sexta-feira, 2 de outubro de 2015

iIGREJA DOS REMÉDIOS SUBORDINADA À PARÓQUIA DO RECIFE


Há 182 anos - no dia 02 de outubro de 1833 - oficialmente, a Igreja dos Remédios, principal templo de Fernando de Noronha, passou a ser subordinada à Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves, com sede na Igreja da Madre de Deus, no Recife.

Sendo o principal templo católico de Fernando de Noronha, sua construção foi iniciada em 1737, seu sacrário colocado em 1748 e sua obra de estrutura em cantaria exposta concluída em 1772, data que ostenta na fachada. Ficou completamente pronta em 1784. E a Virgem dos Remédios foi tomada como padroeira do presídio comum desde 1768.

Desde 1789 esse templo foi ligado àquela Paróquia no Recife, como extensão da mesma e oficialmente vinculada a ela em 1833, como continua a ser até os nossos dias. A ligação com Pernambuco, existente de 1737, fora rompida em 1938, quando, tomada pela União, para funcionar ali o Presídio Político Oficial, imposto por Getúlio Vargas. Essa situação teve continuidade com a criação do Território Federal, que só seria encerrado em 1988, quando – pela Constituinte – o arquipélago foi reintegrado novamente ao Estado. Essas mudanças não alteraram a vinculação eclesiástica da ilha com a Arquidiocese de Olinda e Recife, continuando a ser extensão da Paróquia da Madre de Deus.

     

domingo, 27 de setembro de 2015

SALVAGUARDA DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE OLINDA


Nos últimos tempos, informações preocupantes inquietam os interessados na preservação e registro das evidências culturais de Olinda. A beleza e originalidade dos sítios históricos da cidade, que atraíram para ela ações e titulações fundamentais, merecem essa preocupação e, por parte do puder público, a cautela necessária para deflagrar propostas em defesa de toda essa história. 
 
Dentro desse rico acervo construído e tantas vezes zelado está a Biblioteca Pública de Olinda, instalada atualmente na casa 100, da Avenida da Liberdade, no Carmo, bem em frente a mais antiga Igreja Carmelita nas Américas. 

A memória histórica nos diz que Olinda era a capital da Província de Pernambuco. Três anos antes (1827), ali tinham sido criados - no Mosteiro de São Bento - os primeiros Cursos Jurídicos do Brasil. Era importante que a iniciativa de existir também uma Biblioteca pudesse consolidar aqueles estudos universitários e que isso fosse implantado em um outro espaço religioso da cidade: o Convento Franciscano mais antigo do Brasil. Isso viria a acontecer a partir do dia 07 de dezembro de 1830, com o Decreto Imperial do Imperador Dom Pedro I, que estabelecia uma biblioteca pública na cidade,  a primeira de Pernambuco e a quinta biblioteca a ser estabelecida no Brasil. 

Os anos se passaram... Depois de sucessivas mudanças de sede, a Biblioteca Municipal de Olinda foi, enfim, instalada na casa de número 100 da Praça do Carmo, uma das mais antigas construções da cidade: Um casarão assobradado, rodeado de muitos verdes, monumento de trajetória histórica e arquitetônica formidável! Seu acervo, ao longo dos tempos, foi se constituindo de doações, chegando a possuir mais de 20 mil títulos, que incluem títulos da literatura brasileira, inglesa, francesa e portuguesa. 

Em 1993 ela foi requalificada, tendo sua estrutura física solidificada, com o apoio do MINC, passando a abrigar iniciativas culturais as mais diversas, dentro dela e no seu entorno tão especial. Por isso, as referências atuais de abandono desse bem patrimonial tão especial preocupam, num tempo de valorização da Cultura e de compromisso com os títulos recebidos pela cidade, que é “Cidade Monumento Nacional”, “Cidade Ecológica”, “Cidade Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade”, inscrita pela UNESCO na lista das CIDADES PATRIMONIO MUNDIAL. 

Que tal reerguê-la e requalificá-la novamente, como Olinda merece e espera?

sábado, 12 de setembro de 2015

MARY e GEAZI: 50 anos de casados.


 
Faz muito tempo que tudo começou...

Vocês eram muito jovens.

Vinham de experiências tão diferentes...

Parecia que nada os aproximaria, que o amor não chegaria...

Mas foi assim: impetuoso, definitivo, sujeito à tudo

para fazer-se verdade e uni-los para sempre!



Hoje, completa-se o ciclo de cinqüenta anos de vida em comum e de luta.

Nada foi fácil. As dificuldades surgiram, nesse tempo de entrega

e vocês resistiram, enfrentaram, venceram, perderam, sublimaram-se

e chegam ao tempo de reconhecer que, apesar de tudo,

prevaleceu aquele amor descoberto lá longe,

consolidado nos filhos, na família construída,

na felicidade que experimentam por estarem aqui, juntos,

como sonharam um dia e certos de que o amor venceu,

mais uma vez, porque nasceu forte, para ser eterno!



Agora é hora de dizer “graças”, pelas infinitas dádivas recebidas

e louvar a Deus pela presença constante em suas vidas,

como Pai misericordioso, guardando-os como filhos diletos,

na seara de bens com os quais os cumulou, sempre!



