segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DEVOÇÕES MARIANAS DE OUTUBRO


Outubro é marcado pelas muitas festas marianas, que celebram Maria sob muitas invocações...

Festejamos MARIA chamando-a NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, de FÁTIMA e como a CONCEIÇÃO APARECIDA NO BRASIL. Locais diversos. A mesma Mãe de Deus, homenageada pelas ruas, nos santuários, nas celebrações, na devoção popular, nos terços rezados com grande fervor!

Cada uma dessas festas ganha características diferentes. Sempre nelas está o povo, sedento de amor pela Mãe-Rainha, cantando cantos em seu louvor, saudando-a com orações e fogos de artifício, invocando-a no íntimo do seu coração...

Muitas coisas em comum essas devoções têm.... A Virgem de Nazaré foi encontrada às margens de um igarapé, no Pará. Era uma imagem pequenina, escurecida pelo tempo, que ganhou uma das maiores devoções marianas do mundo, no CÍRIO DE NAZARÉ. A Mãe Aparecida também saiu das águas, para abençoar a jornada de pesca de homens simples. E fez surgir em São Paulo a maior Basílica do mundo dedicada à Maria. E em Fátima, Portugal, a aparição se deu a três crianças, a Virgem sobre uma árvore singela, a azinheira, quando o mundo entrava em guerra e precisava muito de oração.

Nenhuma ostentação nessas aparições... Somente o apelo por rezas que salvassem o mundo. A dureza da vida escrava lembrada na negritude das imagens envelhecidas e escurecidas pelas águas, como a lembrar que não é a cor da pele que importa mas aquilo que se guarda no coração. A aparição em Portugal, em plena 1ª Guerra Mundial, tempo de conflito mundial, conclamando pela PAZ... A “senhora dos mil títulos” tentava mesmo salvar os homens e usava uma linguagem simples, capaz de ser entendida por todos... ,

Qual é a “lição” que nos fica, dessas aparições??? Deus não nos quer dominadores, não nos quer escravizados, nem em guerra contra os outros homens. Não foi aos poderosos que Maria apareceu. Foi a gente simples, trabalhadora, ou a jovens inocentes.

Quem foram as testemunhas das aparições? No Pará, foi a gente simples trabalhadores da roça... Em São Paulo, pescadores em luta pela vida. Em Portugal três crianças de coração puro. Isso são sinais que nos chegam do céu.

Que essas comemorações reunidas numa mesma semana despertem em nós a vontade de sermos bons, verdadeiros, fervorosos, cheios de coragem para defender os oprimidos, merecedores de nossas atenções. A Mãe de Deus é a Mãe que veneramos, que amamos nos convida... Sigamos seus conselhos, e rezemos uns pelos outros, para que o mundo seja mais feliz.

domingo, 11 de outubro de 2009

HOMENAGEM ÀS CRIANÇAS


OS PEQUENITOS

Aos bandos ou sozinhos,
seus olhos, sua irrequieta forma se ser
deixa no ar a inesquecível força
que paira, por muito tempo,
quando vão embora...
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Aí estão eles, Senhor,
os pequenitos,
tão queridos do Teu amoroso coração.

Há luz nos olhos curiosos,
uma luz que se irradia
e inunda os espaços por onde passam,
permanecendo no ar quando se vão.

Suas mãos parecem mágicas,
no buliçoso ir e vir, malandrinho,
característico de um coraçãozinho
ávido para dar-se por inteiro.

Seus pés voam, por vezes,
como asas invisíveis...
Suas cabecinhas mergulham fácil, fácil,
na fantasia de sonhos curiosos e fecundos.
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Guarda-os, Senhor, da maldade do mundo.
Impede, enquanto for possível,
que eles naveguem no mar de adulto egoísmo,
para que possam povoar nossa vida
de “gente grande”
com a antiga doçura de viver
que foi o encantamento do nosso tempo
de ser criança também!

