
"Só as grandes humilhações
nos levam ao recesso último
de nós mesmos,
lá onde as fontes interiores
nos banham de luz,
de alegria e de paz."
(Dom Helder Camara)

Foste abençoado antes de nascer,
no ventre da tua mãe, João...
Desde aquele momento,
tua missão de precursor pontificava.
Era teu o compromisso de “preparar o caminho
daquele que viria para salvar todos os homens,
em todos os tempos.
E assim aconteceu.
Feliz o ventre que te concebeu,
como um milagre, na velhice da tua mãe, Isabel!
Doce espera vivida por ela, portando em seu ventre
o esperado homem que antecederia a missão do Mestre!
João Batista, humilde e dedicado servo do Senhor,
incapaz de pedir privilégios para si mas inteiramente dedicado
à tarefa maior de anteceder aquele que viria,
carregando a paz e a esperança para um mundo
que parecia perdido...
João Batista, o singelo habitante do deserto,
que se alimentava de mel e frutas silvestres,
e pastoreava rebanhos, enquanto fitava o céu que o escolhera
para ajudar o mundo no caminho da salvação...
João Batista, em tua memória rezamos, confiantemente,
para que o teu exemplo se perpetue
naqueles que acolhem a chamado à missão
e se doam inteiros para cumprir, amorosamente,
o seu dever!

Recebi, do escritor Antônio Noberto, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, um interessante trabalho sobre o mais antigo convento capuchinho do Brasil – o Convento São Francisco, em São Luiz (le Couvent Saint-François), edificado em 1612 onde hoje se encontra o Seminário Santo Antonio, no Centro da capital maranhense, Quatro capuchinhos acompanhavam Daniel de la Touche naquela viagem: Frei Yves d’Evreux (superior da missão), Frei Claude Abbeville, Frei Ambroise d’Amiens e Frei Arsene de Paris. Mais tarde, em 1613, viriam mais 11 capuchinhos, para viverem nessa casa conventual, construída de taipa de pilão e de pedra “como se fazia na França” tornando-se mais sólida, com o uso posterior de outros materiais construtivos.
Ler sobre isso despertou-me dois desejos:
O Convento franciscano de Olinda é muito conhecido pelos devotos de São Francisco e muito visitado pelos turistas que chegam à 1ª capital pernambucana. Erguido numa colina suave, a caminho do Alto da Sé (a Catedral do Arcebispado), no coração do sítio histórico da Cidade Patrimônio Mundial, foi invadido pelos holandeses no século XVII, abandonado à sua própria sorte por muitos anos, reconstruído, ornamentado com azulejos portugueses, preciosas talhas douradas, pinturas que trazem a natureza para enfeitar o interior do conjunto – mostrando folhas e frutos - e figuras de anjos com traços fisionômicos índígenas, entalhados em jacarandá.
Ali nasceu o Mamulengo, expressão criativa de usar-se o boneco feito em mulungu, para a catequese dos índios e escravos, usada pelos franciscanos da primeira hora. Ali vive – desde aquele tempo - a comunidade de Frades Franciscanos Menores, em terras doadas por Dona Maria da Rosa, a 1ª franciscana secular, que fez nascer daquela casa, desde 1577, a mais antiga e Venerável Ordem Terceira Franciscana secular do País, núcleo tradicional de religiosos que chegam até os nossos dias.
Frei Claude d´Abeville, um de dos companheiros de La Touche, conquistador do Maranhão, como seu escrivão na expedição, escreveu uma bela obra: “História da Conquista do Maranhão e Terras Circunvizinhas” e nela incluiu um capítulo “Fernando de Noronha”, no qual descreve o arquipélago com riqueza de expressões e de detalhes, do que seria a esplendorosa natureza que descobriu, ao parar por 15 dias na ilha principal do arquipélago, onde quis deixar plantada a força da fé católica, improvisando uma paliçada sob a qual celebrou a 1ª Missa naquelas paragens. Esse feito é contado também na coleção “História da Igreja no Brasil”, do Pe. Arlindo Rupert, ao referir-se aos frades capuchinhos franceses que andaram pela nossa terra.
Detalhes da uma grande história que se construiu aos poucos, mas que deixou sólidas informações e nos ajudam a resgatar o passado, seja em Pernambuco, seja no Maranhão, com gosto de eternidade!
Imagem: claustro do convento franciscanos de Olinda - o mais antigo do Brasil.

