sábado, 15 de outubro de 2016


MEDITAÇÃO
(de um professor)

Recomeço a cada instante
a minha caminhada de amor...

Sou sempre o que não para,
o que não cede,
o que não termina nunca...

Preciso colocar no rosto
todas as alegrias que abracei pela vida
e fazê-las verdade da minha face de mestre,
mesmo que a inconfessada dor teime em castigar.

Preciso - entusiasticamente -
recomeçar sempre, sem esmorecimento.
a inquebrantável certeza que me tornou
- um dia -
por vocação de vida,
um PROFESSOR!

(No DIA DO PROFESSOR) 


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ANIVERSÁRIO DA INAUGURAÇÃO DA ITALCABLE, EM NORONHA





Em 1922, a Compagnia dei Cavi Telegrafici Sottomarini – ITALCABLE, obteve a concessão para estabelecer um serviço telegráfico internacional entre a Itália e a América do Sul, tocando em Fernando de Noronha.



Na época, a ilha era uma Colônia Correcional de Pernambuco. A área cedida ficava na Praia da Conceição, onde fora erguido o Forte de N. Sª da Conceição – no século XVIII - uma das dez fortificações do sistema de defesa  insular e, por sobre o qual fora erguida a Enfermaria do Presídio (hoje, uma área semi-arruinada e modificada no seu uso). Nesse local ficaram as seções do cabo transatlântico que unia a Itália a Fernando de Noronha e São Vicente do Cabo Verde, com 2.735Km de comprimento e que estava a  3.125 Km do Rio de Janeiro,.



Dia 12 de outubro de 1925 ocorreu a inauguração da estação cabográfica provisória, que começou a funcionar na retransmissão automática das comunicações transoceânicas, usando os mais modernos aparelhos da época.


Um ano depois a ITALCABLE obteve oficialmente o domínio útil sobre aquela área de 9.000m2, concluindo a instalação da Estação Cabográfica e da Vila Italcable, para funcionários e diretores, com o prédio-sede da Estação, e duas outras para alojamento de diretores e familiares. Anda uma Quadra de Esportes, uma Biblioteca e uma pequena Loja, para venda de produtos vindos da Itália. O acesso ao conjunto era pela “Rua do Pico”. E, no alto da Floresta Velha, foi colocado o Motor Aéreo que geraria a força para, com grupos eletrógenos, acionar os aparelhos telegráficos que faziam comunicação com o mundo. A energia chegou todo o espaço italiano, muito antes que a ilha viesse a conhecer seus benefícios.


Em conseqüência dessa instalação em Fernando de Noronha, o Rei da Itália, Vittório Emanuelli III, agraciou o então comandante do Presídio noronhense, Manoel Pinheiro de Menezes, com o diploma e a comenda “Gran Mastro dell’ Ordine de la Corona d’ Itália”, inscrevendo-o “nell elenco degli Ufficiali”, pelos bons serviços prestados à Itália.

domingo, 2 de outubro de 2016

IGREJA DOS REMÉDIOS LIGADA A UMA PARÓQUIA DO RECIFE/PE



Oficialmente, a Igreja de N. Sra dos Remédios, principal templo católico de Fernando de Noronha, passou a ser subordinada à Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves, com sede na Igreja da Madre de Deus no Recife  (como extensão da mesma) no dia 02 de Outubro de 1833, como já vinha oficiosamente acontecendo desde 1789.

Construída entre 1737 a 1784, essa devoção mariana inspiraria o nome do principal Forte construído no arquipélago e de toda a Vila dos Remédios, sendo a Virgem dos Remédios tomada como padroeira do presídio comum desde 1768.

Como Fernando de Noronha nunca teve uma Paróquia própria, era necessária a subordinação eclesiástica à Arquidiocese de Olinda e Recife, o que se concretizaria na data de hoje - dia 02 - no distante outubro de 1833.  

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

SETEMBRO: NASCE O PARQUE NACIONAL MARINHO DE FERNANDO DE NORONHA

Por muito tempo andar pelos espaços noronhenses era uma experiência inesquecível e, ao mesmo tempo, preocupante, à medida que crescia o interesse do Turismo pelo Arquipélago e as inquietações surgiam pela necessidade evidente de preservação, inclusive amparada por normas que definissem até onde isso deveria e/ou poderia ser feito.

A natureza esplendorosa estava lá desde sempre: na terra e no mar, nas cavernas e nos morros, nas pedras escuras e nas trilhas abertas pelo homem, em tempos diversos... Beleza e preocupação para os que chegavam agora. Necessidade de definir rumos que poderiam identificar e preservar o privilegiado espaço, exposto às conseqüências por vezes desastrosas de ocupação, como garantia da salvaguarda do que ainda fosse possível defender.

E isso aconteceu. Estudiosos de vários lugares identificaram e mapearam a área já muito degradada e aquela ainda possível de intervenção, com cautela e cuidado. Foi esse o momento primeiro da reconhecida valorização e criação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha – PARNAMAR/FN, pelo Decreto-Lei Federal Nº 96.693, de 14 de setembro de 1988. Ainda em setembro – no dia 22 - ocorreriam duas importantes transferências de bens para o PARNAMAR/FN que começava, com o Decreto Federal Nº 96.878, que passava para o Ministério da Aeronáutica as construções erguidas quando esse Ministério governava o então Território Federal militar (1981/1986) e o Decreto Federal Nº 96.879, que passava para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA os bens móveis da União: o Hotel Esmeralda; o prédio da EMBRATEL; o Clube do Pico (que funcionara como área de lazer do TFFN, chamado de “Cassino dos Oficiais” e que fora usado em 1964/65 como local de interrogatórios quando da prisão dos 34 presos políticos daquele momento de repressão). Ainda o Mirante do Boldró, espaço também remanescente da ocupação da região pelos americanos integrantes do “11º Posto de Observação de Mísseis Teleguiados” (entre 1957/1965).           

