domingo, 19 de fevereiro de 2012

É TEMPO DE CARNAVAL

Se em todo o Brasil o Carnaval é um tempo de festas, em Pernambuco ele tem um significado excepcional... A folia cresce em importância pela diversidade cultural que marca o reinado de Momo, levando para as ruas o povo da capital, da região metropolitana e do interior, cada um desses espaços guardião da beleza e da diversidade de ritmos e de danças próprias e únicas, na singularidade como surgiram e se fizeram tradição.

Nos sítios históricos de Olinda o Carnaval tem um cenário especial, derramando magia e beleza pelas ruas, ladeiras, becos, montes... São os bonecos-gigantes, cheios de irreverência e impacto... São as centenas de clubes, troças, blocos, de nomes curiosos, anunciados todos pelos clarins que os precede... Nos bairros localizados fora desse circuito secular, os pólos de animação apressam-se em levar a beleza conhecida na área tombada para longe, oportunizando a descoberta do lirismo, das tradições e do novo, que se vai incorporando ao Carnaval dos dias de agora, fiéis ao passado e, ao mesmo tempo, aberto à mudança.

Na capital – o Recife – também a febre de animação se apresenta, começando oficialmente com “o maior bloco do mundo” – o Galo da Madrugada e seguindo adiante, tanto no Recife-antigo como em uma infinidades de espaços carnavalescos, onde a irreverência também faz morada, nas inúmeras agremiações, reunindo adultos e, de forma especial, trazendo os pequenos para a festa desde a mais tenra idade... E o frevo “rasgado”, dançado como ninguém imagina, concorrendo com o batuque forte dos maracatus, nos cortejos de realeza africana... E o lirismo dos blocos fazendo história...

Pelo região metropolitana e pelo interior do Estado não é diferente. Muito frevo e passo, grupos de caboclinhos com suas preacas, maracatus rurais (com as extraordinárias golas bordadas apenas por homens), papangus e suas máscaras originais, carros alegóricos, e outros, outros, outros...

Certamente, nada se compara a entrar-se num Carnaval sem passarelas, limite de tempo para “exibição”, mas liberto e diverso. Com a vantagem que pode-se olhar, mexer-se enquanto contempla os que passam e dançam, ou entrar no centro da festa, fantasiar-se para representar seu bloco, ou ainda dar-se as mãos, como uma corrente humana, para proteger os que brincam e seus instrumentos que espalham as melodias.

Isto é o CARNAVAL PERNAMBUCANO. Isto é o tempo de extravasar fantasmas, enfeitar os rostos, experimentar danças frenéticas ou tranqüilas, sempre de acordo com o “gosto” de cada um.

Duvida??? Então venha... Ainda dá tempo!

E, de quebra, reverencie as figuras escolhidas para serem símbolos do Carnaval de 2012: Em Olinda: seu ex-Prefeito em dois diferentes momento, jurista, historiador e também folião GERMANO COELHO, No Recife, o jurista, compositor e cantor ALCEU VALENÇA. E ainda o velho (e tão querido) LUIZ GONZAGA, “o Rei do Baião”, na comemoração dos 100 anos de seu nascimento.


Vamos lá... “Acorde” o folião que existe em você e venha!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CONCELEBRANDO COM DOM HELDER


Uma igreja lotada. Cânticos lindamente entoados pelo Grupo Celebrai (da Catedral da Sé de Olinda). Um pregador emocionado e comunicativo. Um clima de alegria e de saudade. Assim foi a celebração pelos 103 anos de nascimento de Dom Helder Camara, no dia 07 de fevereiro, na singela Igreja de N. Sª da Assunção das Fronteiras, onde ele viveu por muitos anos e onde morreu, em 2009.


Frei Joaquim Ferreira, oc, Vigário Episcopal Norte da Arquidiocese de Olinda e Recife - presidiu a concelebração, representando o Arcebispo, atualmente em férias e confessou-se profundo admirador de Dom Helder desde os tempos de seminarista, na convivência com o "helderólogo" Frei Pio Moreira, oc (o fundador do Coral do Carmo do Recife que, ao longo da vida reuniu, em 27 volumes, textos e reportagens sobre o Dom e poemas e meditações dele próprio, publicados na Imprensa e/ou lidos por ele em programas radiofônicos que manteve por anos e anos, à frente da AOR.)


