Marieta Borges Lins e Silva é educadora, poeta, historiadora e pesquisadora. Seu último livro chama-se “Fernando de Noronha: Cinco Séculos de História”. Saiba mais
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Desde muito pequena, ela se mostrou corajosa diante da vida. Era um toquinho de gente quando enfrentou a primeira doença grave, que a obrigava a tomar injeções diárias, extremamente dolorosas. Vê-la sair, destemidamente, em direção à enfermeira que a atenderia, levando a ampola apertada nas mãozinhas, os olhos cheios d´água, na antecipação do sofrimento que a aguardava, deu-me a certeza que ali estava alguém de fibra, demonstrando isso desde a mais tenra idade.
E assim foi (e é) pela vida afora. Ousadia, persistência, vontade de realizar coisas grandiosas, marcaram essa menininha do passado, agora premiada - no Dia Internacional da Mulher - como destaque na especialidade que quis ter na vida: a COMUNICAÇÃO.
E as emoções se sucederam neste dia 08 de março de 2012, diante dessa guerreira, dessa mulher inteira, cheia de força, acostumada a lutar por tudo aquilo em que acreditava, olhando em frente sem medo de buscar o que estava no alto!
Minha menina - MARIA LUIZA BORGES LINS E SILVA - a nossa IZA da intimidade familiar e entre os amigos, subiu ao palco nesse dia de festa para saudar todas as mulheres, representando as demais homenageadas, defendendo as mulheres vencedoras e as conquistas femininas, sem esquecer aquelas que, em seus domínios, são massacradas, escravizadas, minimizadas na sua condição de fêmea quase em risco. Grande discurso! Grandes momentos!...
Que bom que eu vivi para ver isso acontecer, para registrar na minha história pessoal, os feitos dessa minha cria - e de todas as outras minhas filhas tão queridas – todas orgulhosas das irmãs que têm e dispostas, também, a lutarem pelos seus sonhos e desejos...
Quando olhares em torno e tudo parecer treva, escuridão, fantasma, antes de clamar contra a maldade dos tempos e dos homens examina se estás sendo a luz que deves ser.
Se em todo o Brasil o Carnaval é um tempo de festas, em Pernambuco ele tem um significado excepcional... A folia cresce em importância pela diversidade cultural que marca o reinado de Momo, levando para as ruas o povo da capital, da região metropolitana e do interior, cada um desses espaços guardião da beleza e da diversidade de ritmos e de danças próprias e únicas, na singularidade como surgiram e se fizeram tradição.
Nos sítios históricos de Olinda o Carnaval tem um cenário especial, derramando magia e beleza pelas ruas, ladeiras, becos, montes... São os bonecos-gigantes, cheios de irreverência e impacto... São as centenas de clubes, troças, blocos, de nomes curiosos, anunciados todos pelos clarins que os precede... Nos bairros localizados fora desse circuito secular, os pólos de animação apressam-se em levar a beleza conhecida na área tombada para longe, oportunizando a descoberta do lirismo, das tradições e do novo, que se vai incorporando ao Carnaval dos dias de agora, fiéis ao passado e, ao mesmo tempo, aberto à mudança.
Na capital – o Recife – também a febre de animação se apresenta, começando oficialmente com “o maior bloco do mundo” – o Galo da Madrugada e seguindo adiante, tanto no Recife-antigo como em uma infinidades de espaços carnavalescos, onde a irreverência também faz morada, nas inúmeras agremiações, reunindo adultos e, de forma especial, trazendo os pequenos para a festa desde a mais tenra idade... E o frevo “rasgado”, dançado como ninguém imagina, concorrendo com o batuque forte dos maracatus, nos cortejos de realeza africana... E o lirismo dos blocos fazendo história...
Pelo região metropolitana e pelo interior do Estado não é diferente. Muito frevo e passo, grupos de caboclinhos com suas preacas, maracatus rurais (com as extraordinárias golas bordadas apenas por homens), papangus e suas máscaras originais, carros alegóricos, e outros, outros, outros...
Certamente, nada se compara a entrar-se num Carnaval sem passarelas, limite de tempo para “exibição”, mas liberto e diverso. Com a vantagem que pode-se olhar, mexer-se enquanto contempla os que passam e dançam, ou entrar no centro da festa, fantasiar-se para representar seu bloco, ou ainda dar-se as mãos, como uma corrente humana, para proteger os que brincam e seus instrumentos que espalham as melodias.