A história dos homens, em todos os tempos, exerce um enorme fascínio sobre muita gente, pelo que reserva de surpresas, pelas emoções que desperta, pelos segredos que aponta, pela ignorância lamentável da tantos que pode ser preenchida por sabedoria...
No meu caminho em busca das verdades sobre Fernando de Noronha, tenho vivido momentos preciosos de descobertas e, reconhecendo o quanto o foi o arquipélago relegado ao ostracismo, na grande História do Brasil, a vontade é sempre de propagar descobertas, falar sobre elas de todos as formas possíveis, elucidando momentos de beleza, de dor e de glória, ali experimentados.
Gente de muitos lugares vem em busca de dados ou de confirmações, no seu envolvimento pessoal com esse ou aquele tema... E, para mim, contribuir para esclarecer esse passado que me propus a descobrir estabelecem-se laços fortes, que se continuam quando a curiosidade foi satisfeita e aquele que se sentiu amparado na sua sede de saber sentiu-se saciado.
As buscas são as mais diferentes possíveis... Alguém me busca porque pesquisa a presença dos integralistas no arquipélago, no difícil período do Presídio Político oficial (1938/1942): e apresso-me a enviar fotos e informações disponibilizadas pelo “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”, proposta onde deposito meu saber noronhense e, em parte, consolidado nos livros que escrevi sobre o tema. Outro viveu na Ilha Grande, como familiar de um preso político ali confinado e, à procura de dados daqueles outros presos que vieram “da ilha”, inicia-se uma troca fantástica de conhecimentos, enriquecendo o conteúdo já tão diversificado do programa. Outro descende de um militar que serviu ali, no “Destacamento Misto da II Guerra Mundial”... E dessa troca surgem imagens expressivas das peças (canhões) levados para lá, que mostram a implantação do “sistema de defesa do século XX”, considerado necessário como armamento bélico mas que danificou os seculares caminhos em pedra, deixando marcas visíveis até hoje...
E assim tem sido... É da soma de cada contribuição, de cada foto doada, de cada “pedaço” dessa história de cinco séculos que um programa de resgate se alimenta. E conta sempre com a boa vontade dos inúmeros doadores, dispostos a abrirem mão de umas poucas heranças recebidas de seus antepassados para explicar um presente cada vez mais necessitado de atenção.
E, ainda neste ano de 2012, parte desse saber, desses “presentes” recebidos de muitos e da persistência na procura e organização desses bens inestimáveis, renascerá – em Fernando de Noronha – o MEMORIAL NORONHENSE / Espaço Cultural Américo Vespúcio - apresentando e disponibilizando - aos ilhéus e a cada visitante – a saga de um espaço insular de natureza exuberante e de uma história riquíssima, com muito ainda a descobrir-se!
Abençoado seja esse tempo que chega!!!

Olhar Olinda, a qualquer hora do dia ou da noite, no coração do seu “Sítio Histórico”, é sempre um colírio para os olhos... Vê-la do Alto da Sé, é reafirmar a expressão de encanto atribuída ao seu donatário – Duarte Coelho – quando aqui chegou, em 1535 e, extasiado, teria poetizado diante do que via: “Oh! Linda situação para construir-se uma Vila!”.
Foi sempre essa a minha compreensão, contemplando aqueles monumentos, sabiamente dispostos pelas sete colinas que circundam e compõem o espaço urbano, marcado por descidas deliciosas, casario irregular, quintais explodindo de tanto verde, “rasgos” de um mar que a tudo margeia, céu azul, tingindo-se de luz e de sombras, quando o dia se vai...
De repente, um elemento novo se acrescenta a esse caleidoscópio de lindeza, dando a uma edificação importante – a Caixa d´Água do Largo da Sé - um elevador panorâmico. E as filas se sucedem, atraindo gente de todas as idades e procedências, para galgar aquele espaço físico e ser levada, aos poucos, para o alto, para a paisagem, para o choque inesquecível em perceber que aquele lugar já tão emblemático, está ainda mais bonito!!! E o prédio - pioneiro no uso do elemento vasado em sua construção - pareceu-me, àquele momento, “perdoado” por ter sido tantas vezes acusado de estar plantado em lugar inadmissível!
Não há como ficar indiferente... Chegar lá em cima, é quedar-se diante de cenas já conhecidas, agora vistas do topo possível de chegar-se pelo engenho humano e pelas realizações certeiras dos que decidem por escolher o que for melhor.
De repente, lá estava eu, olhos e coração abertos para o “Horto del Rey”, somente antes espreitado por rasgos de vegetação ou a partir da contemplação do terraço das Dorotéias, nem sempre permitido...
De repente, aquele verde secularmente protegido, desde as “Hortinhas” de Duarte Coelho, levava-me a um passado relativamente próximo, quando sonhou-se a união daquele espaço com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para nele abrirem-se meandros, permitindo visitações, caminhadas... Tudo isso “apalavrado” com o Dr Sérgio Bruni, representando-
o na assinatura de um Protocolo de cooperação técnica...
De repente, Olinda estava aos meus pés, com seu Farol, suas Igrejas, seus caminhos tortuosos, espalhando-se para longe, até suas terras distantes, do antigo Termo da Vila, na contemplação do Porto, dos “Arrecifes dos Navios”, da cidade-irmã Recife, que cresceu tanto a ponto de suplantá-la.
Naquele terraço superior, do alto da Caixa d´Água, recordei Duarte Coelho, o visionário, que batizou essas terras, dando-lhe deu nome e uso pelo seu Foral... Recordei Germano Coelho, que sonhou uma Olinda construindo seu futuro com as lições do passado... E recordei Carlos Penna Filho, o poeta, ao descrevê-la como um lugar tecido de “limpeza e claridade”, iluminando nossos corações para sempre!