Ao findar-se a Missa, o Presidente da FUNDARPE, chamado ao altar, anunciou que o Governo do Estado comprometia-se e concluir as obras de instalação do MEMORIAL DOM HELDER CAMARA, novidade recebida com demorados aplausos... Tudo muito simples
e, ao mesmo tempo, profundamente reverencial, na lembrança de todos, nas peças espalhadas por aquele lugar de culto, como o genuflexório no altar-mor, onde o Profeta rezava, em todas as madrugadas, acordado que era pelo despertador para a vigília, momento do encontro com Deus e fecundos momentos em que produzia sua extraordinária obra.


Esse ritual continua a se repetir, a cada fevereiro, pela fidelidade de muitos, que afluem à “igrejinha de Dom Helder” – como é identificada até hoje aquele templo.


Foi importante saber-se ali do interesse do Governo em somar forças nas fileiras dos que lutam para guardar os sinais da sua vida terrena... Esse Memorial ocupará parte do andar térreo da Igreja das Fronteiras e todo o primeiro andar da edificação, reunindo o acervo construído nos seus 90 anos de vida, contendo diplomas, honrarias, títulos, fotos, livros (editados em diversos idiomas), etc. O conjunto "casa de Dom Helder" fará parte de tudo, sendo mantida a distribuição original, como era usada pelo Profeta, com o seu quarto singelo, por trás do altar-mor da igreja, sua sala de trabalho, sua rede de cearense, a mesa onde recebia todas as pessoas, o pequeno jardim de entrada...


Na frente do templo, a escultura que celebra o Dom Helder-Poeta, continuará como quê acenando para quem chega, como parte do circuito dos Poetas Recifenses, espalhado por locais diversos da capital pernambucana, homenageando ali não o padre, o bispo, o escritor, o teólogo, o religioso mas o poeta maravilhoso que ele foi sempre, desde os tempos de jovem seminarista.


Vai valer sempre a pena reunirem-se pessoas que amam o Dom, para rezarem juntos e proclamarem – juntos também – a sua devoção!

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Fotos: Deo Barbosa


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PARABÉNS, QUERIDO DOM HELDER!


Foi de luz a tua chegada ao mundo.
numa casa já tão cheia de pequeninos...
Escolher-te o nome foi uma inspiração paterna
ou a clarividência inconfessada e corajosa
de inaugurar, em ti, um nome novo,
um nome encontrado ao acaso, num livro,
chamando-te: “Helder”, claridade, dia claro...

Desde cedo teu amor ao Pai foi transparecendo
na tua face, no teu jeito de ser...
E jovem, ainda, tu te fizeste padre
e te colocaste a serviço de todos, sem distinção...
O mundo te esperava, com suas contradições
seus sonhos e suas dificuldades...
Os homens precisavam de ti e ainda nem sabiam...

Agora reverenciamos esse nascimento,
agradecendo ao Pai do céu porque vieste
para aceitar e distribuir os dons recebidos
e ser a voz poderosa que espantaria a todos
pela força do que proclamava e vivia...
Não foi em vão a tua luta, padrezinho...
porque hoje - pelo mundo - todos te agradecem...

O nosso jeito de te amar tem muitas faces
mas caminha junto, rumo ao ideal que semeaste,
quando nos atraíste para aquilo em que acreditavas...
E o chamamento foi tão forte e verdadeiro
que de ti não nos afastamos nunca mais.
até hoje, até este sete de fevereiro que chega,
e que acolhemos novamente, para rezarmos juntos...

Escuta as nossas preces. Aceita o nosso amor
renovado a cada dia, a cada ano, como uma marca
dos sonhos que se enraizaram nos nossos corações,
e nos impulsionaram para sermos melhores...
Fica conosco, em nosso coração, querido cearensizinho,
homem do mundo, que não coube em uma só pátria
porque veio para pertencer à humanidade inteira!!!

