domingo, 31 de agosto de 2008

CURIOSIDADES DE FERNANDO DE NORONHA

Você sabia?

Que foi o frade francês Claude d´Abeville, integrante da esquadra de Daniel de la Touche, que ia conquistar o Maranhão, quem celebrou a 1ª Missa no arquipélago, em 1612?

Que a capela de Nossa Senhora da Conceição da Quixaba foi o segundo templo católico da ilha, construída na segunda vila erguida em torno dela e de um grande alojamento para presos de mau comportamento?

Que existem cinco diferentes denominações evangélicas em Fernando de Noronha, algumas delas com templos construídos e que isso só veio a ser permitido no século XX?

Que a dessalinização da água do mar minimizou o problema crônico que havia na ilha, de abastecimento d´água, quando somente as chuvas resolviam isso?

Que a área total do Parque Nacional Marinho é de 112,7km², nela estando incluídas parte da ilha principal, todas as ilhas secundárias e o mar, até onde tiver 50m de profundidade?

Que na Fortaleza dos Remédios ainda existem ruínas das “solitárias” usadas como castigo para os presos, nos período em que ela deixou de servir aos fins de defesa da ilha para abrigar prisioneiros e correcionais?

Que uma nova “casa paroquial” foi implantada na Vila dos Remédios, em 2006, restaurando-se para isso uma ruína que havia nas proximidades da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios?

Que o Memorial Noronhense foi inaugurado em dezembro de 1998, reunindo parte do acervo iconográfico sobre a ilha, resgatado desde 1974?

Que no tempo de presença de expedicionários da II Guerra Mundial na ilha, o cinema era no meio da praça da Vila dos Remédios, em frente à Igreja, com soldados sentados no declive da praça ou nas escadarias do templo?

Que as associações comunitárias e os grupos religiosos noronhenses mandem programas de rádio semanais, no Sistema Golfinho de Rádio e Televisão?

Que os fiscais do IBAMA fazem rigoroso controle de todos os lugares contidos no PARNAMAR/FN, inclusive no mar?

Que em tempos de chuvas intensas forma-se a “cachoeira do Sancho”, com as águas que descem pelo morro?

sábado, 30 de agosto de 2008

PORTUGAL


(Um poema que evoca minhas raizes portuguesas e todas as alegrias de tê-las encontrado, um dia!)

**************

Andei por entre os meus sonhos
povoados de lembranças
e de muitas alegrias
assim vivia à espera...

Chega um dia – e nesse dia –
eu me entreguei comovida
nas asas, na fantasia
daquilo que procurava...

Em braços que me esperavam
deixei quedar o meu corpo.
Em almas tão semelhantes
repousei meu coração.

E todo o sofrer da vinda
purificado surgia
num novo tempo que, em tempo,
um passado redimia...

.............................................

Agora, de pés fincados
no solo forte do tempo,
existo: tudo é real.

Das buscas que tanto ansiava,
das respostas que buscava,
renasce o meu Portugal!

(Publicado no meu 1º livro de poesias, "As muitas faces do Bem-Querer", 1981)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ESTRANHA ÁRVORE DO MONTE, EM OLINDA...



Não é uma árvore comum. Mas muitos poucos se apercebem disso. Mesmo os freqüentadores do secular Mosteiro de Monte, em Olinda, passam por perto e não notam a estranha árvore fincada nas proximidades da entrada do conjunto arquitetônico.

A história do lugar é curiosa... Diante do Mosteiro, muitas árvores davam sombra e embelezavam a área descampada, de onde se avistam as outras colinas dos sítios históricos olindenses... Entre elas, uma velha gameleira, bela e frondosa, foi se tornando nefasta às outras árvores que a rodeavam, porque suas raízes caminharam na direção de cada uma delas e as fizeram morrer, uma a uma.

Estranha “predação” essa que costuma acontecer nas cercanias de todas as gameleiras que, silenciosamente, vão “invadindo” árvores vizinhas e elas se acabam... Assim ocorreu com quase todas... Só uma resistiu: uma castanhola, bem próxima à entrada do Mosteiro, agüentou a intrusa e as duas foram se enroscando, unindo seus troncos e fazendo nascer folhas diferenciadas, que assinalavam ser aquela uma árvore híbrida.