Não importa a idade que ela tenha...
Pode ser uma mãe-jovem,
uma mãe-de-meia idade
ou mesmo uma mãe-idosa, talvez já experimentando
a multiplicação da vida em netos, bisnetos...
Não importa – talvez – como foi a sua vida:
se pontuada de facilidades materiais
ou duramente enfrentada,
nas lutas de cada dia,
nas horas de entrega absoluta,
para suprir a família de bens necessários...
Ter sido mãe, um dia, é o que importa!
Não há recompensa material
que se coloque acima do que é,
para uma mãe – qualquer mãe –
saber-se alvo de pensamentos positivos,
de presenças revigorantes,de carinhos inesperados!
Feliz daquele
que ainda tem uma mãe para tocar,
para afagar, para preocupar-se com ela...
Porque quando elas vão-se embora,
o vazio que fica é eterno e
nunca mais será preenchido!
Mães de todo mundo:
que Deus as abençoe, como o fez, um dia,
dando-lhes o privilégio da maternidade,
o merecido apoio dos filhos acolhidos,
a coragem de um dia, dizer SIM
à missão que mereceu receber!
Feliz “DIA DAS MÃES”

LUA DE MAIO
Não era uma lua qualquer...
Era a maior lua,
a mais brilhante e esplendorosa,
a esperada lua de maio
– como sonhavam os apaixonados...
Não era uma apenas uma lua...
Era aquela lua enorme,
tão próxima da terra,
que encantaria a todos,
como prometiam os entendidos...,
Não era somente isso: uma lua...
E ela chegou, encantadora,
trazendo lágrimas aos nossos olhos
com tamanha beleza,
capaz de nos amolecer o coração...
E se, pelo mundo inteiro,
essa lua foi tudo que se imaginava,
mais bela ainda foi ela, no meio do oceano,
abençoando, de forma muito especial,
a Capela de São Pedro dos Pescadores,
*
*
*
*
...
Aleluia!
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Construídas como “um diário” as cartas escritas pelo Profeta, enviadas sistematicamente aos amigos mais chegados, mostravam um material revelador, registrando – nas madrugadas de vigília - tudo aquilo que lhe cabia fazer e criando, assim, um material de consulta fabuloso e inédito.
Nas comemorações do centenário de nascimento daquele homem iluminado, outros conjuntos de circulares também foram primorosamente impressas, como uma homenagem aos seus 100 anos de vida, comemorados com tanto carinho e com tantas solenidades, em 2008 e 2009. Agora, chega-se ao terceiro volume dessa coleção, também com três livros (como fora nas duas primeiras coleções) e o faz no dia em que celebrávamos os 48 anos de chegada a Pernambuco, para ser o Arcebispo de Olinda e Recife: 12 de abril de 2012. Foi a Companhia Editora de Pernambuco – CEPE quem tornou esse sonho verdade, junto com o Governo do Estado e o Instituto Dom Helder Camara - IDHeC.
Cada tomo agora lançado tem 400 páginas. São 1.200 páginas, ao todo, de reflexões, mensagens de vida, espiritualidade... Zildo Rocha e Daniel Sigal, os organizadores, prepararam pacientemente esse presente que nos chega, tendo em mãos os manuscritos de cartas do Dom que relatam sua experiência do período imediatamente após o Concílio Ecumênico Vaticano II, em 1965, o grande momento de mudança da Igreja Católica. E, neles, as surpresas se sucedem, com os relatos do estabelecimento de novas doutrinas, incluindo a preocupação com os direitos humanos e uma relação de tolerância com as religiões não-cristãs.
As Circulares pós-conciliares, direcionadas à “família Mecejanense” – como o Dom chamava os amigos da sua terra natal, Mecejana –, mostram o momento em que o arcebispo começava a implantar, na sua Arquidiocese, as recomendações doutrinárias do Concílio abençoado...
Todo o Brasil pode conhecer o material que agora se publica. Basta entrar em contato telefônico ou eletrônico com o Recife e combinar a melhor maneira de fazê-lo. E, de forma oportuna, os Bispos e Arcebispos que se vão reunir no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, de 18 a 26 de abril, na 50ª Assembléia da CNBB, conhecerão de imediato as obras, numa iniciativa da CNBB Nordeste 2.
Não percamos tempos. Liguem 81-3184-3170 ou 81-3421.1076, Se preferirem, usem e-mail cedohc.org@hotmail.com . Preço dos três volumes: R$ 80,00.
E que Deus os abençoe a todos!
a viver a esperança de um novo tempo...
Tivemos tempo para refletir,
para rever uma historia tão antiga,
para encontrar o caminho seguido pelo Cristo,
querendo salvar-nos a todos.
Tivemos tempo para preparar o coração
para inundá-lo de alegria e esperança
na Páscoa redentora que chegava,
acelerando a nossa emoção por nos sabermos salvos.
E, hoje, o tempo chegou. É Páscoa!
Hoje é o dia abençoado que esperamos tanto...
Hoje é o dia de abraçar amigos, partilhar afetos
e, sobretudo, agradecer Àquele que veio para nos salvar!
Feliz Páscoa, amigo!!!
Que a Páscoa chegue ao seu coração
e nela faça morada!
Feliz Páscoa, amigo!!!
recua, mas para voltar, para insistir,
sem cansaço, sem desistência,
noite e dia, enquanto a Mão Divina
não der sinal de ter sido atingida
a plenitude das grandes águas vivas!
(Dom Helder Camara)