Deus te guarde, Helder de luz!!!

Parabéns! Parabéns! Parabéns!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MORREU SEIXAS DÓRIA, O "RÉU SEM CRIME"


Morreu João de Seixas Dória, o governador deposto em Sergipe e que, durante meses, dividiu um mesmo espaço com Miguel Arraes, em 1964, em Fernando de Noronha... Ele mesmo fala desse tempo de inquietação, no livro “Eu, réu sem crime”, onde recorda o sua prisão e confinamento no arquipélago: “Quando fui preso, os militares me levaram para a sede da 5ª Região Militar, em Salvador (BA). Depois de quatro dias, fui transferido para o Recife e de lá para Fernando de Noronha. Passei alguns dias isolado e depois me transferiram para o quarto onde estava Arraes. Ali convivemos durante quatro meses. Saíamos juntos para tomar banho de sol. Até que fui solto e levado outra vez para Salvador, quando achei que seria morto”,

Na obra deix
ada, em nenhum momento o ex-governador sergipano relata a prática de tortura física, como acontecia nas cadeias do continente, onde pessoas perderam suas vidas batendo de frente com o regime imposto pelos militares. Contribuía para isso o reto proceder do então Governador noronhense, Cel. Jayme Augusto da Costa e Silva.

Este governador, João de Seixas Dória, fazia parte da chamada “bossa-nova” - a UDN - e foi um dos primeiros a se aliar à Frente Parlamentar Nacionalista. Isso lhe valeu ser considerado um “esquerdista” e fez com que fo
sse cassado, preso e remetido para Fernando de Noronha. Confinado em Salvador, à espera de ser mandado para a ilha, escreveu ao Presidente da República, Castelo Branco, pedindo que fosse feita uma devassa no seu governo, para que ficasse provado que lá não havia subversivos nem corruptos... Não foi atendido. Libertado, tempos mais tarde, escreveu seu livro de memórias (publicado no Rio de Janeiro, pela Editora Codecri, em 1980), incluindo nele a carta enviada ao Presidente da República, pedindo para ser julgado de forma justa, e que não teve resposta.

Nas memórias do ex-Governador de Sergipe, está o susto vivido numa noite, em que Miguel Arraes foi levado de repente do quarto onde estava preso junto com ele, com a desculpa de que ele “iria dar um depoimento”. Passaram-se horas e horas e nada dele voltar. Às tantas ouviu-se um estampido e um grito no pátio. Apareceu um Sargento anunciando: - “Aquele tiro, Dr. Seixas, eliminou o ex-governador Arraes”. Abalado com a notícia, sofreu a perda do companheiro, a quem tanto admirava. Não quis comer. Não conseguiu dormir. No dia seguinte, encontrou-se com Miguel Arraes, vivo. Tudo não passara de um ato de terrorismo psicológico. Este fato é contado pelo próprio Seixas Dória, e também por Bento da
Gama Batista, outro preso político na ilha, na obra “1964- agonia em Fernando de Noronha: depoimentos sobre o cárcere da ditadura militar”, editado pela Ed. Universitária da UFPB, em 2000.
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Agora, Seixas Dória se foi, aos 94 anos. Entrevistado por mim, em 2010, em Aracaju, afirmou não sentir mágoa de ninguém, ainda que tivesse sido injustiçado...

O Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, o companheiro de cela de Dória, expressou os sentimentos de Pernambuco ao governo de Sergipe, pela perda do importante político. Resta-nos – a todos – sua importante obra, existente no acervo do “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”, nos dois volumes doados, um retrospectivo dos tempos de prisão, e outro, reunindo artigos publicados em jornais, em tempos diversos, muitos dos quais também falando em Fernando de Noronha.

E foi o arquipélago onde amargou sua prisão que lhe prestou uma homenagem televisiva, num especial levado ao ar na TV Golfinho, no dia seguinte à sua morte, recordando momentos vividos por ele em sua trajetória política e, em especial, a foto que consta do seu prontuário, feito no dia de sua chegada na ilha: 12 de abril de 1964.