Tempos mais tarde a gameleira apodreceu, caiu, permaneceu por muito tempo atravessada no caminho diante do Mosteiro, servindo de local de descanso de adultos e de brincadeiras de crianças, até serem retirados os seus vestígios.

TODOS, não. Restou a gameleira atrelada à castanhola, unidas de forma definitiva, com suas folhas de diferentes verdes e formas, lembrança daquele “abraço” ocorrido no passado, memória de uma árvore que já não existe mais.

Olhando a fusão daquelas árvores, penso na capacidade que tem o seu humano de ser assim unido, forte na procura e na aceitação, capaz de eternizar-se nas amizades, senhor e soberano do seu destino e capaz de fundir-se nas intrincadas senhas do querer aos outros...

Vá ver, no Mosteiro do Monte, em Olinda, esse exemplo tão bonito e tão pouco conhecido!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

DUAS FESTAS PLENAS DE FÉ!


Primeiro a festa eucarística foi na Sé-Catedral, em Olinda. Diante do túmulo do Profeta, Bispos, Padres e uma multidão de leigos rezaram cantaram e reverenciaram juntos Dom Helder Camara, relembrando os nove anos de sua partida para o Pai.

"Um nordestino, um profeta audaz, Dom Helder Camara, o Pastor da paz!", diziam os versos do Hino do centenário do seu nascimento e todos repetiam fervorosos... E as sábias palavra do autor, Padre Campos, ecoavam fortes, naquele templo cheio de gente e de carinho, de flores e de imagens que lembravam um pouco da vida deste homem abençoado.

Essa foi a Concelebração do dia 27 de agosto, data da sua "grande viagem".

Depois, uma outra festa foi ocorreu, na Igreja dos Salesianos no Recife, para dar graças a Deus pelos 25 anos de ordenação sacerdotal do Padre João Carlos Ribeiro, cantor e compositor pernambucano, provincial-superior da Ordem Salesiana no Nordeste.

Outros momentos de orações profundas, pedindo bênçãos para um padre que repete o seu "sim" cheio de vigor e de fé.Essa aconteceu em 28 de agosto, data da sua consagração a Deus!

Como participante dos dois momentos, agradeci a Deus pela vida e pela certeza da fé desses dois homens, um - na eternidade - recebendo o galardão de sua vida cheia de sabedoria e profetismo; o outro, moço e atuante discípulo, continuando a exercer sua vocação de artista, de educador, de missionário...

Minha Igreja se multiplica, se renova, se eterniza, em momentos assim!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

NOVE ANOS SEM O PROFETA...


Quem passou a vida experimentando o novo?
Quem avançou no tempo, em ações cada ousadas?
Quem guardou as marcas de amor ao homem e de bondade?

Foi ele, o Dom do amor. encantado....
Lá distante, junto ao Pai a quem serviu, fiel...

Foi ele, o Dom da vida,
Discípulo escolhido, vocação verdadeira...

Foi ele, o Dom da paz que, partindo,
nos deixou órfãos a todos...

Nove anos se passaram tão depressa...
É povoada de sonhos a nossa esperança
De que ele, no céu, já seja um santo.
Nenhuma dúvida sobre esse tempo novo,
Junto ao Pai que amou tanto e por toda a vida.

A saudade que permanece
De sua fiel e comovente presença ao nosso lado,
É a força que alimenta os sonhos
De um dia vê-lo, na honra dos altares!

Nesse dia, feliz dia, de coração em festa
E palmas de aclamação,
Louvaremos SÃO HELDER CAMARA,
o santo brasileiro,
de cara nordestina e dimensão universal!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

UMA CIDADE CORTEJADA PELO RIO...


Desde o começo, o lugar era chamado “porto dos navios”, numa alusão às águas fartas que banhavam aquele aglomerado de ilhas. Uma linha reta, de arrecifes, servia de barreira e de espaço reservado para acolher as embarcações que vinham através do oceano.

Serpenteando por essas ilhas desabitadas, estava o rio, que vinha de longe e trazia com ele restos arrancados nas margens por onde passava. Uma primeira dessas ilhas foi ocupadas, acolhendo negociantes, mascates, gente pobre, esperançosa de fazer das negociações constantes um meio de obter riqueza.

