonte que viria a re-batizar uma região insular. E, mesmo assim, nenhum desses dois feito o tornaram merecedor de nenhuma homenagem, através dos tempos, nem na Vila de Upanema, nem em Fernando de Noronha. Pena!



sexta-feira, 19 de março de 2010

O FORTE DE SÃO JOSÉ DO MORRO, EM FERNANDO DE NORONHA


Hoje, dia 19 de março, celebra-se o dia de São José, nome atribuído a diversas fortificações em todo o mundo, um costume hispânico-português de dar nome de santos a lugares geográficos, cidades, fortes, baluartes, embarcações e até mesmo canhões. Em Fernando de Noronha não seria diferente... E lá está o FORTE DE SÃO JOSÉ DO MORRO, o único fora da ilha principal, também construído no século XVIII e que, somado aos outros nove erguidos na ilha, fez surgir ali "o maior sistema fortificado do século XVIII no Brasil”.

A devoção a São José é muito antiga... Esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus, foi dele o mérito que cuidar e acompanhar o Menino, nos seus primeiros anos de vida, o que deu origem à idéia que Jesus teria sido também um carpinteiro, como José, até a sua adolescência, trabalhando com o pai na sua oficina de trabalho. A Igreja lhe dedica uma festa neste dia. Em 1870, ele foi declarado “Patrono da Igreja” e, em 1955, “Patrono dos operários” e “Protetor dos casamentos”.

A fortaleza noronhense dedicada a São José é isolada das demais, situada em uma das ilhas secundárias próximas ao Porto de Santo Antônio. Somente na maré seca chega-se a ela, atravessando a linha de arrecifes entre o morro onde está o forte e a região da Air France, na ponta da ilha principal.

Construído numa ilha rochosa, 12m acima do nível do mar, permitiria a defesa das ilhas secundárias que circundam a enseada de Santo Antônio, cruzando fogos com o Forte de Santo Antônio, a Fortaleza dos Remédios e o Parque de Santana, todos estes colocados na ilha principal. De planta triangular, é considerada a mais bem conservada das fortificações, talvez pela dificuldade de acesso e pouca visitação.

No Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, no Recife, há uma lápide, procedente, exatamente, “da Fortaleza de São José da ilha de Fernando de Noronha”, oferecida à Instituição pelo então comandante da Ilha, Cel. Alexandre de Barros Albuquerque.

sábado, 22 de agosto de 2009

GASTRONOMIA INSULAR (de Fernando de Noronha)


Numa ilha, quase sempre, a comida gira em torno do mar. No passado, Fernando de Noronha era atração dos que navegavam por ali, pela piscosidade de suas águas, pela facilitada em encontrarem-se polvos, lagostas, caranguejos, cações e tantas outras maravilhas que o mar reserva. Mas não era somente isso que queriam os marinheiros errantes... Queriam as tartarugas enormes, para levá-las amarradas em seus barcos, para as abaterem, à medida que precisassem delas como alimento. Queriam as aves, como “tira-gosto”, talvez... Queriam ovos, carregados aos montes, nas jornadas em que se aventuravam... Queriam frutas...

Em tempo de Colônia Correcional, normas rígidas controlavam a alimentação do preso, permitindo-lhe apenas a ração estabelecida (o “muniço” de cada dia), pobre em vitaminas e proteínas, sem lhes dar o direito de comer o que produzissem ou pescassem, cedendo para as autoridades esse melhor alimento. Mas, às escondidas, quantos relatos de “travessuras” feitas na calada da noite, ou em lugares reservados, escondidos dos seus superiores. Enormes melros capturados, grandes tartarugas e lagostas, até mesmo bodes e bois roubados dos seus cercados, fizeram a delícia alimentar daqueles homens condenados a comer mal e pouco, mesmo que tivessem que tratar, cozinhar improvisadamente e comer às pressas os seus “banquetes, apagando qualquer rastro deixado da aventura feita”.

A fartura do mar noronhense atraiu a cobiça dos que viviam no continente, ficando célebre a vinda de pescadores para a ilha, com a finalidade específica de remeterem toneladas de bom peixe para o Recife, onde eram vendidos na sede de apoio do Território Federal (ao tempo, na Avenida Agamenon Magalhães, na capital pernambucana). E, na ilha, essa fartura e diversidade gerou pratos especialmente pensados para o aproveitamento do alimento local, sendo o peixe sempre o campeão em procura e consumo. Para capturá-lo, organizaram-se campeonatos de caça submarina, sendo famosa a participação, num desses, do médico Ivo Pitangui, campeão na modalidade desportiva. Essa prática esportiva foi proibida.

Depois, os olhares se voltaram para o tubarão. Considerado uma comida saborosa - se preparado com critério - a captura do tubarão passou a ser maior quando o processo de secar e salgar o animal fez surgir o “tubalhau”, hoje uma das maiores atrações noronhenses, seja em forma de bolinhos, recheio de empadas ou saladas aceboladas. Mas também a captura do tubarão sofreu restrições e hoje só é praticado no alto mar e em quantidade limitada.

E o polvo, abundante nas praias; os caranguejos e lagostas, cuja captura não estava sujeita a normas preservacionistas... A criação do Parque Nacional Marinho freou, um pouco, a busca desenfreada do alimento que vem do mar, estabelecendo critérios e locais onde ela poderia ocorrer, sendo hoje a gastronomia insular subordinada a essas práticas, profundamente fiscalizadas e sempre bem sucedidas, que custaram a serem entendidas pelos próprios noronhenses.