João de Seixas Dória: um nome para não ser esquecido!
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Foto 01: discurso de posse como Governdaor de Sergipe - 1962.
Foto 02: com Ulysses Guimarães, na luta pelas "Diretas Já".
Foto 03: Preso em Fernando de Noronha, em 12 de abril de 1962.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

PALAVRAS DO PROFETA


"Quando se sonha só,
é apenas um sonho,
mas quando se sonha com muitos,
já é realidade.
A utopia partilhada é a mola da história."
"Dom Helder Camara)

(lembrando o Profeta nos seus 103 anos de nascimento)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O HOMENAGEADO DO CARNAVAL DE OLINDA EM 2012

Um dia, alguém que o entrevistava escreveu que “ele era um poeta, acima de tudo, porque falava de tudo de forma poética”. Duas vezes coube-lhe conduzir os destinos de Olinda, como um dos seus mais apaixonados defensores. Um marco: isso fora Germano Coelho, para a “Cidade Patrimônio Mundial”, em todos os tempos...

De repente, quando muitos lamentavam ter sido ele talvez “esquecido”, a grande notícia surge: aquele Prefeito-poeta, Jurista, Historiador, incansável leitor de todas as importantes obras das mais famosas já publicadas sobre essa “muy nobre e sempre leal Villa d´Olinda”, fora escolhido para ser o HOMENAGEADO EM OLINDA no Carnaval 2012! Evoé!!! Aleluia!!!

Quem fizera mais do que ele por esse Carnaval-participação? Quem tinha levado o Carnaval a retomar a liberdade de sair no horário e do local costumeiro, com itinerário de sua preferência, depois de anos obrigado a descer ladeiras em direção aos palanques oficiais, às passarelas com as quais nunca se haviam conformado? Quem valorizara os maracatus, os bonecos gigantes, as máscaras populares, os blocos, as troças, os clubes, permitindo que todo o sítio histórico fosse o especial local de desfiles, agregando enormes grupos de agremiações, gerando o lindo desfile de bonecos, de caboclos do maracatu rural? Quem instituíra essa programação livre, espontânea, apenas mencionada nos panfletos orientadores, marcados pelo respeito aos brincantes e carnavalescos?

E ainda: Quem “rasgara” avenidas em várias direções, simplificando e aproximando bairros, facilitando o ir e vir dentro do mesmo município, durante e o Carnaval e fora dele?

O que se viu, na coletiva que o proclamou como HOMENAGEADO, foram os aplausos de uma platéia de pé, constituída pelo representantes da imprensa e das agremiações carnavalescas, muitos com os olhos molhados de emoção!

Enfim, a justiça é feita. O sonhador, o realizador, o amante de Olinda, o apaixonado por uma terra chegava - pelo gesto de acolhida do dirigente de agora - para ser saudado por tudo o que fora, como Prefeito da “Cidade Monumento Nacional”, amado pela multidão que seguia seus passos então ligeiros, acompanhando – por horas a fio – o Carnaval que sempre amou.

Olinda tem o homenageado que merece! Germano Coelho tem a unanimidade que soube conquistar O Carnaval acolhe, de braços abertos, esse ser especial, feito de sonho e de amor!

Parabéns, Germano! Parabéns, Olinda!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PALAVRAS DO PROFETA



"Perdoem os sonhos.
Há tanta pureza de intenção,
tanto amor à Igreja,
tanto sonho
em vê-la
à frente da luta
pelos
humildes e pelos pobres..."

(12º Circular. Roma, 24/10/1962)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

EIS QUE CHEGA O ANO DE 2012!


Quando um ano inteiro vai-se embora

Fica um gosto curioso na lembrança,

De gente que passou em nossa vida,

De tudo o que significou esperança.


Renascem sonhos. Refazem-se caminhos.

Mais uma vez o “novo” amedronta,

Embora carregado de evidências

De que felicidade, um dia a gente alcança.


Como é simples esperar pelo que chega,

Limpo e despojado de tudo o que se sonha,

Como uma tela ainda não usada...


Isso fascina a pessoa que caminha,

Sendo condutor da sua própria trilha,

Dia a dia, na emoção de viver, mergulhada!