Foi, pois, no mês de setembro que consolidou-se o compromisso de tratar-se Fernando de Noronha como um lugar especial e, a partir daí, deflagram-se normas que deveriam ser mantidas para o futuro, salvando-se um patrimônio ambiental merecedor de estudos e ações de consolidação e reconhecimento.

Hoje ostentamos um título muito especial: o de estar inscrito na lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO, confirmando “o valor excepcional e universal de um sítio cultural e natural que deve ser protegido para o benefício da humanidade”.

Abençoados sejam todos que abraçaram essa causa, neste setembro que vivemos e que, por ela, lutaram, cada um da forma que lhe foi possível !    

 

sábado, 27 de agosto de 2016

PASTOR QUERIDO, QUE SAUDADE!


 
 Mais uma vez, pastor querido – os que ficaram por aqui –
unem-se em prece, na lembrança da tua iluminada presença!
Afinal, são 17 anos da tua partida...

Ainda bem que o tempo em que te tivemos por perto
foi tão fecundo, tão extraordinário,
que essa saudade conforta, marca, leva-nos a refletir.

Curiosamente, não choramos mais porque estás longe...
Isso porque carregamos no coração todas as lembranças
das coisas que dizias e que comprovavas em todos os momentos.

Isso nos faz mais fortes e mais consolados a cada dia...
E vamos retomando os caminhos por onde andamos
tão próximos e tão marcados por ti em cada gesto, cada palavra.

Dom Helder, padrezinho querido, não está longe o dia
em que serás confirmado naquilo que alimenta nossas certezas:
nós vivemos o privilégio de conhecer de perto um homem  santo!

Assim esperamos, rezamos e aguardamos
esse instante que chegará, logo, logo, consolidando para o mundo
nossas certezas e nossas esperanças!

Deus te guarde, pastor querido, e que Ele, na Sua sabedoria de Pai,
 nos permita sonhar com o momento de contar isso ao mundo inteiro,
dividindo com a humanidade a verdade de um santo do nosso tempo.

Amém!


FALANDO NO CEMITÉRIO DE FERNANDO DE NORONHA



A Lei Imperial de 1º de Outubro de 1828 atribuiu às Câmaras a construção de Cemitérios extramuros para os enterros no Brasil, até então feitos sempre nas Igrejas. Diz a história conhecida que o 1º cemitério público construído nos termos dessa Lei teria sido o de Natal/RN, em 1856, por causa da devastação causada pela Cólera, apesar da resistência da população católica, que considerava caótica essa Lei de caráter higienista, com medidas políticas que proibiam o sepultamento nas igrejas (para que não fossem um entrave à saúde pública), e exigia cemitérios distante dos locais onde habitavam os vivos.

O que a história do Brasil não registrou – talvez pelo pouco caso com que era tratada a “ilha-presídio” de Fernando de Noronha é que, foi lá que se ergueu o primeiro cemitério do Brasil, inaugurado em 1843, “no alto do morro denominado “Floresta”, que domina a povoação da Villa, cercado de muro de altura conveniente com pórtico de entrada e modesta Capella de pequenas proporções e abrange uma área de 390 metros quadrados, extensão esta muito diminuta em relação a população actual do Presídio” (como especifica o Relatório do então Director do presídio, Cel. Alexandre de Barros e Albuquerque, datado de 1862.



“Situado a pequena distância da villa, ao Sudoeste, no alto do morro denominado Floresta, foi construído em 1843, pelo comandante do presídio, coronel Antonio Gomes Leal. Tem uma modesta capella de pequenas proporções, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira dos sentenciados e pelos mesmos construída. Compreendia, ao tempo de sua construção, uma área de 178,80m quadrados, mas aumentando o número de habitantes do presídio e, por conseguinte, de obitos, foi necessário dar-se maiores proporções ao cemitério, trabalho que foi executado em 1883, abrangendo hoje uma área de 390m. quadrados, sendo a parte accrescida sagrada com as solemnidades do estylo em 27 de Agosto daqulle anno.” (como está na obra “A Ilha de Fernando de Noronha: noticia histórica, geográfica e economica”, 1887, de Pereira da Costa.


Hoje lembramos o dia dessa inauguração: “ampliação em 27 de agosto de 1883”. E lamentamos que, por tanto tempo, os que viveram na outrora ilha-presídio brasileira e os de hoje ainda saibam tão pouco sobre isso, apesar de todos os esforços dos que olham para ela com olhos de “ver” e vontade e fazê-la ressurgir!



E ilustramos esses comentários com a significativa imagem da tela pintada pelo artista plástico J. Niewerth – "Cemitério da ilha de Fernando de Noronha” - datada de 1845, pertencente ao acervo do Museu do Estado de Pernambuco e incluído no Capítulo 09 (“As muitas formas de Arte, em todos os tempos”).do nosso livro FERNANDO DE NORONHA – CIINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA.



Aí está uma história que tanta gente nunca conheceu. Pena.