Que pratos fazem mais sucesso na ilha?

ð O peixe é assado na palha da bananeira, de forma rudimentar, ou servido cozido, acompanhado de suculento pirão...
ð O tubarão servido em postas secas, salgadas e assadas, comido com saladas cruas e cozidas ou apresentado em forma de bolinhos ou recheio de empadas...
ð As “sinfonias marítimas” que reúnem o polvo, a lagosta, o peixe, o camarão num mesmo cozimento (de preferência em panela de barro) e que, junto com as muitas verduras, são servidos com pirão leve e saboroso...
ð O arroz se cozinha com polvo, com peixe, com lagosta e até com café ou sucos regionais (mangas, cajus, pitangas...)...
ð O leite de coco que inunda os molhos dos peixes, das lagostas, dos siris, dos polvos...
ð O coco ralado de forma tradicional (em ralador feito de uma roda de ferro pontilhada, apoiada em um pedaço de madeira), transformado num doce tentador, semelhante a uma cocada, chamado “Quem-quer” ou misturado a outros doces e bolos...
ð Os enormes caranguejos que lambuzam bocas, rostos e braços dos que se aventuram e permitem que seja feito um pirão fantástico...

Uma bebida noronhense, nascida das proibições

Merece um registro especial a bebida noronhense “PÁ-BUFF”, inventada pelos sentenciados, diante do desejo de beber e de lhes ser proibida a bebida alcoólica. Feita de álcool, cravo e suco de fruta, foi sempre considerada “de efeito paradisíaco” e absolutamente proibida, desde a época da Colônia Correcional. Mistura forte... Seu nome é corruptela do sintoma provocado pela bebida: quem a bebesse era logo: “Pá”... “Buf” no chão. A receita passou de preso para preso, de geração para geração e chegou aos dias atuais. Nada é mais arrasadora do que ela...
É... Comer e beber em Fernando de Noronha pode ser um prazer a mais, nessa terra de tantos encantos!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA EM CIMBRES / PERNAMBUCO


Na entrada da cidade de Pesqueira, a 215 km do Recife, em Pernambuco, a imagem de Nossa Senhora das Graças, ao lado de uma rendeira e uma doceira já registram as “atrações” do lugar. É a religiosidade, principalmente, que leva turistas àquela cidade interiorana. e é o Turismo Religioso que se destaca, sobretudo a visitação ao Santuário de Cimbres, local da aparição da Mãe de Deus, em 1936.

Pesqueira já foi chamada a “Atenas do Sertão”, por sua geografia e seu clima frio, no Agreste pernambucano. Rodeada de serras, tem também áreas indígenas.

Cimbres é uma Vila de Pesqueira. Foi aí que aconteceu a aparição de Nossa Senhora das Graças, em 6 de agosto de 1936 às adolescentes Maria da Luz, que hoje é freira e se chama Irmã Adélia, e Maria da Conceição (que já é falecida). A Virgem falou a elas dos castigos que seriam enviados por Deus e pediu orações. Desde desse tempo o santuário de Cimbres é um centro de romarias, dos cristãos que buscam milagres.

Houve um longo processo para atestar a verdade daquele acontecimento, que só se concluiu em 1966, quando o Vaticano confirmou a história da aparição. E essa é uma das cinco aparições confirmadas pela Igreja.

O acesso ao santuário se faz por 296 degraus e seis rampas, até chegar no alto da serra da Guarda. E, por toda a tradição ali conservada, Cimbres é um dos destinos do Turismo Religioso mais importantes do Estado.

Vela a pena conhecer o lugar!

terça-feira, 10 de março de 2009

ALGUMAS CURIOSIDADES DO RECIFE

Você sabia?

Que na Matriz do Santíssimo Sacramento, no bairro de Santo Antônio (comumente chamada de “Paróquia de Santo Antônio”), os santos Reis Magos estão no altar lateral à esquerda do templo?

Que na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, na Rua Nova há, no teto, uma pintura de Nossa Senhora grávida, vendo-se o seu divino Filho através do seu ventre descoberto?

Que a Igreja das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, foi o lugar escolhido por Dom Helder Camara, para viver, tendo como dormitório a simplicidade de um quarto nos fundos do altar-mor?

Que o nome completo dessa Igreja é “Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras da Estância de Henrique Dias”, sendo esse o lugar histórico do Terço (grupamento) de negros, comandados por Henrique Dias, um dos heróis da luta contra os holandeses?

Que a imagem principal de Nossa Senhora do Carmo, na Basílica do Carmo, possui duas coroas especialmente doadas pelo povo pernambucano, sendo uma de prata (usada no dia-a-dia) e outra em ouro e pedras preciosas, guardada no cofre de um banco, somente sendo trazida à Basílica sob forte segurança, no dia 16 de julho a cada ano, dia da festa da padroeira da Capital pernambucana?

Que a Igreja de São Pedro dos Clérigos, situada no Pátio de São Pedro, no centro da cidade, é a Co-Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife, dividindo com a Sé-Catedral de Olinda as honras de abrigar solenidades especiais da Arquidiocese?

Que por um longo tempo essa honraria foi provisioriamente retirada da Igreja de São Pedro e transferida para a Igreja da Madre de Deus, no bairro do Recife, porque a fumaça e o pó gerados pela torrefação de café de uma fábrica situada nas proximidades do templo, escureceu e cobriu de pó as belas talhas douradas dos retábulos, fechando-se a igreja por anos e anos?