Que seja este o dia da vitória!

Que todos que fazem parte de suas vidas

celebrem com vocês o momento de agora

e que essa seja a marca da comemoração amorosa

que cada um faz, no seu coração,

porque vocês existem e são parte de nos!


      
  

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

REINTEGRAÇÃO DE FERNANDO DE NORONHA AO ESTADO DE PERNAMBUCO


 “Pela nova Constituição Brasileira, no art. Nº 15, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, extingue-se o Território Federal de Fernando de Noronha e o arquipélago é reintegrado ao Estado de Pernambuco,” em 05 de setembro de 1988.

Antecedentes:

Em 1700, El-Rei Dom Pedro II, de Portugal, por Carta-Régia, havia determinado que a ilha de Fernando de Noronha ficasse pertencendo à Capitania de Pernambuco, única das capitanias que tinha dado certo no Nordeste do Brasil e, por isso, poderia ocupá-la e desenvolvê-la, livrando-a de ser a rota perigosa de aventureiros que quisessem capturá-la, como já haviam feito os holandeses, na 1ª metade do século XVII. Apesar dessa providência oficial, nenhuma medida foi tomada para cumprir-se tão importante autorização.

Por trinta anos, naquele século, Fernando de Noronha permaneceu abandonada, mesmo que, oficialmente, pertencesse a Pernambuco desde 1700. Esse abandono continuou a despertar a cobiça dos muitos povos que navegavam pelo Atlântico, atraídos pela localização privilegiada da ilha, nas rotas de navegação então bastante frequentadas.

Os franceses, que recolhiam informações desde 1734, chegando a publicar uma Carta Náutica da Academia Royal de Ciências de Paris – o Plano da Ilha de Fernando de Noronha – comprovando a pirataria existente, movimentaram-se para aproximarem-se do arquipélago, iniciando uma ocupação discreta e pequena, que se consolidaria em definitivo em 1736, pela Companhia das Índias Orientais. Coube a Pernambuco retomar, definitivamente, a ilha, em 1737, expulsando os invasores. E só então deu-se a posse definitiva da ilha por Portugal, através dessa próspera Capitania.

Aí começa a história da presença humana insular, com a construção dos dois núcleos urbanos - a Vila dos Remédios e a Vila da Quixaba - - e do Sistema fortificado do Brasil, com dez fortificações – sistema esse considerado “o maior sistema defensivo do século XVIII”. A mão-de-obra que atuou nessa gigantesca empreitada foi carcerária, com a instalação da Colônia Correcional de Presos Comuns (de (ladrões, assassinos, moedeiros falsos...), gente condenada a longas penas, que era “exilada” do continente, mas constituía "excelente turba de trabalhadores para todos os trabalhos” E a esporádica presença de presos políticos, condenados nos grandes conflitos nacionais, como os ciganos (em 1739); a Revolução Republicana em Pernambuco (de 1817); a Confederação do Equador (de 1824); a Setembrizada (de 1831); a Revolução Farroupilha (de 1844); a Revolução Praieira (de 1849); e, proclamada a República, em 1889, um ano depois eram banidos para a ilha todos os capoeiristas do Brasil, sendo o 1º Ato da República recém proclamada.  

Essa é a razão histórica da devolução do arquipélago a Pernambuco, que comemoramos nesta semana, que se consolidou com o projeto de autoria do Deputado Estadual José de Moura, do PFL, apoiado pelo também Deputado Estadual Nilson Gibson, do PMDB, de reintegração do espaço fernandino a Pernambuco, que acabou vitoriosa, como uma solução decorrente da extinção dos Territórios Federais no Brasil.

domingo, 30 de agosto de 2015

FERNANDO DE NORONHA: BASE AVANÇADA DA II GUERRA MUNDIAL.



A II Guerra Mundial terminou em 1945. O Brasil fora chamado a participar, enviando tropas para as frentes de batalha contra os países do Eixo (Alemanha, Japão e Itália). Pelo mundo, os conflitos no mar eram constantes. Agravava-se a situação nacional. Embora tentando manter a neutralidade, tudo fazia crer que o país seria arrastado para a luta. O torpedeamento de navios mercantes brasileiros levou o Governo Federal a decidir ocupar militarmente o arquipélago, por ser um ponto estratégico de real valor e uma área geograficamente avançada do País. Mesmo com o governo Vargas mantendo-se fora do conflito, a ocupação do arquipélago era considerada importante para observar e acompanhar o movimento no Atlântico Sul.

O comandante da 7ª Região Militar, Gal. Mascarenhas de Morais, tinha sido incumbido de receber o acervo da ilha e tomar medidas para a sua ocupação. Havia sido criado o Território Federal, em fevereiro de 1942. Mas, um pouco antes, em 13 de janeiro daquele ano, também tinha sido criado também o Destacamento Misto de Fernando de Noronha, na jurisdição da 7ª Região Militar, sendo nomeado, como seu comandante, o General Gil de Alencar Castelo Branco, que chegou ao arquipélago em maio de 1942 e, trazidos os grupos que integrariam o efetivo, surgiu a frente de ofensiva militar da II Guerra Mundial em Fernando de Noronha.  