Ele nasceu em Sergipe. Batizado como MABEL BEZERRA MOURA, jamais aceitou ser chamado assim, adotando sempre – principalmente nas partituras das canções que criou pela vida – o nome M. BEZERRA e nada mais. E um dia, adotou o Recife como o lugar para viver, pernambucanizando-se em definitivo.
Talentosíssimo, entrou no Shola Cantorum N.Sª do Carmo como coralista tão somente... E assim permaneceu, por anos e anos, talvez exercitando a sua humildade, sem deixar que o conbecimento de regência aflorasse e lhe permitisse assumir o comando daquele grupo exclusivamente masculino, criado especialmente para entoar o repertório de músicas carmelitanas, nas celebrações da Basílica do Carmo do Recife, da padroeira da capital pernambucana.
Um dia, o grupo se descobriu acéfalo, com a saída do maestro então titular... E M. BEZERRA assumiu a sua regência, passando a sonhar com modificações que levassem aquele seleto conjunto a cantar músicas de compositores eruditos, repertórios sacros de muitas procedências e, afora isso, enveredar pelo caminho da música popular e folclórica, valorizando a cultura nordestina em todas as esferas da sua expressão tão característica. Mudava-se o perfil da “Schola Cantorum”... Nascia o CORAL DO CARMO DO RECIFE.
E o grupo criado por Frei Pio Moreira, em 1949, “ganhou asas”, espalhando o seu cantar pelo Brasil afora, pela América Latina, pela Europa. Ninguém imaginaria que ele ousaria tanto, assombrando platéias seletas com a força do seu cantar forte, expressão de uma sofrida e criadora região do País.
Na deflagração dessa caminhada, estava o valor daquele regente competente, apaixonado pela música de boa qualidade e farejador desses caminhos que levavam ao sucesso. Foi o Maestro M. BEZERRA quem pressentiu a força da mudança e por ela dedicou-se aos momentos de criação, compondo páginas inesquecíveis do repertório do Coral e criando arranjos fantásticos para canções de todas as procedências e matizes.
Seu trabalho espalhou-se pelo mundo coralístico. Seus arranjos e suas composições foram se espalhando por aí. Seu nome registrou-se de forma definitiva.
Agora, M. BEZERRA partiu. Deixou-se ficar, no entanto, na obra criada, nos livros que reúnem muitas composições suas e arranjos especiais.
De todos os lugares, vieram mensagens de carinho e saudade. O valor daquele homem é tanto que vai ultrapassar esse tempo em que ele viveu e fazê-lo imortal. Quem poderá esquecer “Bolinha de Cambará”, “A charanga tocou”, “Apolônio, o gago”, “Panis Angelicus”, “Missa Flos Carmeli”, “Prece” e tantas outras maravilhas nascidas do seu talento...
Tomara que o mundo musical não o esqueça nunca! Tomara que todos esses que cantaram um dia as canções a que ele deu vida, continuem a reverenciar M. BEZERRA, o maestro, o compositor, o amigo, o homem!