domingo, 17 de janeiro de 2016

AGONIZA O QUERIDO SEMINÁRIO DE OLINDA


Um monumento que se constitui uma mostra rara da arquitetura quinhentista. Uma construção de grande porte, numa colina suave de Olinda, excelente mirante de onde se contempla uma paisagem inesquecível. Esse é o SEMINÁRIO DE OLINDA e sua IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA, de meados do século XVI.

Ali funcionou o antigo Real Colégio dos Jesuítas. Seu prédio teve depois muitos usos, em sua rica história. Foi Colégio Arquidiocesano. Foi Faculdade de Arquitetura. Foi Escola de Agronomia. A partir de 1700, tornou-se  Seminário, que viria a ser palco de grandes movimentos políticos e religiosos do Brasil. Bem mais tarde, já no século XX, abrigaria os jovens militantes da Ação Católica Estudantil e Universitária, para encontros cheios de fé e de entusiasmo, E acolheria o Movimento dos Cursilhos de Cristandade, oferecendo-se como local de renovação da fé.   

Voltando a ser Seminário, foi povoado por jovens seminaristas e professores dedicados. Mas, desde 28 de maio de 2015, teve de ser interditado pela Defesa Civil, pelo lastimável estado em que se encontrava, necessitado de uma reforma estrutural que resgatasse a importância religiosa e cultural do monumento, para retomar as atividades com seminaristas, continuando aberto à visitação turística costumeira. 

A Arquidiocese de Olinda e Recife “arregaçou as mangas” em busca da revitalização desse importantíssimo monumento. A Campanha está lançada, Não será fácil nem rápido reintegrá-lo ao circuito turístico olindense e à preparação dos padres... Mas foi dada a partida. Todos podem colaborar, cada um dentro de suas possibilidades. Entidades, empresários, dirigentes públicos e, sobretudo, a comunidade católica de Pernambuco pode atrelar-se às ações propostas e salvar da ruína o lindo e tão importante espaço tombado, nesta Cidade Patrimônio Mundial. 

Que tal procurar detalhes sobre o projeto de restauração no endereço  www.recostrucaodoseminario.org.? 

Vamos lá! Olinda merece isso?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

MERGULHO EM SEGURANÇA EM FERNANDO DE NORONHA



Mergulhar em Fernando de Noronha é o sonho de milhares de brasileiros, desde sempre. Os riscos do passado foram sendo minimizados desde que o mergulho autônomo profissional foi implantado no arquipélago, na década de 1970, à medida que foram sendo superadas as dificuldades de buscar e formar instrutores capacitados para realizar esse sonho com segurança e resultados cada dia mais surpreendentes.

Desde esses primeiros tempos, os que se arriscavam pelas transparentes águas fernandinas já anteviam fazer isso com maior segurança, não só pelo uso dos equipamentos necessários e de boa qualidade, como pela instalação, na ilha, uma câmara hiperbárica. que poderia salvar vidas, caso houvesse risco de acidentes. E da idealização passaram a agir em conjunto para adquirirem esse precioso material, sonho que começou a tomar forma no ano 2000, quando as três operadoras de mergulho autônomo noronhenses adquiriram esse precioso equipamento, unindo-se como Associação Noronhense de Empresa de Mergulho Autônomo – ANEMA. Foram anos de espera. As dificuldades precisavam ser supridas com gente especializada no uso do que havia chegado à ilha há tanto tempo, como garantia de que os problemas temidos seriam resolvidos a contento.

Enfim, esse dia chegou. Em 4 de janeiro deste ano novo o equipamento foi inaugurado, próximo ao Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha, em parceria com a Administração do Distrito Estadual, que disponibilizou profissionais da unidade de saúde para receberem o necessário treinamento.

Para os que vivem ou querem viver as aventuras fascinantes de mergulhar no arquipélago pernambucano saber dessa luta e dessa vitória - que é uma “iniciativa pioneira no mundo”, segundo o presidente da ANEMA, Patrick Muller, da operadora Atlantis - é gratificante.... E é ele que, com a experiência de ser um dos desbravadores desse caminho de mar para gente interessada, que considerou que a iniciativa “melhora a credibilidade do mergulho em Fernando de Noronha”.