Isto é o CARNAVAL PERNAMBUCANO. Isto é o tempo de extravasar fantasmas, enfeitar os rostos, experimentar danças frenéticas ou tranqüilas, sempre de acordo com o “gosto” de cada um. Duvida??? Então venha... Ainda dá tempo! E, de quebra, reverencie as figuras escolhidas para serem símbolos do Carnaval de 2012: Em Olinda: seu ex-Prefeito em dois diferentes momento, jurista, historiador e também folião GERMANO COELHO, No Recife, o jurista, compositor e cantor ALCEU VALENÇA. E ainda o velho (e tão querido) LUIZ GONZAGA, “o Rei do Baião”, na comemoração dos 100 anos de seu nascimento.
Vamos lá... “Acorde” o folião que existe em você e venha!
Uma igreja lotada. Cânticos lindamente entoados pelo Grupo Celebrai (da Catedral da Sé de Olinda). Um pregador emocionado e comunicativo. Um clima de alegria e de saudade. Assim foi a celebração pelos 103 anos de nascimento de Dom Helder Camara, no dia 07 de fevereiro, na singela Igreja de N. Sª da Assunção das Fronteiras, onde ele viveu por muitos anos e onde morreu, em 2009.
Frei Joaquim Ferreira, oc, Vigário Episcopal Norte da Arquidiocese de Olinda e Recife- presidiu a concelebração, representando o Arcebispo, atualmente em férias e confessou-se profundo admirador de Dom Helder desde os tempos de seminarista, na convivência com o "helderólogo" Frei Pio Moreira, oc (o fundador do Coral do Carmo do Recife que, ao longo da vida reuniu, em 27 volumes, textos e reportagens sobre o Dom e poemas e meditações dele próprio, publicados na Imprensa e/ou lidos por ele em programas radiofônicos que manteve por anos e anos, à frente da AOR.)
Ao findar-se a Missa, o Presidente da FUNDARPE, chamado ao altar, anunciou que o Governo do Estado comprometia-se e concluir as obras de instalação do MEMORIAL DOM HELDER CAMARA, novidade recebida com demorados aplausos... Tudo muito simples e, ao mesmo tempo, profundamente reverencial, na lembrança de todos, nas peças espalhadas por aquele lugar de culto, como o genuflexório no altar-mor, onde o Profeta rezava, em todas as madrugadas, acordado que era pelo despertador para a vigília, momento do encontro com Deus e fecundos momentos em que produzia sua extraordinária obra.
Esse ritual continua a se repetir, a cada fevereiro, pela fidelidade de muitos, que afluem à “igrejinha de Dom Helder” – como é identificada até hoje aquele templo.
Foi importante saber-se ali do interesse do Governo em somar forças nas fileiras dos que lutam para guardar os sinais da sua vida terrena... Esse Memorial ocupará parte do andar térreo da Igreja das Fronteiras e todo o primeiro andar da edificação, reunindo o acervo construído nos seus 90 anos de vida, contendo diplomas, honrarias, títulos, fotos, livros (editados em diversos idiomas), etc. O conjunto "casa de Dom Helder" fará parte de tudo, sendo mantida a distribuição original, como era usada pelo Profeta, com o seu quarto singelo, por trás do altar-mor da igreja, sua sala de trabalho, sua rede de cearense, a mesa onde recebia todas as pessoas, o pequeno jardim de entrada...
Na frente do templo, a escultura que celebra o Dom Helder-Poeta, continuará como quê acenando para quem chega, como parte do circuito dos Poetas Recifenses, espalhado por locais diversos da capital pernambucana, homenageando ali não o padre, o bispo, o escritor, o teólogo, o religioso mas o poeta maravilhoso que ele foi sempre, desde os tempos de jovem seminarista.
Vai valer sempre a pena reunirem-se pessoas que amam o Dom, para rezarem juntos e proclamarem – juntos também – a sua devoção!
Foi de luz a tua chegada ao mundo. numa casa já tão cheia de pequeninos... Escolher-te o nome foi uma inspiração paterna ou a clarividência inconfessada e corajosa de inaugurar, em ti, um nome novo, um nome encontrado ao acaso, num livro, chamando-te: “Helder”, claridade, dia claro...