Que, lamentavelmente, na restauração da Igreja de São Pedro dos Clérigos, parte do ouro foi danificado, pelo excesso de pó que cobria todos os adornos em madeira, deixando tudo com a madeira evidente e muito pouco do douramento anterior?

E que a Igreja da Madre de Deus, não mais Co-Catedral do Arcebispado, teve concluída recentemente sua completa restauração, que fez reflorescer o seu esplendor de outrora?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA DOS MILITARES - OLINDA


Localizada na Rua da Saudade – a que vai dar no cemitério de Olinda – a singela Igreja de São joão Batista dos Militares foi erguida na segunda metade do Século XVI, numa colina suave, sendo avistada de alguns lugares como se fosse um cartão-postal.

Sabe-se que foi este o único templo a ser inteiramente preservado do incêndio ateado pelos holandeses, em 1631. É possível que isso decorra do fato de ter ela pertencido à milícia (daí seu nome completo seja “São João Batista dos Militares”) e ela tenha servido como quartel-general para os invasores.

O interior é simples. No altar-mor da capela está o padroeiro – São João Batista – tão conhecido e venerado pelo Brasil afora mas tão pouco homenageado em igrejas com seu nome. Essa é, inclusive, a primeira a ter recebido essa denominação.

Na face exterior vê-se uma só torre e um interessante brasão, acima da porta central. Integra o belo conjunto de igrejas de uma Olinda que nasceu católica e, na Procissão dos Passos, é dela que parte a imagem da Virgem Maria, descendo a ladeira, para o encontro com seu Filho carregando a cruz, solene momento em que se dá o “sermão do encontro”, que avalia o papel de Maria no caminho do calvário.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CAPELA DE SÃO PEDRO ADVÍNCULA - OLINDA


Quem passa pela Rua 13 de Maio, no sítio histórico de Olinda, seja por estar a descobrir novos caminhos, seja por ter ido visitar o Museu de Arte Contemporânea – MAC, fica surpreso ao se deparar com uma pequena capela - a CAPELA DE SÃO PEDRO ADVÍNCULA - posicionada exatamente em frente ao suntuoso prédio do museu, que foi, no passado, uma prisão eclesiástica - o “ALJUBE” - destinado a prender padres com tanto rigor, que a esses só era permitido assistir à Missa através das grades.

Para que esse “castigo” se concretizasse, lá estava a pequena capela diante das grades da prisão, tendo dentro dela, como bem integrado, apenas o altar com talhas estilo Dom João V, emoldurado pela bela tela que retrata o momento da liberdade milagrosa de São Pedro por um anjo, que tirou suas algemas, depois de ter sido encarcerado.

Construída entre 1764 e 1765, em estilo colonial, tem também, no seu interior, um pequeno espaço que lhe serve de sacristia. Porta almofadada, frontispício em volutas, encimado por uma cruz. No seu entorno, uma área aberta, de simples tijoleira, muito bela, presta-se hoje para apresentações artísticas.

O conjunto capela e museu é encantador! Vale a pena conhece-lo!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

PONTES DE FERNANDO DE NORONHA


Até bem pouco tempo, nem os residentes em Fernando de Noronha nem aqueles que visitavam o lugar se apercebiam da existência de pontes, por sobre o Riacho Mulungu, que fica seco no período do verão. Esse saber não se havia sido disseminado por muitas décadas, levando ao esquecimento e ao desconhecimento disso.

Somente em 1997, quando da implantação do projeto de “Trilhas Ecoturísticas”, as pesquisas de campo e as informações escritas geraram o saber que, aos poucos, foi sendo repassado e chegou aos dias de agora, assimilado e difundido pela população, especialmente aquela que atua voltada para a acolhida de turistas.

O espaço é o mesmo usado no século XVII, pelos holandeses, para a realização de experimentos agrícolas. E foi também escolhido como local de aclimatação de plantas, no século XVIII, após a definitiva ocupação do lugar, por ser cortado pelo riacho e usado como “Horta da Vila”, pensada para abastecer a Vila dos Remédios de produtos agrícolas, a partir de 1737.

Uma das pontes foi em parte restaurada em 1998... As demais, não. Mas toda a área onde se situam as três pontes, lá estão, sobre o mesmo riacho singelo, tendo ao seu redor terraços apropriados para a agricultura, estradas em pedra e farta vegetação. Compõem o trajeto da “Trilha Jardim Elizabeth”, que é um marco funcional do Arquipélago, como porto de reparo de navios, merecendo o material abundante existente nessas áreas ser alvo de reflorestamento permanente.

As pontes de Fernando de Noronha fazem parte do patrimônio construído da ilha, merecedor de apoio nas muitas intervenções que ainda precisa ver acontecer!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CURIOSIDADES DE FERNANADO DE NORONHA


Você sabia?

Que no final do século XV e início do século XVI, os povos buscavam o mar,como forma de conquista, sendo natural que viessem a descobrir a ilha quese chamaria “Fernando de Noronha”, situada na rota dessas navegações?

Que por essa época, o arquipélago começava a aparecer em cartas náuticas, com nomes diversos, indício de que muitos o avistavam, dando ciência dessa importante presença, em meio à travessia, aos detinham o poder?

Que muitas teorias surgiram, atribuindo o avistamento ou a descoberta doarquipélago a diversos navegadores, sem comprovação documental quereferendassem isto?

Que, para muitos historiadores, a versão que prevalece é a que aponta onaufrágio de 1503 como razão da abordagem, inaugurando o tempo dos homens naquele espaço insular?