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Que 2012 chegue com essa força

e a possibilidade de ser feliz

continue a animar a sua vida!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUE SAUDADE DO PRESÉPIO DE OLINDA...


As manchetes dos jornais foram contundentes: “Presépio gigante encanta visitantes de Olinda neste Natal...”; “O Maior Presépio do Brasil está em Olinda/ Pernambuco”; “Presépio gigante é destaque no Ciclo Natalino de Olinda em 2010”; “Olinda celebra o Natal com a montagemdo maior presépio do Brasil”; “Olinda inaugura neste domingo o maior presépio do País”; “Mai

or presépio do mundo está em Olinda”.

..

Não havia dúvidas: exibir um presépio gigante numa das mais emblemáticas praças da “Cidade Patrimônio Mundial” fora uma decisão acertada, oportuna, encantadora! Ninguém ficou indiferente àquele enorme número de figuras religiosas, da tradicional cena imaginada por São Francisco, séculos antes de nós todos, mas exibindo-se agora de forma surrealista, única, pela genialidade de um dos maiores e mais talentosos artistas olindenses: Fernando Augusto Gonçalves.


Plantado na suave Colina do Carmo, às vistas de quem passava, o presépio atraiu a todos, tornando-se, em 2009 e 2010, a maior atração do Natal pernambucano, louvado em registros escritos, radiofônicos, televisivos... Quem o via, tornava-se um divulgador, convocando outras e outras pessoas para o momento mágico de estar ali, diante da cena tão familiar ao mundo, no entanto mostrada na enormidade da Arte verdadeira, atraindo famílias inteiras, crianças que brincavam na praça, parando a cada momento para contemplar a maior representação do Natal, numa cidade capaz de ousar, com o tantos dos seus filhos o fizeram, no passado.


Este ano, nada aconteceu. O presépio gigante ficou na lembrança, sem explicações convincentes que o justificassem. Faltou algo defundamental na Colina Carmelita, como se dela houvesses extraído o “toque” de genialidade, esvaziando-a e apagando-a aos nossos olhos.


Restou a saudade. Enorme saudade de visitas constante ao lugar dos sonhos, onde se podia mergulhar no imaginário popular, tendo ou não qualquer vinculação religiosa, mas reconhecendo que a imortalidade do presépio descomunal tinha sido desconsiderada, por qualquer motivo que fosse.


A mim, apaixonada por Olinda e pelo Carmo de Olinda, doeu não encontrá-lo novamente de pé, talvez até com mais peças, mais elementos de beleza, como se isso fosse possível, numa obra de Arte tão valiosa.


Ah! Que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


Quem sabe um dia ele volta, tão belo quanto o foi, tão forte como era visto, tão oportuno como o é, nos Natais de todos os lugares, de todas as igrejas, de todos os corações!...

Repetimos, emocionados: que saudade do presépio gigante de Olinda!!!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O TEMPO ESPECIAL DO NATAL


Nada é comum nesse tempo... As ruas se enfeitam. As luzes tornam mais belos os espaços urbanos. Através de janelas e sacadas pode-se entrever um mundo de detalhes coloridos, enriquecidos pela criatividade que faz nascer a fantasia em forma de beleza.

Isso é o Natal. Isto é a exteriorização de um sentimento de plenitude que a tudo permeia, engalanando o mundo e despertando sentimentos de paz e de solidariedade.

Pena que, nesse frenesi estimulado pelo consumo desenfreado e, ao mesmo tempo, guiado pela ternura que se derrama nas ruas e praças e que nasce também no nosso coração, vá conduzindo as pessoas para o terreno meramente material, fazendo com que o fato dominante do Natal seja esquecido ou minimizado, perdendo muita gente o sentido cristão que o caracteriza e que se faz verdade na representação do PRESÉPIO, forma concreta de representar o nascimento do Menino Deus.

A inquietação começa quando se torna claro que aquele Deus pequenino nasceu pobre, num lugar improvisado, cercado de singeleza e de mistério. Havia uma mulher grávida, prestes a dar a luz. Protegendo-a, um homem mais velho, cansado da caminhada inglória que não os levara a nenhum dos lugares esperados e sim a um estábulo, onde animais comiam. Não havia tempo para procurar mais...