Que assim seja!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

QUE VENHA O ANO NOVO

 
 
O que há de novo num Ano Novo?
Esperança de novas experiências de vida
ou receio da continuidade daquilo que não foi bom?
Expectativa de mudanças significativas
ou medo da mesmice que pode paralisar os sonhos?
Coragem de sair em busca do inesperado
ou a acomodação covarde
de quem não em força interior para arriscar-se?

Cada novo Ano parece ser sempre
o limiar daquilo que termina
com a promessa do que pode chegar ligeiro,
com a força transformadora, renascida no coração...

Cada novo Ano parece desfraldar
bandeiras claras, abertas ao vento,
como presságio de boas novas, de felicidade
e de sonhos que queremos alcançar...

Cada novo Ano é como um renascimento,
um recomeço misterioso e até temido,
mesmo que a nossa fé e o nosso otimismo 
nos impulsionem sempre para aguardar o melhor...

Que seja bem-vindo este 2016 que se aproxima
e acelera nossa crença no amanhã,
no dia seguinte, na miragem que antevemos
e no nosso poder em tentar sempre fazer mais e melhor!

Salve, 2016!  

(...no limiar da chegada do novo ano...)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TUBARÕES EM FERNANDO DE NORONHA

 Entocados em vários pontos do mar noronhense ou passeando soberanamente por esse mar, os tubarões são vistos em  locais diversos, ao redor do arquipélago, atraindo mergulhadores em busca de aventuras, sobretudo pela consciência de não haver registros de ataques de tubarão no arquipélago, provavelmente pelo equilíbrio do ecossistema insular marinho, que lhes garante a subsistência.

Entre 1989 e 1990, uma experiência foi feita por estudantes concluintes de Engenharia de Pesca da UFPE, utilizando um equipamento de atração instalado no mar de Fernando de Noronha, para a captura de tubarões, a serem usados, na ilha, como “bolinho de tubalhau”, de grande aceitação na gastronomia insular. A experiência foi interrompida com a queda de um avião Bandeirante, ao sair do arquipélago para o Recife e a morte de quatro desses estudantes. Afora isso, os cuidados preservacionistas deflagrados em toda a área fernandina (um Parque Nacional Marinho desde 1988), desaconselharam a captura de tubarões nas imediações da ilha, passando a atividade a ser proibida.        

Ver tubarões “quase” de perto pode ocorrer na contemplação do alto da “piscina dos tubarões”, chamada assim pelos moradores que, há anos, observam o espaço no qual os tubarões menores ficam retidos entre as pedras, no "mar-de-fora", na região entre a Ponta da Air France e o Buraco da Raquel. Quando o mar recua, só na próxima maré alta eles conseguiram se libertar. Isso vem atraindo visitantes que, subindo até a Capela de São Pedro dos Pescadores, na parte alta, a caminho da Air France, podem contemplar essa ocorrência do alto, por trás da capelinha.

Claro que é grande a curiosidade dos que mergulham em Fernando de Noronha, em relação aos muitos tubarões naquelas águas transparentes... E é possível que alguns cheguem a correr o risco de se aproximarem desses fascinantes seres do mar, talvez até para tocá-los, como se ele – o humano - fosse invencível, ou acreditasse mesmo que todos que escreveram sobre o arquipélago (cronistas, estudiosos, turistas e muitos outros) garantiram sempre que os tubarões de Noronha não precisam de “alimentos” além daqueles que a fartura daquelas águas oferecem.

Isso tranquiliza os amantes do mar, mesmo que relatos pouco favoráveis a respeito de tubarões vivam invadindo os sonhos dos que experimentam esse mar, que é um verdadeiro santuário de vida marinha...
 
Infelizmente, num dia qualquer, acidentes acontecem... Pena!      

 

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

NATAL DE MUDANÇAS





Diante de uma dificuldade
que nos parece intransponível,
podemos assumir abandonar a luta
ou entregar-se às soluções possíveis,
que nos ajudem a superar tudo...

Assim é a vida: desafiante e grandiosa.
Estimula nosso coração para a o combate,
quando as razões que nos movem
valem a pena e nos impulsionam
a buscar o melhor dentro de nós mesmos!

Que tal se esse tempo de Natal
nos condicione a pedir, fervorosamente,
ao Menino Jesus que chega,
a força e a coragem necessárias
para sermos bons, solidários e perseguidores do bem?

Que tal se nossa coragem, quem sabe, enfraquecida,
conduza à busca dentro de nós mesmos,
para que as promessas desse tempo de mudança
sejam a verdadeira forma de procurar a paz,
num mundo tão descrente e frio?