Que na falta de documentação oficial em Portugal, foram muitas as teoriasdo descobrimento, atribuindo a navegadores, como Gaspar de Lemos, em 1501; Fernão de Loronha que teria andado pelos oceanos entre 1501 e 1502; ou ainda por Gonçalo Coelho e seus comandados, entre eles Américo Vespúcio a ela enviado por aquele que viria a ser seu donatário?

Que foi esta última versão que sobrepujou-se às demais, sobretudo pelaexistência de um documento claro – a 4ª Carta = Lettera” – escrita por Vespúcio, que permite essa aceitação?.

Que esse foi casual e não é reconhecido por um grande número de estudiosos? Mas, logo depois, seria FERNÃO DE LORONHA que receberia a ilha como Capitania, a 1ª cedida no Brasil por decisão real a um particular?

sábado, 20 de dezembro de 2008

DENOMINAÇÃO DAS RUAS DE UM LUGAR


E do sonho dos homens que uma cidade se inventa
(Carlos Penna Filho)

Por que dar nomes aos lugares?

As cidades, as vilas, os lugarejos, nascem do sonho e da necessidade dos homens. Tudo carrega a “marca” daqueles que fizeram surgir o lugar. E tudo nasce marcado pela necessidade da ordem, da lógica, que permita a sua fácil identificação. Daí o uso de números, de letras, de nomes, de “códigos” inventados pelo homem, para que essa ordem se mantenha e seja entendida por todos e para sempre.

A definição de um espaço urbano, exige que, desde o começo, atribua-se alguma forma de classificação, geralmente feita em letras ou números, que torne claro o seu desenrolar espacial. São assim as chamadas “rua projetada 1”, “rua projetada 2”,... ou as “quadra 1”, “quadra 2”, “quadra 3”... ou o “lote 1”, “lote 2”... e assim por diante. Depois, quando chegam os moradores definitivos, essas quadras, lotes, ruas, recebem uma outra identificação, no nome que virá a ser a sua marca imorredoura.

No passado, costumava-se atribuir nomes poéticos às ruas, aos bairros, que celebrassem a paz e a harmonia do universo. Ou que lembrassem acontecimentos marcantes. No Recife, são célebres os nomes antigos, cantados em verso e prosa. Rua da Alegria, da Amizade, do Sol, da Aurora, da União, da Saudade, no Recife. Ou Rua do Sol, da Saudade, da Bela Vista, em Olinda. Ou nomes como “Rua da Roda”, lembrando a “roda” de um orfanato, onde mães abandonavam seus filhos recém-nascidos, colocando-os numa espécie de catraca e rodando-a para que fossem para dentro da casa e lá ficassem... Depois, a mentalidade servilista de alguns líderes trouxe o modismo dos nomes de pessoas às ruas, aos bairros, às cidades, substituindo-se nomes cheios de beleza por nomes de gente importante. Exemplo disso é a antiga “Maricota”, em Pernambuco, modificada para Município de Abreu o Lima.

Manoel Bandeira, o grande poeta pernambucano, lembra, no seu poema “Recife”: “como eram belos os nomes das ruas da minha infância!” E comenta, a seguir: “tenho medo que hoje se chame rua Fulano de Tal!”

OS NOMES DOS ESPAÇOS EM FERNANDO DE NORONHA

O homem habitou Fernando de Noronha, de forma definitiva, desde 1737. E o fez, recebendo presos comuns e militares para comandá-los. Num primeiro momento, esses correcionais ocuparam os presídios e seus comandantes as poucas edificações feitas para esse fim. Havia poucos logradouros, “batizados” de acordo com o edifício principal que aí estivesse localizado E surgiram a Praça e a Travessa dos Remédios (por causa da Igreja), a Rua do Sol (onde o sol chegava pela manhã), a Travessa da Estrela (que tinha casas de um só lado e permitia a contemplação do céu estrelado), o caminho velho para a Vila da Quixaba e assim por diante. Depois, quando o modismo de atribuir nomes de pessoas foi deflagrado no Brasil-continental, comandantes de Fernando de Noronha foram denominando com nomes de antigos servidores alguns prédios públicos e alguns lugares.

No Relatório de entrega do Presídio Comum, feito em 1938, assinado pelo Ten. Cel Victtorio Caneppa, existem referências à “Travessa dos Remédios, acima da praça do mesmo nome” (diante da Igreja de N.Sª dos Remédios), à “Praça Padre Roma” (em frente à Directoria, que já tinha sido chamada de “Praça d´Armas” e recebera o nome de um dos padres que haviam atuado na ilha) e à “Estrada da Quixaba”. Esse nome “Praça Padre Roma” aparece sendo substituído em 20 / 04 / 1943, já no tempo de presença militar, pelo nome “Praça General Góes Monteiro”, do mesmo modo que a Praça dos Remédios passaria a chamar-se, a partir dali, de “Praça General Dutra”, a estrada que se dirigia ao porto passa a ser “Avenida Almirante Tamandaré” e assim por diante, numa clara alusão a um famoso militar brasileiro, sem nenhuma referência ou ligação com a ilha.

Um agravante aparece, nessas modificações dos nomes tradicionais por nomes de pessoas vivas. A Constituição de Pernambuco proíbe homenagens desse tipo de homenagens, somente sendo possível a atribuição de nomes de gente falecida, como homenagem póstuma, tanto para ruas como para prédios públicos.

