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Eu era
aquela que cantarolava nos encontros em torno do cafezinho no terraço da Igreja
das Fronteiras, no meio das tardes; que se dispunha a cumprir as doces tarefas
nos tempos que antecediam os natais; que acolhia moradores dos engenhos
instalados por ele, para pequenas e preciosas capacitações para o dia-a-dia de
cada um; que conduzia cantos em tantas celebrações... Dias de alegrias, de
partilhas, de enriquecimento interior!
Parodiando o
poeta Bandeira, “nunca pensei que isso um dia se acabaria...” Mas chegou o
momento de vê-lo partir, naquela noite de agosto, de segui-lo - silenciosa e
triste - na longa caminhada da Igreja das Fronteiras (no Recife) até a
Se-Catedral (em Olinda); de voltar ali para cantar para ele, no 7º dia da sua
volta à Casa do Pai.
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Já se passou
muito tempo depois que ele se foi... Unidos, esses filhos que ele acolheu
continuaram a relembrá-lo em cada oportunidade. E, juntos, apregoaram seu
profetismo nos muitos momentos da comemoração dos cem anos do seu nascimento,
em 2009. O ideário helderiano
enraizou-se em nós, como uma marca, como uma chama acesa no coração. E a
esperança de ver reconhecida – pela Igreja - a sua santidade, alimenta e
revigora a luta que está longe de ser encerrada.
Hoje é Carnaval. E foi no dia 7 de fevereiro de 1909 – um dia de
Carnaval também - que esse homem tão especial nasceu. O primeiro Helder do
século XX talvez, semelhante aos numeráveis "Helders" que foram sendo assim batizados. Um Helder que, na sua origem, significa LUZ, CLARIDADE... E
poucos foram, na vida, luz para tantos e claridade
para o mundo!
Foto 01 - Dom Helder e a pomba
Foto 02 - Dom Helder e o Papa João Paulo II
Foto 03 - Dom Helder e eu, em Fernando de Noronha
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