Um dia, a coragem franciscana atravessou o rio e foi estabelecer-se do outro lado, na 2ª ilha, trazendo a experiência vitoriosa de Olinda, onde se haviam implantados os frades no século anterior (século XVI). A ocupação se expandia para a outra margem daquele rio tão familiar, na evidente distribuição espacial que ganhava outros ares e se distanciava do porto.

Depois, vieram os holandeses. Desde a chegada, a situação plana das ilhas e a água sempre presente - que lhes era tão familiar na Holanda – gerou a decisão da ocupação oficial, tirando de Olinda o mérito de ser a cabeça daquela capitania próspera e rica.

Saindo os invasores, nunca mais restaurou-se a opulência da antiga capital, no crescimento que se deu, sempre seguindo o curso do rio, como um “caminho líquido” que levava a todos os cantos e facilitava o ir e vir dos homens.

Esse foi o começo, que se perde na memória dos tempos... Sempre foi o Rio Capibaribe, esse eixo de levar e trazer o povo do Recife. A “ribeira do mar dos arrecifes” tinha um diferencial em relação a outras vilas, porque seu chão se expandia entre águas e ilhas, numa simbiose perfeita e marcante.
.............................................

Pena que o progresso trouxe também os males que todos os aglomerados humanos produzem, enfeiando o rio em partes do seu curso, quebrando um pouco daquela beleza limpa guardada na memória... Ainda assim, este é o Recife, a “cidade-arquipélago” de que fala Gilberto Freyre, a terra do rio o “cão sem plumas”, como o quis o poeta João Cabral, a terra de muitos encantos e de beleza incomparável, desde sempre, cortejada que foi e que é por esse rio que vem de longe, para desaguar aqui.

Rio Capibaribe, marca de um Recife que se fez Capital de homens e de sonhos!

domingo, 24 de agosto de 2008

OFENSA


Há um passo a ser dado,
um gesto a ser feito,
uma mão a apertar,
para destruir a ofensa
que gera a mágoa e o desamor...

Não pode durar muito
um rancor dentro da alma.
Ele precisa ser efêmero e passageiro
para que o sofrimento que gera
não seja alimentado
pelo egoísmo dos que não crêem.

Há uma certeza para sobrepor-se
ao nosso limitado entendimento...
Há uma paz esmagadora
que se segue ao encontro que redime...
Há um regaço divino
para acolher nosso corajoso coração
no enorme instante em que diz:

Perdoa!”

(Publicado no meu livro "Cantando o Amor o Ano Inteiro", 1986, Edições Paulinas)

sábado, 23 de agosto de 2008

CERTEZA


Esses braços
que me envolvem,
fortemente,
desconhecem
o que podem
provocar...

E o mundo
de carinhos
que despertam,
não se acaba,
quando finda
o abraçar...

Para mim,
uma emoção
incontrolada,
faz-me ver,
além do abraço,
que gostar

é sentir-me,
nesses braços,
em segurança,
como um náufrago,
no porto
de chegar!

(Publicado no meu livro "No Silêncio do Coração", Editora CatolicaNet, São Paulo, 2006.)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

CORDELISTA CANTA FERNANDO DE NORONHA EM VERSOS


É incrível como Fernando de Noronha fica impregnada na alma de quase todos aqueles que, por qualquer razão, tenham vivido ali, não importa o tempo de permanência. São artigos, livros, reportagens, depoimentos, que sinalizam essa paixão por um lugar, com pessoas dizendo-se “enfeitiçadas” por esse espaço inesquecível!

Assim aconteceu com a cordelista Gasparina Miranda, conhecida como “A pomba das Serras”, hoje moradora da cidade de Pombos/PE, que durante quase dez anos de sua vida morou e trabalhou na ilha, carregando estigmas de um tempo feliz e de um lugar que marcaria sua vida, para sempre.

Recebo, emocionada, cinco diferentes exemplares de Literatura de Cordel feitos por ela, todos resgatando e repetindo algumas das LENDAS fernandinas, no bom e jocoso estilo popular de poetizar... “O Gigante da Sapata” (que fala da figura do pescador mal-assombrado), “A Herança do Capitão Kidd” (que trata do pirata dos mares), “O Tesouro da Cigana” (que imagina uma cigana remanescente da remessa de todos os ciganos do Brasil para a ilha, no século XVIII), “O Reino da Alamoa Encantada” (que trata da mais famosa lenda noronhense, da sereia loura e sedutora) e “A Imagem do Capeta” (que não repete lenda e sim a figura de um dos comandantes do presídio, famoso pelas suas crueldades).