(Publicado no meu livro “Cantando o amor o ano inteiro”, Paulinas, 1986)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A PRÁTICA RELIGIOSA EM FERNANDO DE NORONHA

Desde sempre, a religiosidade em FERNANDO DE NORONHA foi sempre difícil de ser praticada... A história nos diz que a 1ª Missa foi aí celebrada pelo frade capuchinho francês, Frei Claude D’Abeville, companheiro do conquistador do Maranhão, Daniel da la Touche que, parando na ilha em 1612, para descanso, improvisou uma paliçada e, embaixo dela, oficiou a celebração. Também registra a existência de uma Congregação Cristã Reformada Calvinista, ao longo do período de ocupação holandesa (1629/1654), com freqüentes visitas de pastores enviados pelo governo holandês em Pernambuco.


Depois, ocupada de forma definitiva, a prática religiosa foi, principalmente, católica. O mais importante templo - a Igreja de N. Sª dos Remédios - teve sua construção iniciada em 1737 e concluída em 1772, data que ostenta em sua fachada. Foi essa devoção que inspirou a denominação do principal forte construído e de toda a vila. A Virgem dos Remédios foi tomada como padroeira do presídio em 1768 e em 1789 o templo foi ligado à Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves (Igreja da Madre de Deus), no Recife, como extensão da mesma, dependência que mantêm até hoje. No século XX a "casa paroquial", vizinha à Igreja, foi entregue para outros usos e o acompanhamento dos fiéis feito de forma esporádica. Nunca se criou uma paróquia noronhense porque o número de moradores não ultrapassva os mil e poucos habitantes. No século XIX e começo do século XX havia a presença de padres-capelães e, a cada ano, no dia da ordenação dos padres da Diocese de Olinda, realizava-se um sorteio para a indicação daqueles que iriam atuar na ilha.


Em 1986, com a criação do Vicariato Castrense (diocese militar de almas, sem definição de espaço físico), tentaram os militares fazer coincidir essa Diocese com o espaço territorial de Fernando de Noronha, governado por militares. Com a mudança, no ano seguinte, da vinculação para o Ministério do Interior, essa intenção não chegou a se concretizar, voltando a ser a Arquidiocese de Olinda e Recife a responsável pela ilha. Também a presença militar por tantos anos, no Território Federal, impediu que, de 1964 a 1985, Dom Helder Camara visitasse seu rebanho insular. Somente em 1988 Dom Helder visitaria a ilha, para inaugurar a restauração da Igreja dos Remédios. E, em 1989, ocorria a primeira visita pastoral de Dom José Cardoso Sobrinho.


Diversas restaurações foram feitas na Igreja dos Remédios, ao longo dos tempos. A última e fidedigna restauração aconteceu em 1988, com recursos federais e sua inauguração se deu em agosto daquele ano.


Afora a igreja principal, duas outras capelas existem no Arquipélago:

  • a Capela da Quixaba, localizada na antiga Vila da Quixaba, restaurada em 1999. Essa capela foi dedicada a N.Sª da Conceição. A imagem desapareceu em data incerta, sendo substituída por outra, de N.Sª das Graças, vindo daí as duas denominações a ela atribuídas. Possui altar único e pequena pia de água benta;
  • a Capela de São Pedro dos Pescadores, num alto, próxima à região da Air France e ao Porto de Sto. Antônio. No seu entorno realiza-se a Fefta de São Pedro, com Missa Campal seguida de Procissão Marítima.


Já existiram outros templos, que se arruinaram, dos quais conhecemos apenas as imagens guardadas no acervo

* Capela do Cemitério, dedicada a N.Sª da Conceição;

* Capela de N.Sª dos Remédios, da Fortaleza dos Remédios;

* Igreja de N.Sª do Rosário dos Sentenciados, construída na segunda metade do século XIX, apenas registrada em tel do pintor francês Eugene Laissaily.


OUTRAS FORMAS DE CULTO RELIGIOSO


Até 1957, grupos evangélicos não tinham liberdade de culto. Neste ano, a chegada de um grande grupo pescadores do Recife, para uma campanha de pesca, trouxe consigo diversos evangélicos, de diferentes denominações que, unidos, reivindicaram e conseguiram o direito ao culto, surgindo então a primeira comunidade de crentes, sem separação por denominação. Aos poucos, esse grupo foi buscando parcerias com igrejas instaladas no continente e assumindo sua identificação, existindo hoje cinco pequenas comunidades evangélicas:


Igreja Batista, associada à Igreja de Dois Unidos, no Recife/PE;

Assembléia de Deus – associada à Igreja de Abreu e Lima/PE.