O jornalista e historiador Mário Melo, que visitou Fernando de Noronha em 1916 e sobre a ilha produziu um belo trabalho, sempre atento ao comprimento da Lei, abria “guerra” contra toda e qualquer pessoa que ousasse sugerir ou acatar tais denominações. E enquanto viveu, foi abriu essas frentes de luta, sendo sempre vencedor e fazendo permanecer os nomes antigos, folclóricos, muitos sem jamais se conhecer.a origem. Em muitos casos, a opção de dar aos lugares nomes de espécies da natureza, é uma saída acatada com aplausos, pelos que passarão a habitar esses espaços. É o caso das cinco vilas de CHOAB Rio Doce, em Olinda, que batizou suas ruas e quadras com nomes de flores, como se tudo fosse um enorme “jardins”, com seus “canteiros floridos”.

Em Fernando de Noronha, seguindo essa tradição, deu-se ao caminho do cemitério o belo nome de “Rua da Consolação”, como se havia dado, no Recife e em Olinda, o nome de “Avenida da Saudade”, para lembrar os sentimentos de perda e de consolo, que a morte evoca. Também batizou-se como “Rua da Alamoa” um espaço, homenageando a mais famosa lenda noronhense, decantada em verso, em canção e em texto teatral, tanto no século XIX, como no século XX.

Outro costume aceitável, foi aquele de chamar-se pelo apelido com o qual alguns presos se notabilizaram, vindo daí a Rua Pinto Branco, por exemplo. Ou o nome de pessoas que moraram naquele espaço, ficando na lembrança dos que com elas conviveram, como é o caso da Rua Nice Noeli Cordeiro, antiga diretora da escola noronhense, que veio a falecer exatamente na rua que hoje a homenageia.

Conclui-se que o respeito ao passado exige sempre uma atitude consciente diante da atribuição ou manutenção dos nomes de uma localidade. Em respeito às homenagens mais antigas, não se deve propor uma nova denominação, apenas substituindo-se “aquele” nome por “este”. O mais correto será manter-se o nome mais habitual, com o qual a comunidade está mais familiarizada e, havendo quem homenagear, discutir-se com a população habitante de um espaço a atribuição mais adequada, prevalecendo o bom-senso, sempre, na aceitação definitiva.

domingo, 14 de dezembro de 2008

IGREJA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE DOS HOMENS PARDOS - OLINDA


Está em Olinda/Pernambuco, a mais antiga igreja dedicada a NOSSA SENHORA DE GUADALUPE no Brasil, uma das poucas no País sob a invocação da Padroeira de toda a América Latina.

Construída em 1626, pela devoção dos “homens pardos” (descendentes de escravos e senhores brancos, libertos ou escravos) da antiga Villa d´Olinda, foi o espaço onde esses passaram a assistir Missa, proibidos que eram de faze-lo nos “templos para brancos”.

É uma igreja de fachada simples com uma única torre sineira, erguida em um monte não muito alto, diante de um pátio e com uma grande escadaria de acesso, visível à distância... Dela se descortina bela paisagem.

Seu interior simples, que guarda a pedra tumular do seu fundador, Manoel de Carvalho, assinalando a sua morte em 1629, sofreu alterações com o incêndio ateado pelos holandeses, em 1631. O retábulo do seu altar-mor foi substituído no começo do século XX, após a destruição da antiga Matriz de São Pedro Mártir e a destinação dos altares daquela igreja para outras existentes na Diocese. No centro do conjunto está a pintura de Nossa Senhora de Guadalupe, em tela vinda do México, onde surgiu essa devoção mariana. No centro da abóbada do teto a imagem da patrona da igreja também aparece, em pintura.

A festa da Virgem de Guadalupe acontece em torno do dia 12 de dezembro, consagrado a N. Sª de Guadalupe, Padroeira do México e da América Latina, assim intitulada em 1945, pelo Papa Pio XII e tem origem na aparição da Virgem a um príncipe indígena mexicano, Juan Diego, em 1531, deixando impresso no seu manto um sinal de que era realmente a Mãe de Deus.

Á Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe de Olinda é uma das construções religiosas dos “sítios históricos” da Cidade Patrimônio Mundial.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

IGREJA DA GRAÇA DO SEMINÁRIO DE OLINDA



O lugar é extraordinário! O pátio que circunda a bela Igreja de N.Sª da Graça é um verdadeiro mirante, de onde se descortina a paisagem de Olinda e do Recife.

Ali viveram os agostianos (entre 1552 e 1558) e os jesuítas, em seguida. Foi esse o tempo de ver erguer-se o conjunto arquitetônico, do “Real Colégio Jesuítico”, com sua capela dedicada à Senhora da Graça, vivendo aí esses religiosos até serem expulsos do Brasil, em 21/07/1759.

A edificação principal teve vários usos, abrigando o Colégio Diocesano, a Faculdade de Arquitetura, a Escola de Agronomia e o Seminário Diocesano, O incêndio holandês de 1631, mesmo destruindo parte do belo conjunto arquitetônico, deixou marcas do áureo período, visíveis até os nossos dias e retratados por Franz Post, o pintor nassoviano.

A Igreja da Graça possui uma porta principal, encimada por um óculo, voltada para o verde do entorno desse conjunto. Sua torre é voltada para dentro, característica dos templos conventuais. No seu interior, dois altares laterais, com retábulos de pedras proto-barrocas, que restaram íntegros após o incêncio. E pedaços do retábulo central, expostos na área do coro.

O Seminário tem uma história de grandes feitos sociais, políticos e religiosos de Pernambuco, sendo também conhecido como “Escola de Heróis”, por todas as lutas deflagradas por religiosos que ali viveram em tempos diversos.