Que tal reassumir a determinação para a busca,
as certezas antigas talvez esquecidas,
para que o nosso Natal seja solidário e justo
e o Ano Novo aí vem seja o prenúncio de mudanças,
tornando nossa vida mais feliz?

É tempo de tentativas.
É tempo de correr riscos.
Vamos lá.
E que o Cristo-Menino nos ajude a conseguir!

(Marieta, no Natal de 2015)  



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

1964 - MEMÓRIA DE PRESOS POLITICOS EM FERNANDO DE NORONHA




Um livro escrito em maio de 1964 (Os Idos de Março e a Queda em Abril), foi a primeira obra feita sobre o golpe militar ocorrido naquele ano. Muitas discussões foram feitas em relação à validade dele como subsídio para a História do Brasil, por tudo aquilo que deixou de ser nele registrado. Um outro, publicado em outubro do mesmo ano, por Aderbal Jurema, já exilado no Peru (Sexta-feira, 13 - Os Últimos Dias do Governo João Goulart), contém também relatos dos acontecimentos daqueles dias dramáticos. 

O golpe militar-civil de 1964 voltaria a ser tema de muitas outras obras, escritas por diversos entendidos do assunto, inclusive por  alguns dos 34 prisioneiros confinados em Fernando de Noronha, entre 1964 e 1967, cada um relatando as dificuldades enfrentadas e os poucos gestos de solidariedade recebidos de alguns dos militares que serviam no Território Federal.

A leitura dessas vivências é comovedora. Aqueles homens - na sua maioria jovens - em plena vivência de sua vida profissional (ou preparando-se para ela como estudantes) registraram o dia a dia de um confinamento não entendido nem aceito, sonhando com o momento da liberdade ou do exílio que, para eles, haveria de chegar.  

Alguns desses presos políticos, segregados em Fernando de Noronha, externaram suas impressões do tempo ali vivido. Prisioneiros políticos, militares, familiares e amigos desses, também publicaram reminiscências - suas ou absorvidas daqueles com quem conviveram - deixando um legado importantíssimo desse tempo prisional fernandino. Foi o caso de:

1967 - Hélio Fernandes - Recordações de um desterrado na ilha de Fernando de Noronha; Ed. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro. s/d
1980 - João Seixas Dória - Eu, réu sem crime.  Editora Codecri. 1980.
1991 - Jório Machado - 1964: a Opressão dos Quartéis. Ed. O Combate, 1991.
1996 - Francisco de Assis Lemos: Nordeste: o Vietnã que não houve - Ligas Camponesas e o golpe de 64. Editora da Universidade Estadual de Londrina, 1996.
1999 - Maria da Conceição Pinto de Góes - A aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho. Cristãos e Comunista na Construção da Utopia. Co-edição UFRJ/Revan. 1970.
1999 - Moacyr de Góes. (Org.) - Dois livros de Djalma Maranhão no Exílio. Editora Prefeitura Municipal do Natal – Edição comemorativa dos 400 anos da Cidade.
2000 - Bento da Gama Batista - 1964: Agonia em Fernando de Noronha. Depoimento sobre o cárcere da ditadura militar.   Ed. Universitária, UFPB. 2000.
2002 - Luiz Hugo Guimarães: - Recordações da ilha maldita: 1964. Ed. Grafset. 1988.
2006 – Fernando Coelho: Direita, volver: o golpe de 1964 em Pernambuco. Recife: Bagaço, 2004.
2007 - Agassiz de Almeida: A Ditadura dos Generais: estado militar na América Latina: o calvário na prisão. Rio de Janeiro. Janeiro, Bertrand Brasil. 2007
2007 - Ayberê Ferreira: Das Ligas Camponesas à Anistia: memórias de um militante trotskista, Prefeitura do Recife, Secretaria de Cultura, Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2007
2007 - Heloneida Studart: Luiz, o santo ateu. Natal/RN, Ed. Da UFRN. 2006.

Tomar conhecimento dessas histórias de vida, pelos escritos ou pelo contato com os que ainda estão (ou estavam) vivos quando isso foi possível, fez com que essas informações enriquecessem o Capítulo 5 do nosso livro: Fernando de Noronha - Cinco Séculos de História, oferecendo ao Brasil e, em especial, aos que vivem no Arquipélago, o conhecimento de uma história verdadeira, triste em sofrimentos de tantos homens e heróica, por tudo o que significou!