“O fantasma da errante rainha
Por sobre a ilha até hoje vagueia,
Nos altos dos montes, nas praias,
Entoando um canto de sereia.
Nas entranhas do Pico ainda ressoa
A voz magnética da Alamoa,
Buscando atrair amantes para sua teia.”

O mais importante para mim é ter ela registrado - em todos eles - a inspiração encontrada no meu livro “Fernando de Noronha – Lendas e Fatos Pitorescos”, que ela veio a conhecer trinta anos depois de ter deixado o Arquipélago, quando ali voltou na condição de turista...

Orgulho-me em saber que ela não esqueceu o lugar onde atuou como professora e teve seus filhos, como saber também que eu também não fui esquecida, professora dela que fui no primeiro curso que ministrei na ilha, nos idos de 1974, deflagrador de pesquisa que fez de Fernando de Noronha a causa da minha vida

Ilistração: capa dos cordéis de Gasparina Miranda

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Saudação a Dom Helder

(... nos seus 50 anos de sacerdócio, 1981)

Por tuas mãos
– hoje envelhecidas –
tantas vezes o Cristo se fez verdade,
no milagre diário do teu sacerdócio...

De tua voz
– pausada e doce –
brotaram inesquecíveis mensagens
nascidas do teu coração de pastor ardoroso...

De onde te vem essa força tamanha,
infinitamente maior que a tua aparente fragilidade?

De onde recolheste
esse gosto pelas coisas mais pequenas,
conduzindo teus conselhos por
caminhos nunca imaginados,
a descobrir a beleza de um cotidiano viver,
carregado de fecundos exemplos de vida e de fé?

Foi Ele, não foi?
Foi d´Ele que te veio essa ousadia de investir,
apenas com as armas do coração, do amor,
da crença definitiva, não foi?

Ah! Cinqüenta anos mais tivesses,
e não mudarias o gesto tão nosso conhecido
que te acompanha em cada palavra sábia,
nem calarias verdades que precisassem ser ditas,
ainda que doessem ou assombrassem o mundo...

Pastor, amigo, chefe espiritual, pai...
- Padre Helder, sempre –
diante de ti, frágil e pequenino,
curvamo-nos em filial reverência
e beijamos tuas mãos abençoadas
(um gesto que nem sempre permites)
para proclamar a alegria
destes teus cinqüenta anos de sacerdócio
destemidamente vividos,
como predestinado e escolhido amigo
daquele que te recebeu como apóstolo
e nos permitiu
– a nós, de Olinda e Recife –
a suprema felicidade de estar contigo
hoje e sempre.

Amado pastor, nós te saudamos!!!

NOTA:
Este poema tem 27 anos... Por anos a fio esteve afixado no Palácio dos Manguinhos, sede oficial do Arcebispado de Olinda e Recife, com a composição visual da Irmã Stela, do Mosteiro do Monte. Hoje, permanece na parede da Igrejinha das Fronteiras, onde viveu e morreu o querido Profeta, registrando os dias de infinita ternura, vividas ao lado daquele homem inesquecível!

A HISTÓRIA DESTE POEMA

Em 1981, Dom Helder comemorou 50 anos de sacerdócio. As festas duraram dez dias, iniciando-se no dia 06 de agosto, data em que Olinda comemoração o seu padroeiro, o Santíssimo Salvador do Mundo e encerrando-se no dia 16 de agosto, no maior ginásio de esportes do Recife, completamente lotado. O poema nasceu no meu coração, naqueles dias de festa... E, corajosamente, eu o entreguei ao aniversariante, cheia de emoção e carinho...

No dia seguinte à linda celebração, veio a surpresa maior... Dom Helder escolhia meu poema para declamá-lo na Rádio Olinda, onde mantinha o programa diário "Um Olhar sobre a Cidade", agradecendo com ele a todos que o haviam lisongeado com maniefestação as mais diversas.

Ouça aqui, na própria voz do inesquecível pastor de Olinda e Recife, a SAUDAÇÃO A DOM HELDER, acima transcrita, que viria a ser publicada no meu terceiro livro de poesias, "Cantando o amor o ano ainteiro", editado pelas Paulinas, em 1986.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

CURIOSIDADES DE FERNANDO DE NORONHA

VOCÊ SABIA?

