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prisioneiros que cumpriam pena na ilha foram enviados ao local do sinistro. Resgatarem
o que foi possível. O capitão da embarcação tratou mal esses presidiários. O
coordenador da turma de presos informou aos náufragos que a ilha tinha poucas condições
para acolhê-los. Poderiam ajudar, certos de que o navio levaria uns
dois meses para afundar completamente e, por isso, deveriam retirar dele o que
fosse aproveitável.
Tripulantes
e passageiros foram precariamente hospedados na ilha. Em pouco tempo o navio
arrebentou-se nas pedras. Dois dias depois amanheceu quase todo partido. Mais 38
presos foram mandados para ajudar. O capitão explicou que tentara chegar à Praia
da Sambaquixaba, na ilha, porque precisava de água. Mais o choque nos rochedos tinha
sido inevitável.
Dia 18 de março, ele
afundou completamente. Os passageiros e as 14 pessoas da tripulação estavam
salvos. Em ofício remetido ao governador da Província, Francisco do Rego
Barros, o responsável pelo Presídio, Francisco José Martins, narrou o fato.
Esse
foi um dos naufrágios no arquipélago, sem vítimas, graças à pronta intervenção
dos que viviam em Fernando de Noronha, inclusive prisioneiros e correcionais. O
documento com este relato está guardado no Arquivo
Público de Pernambuco e cópia dele foi enviada ao Serviço Geral de Documentação da Marinha, no Rio de Janeiro, na
década de 1990, por solicitação do seu diretor, Almirante Max Justo Guedes, que
o encaminhou, em cópia, ao Tribunal Marítimo, para conhecimento e arquivamento.
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