Hoje ali funciona novamente o Seminário da Arquidiocese de Olinda e Recife, sendo local constantemente, pela beleza do patrimônio cultural que guarda e pela visão que oferece, cercado de beleza!

sábado, 1 de novembro de 2008

CURIOSIDADES DE FERNANDO DE NORONHA


VOCÊ SABIA?

Que dentre as “ilhas secundárias” do Arquipélago, há um rochedo – o Sela Gineta – que tem esse nome por assemelhar-se ao dorso de um ginete? E que, no passado, esse mesmo rochedo já foi chamado de “São Miguel”?

Que a Regata Recife / Fernando de Noronha / Recife já é realizada há 20 anos e cada vez mais atrai um grande número de participantes, sendo uma data marcante do calendário cultural da ilha?

Que um dos ornamentos do Palácio São Miguel – sede administrativa do Distrito Estadual de Fernando de Noronha – é um vitral, representando o Arcanjo São Miguel, lutando contra o mal, obra concebida pelo vitralista alemão radicado em Pernambuco, Moser, executado por uma sua discípula, Aurora de Lima?

Que Fernando de Noronha já foi tema de quatro diferentes selos, ao longo de sua mais recente, sendo um em, 1975 (série “Fortalezas Coloniais” – Forte dos Remédios); dois em 1992, por ocasião da Conferência Rio 92, um focalizando o golfinho e outro a ave Rabo-de-junco; outro em 2003, em homenagem aos 500 anos do descobrimento e o último em 2006, focado no Turismo e mostrando seis imagens, duas delas mostrando o patrimônio cultural e as demais o meio ambiente insular?

Que o preso-poeta Gustavo Adolpho Cardoso Pinto, cumprindo pena na ilha no final do século XIX, deixou três belíssimos poemas sobre lendas da ilha, no seu livro “Risos e Lágrimas”?

Que havia uma forma de castigo cruel, em “enterrar” o preso numa cavidade chamada “Solitária do Sueste”, próxima ao mar da Baia Sueste, deixando-o somente com a cabeça de fora, ao sabor da maré que ia e vinha?

Que um dos folguedos pernambucanos que a ilha incorporou foi o maracatu, sendo hoje o “Maracatu Nação Noronha” uma atração a mais, dentre tantas outras já existentes?

Que duas vezes ocorreram no Arquipélago a experiência da “Visita Coletiva de Artistas de Pernambuco e da Paraíba”, resultando desse movimento uma infinidade de obras de grande valor, hoje pertencentes ao acervo da Companhia Editora de Pernambuco – CEPE?

Que na falta de programas de saúde, no passado, levava a população livre ou presidiária de Fernando de Noronha a recorrer à chamada “farmacopéia popular”, valendo-se de “meizinhas” preparadas com ervas encontradas por todos os lados? E que, em alguns casos, até “rezas” eram aceitas para aliviarem o sofrimento dos doentes?

Que quem chega no Arquipélago e, empolgado, exprime seu encantamento e admiração, é identificado como portador de “Euforonha” (a “euforia de Noronha”)?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

RECOLHIMENTO DAS DOROTÉAS / CONVENTO DA CONCEIÇÃO DE OLINDA



Quem chega ao alto da Misericórdia, desavisado, pode nem se aperceber de uma edificação recuada, próxima à Academia Sta. Gertrudes, discreta e quase sempre silenciosa.

Ali - no Recolhimento da Conceição de Olinda - vivem as Irmãs Dorotéas mais idosas, de vida contemplativa, num dos mais antigos conventos do Brasil colonial. Abandonado e entregue à própria sorte, durante a invasão holandesa, foi reconstruído por iniciativa do Mestre de Campo João Fernandes Vieira, um dos heróis da Insurreição Pernambucana.

Em princípio, o convento restaurado serviu como recolhimento para mulheres abandonadas. Depois chegaram as Irmãs Dorotéas e ele se tornou o Recolhimento da Ordem, acolhendo, sobretudo as freiras mais idosas. E é essa a ocupação dessa casa religiosa nos dias atuais.

Há um convento, que serve como residência das freiras e uma igreja, dedicada a N. Sª da Conceição, tendo um belo átrio na sua fachada e, no seu interior, a primorosa imagem barroca da Virgem da Conceição, com riquíssima pintura em ouro e policromia, peça do século XVIII. O teto do templo é primitivo, esculpido em madeira, com medalhões contando a vida da Virgem Maria. Destaca-se, entre elas, a célebre imagem de Nossa Senhora do Leite (Maria, amamentando Jesus).

No convento/recolhimento há um magnífico terraço, de onde se avista quase todo o espaço verde onde existiu o antigo “Jardim Botânico de Olinda”, leiloado em meados do século XIX e é hoje uma propriedade particular. São quilômetros de verdes diferenciados, tendo-se ao fundo a visão do Seminário de Olinda e do seu Farol, além do azul do mar, à distância.

Talvez seja essa uma das mais bonitas vistas de Olinda, local bastante reservado, inclusive não facilmente aberto ao Turismo, perdendo-se a chance de conhecer um lugar especial, repleto de história e de beleza!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

CÍRIO DE NAZARÉ - DEVOÇÃO ETERNIZADA


O “CÍRIO DE NAZARÉ” é a mais importante procissão brasileira. É uma manifestação religiosa característica do povo amazônico, que se materializa num cortejo surpreendente, tendo ao centro a BERLINDA, e nela a pequenina imagem de NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, rodeada por uma longa CORDA,. Agarrados a ela, vão os devotos, com impressionantes atitudes de sacrifício e de fé. Na Corda seguram-se pessoas de qualquer classe e todos expressam com o corpo o seu sentimento religioso.