Congregação Cristã Reformada do Brasil

Igreja Batista

Igreja Episcopal


A mesma liberdade que permitiu o culto aos evangélicos também acolheu grupos espiritualistas, kardecistas e umbandistas em formação, os kardecistas com encontros regulares de fundamentação da doutrina. Cada um desses grupos distintos conduz um horário diferente na Rádio FM Noronha, atraindo seus fiéis como ouvintes e usando o importante espaço radiofônico como um meio de evangelização.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

PALAVRAS DO PROFETA

"Quem ama de verdade,
reconhece os erros da pessoa
ou da instituição amada,
e continua a amá-la"

(Dom Helder Camara)

domingo, 4 de outubro de 2009

DIA DAS AVES / DIA DA ECOLOGIA


PASSARINHOS

No espaço azul dos céus deslizam passarinhos....
E alçando o vôo que rompe distâncias
caminham no ar,
apregoando a liberdade que lhes permite
ir longe, longe, longe,
na direção do infinito...

Este é o seu destino:
voar, voar, voar...
essa é a sua glória:
podem partir, sem que raízes existam
a impedir-lhes o sonho
de ir embora.

E assim prosseguem,
ruflando asas ao vento,
saboreando o gosto de serem livres,
até que o homem,
quem sabe, por inveja das asas
de que se quereria ver possuído,
os aprisionam em terríveis gaiolas.

E o canto que deveria explodir
se acaba, se extingue,
perde seu viço e beleza,
igual ao lamento
de todos os infortunados prisioneiros
para quem a liberdade se acabou!

(Publicado no livro “Cantando o amor o ano inteiro” – Paulinas, 1986)

sábado, 3 de outubro de 2009

O CORETO DA PRAÇA DA PREGUIÇA EM OLINDA


Bem “aos pés” da secular Igreja do Carmo de Olinda – a “Casa Mãe" dos Carmelitas nas Américas - está o mimoso e tradicional CORETO, ali plantado desde o século XIX, imponente na sua construção de ferro fundido, com motivos decorativos quase que exclusivos e de procedência inglesa.

Redondo, com varandas de ferro adornadas por arabescos e encimadas por uma espécie de “coroa, esse lugar, em meio ao paisagismo “Praça da Preguiça”, viu passar os muitos tempos que lhe deram vida, com retretas de bandas de música, cenário para presépios natalinos gigantes, apresentações juvenis de escolares em datas festivas, discretos namoros, ensaios de grupos artísticos e tantas outras formas de criar beleza num lugar, por si só, extremamente belo!

Diversas vezes foi restaurado... Não escapou às agressões de desocupados e insensíveis destruidores do belo... Precisou de empenho de uns poucos para manter-se de pé, integrando-se ao parque de árvores centenárias e pássaros diversos, continuando a servir como apoio à atividades culturais, de uma cidade turística e festeira.

Vale a pena contempla-lo, na sua forma singular de ser...


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

UMA DAS LENDAS DE FERNANDO DE NORONHA

A LENDA DO CAPITÃO KIDD

(história do pirata que andou pelos mares e escondeu seus tesouros numa ilha)

Contam que, pelos mares,
Um homem famoso andou
Assaltando embarcações,
Provocando confusões
Como nunca se pensou...
Salteador de verdade
Que a muitos assustou.

Contam também que o homem
Depois de perambular
Pelos lugares do mundo
E pelo mar mais profundo,
Resolveu se resguardar
Escondendo seus tesouros
Todos num só lugar.

Numa caverna enorme
De uma bonita ilha
Foi o tesouro escondido,
Quase desaparecido
Ficando guardado em pilha...
Para que o povo esquecesse
Do pirata e sua quadrilha...

Capitão Kidd era o nome
Desse temido ladrão.
Histórias foram inventando
Desse cabra, revelando
Os roubos, a traição,
De tanta gente atacada
Sem dó e sem compaixão.