O trabalho “Organização da Defesa do Território, Estudo e Proposta”, propunha combater o inimigo, quando houvesse torpedeamento dos navios mercantes brasileiros e, considerando a região litorânea do Brasil como a mais vulnerável, foi definida a defesa do triângulo “Natal / Fernando de Noronha / Recife” para essa ofensiva, localizando nesses locais a proteção no Atlântico Sul.

Montadas as forças terrestres (de Infantaria, artilharia de apoio, artilharia de costa e defesa antiaérea) e as forças aéreas (de defesa antiaérea - um contra voo alto, outro contra voo baixo – a  esquadrilha de anfíbios e esquadrilha de bombardeiros médios), Fernando de Noronha se transformou numa Base de Guerra, com a implantação do “Destacamento Misto”, a partir de 1942, ali sediado por dois anos e oito meses.
 
Cerca de 3000 expedicionários participaram dessa ação de guerra, isolados no Atlântico... Comunicações limitadas, racionamento da comida, falta d’água, doenças, censura prévia em tudo como medida de segurança e o compromisso de “reserva” em toda e qualquer documentação produzida. Essa foi a realidade do Destacamento. Para o lazer desse grupamento foi permitido o cinema ao ar livre, adaptando-se o antigo chafariz, do centro da praça diante da igreja, para ser a cabine de projeção, com a soldadesca e os poucos moradores-civis da ilha sentados no chão...

O Destacamento Misto foi extinto em 29 de agosto de 1945, uma vez que – cessada a guerra – já não havia razão para sua permanência. Pela ilha, oito peças militares do “tempo da guerra” é o que resta, sem ter tido jamais a valorização e recuperação merecida. 
 
Agora, 70 anos mais tarde, o Brasil precisa saber dessa epopéia vivida tão distante do continente, de homens segregados num arquipélago brasileiro, treinando para uma luta na qual nunca entraram efetivamente, mas que deixou marcas definitivas em todos!

domingo, 23 de agosto de 2015

É TEMPO DE FESTEJAR A PADROEIRA DE FERNANDO DE NORONHA



Somente ocupada de forma definitiva a partir de 1737, a prática religiosa em Fernando de Noronha foi, principalmente, católica. A Igreja de N. Sª dos Remédios teve sua construção iniciada neste mesmo ano de 1737, sendo concluída em 1772, data que aparece em sua fachada. Até 1784, seus ornamentos estavam concluídos. Em 1748, já de pé a Capela-Mor, foi-lhe autorizada a colocação do Sacrário e dada a permissão para celebrações regulares.

Essa devoção inspirou a denominação do principal forte construído na ilha (a Fortaleza dos Remédios, onde também se ergueu uma pequena capela dedicada à Virgem dos Remédios) e de toda a Vila (a Vila dos Remédios). E, em 1768, N. Sra dos Remédios foi designada como padroeira do presídio que ali havia.

Em 1789 o templo foi ligado à Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves (Igreja da Madre de Deus), no Recife, como extensão dela e assim é até hoje. Nunca se criou uma paróquia noronhense. De vez em quando – sobretudo no século XIX e no início do século XX, havia a presença de padres-capelães. Cada ano, na ordenação dos padres da Diocese de Olinda, um sorteio indicava daqueles que iriam atuar na ilha. No período militar (1942/1986) principalmente padres-militares assistiam a comunidade católica insular.

Nesta semana é o tempo de festejar nossa Padroeira. E esses festejos só começaram a existir a partir de 1947, quando a Festa dos Remédios foi oficializada na ilha, no tempo do Território Federal Militar, sendo governador o Major Mário Fernandes Imbiriba, que escolheu o dia 29 de agosto para as celebrações, criando a data por Decreto do TEFN, documento esse mencionado em 1992, quando na gestão, por Pernambuco, do Administrador Domício Cordeiro, que tornou feriado esse dia. 

Através dos tempos, foram feitas restaurações na Igreja dos Remédios, sendo a última em 1988, com recursos federais e sua inauguração se deu em agosto daquele ano, exatamente na Festa da Padroeira, com a presença do Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Camara.

Saudemos a padroeira de Fernando de Noronha, através dos nossos bons propósitos e nos versos do seu hino!

HINO A N.Sª DOS REMÉDIOS 

 
Ó Virgem Santa, Senhora dos Remédios,
Os teus favores viemos implorar.
A ti clamamos, do alto oceano:
Ó Padroeira, vem nos amparar!
És de Fernando de Noronha a esperança.
Reinas no altar e em nossos corações...
Se a cada ilhéu proteges, abençoas,
Leva ao Teu Filho as nossas orações.

Cheia de graças, Imaculada, és Mãe Rainha de todos nós.
Nossa fraqueza transforma em força; a ti pedimos, em alta voz.

Nosso remédio na caminhada e em nossas dores és tu, Maria.
Consola todos que estão sofrendo; pra nossa vida traz alegria!