Desde cedo teu amor ao Pai foi transparecendo na tua face, no teu jeito de ser... E jovem, ainda, tu te fizeste padre e te colocaste a serviço de todos, sem distinção... O mundo te esperava, com suas contradições seus sonhos e suas dificuldades... Os homens precisavam de ti e ainda nem sabiam...
Agora reverenciamos esse nascimento, agradecendo ao Pai do céu porque vieste para aceitar e distribuir os dons recebidos e ser a voz poderosa que espantaria a todos pela força do que proclamava e vivia... Não foi em vão a tua luta, padrezinho... porque hoje - pelo mundo - todos te agradecem...
O nosso jeito de te amar tem muitas faces mas caminha junto, rumo ao ideal que semeaste, quando nos atraíste para aquilo em que acreditavas... E o chamamento foi tão forte e verdadeiro que de ti não nos afastamos nunca mais. até hoje, até este sete de fevereiro que chega, e que acolhemos novamente, para rezarmos juntos...
Escuta as nossas preces. Aceita o nosso amor renovado a cada dia, a cada ano, como uma marca dos sonhos que se enraizaram nos nossos corações, e nos impulsionaram para sermos melhores... Fica conosco, em nosso coração, querido cearensizinho, homem do mundo, que não coube em uma só pátria porque veio para pertencer à humanidade inteira!!!
Morreu João de Seixas Dória, o governador deposto em Sergipe e que, durante meses, dividiu um mesmo espaço com Miguel Arraes, em 1964, em Fernando de Noronha... Ele mesmo fala desse tempo de inquietação, no livro “Eu, réu sem crime”, onde recorda o sua prisão e confinamento no arquipélago: “Quando fui preso, os militares me levaram para a sede da 5ª Região Militar, em Salvador (BA). Depois de quatro dias, fui transferido para o Recife e de lá para Fernando de Noronha. Passei alguns dias isolado e depois me transferiram para o quarto onde estava Arraes. Ali convivemos durante quatro meses. Saíamos juntos para tomar banho de sol. Até que fui solto e levado outra vez para Salvador, quando achei que seria morto”,
Na obra deixada, em nenhum momento o ex-governador sergipano relata a prática de tortura física, como acontecia nas cadeias do continente, onde pessoas perderam suas vidas batendo de frente com o regime imposto pelos militares. Contribuía para isso o reto proceder do então Governador noronhense, Cel. Jayme Augusto da Costa e Silva.
Este governador, João de Seixas Dória, fazia parte da chamada “bossa-nova” - a UDN - e foi um dos primeiros a se aliar à Frente Parlamentar Nacionalista. Isso lhe valeu ser considerado um “esquerdista” e fez com que fosse cassado, preso e remetido para Fernando de Noronha. Confinado em Salvador, à espera de ser mandado para a ilha, escreveu ao Presidente da República, Castelo Branco, pedindo que fosse feita uma devassa no seu governo, para que ficasse provado que lá não havia subversivos nem corruptos... Não foi atendido. Libertado, tempos mais tarde, escreveu seu livro de memórias (publicado no Rio de Janeiro, pela Editora Codecri, em 1980), incluindo nele a carta enviada ao Presidente da República, pedindo para ser julgado de forma justa, e que não teve resposta.
Nas memórias do ex-Governador de Sergipe, está o susto vivido numa noite, em que Miguel Arraes foi levado de repente do quarto onde estava preso junto com ele, com a desculpa de que ele “iria dar um depoimento”. Passaram-se horas e horas e nada dele voltar. Às tantas ouviu-se um estampido e um grito no pátio. Apareceu um Sargento anunciando: - “Aquele tiro, Dr. Seixas, eliminou o ex-governador Arraes”. Abalado com a notícia, sofreu a perda do companheiro, a quem tanto admirava. Não quis comer. Não conseguiu dormir. No dia seguinte, encontrou-se com Miguel Arraes, vivo. Tudo não passara de um ato de terrorismo psicológico. Este fato é contado pelo próprio Seixas Dória, e também por Bento da Gama Batista, outro preso político na ilha, na obra “1964- agonia em Fernando de Noronha: depoimentos sobre o cárcere da ditadura militar”, editado pela Ed. Universitária da UFPB, em 2000. . Agora, Seixas Dória se foi, aos 94 anos. Entrevistado por mim, em 2010, em Aracaju, afirmou não sentir mágoa de ninguém, ainda que tivesse sido injustiçado...
O Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, o companheiro de cela de Dória, expressou os sentimentos de Pernambuco ao governo de Sergipe, pela perda do importante político. Resta-nos – a todos – sua importante obra, existente no acervo do “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”, nos dois volumes doados, um retrospectivo dos tempos de prisão, e outro, reunindo artigos publicados em jornais, em tempos diversos, muitos dos quais também falando em Fernando de Noronha.
E foi o arquipélago onde amargou sua prisão que lhe prestou uma homenagem televisiva, num especial levado ao ar na TV Golfinho, no dia seguinte à sua morte, recordando momentos vividos por ele em sua trajetória política e, em especial, a foto que consta do seu prontuário, feito no dia de sua chegada na ilha: 12 de abril de 1964.
João de Seixas Dória: um nome para não ser esquecido! .........................................................................................................
Foto 01: discurso de posse como Governdaor de Sergipe - 1962. Foto 02: com Ulysses Guimarães, na luta pelas "Diretas Já". Foto 03: Preso em Fernando de Noronha, em 12 de abril de 1962.
Um dia, alguém que o entrevistava escreveu que “ele era um poeta, acima de tudo, porque falava de tudo de forma poética”. Duas vezes coube-lhe conduzir os destinos de Olinda, como um dos seus mais apaixonados defensores. Um marco: isso fora Germano Coelho, para a “Cidade Patrimônio Mundial”, em todos os tempos...
De repente, quando muitos lamentavam ter sido ele talvez “esquecido”, a grande notícia surge: aquele Prefeito-poeta, Jurista, Historiador, incansável leitor de todas as importantes obras das mais famosas já publicadas sobre essa “muy nobre e sempre leal Villa d´Olinda”, fora escolhido para ser o HOMENAGEADO EM OLINDA no Carnaval 2012! Evoé!!! Aleluia!!!
Quem fizera mais do que ele por esse Carnaval-participação? Quem tinha levado o Carnaval a retomar a liberdade de sair no horário e do local costumeiro, com itinerário de sua preferência, depois de anos obrigado a descer ladeiras em direção aos palanques oficiais, às passarelas com as quais nunca se haviam conformado? Quem valorizara os maracatus, os bonecos gigantes, as máscaras populares, os blocos, as troças, os clubes, permitindo que todo o sítio histórico fosse o especial local de desfiles, agregando enormes grupos de agremiações, gerando o lindo desfile de bonecos, de caboclos do maracatu rural? Quem instituíra essa programação livre, espontânea, apenas mencionada nos panfletos orientadores, marcados pelo respeito aos brincantes e carnavalescos?
E ainda: Quem “rasgara” avenidas em várias direções, simplificando e aproximando bairros, facilitando o ir e vir dentro do mesmo município, durante e o Carnaval e fora dele?
O que se viu, na coletiva que o proclamou como HOMENAGEADO, foram os aplausos de uma platéia de pé, constituída pelo representantes da imprensa e das agremiações carnavalescas, muitos com os olhos molhados de emoção!
Enfim, a justiça é feita. O sonhador, o realizador, o amante de Olinda, o apaixonado por uma terra chegava - pelo gesto de acolhida do dirigente de agora - para ser saudado por tudo o que fora, como Prefeito da “Cidade Monumento Nacional”, amado pela multidão que seguia seus passos então ligeiros, acompanhando – por horas a fio – o Carnaval que sempre amou.
Olinda tem o homenageado que merece! Germano Coelho tem a unanimidade que soube conquistar O Carnaval acolhe, de braços abertos, esse ser especial, feito de sonho e de amor!
Não havia dúvidas: exibir um presépio gigante numa das mais emblemáticas praças da “Cidade Patrimônio Mundial” fora uma decisão acertada, oportuna, encantadora! Ninguém ficou indiferente àquele enorme número de figuras religiosas, da tradicional cena imaginada por São Francisco, séculos antes de nós todos, mas exibindo-se agora de forma surrealista, única, pela genialidade de um dos maiores e mais talentosos artistas olindenses: Fernando Augusto Gonçalves.