Até hoje se acredita
Que, da ilha, o “mar-de-fora”,
Esconde essa riqueza
Na caverna, com certeza,
Sepultando, desde outrora,
Jóias, moedas de então
Tudo que até servia agora...

Mas quem vem pra essas bandas
Saiba que vai encontrar
Um tesouro de beleza
Que está na natureza
Como atração do lugar
Sem que venha a ser preciso
Outra riqueza buscar.

As coisas que hoje se contam
Do homem que assim viveu,
Dos roubos desse danado,
Pirata mal-assombrado
Que o tempo não esqueceu,
Tudo isso virou lenda...
Será que aconteceu???
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Ilustração: reprodução do protótipo do carro alegórico da Escola de Samba Mangueira, no Carnaval de 1995, desenho do carnavalesco Ilvamar Magalhães

Texto: Marieta Borges Lins e Silva


domingo, 27 de setembro de 2009

LOUVOR AO IDOSO

O tempo trás consigo o alquebrado jeito de ser,
o branquear dos cabelos dia a dia,
o tremor nas mãos envelhecidas,
o esquecimento daquilo que constituiu
– um dia – razão de ser feliz!

O tempo amedronta, porque significa o desconhecido,
angustia porque não se sabe o quanto resta a cada um,
precipita a dor de estar chegando ao fim,
ou o desânimo dos que já não esperam nada
e nem se sentem capazes de continuar lutando...

Mas o tempo também soma experiências maravilhosas,
enriquece o espírito de luz e de sabedoria,
molda o caráter e desperta coragem,
de distribuir os bens acumulados com outros,
como fardos doces e merecidos para quem os recebe...

O tempo ameniza cicatrizes, suaviza feridas na alma,
consola corações estremecidos,
torna-se poço de conhecimento e de trocas,
rejuvenesce a fé, renova esperanças
e partilha com a vida o que se fez bagagem imorredoura...

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Saudemos, no idoso de hoje,
aquele que recebeu as marcas do tempo sem sofrer por tê-las
e dividiu retalhos de entusiasmo aos que são jovens
e não sabem o caminho da busca,
pois partiram desatentos pelos caminhos!

Saudemos, no idoso de agora,
todos os homens e mulheres que deixaram chegar as rugas
mas também sabem o quanto de bom cada uma delas acrescentou
à vida, ao amor, ao ser e não ao ter.
Deus os abençoe a todos!


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No "DIA DO IDOSO", em 2009.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PALAVRAS DO PROFETA


Para além,
muito dos egoísmos individuais,
das egoísmos de classe,
dos egoísmos nacionais,
é preciso abraçar,
sorrir,
trabalhar"
(Dom Helder Camara)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

LÚCIDOS COMENTÁRIOS SOBRE O "PALÁCIO DOS GOVERNADORES" DE OLINDA


A respeito a recente postagem que fiz sobre o PALÁCIO DOS GOVERNADORES, de Olinda, recebi lúcidos comentários do Professor Germano Coelho, duas vezes Prefeito do Município, enriquecendo o tema com sua experiência e paixão pela cidade a quem tanto serviu.

Ele fala, principalmente, de momentos registrados na História do Brasil, da decisiva ação que deflagrou, criando – pioneiramente - um Sistema de Preservação que permitiu ousadia nas ações preservacionistas e sobre a repercussão, em Brasília, das corretas atitudes do então Deputado Federal, Fernando Coelho. Por isso, resolvi expor aqui toda a argumentação desse benfeitor de Olinda, Germano Coelho.

A ARGUMENTAÇÃO:

1. Sobre o Palácio dos Governadores: seria interessante citar que a primeira "História do Brasil", escrita em Olinda e na Bahia, pelo franciscano Frei Vicente do Salvador, refere-se explicitamente, ao Palácio dos Governadores, tão importante para a luta contra os Franceses no Maranhão. Foi diante do Palácio, na Rua de São Bento, que os franceses - à frente Jacques Rifault e Charles Devoult – desfilaram, após a vitória olindense obtida no Maranhão, no século XVII.