É o evangelista São Lucas que nos fala daquela noite misteriosa, incluindo na cena o sobrenatural, representado pelos Anjos que entoam louvores e pedem PAZ. É ele também que descreve os pastores que, surpreendentemente, enfrentavam o frio dos campos da região e acabam por representarem o povo – daquele momento e dos séculos sem fim – prestando suas homenagens ao Menino recém-nascido.

O Filho de Deus fora anunciado, através dos séculos. Para a maioria dos que acreditavam na promessa do Redentor que chegaria, ele viria reinar, salvando o seu Povo da escravidão. Mas ele chega como um paradoxal momento histórico, inaugurando o novo momento, pequenino, indefeso, dependente, como qualquer criatura humana, semelhante em tudo a ela, menos no pecado.

Bendito tempo que reaparece a cada dezembro, na lembrança dos que esperam que o Cristo renasça novamente em nós, na nossa vida, no nosso mundo tão carente de amor!... Bendito dezembro nos amolece a alma, deixando-nos ansiosos para re-acreditar que a PAZ AINDA É POSSÍVEL, como apregoaram os anjos naquele estábulo em Belém e que nos levam a repetir esse presságio de esperança e de sonho! Bendito Natal que chega!

Que ele venha para nos fazer mais felizes e mais humanos. E que possamos crer que “no coração daquele que cumpre sua parte na vida, o Cristo nasce todo dia!!!


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

NO NATAL DE 2011


QUEM DERA!!!


Quem dera

que ainda houvesse tempo

para o homem continuar a sonhar

com um mundo mais justo e mais humano...

Quem dera

que a esperança resistisse

e os homens se ajudassem,

sem reservas nem desconfianças...

Quem dera

que o bem prevalecesse sempre,

apesar do egoísmo desenfreado

que impede o desabrochar da solidariedade...

Quem dera

que a luz interior que sobrevive

no coração de cada um,

ainda pudesse brilhar, iluminando tudo...

Quem dera

que a felicidade fosse uma conquista de cada dia,

tornando melhor a humanidade

e mais fecunda e fértil a vida...

Quem dera

que o Natal fosse de certezas e de doçuras,

de trocas constantes e de partilhas experimentadas,

de coragem de mudar e de seguir em frente, sempre!

Quem dera, ah!

Quem dera um Natal mais feliz para o mundo inteiro

e um Ano Novo de promessas e de buscas,

na direção do alto, à procura de Deus!


(no Natal de 2011)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sua alegria - quase sempre presente no contato com os amigos - era contagiante. Sua voz poderosa, tão própria para as inúmeras atividades num palco, ou num altar, convenciam e atraiam pessoas para a figura daquele homem imenso, doce, talentoso, contraditório e multifacetário...

Quem conheceu ENÉAS ALVAREZ sabia disso. Sabia o quão dócil ele era, diante das muitas partilhas pela vida. Sabia com que propriedade ele abordava assunto diversos, com a sabedoria dos que muito sabem. Sabia do latente anseio de ser padre – desde sempre escondido no seu coração – e plenamente realizado na Igreja Ortodoxa Siriana , assumida por ele “como vocação tardia”, como ele mesmo apregoava.

Padre Enéas foi assim: querido por muitos, procurado por tantos, disponível a todos que dele necessitassem, presente e alerta, como um bandeirante da fé e do amor!

Padre Enéas foi o múltiplo e generoso ser humano, que enfrentou o difícil tempo de provação, de doenças várias e de riscos constantes, com uma aceitação e serenidade que confundiam até aqueles que o buscavam, temerosos de ouvir lamúrias e que acabavam sendo confortados pelo exemplo de resignação e fé em Deus com que se encontravam...

Padre Enéas partiu agora, em busca da eternidade sonhada, deixando órfãos os filhos que atraiu para a sua igreja de Olinda e os amigos que formaram fileiras para despedirem-se dele, na triste tarde da encomendação de sua alma, lindamente feita na celebração de corpo presente, com tanta gente em sintonia, pedindo por ele ao Pai e, num profundo momento de amor, no poema declamado pela amiga de todas as horas – Geninha da Rosa Borges – junto ao seu corpo inerte e sereno.