Uma tradição paraense fala do aparecimento de uma milagrosa imagem de N. Sª de Nazaré, encontrada em 1700, pelo caboclo Plácido José de Souza, filho de um português e uma índia, que possuía um sítio na estrada que ia para o Maranhão (hoje Bairro de Nazaré). Caçando na região do Igarapé Murutucu (onde hoje é a Basílica), o caboclo parou para se refrescar nas águas e, ao erguer os olhos, viu a imagem de Nossa Senhora entre as pedras cheias de lodo. Levou-a para o barraco onde morava e ali, em um pequeno altar, passou a venerá-la. A casa encheu-se de gente para rezar... Milagres começaram a acontecer e as promessas se sucediam...

Uma fato inexplicável é que, no dia seguinte àquele em que foi encontrada, a imagem não amanheceu na casa de Plácido e ele foi vê-la novamente entre as pedras do igarapé Murutucu. Diz a história que a imagem sumiu outras vezes, sempre que era retirada dali. O governador da época chegou a ordenar que a isantinha fosse para o Palácio do Governo e ficasse sob intensa vigilância.Pela manhã, o altar estava vazio. A imagem estava novamente no Igarapé Murutucu. Impressionados com o milagre, os devotos concluíram que Nossa Senhora queria ficar às margens do igarapé. E ali foi construída uma capelinha, ao lado da qual o caboclo ergueu sua casa.

O governador Francisco Coutinho pensou em fazer uma PROCISSÃO pela cidade. Dias antes ele ficou doente. Prometeu que, caso se recuperasse, ele mesmo levaria a imagem até a capela do Palácio. Restabelecido, cumpriu sua promessa e na madrugada de 8 de setembro de 1790, a Virgem chegou ao Palácio.Portanto, ao amanhecer daquele dia, a população de Belém viveu o seu primeiro Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

“A imagem foi transportada na véspera d’aquele dia à noite da ermida para o palácio do governo. Pela iluminação de azeite da cidade, escoou-se a multidão que cercava o carro da santa até desembocar no largo da Campina... No dia seguinte, à tarde, com todo o esplendor possível a uma estréia, desfilou do palácio a romaria; na frente e no couce marchava toda a tropa da cidade” (Arthur Vianna, 19i04).

O processo de reconhecimento dos milagres da Virgem de Nazaré foi longo... Somente em setembro de 1790 a igreja o efetivou.

Até 1853, o Círio era realizado à tarde, prolongando-se pela noite. Neste ano, ao chegar no Largo da Pólvora (atual Praça da República), a romaria foi atingida por uma violenta chuva. A imagem foi levada às pressas, até a ermida. Para evitar isso, o Círio passou a ser realizado durante a manhã, horário em que raras vezes chove em Belém.

Em 1855, a baía transbordou na vésperas do Círio. O carro puxado por bois, que conduzia a BERLINDA, não conseguia passar. Alguém teve a idéia de desatrelar os bois, passar uma CORDA em volta da BERLINDA e puxar até desatolar. Assim a berlinda saiu do atoleiro no alagado próximo ao Mercado do Ver-o-Peso, e chegou ao Largo das Mercês. Desse modo foi levada até a ermida.

Esta prática foi incorporada com o passar dos anos. Os romeiros continuaram a usar cordas e a força dos braços para vencer os obstáculos do caminho, até que em 1868, a diretoria da festa decidiu oficializar a CORDA no Círio. Na época, vieram protestos... Com o tempo, tornou-se a maior tradição da romaria.

O Círio de Nazaré saía sempre da capela do Palácio do Governo, para onde a imagem era levada na véspera, durante a TRANSLADAÇÃO. Em 1882, o bispo e o governador da Província, resolveram fazer a saída da procissão da Catedral da Sé. Em 1901, o bispo fixou o segundo domingo como data oficial do Círio.

O Hino a Nossa Senhora de Nazaré - "Vós sois o lírio mimoso" - é de autoria do poeta maranhense Euclides Farias, que vivia em Belém, e foi composto em 1909, no mesmo ano do lançamento da pedra fundamental da nova igreja e se transformou no Hino Oficial do Círio. Já vai fazer cem anos e continua a ser atual...

São muitos os eventos do Círio de Nazaré... Missas, Procissões por terra, Barqueatas, Arraial para diversão e entretenimento, o Círio das crianças e até o Almoço do Círio, tradicionalmente seguido., São rituais, que mobilizam toda a cidade de Belém e que duram quinze dias,

Na primeira quinzena de outubro tudo em Belém e arredores gira em torno do CÍRIO. Lojas e casas se enfeitam para essa festa de fé e de cuidados. Cada dia, um diferente evento serve de chamariz... Romeiros, devotos em turistas se misturam,... Quase todos querem segurar na Corda, Naquele espaço abençoado os homens e mulheres reconhecem sua fraqueza e reafirmam sua fé, muitos carregando ex-votos, para pagarem promessas.

Sem duvida, essa é uma festa de todos, eternizada pela fidelidade de um povo de força e de fé, que é o povo paraense!

sábado, 11 de outubro de 2008

SOBRADOS MOURISCOS DE OLINDA



Dois lindos sobrados mouriscos, de arquitetura de influência árabe, resistem, em Olinda, com seus balcões de madeira. com losangos e treliças com seu muxarabi, apoiados em suportes em pedra-sabão.