Plantado na suave Colina do Carmo, às vistas de quem passava, o presépio atraiu a todos, tornando-se, em 2009 e 2010, amaior atração do Natal pernambucano, louvado em registros escritos, radiofônicos, televisivos... Quem o via, tornava-se um divulgador, convocando outras e outras pessoas para o momento mágico de estar ali, diante da cena tão familiar ao mundo, no entanto mostrada na enormidade da Arte verdadeira, atraindo famílias inteiras, crianças que brincavam na praça, parando a cada momento para contemplar a maior representação do Natal, numa cidade capaz de ousar, com o tantos dos seus filhos o fizeram, no passado.
Este ano, nada aconteceu. O presépio gigante ficou na lembrança, sem explicações convincentes que o justificassem. Faltou algo defundamental na Colina Carmelita, como se dela houvesses extraído o “toque” de genialidade, esvaziando-a e apagando-a aos nossos olhos.
Restou a saudade. Enorme saudade de visitas constante ao lugar dos sonhos, onde se podia mergulhar no imaginário popular, tendo ou não qualquer vinculação religiosa, mas reconhecendo que a imortalidade do presépio descomunal tinha sido desconsiderada, por qualquer motivo que fosse.
A mim, apaixonada por Olinda e pelo Carmo de Olinda, doeu não encontrá-lo novamente de pé, talvez até com mais peças, mais elementos de beleza, como se isso fosse possível, numa obra de Arte tão valiosa.
Ah! Que saudade do presépio gigante de Olinda!!!
Quem sabe um dia ele volta, tão belo quanto o foi, tão forte como era visto, tão oportuno como o é, nos Natais de todos os lugares, de todas as igrejas, de todos os corações!...
Repetimos, emocionados: que saudade do presépio gigante de Olinda!!!
Nada é comum nesse tempo... As ruas se enfeitam. As luzes tornam mais belos os espaços urbanos. Através de janelas e sacadas pode-se entrever um mundo de detalhes coloridos, enriquecidos pela criatividade que faz nascer a fantasia em forma de beleza.
Isso é o Natal. Isto é a exteriorização de um sentimento de plenitude que a tudo permeia, engalanando o mundo e despertando sentimentos de paz e de solidariedade.
Pena que, nesse frenesi estimulado pelo consumo desenfreado e, ao mesmo tempo, guiado pela ternura que se derrama nas ruas e praças e que nasce também no nosso coração, vá conduzindo as pessoas para o terreno meramente material, fazendo com que o fato dominante do Natal seja esquecido ou minimizado, perdendo muita gente o sentido cristão que o caracteriza e que se faz verdade na representação do PRESÉPIO, forma concreta de representar o nascimento do Menino Deus.
A inquietação começa quando se torna claro que aquele Deus pequenino nasceu pobre, num lugar improvisado, cercado de singeleza e de mistério. Havia uma mulher grávida, prestes a dar a luz. Protegendo-a, um homem mais velho, cansado da caminhada inglória que não os levara a nenhum dos lugares esperados e sim a um estábulo, onde animais comiam. Não havia tempo para procurar mais...
É o evangelista São Lucas que nos fala daquela noite misteriosa, incluindo na cena o sobrenatural, representado pelos Anjos que entoam louvores e pedem PAZ. É ele também que descreve os pastores que, surpreendentemente, enfrentavam o frio dos campos da região e acabam por representarem o povo – daquele momento e dos séculos sem fim – prestando suas homenagens ao Menino recém-nascido.
O Filho de Deus fora anunciado, através dos séculos. Para a maioria dos que acreditavam na promessa do Redentor que chegaria, ele viria reinar, salvando o seu Povo da escravidão. Mas ele chega como um paradoxal momento histórico, inaugurando o novo momento, pequenino, indefeso, dependente, como qualquer criatura humana, semelhante em tudo a ela, menos no pecado.
Bendito tempo que reaparece a cada dezembro, na lembrança dos que esperam que o Cristo renasça novamente em nós, na nossa vida, no nosso mundo tão carente de amor!... Bendito dezembro nos amolece a alma, deixando-nos ansiosos para re-acreditar que a PAZ AINDA É POSSÍVEL, como apregoaram os anjos naquele estábulo em Belém e que nos levam a repetir esse presságio de esperança e de sonho! Bendito Natal que chega!
Que ele venha para nos fazer mais felizes e mais humanos. E que possamos crer que “no coração daquele que cumpre sua parte na vida, o Cristo nasce todo dia!!!