ð Fernando de Noronha já se chamou “Pavônia”, no tempo da presença holandesa, século XVII? E que esse nome decorre da latinização do nome do arrendatário da ilha, Michel de Pawv?
ð Que em 2001 a UNESCO concedeu ao arquipélago o título de “Patrimônio Mundial Natural”, pela sua natureza excepcional?
ð Que o sistema Golfinho de Rádio e Televisão da ilha foi iniciado em 1982 e é, até hoje, um excelente meio de comunicação dentro da própria ilha, afora a reprodução de programas nacionais, que trazem o mundo para os noronhenses?
ð Que foi o frade capuchinho francês Claude d´Abeville integrante da esquadra de Daniel de la Touche, que ia conquistar o Maranhão, quem celebrou a 1ª Missa no arquipélago, em 1612, quando por ali passou?
ð Que a capela da Quixaba foi o segundo templo católico da ilha, erguido com construção precária ainda no século XVIII e restaurada quatro vezes?
ð Que existem cinco diferentes denominações evangélicas diferentes em Fernando de Noronha, afora o grupo católico e os grupos espíritas?
ð Que a dessalinização da água do mar minimizou o problema crônico de água potável que havia, quando somente as chuvas resolviam isso?
ð Que a área total do Parque Nacional Marinho é de 112,7km²? E que ela engloba parte da ilha principal, todas as ilhas secundárias e o mar, até onde tiver 50m de profundidade?
ð Que não há, registros de ataques de tubarão ao ser humano, na ilha? E que, por essa razão, os ilhéus costumam brincar dizendo que “os tubarões noronhenses são vegetarianos”?
ð Que na Fortaleza dos Remédios ainda existem ruínas das “solitárias” usadas como castigo para os presos, no longo em que ali funcionou um presídio comum?
ð Que uma nova “casa paroquial” foi implantada na Vila dos Remédios, em 2006, restaurando-se para isso uma ruína que havia nas proximidades da Igreja?

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

FOLCLORE






Quem é que balança
as cadeiras, gingando,
ao som do batuque,
ouvindo o ganzá?

Quem é que acende
o fogo de lenha?
Quem come pamonha,
quem faz munguzá?

Quem é que o barro
amassa com jeito,
fazendo boneco
que só falta falar?

Quem é que, trançando
o fio, a corda,
prepara os cestos,
faz os caçuá?

Quem é que, cantando,
cuida do trabalho?
Quem nina os filhos
e na “roda” girou?

Quem é que, com ervas,
cura as feridas?
Quem é que com cera
promessas pagou?

***************

É ele, o homem
do povo, da gente,
que a sabedoria
assim conservou.

É ele, o homem,
o bom brasileiro que,
sem o saber,
o folclore guardou!

Publicado no livro “Cantando o amor o ano inteiro”, Ed. Paulinas, 1986)

domingo, 17 de agosto de 2008

CURIOSIDADES DE OLINDA - OS TÚNEIS


Na canção “Ladeiras de Olinda”, vencedora do concurso “Uma canção para Olinda”, em 1982, a autora, Mirian Brindeiros fala dos “subterrâneos talvez imaginários”, referindo-se aos TÚNEIS que existiriam nos sítios históricos, ligando, principalmente, igrejas seculares ao seu entorno, como se fossem mesmo “túneis de fuga”, em caso de invasão.

No imaginário do povo, os túneis de Olinda renascem, com seus mistérios, suas histórias fantásticas, sua crua beleza, até onde foi possível percorrê-los.

Para o grande e saudoso historiador José Antônio Gonsalves de Melo, os túneis seriam apenas “passagens ou galerias subterrâneas para escoamento das águas de chuvas”. E esses espaços escondidos seriam ramificações no solo olindense, para evitarem acúmulo de água no solo e conseqüente desmoronamento dos espaços históricos. Para Dom Hildebrando Melo, monge beneditino, também de saudosa memória, estudioso da história e das curiosidades olindenses, “negar a existência dos túneis seria uma atitude anticientífica”, sendo muito mais lógico avaliar as evidências que são muitas, nessa terra plantada em sete colinas e povoadas de igrejas, todas pretendendo ter “saídas alternativas”, no caso de serem molestadas..