Que seja bonita a sua chegada ao céu, como você tanto sonhou, querido e inesquecível Enéas Alvarez! Dê as nossas lembranças a Dom Helder, que você amava tanto e interceda por nós, que aqui continuamos o caminho traçado pelo Pai de todos! Amém.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

É FESTA NOVAMENTE NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE


Dia 16 de novembro é uma data muito especial para Olinda. Neste dia foi criada – em 1676 - a DIOCESE DE OLINDA, tendo como instrumento de criação a Bula “Ad sacram Beati Petri sedem”, do Papa Inocêncio VIII. Um momento importante para esta parte do Nordeste do Brasil, até então sem autonomia eclesiástica, apenas sufragânea da Diocese de São Salvador da Bahia, desde 1624. E, na época, foi designado o seu primeiro Bispo: Dom Estêvão Brioso de Figueiredo.


Desde aquele momento inicial, a Igreja da Sé foi a Catedral da Diocese, como o é até os dias atuais e, mesmo tendo experimentado o incêndio holandês de 1631 e o abandono dos homens pelos tempos que se seguiram, o templo continuou lindamente fincado no alto do morro, descortinando beleza por todos os lados.


Olinda era considerada a “fina flor da fidalguia”, plantada num sítio que havia encantado o donatário Duarte Coelho no século XVI (uma das teorias para o seu nome, nascido da admiração daquele fidalgo ao dizer: “Oh! Linda situação para se erguer uma vila!”). No alto, em uma das sete colinas onde o traçado urbano haveria a se espalhar, estava a Sé e, ao seu redor, derramava-se o casario, os muitos verdes, a visão do mar lá longe...


Em 5 de dezembro de 1910 a Diocese foi elevada à Arquidiocese e Sede Metropolitana, através do Decreto da Sagrada Congregação Consistorial. Seu primeiro Arcebispo foi Dom Luís Raimundo da Silva Brito.Oito anos mais tarde, pela Bula Cum urbis Recife, de 26 de julho de 1918, a ela seria anexado o Recife, que passara a ser a capital. E ela denominou-se, a partir dali, Arquidiocese de Olinda e Recife, única no Brasil a conter o nome de duas cidades na sua titulação.


Em dezembro de 2011, em meio a festas e acontecimentos, comemorou-se a existência tão antiga da arquidiocese pernambucana. Afinal, são 335 anos de vida, de tradição, de pioneirismo olindense, de uma fecunda evangelização através dos tempos.

Hoje, mais de três séculos depois, a Arquidiocese de Olinda e Recife está organizada em 103 paróquias, que pertencem aos cinco Vicariatos criados pelo Arcebispo atual, Dom Fernando Saburido, abrangendo a Região Metropolitana do Grande Recife, incluindo-se, também, o Arquipélago de Fernando de Noronha.


Na sua história de tantos feitos há o registro de muitos e santos Bispos e Arcebispos que, nesses séculos, a conduziram com apostólico zelo. Alguns se notabilizaram a seu tempo. Outros deixaram-se ficar na marca do seu pastoreio e dos seus passos de profeta, como o inesquecível Dom Helder Câmara, que levou a AOR por todos os lugares do mundo, na força da sua voz, dos seus escritos, da sua santidade e da luta em favor da Paz e da Justiça. E é ele que é procurado por tantos quantos visitam a Catedral, para ajoelharem-se diante do seu túmulo, fazerem seus pedidos e apresentarem suas orações...


Na data de festa de sua criação – 16 de novembro -, saudemos todos aqueles que escreveram seus nomes na história dessa antiga Diocese, hoje Arquidiocese! Saudemos os cristãos católicos que se orgulham do passado e veneram os que se fizeram dignos de honras e de saudades! Saudemos OLINDA, por tudo o que significa em Pernambuco, desde os áureos tempos em que floresceu pelas colinas suaves, implantando nela a civilização cristã!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

RUMO AO MAR DE FERNANDO DE NORONHA

No passado, somente o mar poderia conduzir o “mundo” e os afoitos navegadores, levando-os a avistar e abordar terras com as quais nunca sonhariam... Em longas e sofridas travessias, os caminhos marítimos foram sendo experimentados, procurados, desbravados e registrados das maneiras possíveis, na época, levando o homem muito mais longe do lugar onde vivia...