O primeiro situa-se na singular Rua do Amparo, em meio a casas/ateliers de artistas e abrigou, na década de 1980, por algum tempo, a primeira sede do Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda.

Sua construção original mereceu destaque na obra “2ª Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira – Olinda”, de Gilberto Freyre, que o define como um especial aproveitamento topográfico da ladeira onde foi implantado, tendo dois pavimentos na parte voltada para a Rua do Amparo e um só pavimento voltado para a Ladeira da Misericórdia.

O segundo, localizado na Praça Conselheiro João Alfredo (popularmente conhecida como “Praça de São Pedro”, por estar no entorno da Matriz de São Pedro Mártir), tem seu traçado também original, muito semelhante ao outro e guarda, na sua história, o registro de quando abrigou figuras importantes como o Imperador Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina, em 1839.

Hoje, no seu andar térreo, funciona uma galeria de arte e artesanato, oferecendo o que há de mais significativo em Pernambuco e, no andar superior, um requintado restaurante, havendo ainda, na parte posterior de toda a edificação, o espaço “Jardins do Mourisco, equipamento turístico da gastronomia nordestina, entre árvores centenárias e sagüins irrequietos...

São dois significativos exemplos da arquitetura eclética dessa Olinda original e encantadora!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

CURIOSIDADES DE FERNANDO DE NORONHA


VOCÊ SABIA?

Que é a Estação de Tratamento d´ Água Piraúna – ETA, que abastece toda a ilha usando para isso tanto a água dos açudes existentes na ilha como aquela que resulta do dessalinização da água do mar?

Que existe na ilha um Conselho Distrital, eleito por voto direto e que atua como se fosse uma Câmara de Vereadores?

Que todos os turistas pagam a Taxa de Preservação Ambiental para visitar o Arquipélago, sendo esse um recurso investido no próprio Arquipélago?

Que, por medida de segurança, é proibido acampar e fazer fogo em todos os lugares do Arquipélago?

Que o Ministério do Exército administrou o Arquipélago de 1942 a 1961, ocorrendo, nesse período, a implantação de um Destacamento Misto da II Guerra Mundial (entre 1942 e 1945) e um Presídio Político especial, acolhendo os presos da revolução de 31 de março de 1964?

Que Fernando de Noronha não é um Município e sim um Distrito Estadual, subordinado a Pernambuco e é o único lugar do Brasil a ser administrativamente definido assim?

Que na base americana da II Guerra Mundial, instalada entre a Baía Sueste e a Praia de Atalaia, havia motores que bombeavam a água do mar, para piscinas improvisadas?

Que no século XVIII implantou-se no Arquipélago “o maior sistema defensivo daquele século”, constituído de dez fortificações, implantadas acima de todas as praias onde fosse possível o desembarque?

Que a descida banho nos lajedos da para a Ponta da Caieira foi proibida desde 1997, pelo perigo que poderia causar?
Que em 2007 registraram-se cinco novas ocorrências de aves migratórias na ilha?

Que Gregório Bezerra e Carlos Marighella deram aulas aos outros presos políticos e presos comuns, no período em que ficaram detidos na ilha, entre 1938 e 1942?

sábado, 4 de outubro de 2008

PRECE A SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Hoje é dia de São Francisco de Assis, que viveu na Itália há quase oitocentos anos e é, até hoje, venerado em todo o mundo.

Nascido em berço de ouro mas desapegado dos bens materiais, renunciou à riqueza e passou a viver na mais absoluta pobreza.

Fundou duas das maiores congregações religiosas da Igreja: os FRANCISCANOS e as CLARISSAS e ainda reuniu pessoas comuns, leigas, que viviam no mundo mas queriam seguir seus ideais, criando as “Ordens Terceiras”, dando-lhe o direito de partilhar a espiritualidade franciscana,

São Francisco amava a natureza... Chamava às aves, às árvores, à água, ao sol e a tudo que tivesse vida de “irmãos”. Por isso, foi proclamado PATRONO DA ECOLOGIA.

Por isso, neste dia 04 de outubro, saudemos o “pobrezinho de Assis” fazendo nossa PRECE A SÃO FRANCISCO
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Para lembrá-lo, basta pensar em pássaros, árvores,
águas que correm, montanhas que se erguem,
céus de azul intenso, ondas que se formam nas praias,
e tantas outras maravilhas

que a natureza – zelosamente - guarda,
temendo que o homem venha e a tudo modifique...

Francisco, o santo dos espaços grandiosos,
Sereno e docemente dirigindo-se a tudo o que o rodeava,
tudo elevando à honra de “irmão”,
por acreditar-se – humildemente –
um entre tantos, dentre os nascidos
do coração bondoso do Pai.

Francisco, o santo da partilha e da afeição,
da doçura e da mansidão,
dos gestos de acolhida e das profundas reflexões,
em todos deixando uma marca única,
capaz de atravessar os séculos,
como o mais querido dentre os queridos de Deus...

Francisco, exemplo da perfeição e da plenitude,
na vida consagrada, modelo para outras vidas,
inspirador do bem-querer aos que estão entre nós,
sejam eles capazes de raciocínios inteligentes
ou, tão somente, seres irracionais,
dotados de candura e graça...

Francisco – o santo da natureza e do coração,
da verdade e da coragem, dos gestos inesperados
e dos combates por causas justas...
Francisco, o pobrezinho de Assis,
inspirador de vidas, formador de seguidores,
para sempre amado.
Amém.