O mistério permanece. Iniciativas foram tomadas em busca desses caminhos encobertos pelo solo e pelo tempo. A primeira procura sistemática e oficial ocorreu em 1939, com um grupo de especialistas autorizado pelo Governo do Estado para efetuar escavações. As áreas identificadas foram se sucedendo, surgindo também grupos autônomos que procuravam túneis, mesmo sem o registro oficial.

A imaginação popular ampliava cada vez mais a certeza da existência dos famosos túneis de Olinda, surgindo então, em 1957, a Associação de Pesquisas Subterrâneas de Olinda, fundada pelo construtor Mário Aguiar, que trabalhou muito, escavando e registrando esses “caminhos escondidos”, com a contribuição de diversos profissionais liberais e a orientação do “guia” Hermógenes Monteiro, que vivera, quando menino, aventuras nas emaranhadas passagens subterrâneas. As atividades dessa Associação foram interrompidas em meados de 1960.

Dessas iniciativas ficou a certeza de que haveria muito mais a descobrir, a percorrer, a identificar. Perduram na memória dos mais velhos a crença de que túneis foram abertos a partir do Mosteiro de São Bento, do Convento Franciscano olindense, da antiga Cadeia Eclesiástica (hoje, Museu de Arte Contemporânea), da Igreja da Graça do Real Colégio dos Jesuítas (hoje, Seminário de Olinda) e, o mais famoso dele, partindo da Igreja de N. Sª do Rosário dos Homens Pretos, que segue em direção à Bica do Bonsucesso, localizada exatamente por trás da Igreja.

Este último foi revisitado em 1996, quando da realização das obras de restauração do templo, período em que encontrou-se no templo uma rara pintura com motivos africanos, no arco-cruzeiro do altar-mor e na sacristia. Na mesma época a arqueologia localizou, junto a um dos altares laterais da igreja, uma saída que parecia ir dar na Bica do Rosário. Conhece-se, pois, a possível entrada do túnel; sabe-se onde está a saída, junto à Bica. O que ainda não pode ser feito foi a limpeza e consolidação total do estranho caminho, para confirmar aquilo que a voz do povo apregoa há tanto tempo.

Quem sabe Mirian Brindeiros não tem razão, ao cantar os tais “subterrâneos talvez imaginários” que canta na sua singela e bela canção “Ladeiras de Olinda”???


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Agosto - um mês para relembrar Dom Helder Camara

Foi em agosto que ele se tornou padre, pelas mãos do Arcebispo de Fortaleza, Dom Manoel da Silva Gomes, aos 15 de agosto de 1931, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do Seminário da Prainha, em Fortaleza/ CE. Tinha apenas 22 anos e meio e, para receber o presbiterato, precisou de uma ordem especial vinda do Vaticano.

Para lembrar essa data, a comissão "Rumo ao Centenário de Nascimento de Dom Helder Camara" programou um evento especial, que contará com padres, amigos e admiradores de Dom Helder: uma celebração marcada para o dia15 de agosto, às 19h30, na Igreja do Bom Pastor, na sede da CNBB - Regional Nordeste 2, no Recife, que será presidida pelo Bispo de Sobral, Dom Fernando Saburido, ex-Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Em 1981, Dom Helder comemorou 50 anos de sacerdócio. As festas duraram dez dias, iniciando-se no dia 06 de agosto, data em que Olinda comemoração o seu padroeiro, o Santíssimo Salvador do Mundo e encerrando-se no dia 16 de julho, no maior ginásio de esportes do Recife, complentamente lotado. Um poema nasceu no meu coração, naqueles dias de festa... E, corajosamente, eu o entreguei ao aniversariante, cheia de emoção e carinho...

No dia seguinte àquela linda celebração, veio a surpresa maior... Dom Helder escolhia meu poema para declamá-lo na Rádio Olinda, onde mantinha o programa diário "Um Olhar sobre a Cidade", agradecendo com ele a todos que o haviam lisongeado com maniefestação as mais diversas.

Ouça aqui, na própria voz do inesquecível pastor de Olinda e Recife, a SAUDAÇÃO A DOM HELDER, que viria a ser publicada no meu terceiro livro de poesias, "Cantando o amor o ano ainteiro", editado pelas Paulinas, em 1986.

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