Quantas vidas se perderam pelo sonho de navegar? Quantas inteligências estiveram a serviço dessa ânsia de viajar, de partir em busca, reinventando o mundo e ampliando as fronteiras do homem?

Intocado e isolado, no meio do Atlântico, um Arquipélago, rodeado de águas transparentes e de intensa vida marinha, aguardava ser visto, descoberto, povoado, entrando na história dos homens, Até que as embarcações, na sua maioria de forma não intencional, foram chegando, descrevendo-o, dando-lhe uma identificação como lugar de “infinitas águas e infinitas árvores”, que merecia ser conhecido.

Os séculos que se passaram viram surgir o avião, rápido e preciso, como meio de comunicação. E o Brasil deixou de desfrutar o encantamento da viagem marítima, do ir e vir tendo o imenso oceano como sua “estrada líquida” de partida e de chegada.

Em 1981 ocorreu a primeira tentativa de inclusão de Fernando de Noronha num roteiro turístico pelo mar, com o navio de passageiros Navarino, num percurso de 14 dias, entre Santos/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Fortaleza/CE, Fernando de Noronha/DF (na época, Território Federal militar) e Recife/PE. As dificuldades operacionais inviabilizaram a continuação dessa atividade, somente retomada em 1990, com o advento do Funchal e sua rota marítima entre Salvador e Fernando de Noronha, parando também nos portos de Maceió/AL, Recife/PE. Foi um sucesso tão grande que, dali em diante, todos os esforços levaram à melhoria do Porto de Santo Antônio, adaptando o molhe iniciado em 1987 para receber turistas, mesmo com o navio não atracando no porto e sim ficando fundeado a certa distância, sendo seus passageiros levados para a ilha principal do arquipélago em embarcações menores e o auxílio de uma plataforma acoplada provisoriamente a ele.

Quantas dificuldades enfrentadas... As experimentações foram se sucedendo, tanto em definições de equipamentos acrescidos ao porto em expansão, como no treinamento dos participantes da equipe de traslados, encarregada de conduzir, em absolta segurança, todos os passageiros, do navio para a terra e da terra para o navio.

Muitas (e inesquecíveis) embarcações cumpriram essas rotas, sobretudo nos meses de novembro a março/ abril. Outros o fizeram durante quase todo o ano (como o navio Pacific) ou mesmo nos meses de junho a agosto (o lindíssimo navio Vasco da Gama). Todos vieram da Europa e, na sua maioria, com tripulação e comando por portugueses, cercados de muitas nacionalidades, no desempenho das tarefas exigidas.

Um após outro tivemos o Funchal, o Vasco da Gama, o Rembrandt, o Blue Dream, o Pacific, o Orient Queen, o Ocean Countess, o Bleu de France e, na temporada 2011/2012, temos o Ocean Dream. Para cada um foi pensada um entretenimento intenso, que tornasse mais e mais prazerosa cada viagem e as alternativas de desembarque em Fernando de Noronha para o desfrute do lazer marítimo (em atividades que permitissem o desbravamento do mar noronhense) e por terra, seguindo as orientações das instituições cuidadoras da preservação insular, como área de Área de Proteção Ambiental e Parque Nacional Marinho., sujeito às normas federais, estaduais e distritais, como garantia de uso dos recursos naturais de forma consciente e voltada para ações preservacionistas.

Agora vive-se a nova temporada. E o interesse dos brasileiros de todos os lugares só se consolida, provando que “navegar é preciso” e que o homem – ao se entregar à essa atividade– rumo a Fernando de Noronha, descobre o quando é bom fazer isso pelo mar (como no passado da ilha), tendo como grande objetivo da maioria dos embarcados “descobrir” aquele paraíso, presente no sonho da grande maioria que se aventura.