2. Sobre o tombamento do Palácio dos Governadores lembrou ele que isso decorreu da criação do Sistema Municipal de Preservação, pioneiramente implantado em Olinda, que previa:
* um Conselho de Preservação (com repressentantes das esferas Federal, Estadual e Municipal);
* uma Fundação de Preservação; órgão executivo municipal;
* um Fundo de Preservação, com 5% de recursos do Fundo de Participação dos Municípios - FPM;
* e o Tombamento Municipal dos Bens, que integrou o Palácio dos Governadores, uma vez que o Município sabe, melhor do que qualquer outro órgão, o valor de seus bens.

3. Sobre a divulgação nacional das ousadas propostas em Olinda, lembrou Germano Coelho que foi convidado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criada na Câmara de Deputados em Brasília, numa iniciativa do Deputado Federal Fernando Coelho, registrando na ocasião que, com as cotas mensais do FPM, Olinda tinha mais recursos para restauração de seus bens, do que o próprio Governo Federal. O Palácio dos Governadores é um exemplo de um bem restaurado na época pelo Município, com recursos do Município.

4. A respeito da Coleção de quadros de Bajado, existente no Palácio dos Governadores, foi toda ela doada à Prefeitura de Olinda, na Administração Germano Coelho, em retribuição às homenagens feitas a ele pela PMO, com a gravação de um compacto com a música, "Bajado um Parceiro de Deus".

Todas essas considerações só ampliam as informações sobre um monumento olindense do qual pouca gente fala, ao mesmo tempo em que faz justiça a um sonhador e realizador de um grande governo, que foi o Prof. Germano Coelho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

FERNANDO DE NORONHA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Em 1º de setembro de 1939 começou a II Guerra Mundial... Setenta anos se passaram desde aquele trágico dia. Mas as marcas de tudo o que ocorreu em torno dessa decisão fatídica haveriam de ficar pelo mundo afora e também em Fernando de Noronha, o pequeno espaço insular tão distante do continente, e bem no meio do Atlântico de tantas ataques e perdas.

A decisão de fazer o Arquipélago um espaço avançado de guerra começou em 1941, quando por lá existia um Presídio Político, instalado desde 1938. Uma Comissão militar foi incumbida - pelo Governo Federal – de avaliar e definir a melhor forma de ocupação daquele espaço em favor de garantia da segurança nacional. E a conclusão desses estudos foi que “o arquipélago não era lugar indicado para presídio e sim para uma base área naval ou militar".

Sugestão aceita e foi providenciada a retiradade todos os presos políticos, adaptando-se os lugares por eles antes ocupados, como base de guerra. Era um momento histórico e a situação internacional era difícil. Em fevereiro de 1942 o Conselho de Segurança Nacional, elencava razões em favor da ocupação militar do arquipélago, como "o afastamento da costa brasileira" e a "falta de condições para a agricultura, a indústria e o comércio".

Cumprindo a determinação, cerca de três mil “pracinhas” foram enviados para o Arquipélago, com todas as dificuldades da arriscada travessia. Lá, por todos os lados, implantou-se o esquema de acomodação dos soldados e de recebimento e instalação de mais de cinqüenta canhões, de outros equipamentos bélicos e de veículos que viriam a danificar as seculares estradas do sistema viário do século XVIII, entre outros danos visíveis até os nossos dias.

Como acordo de cooperação técnica, instalou-se também a Base Americana de Guerra, na região situada entre a Baía Sueste e a Praia de Atalaia, substituindo-se a vegetação existente por barracões com diversas finalidades (inclusive moradia temporária), alguns dos quais resistem, reutilizados para outros fins. Sem esquecer do perigo que significou a proximidade dessa Base com o Mangue do Sueste, única ocorrência dessa espécie em ilha no Atlântico Sul.

Hoje pela ilha existem algumas marcas desse tempo (1942 / 1945), facilmente identificáveis nos canhões que servem como peças decorativas de alguns espaços urbanos da ilha, bem como nos barracões de construção pré-moldada, que abrigou o contingente enviado.

Esse tempo e essa características únicas foram algo de registro na série de reportagens publicadas pelo Jornal do Commercio, entre 1º e 07 de setembro, série essa comemorativa dos setenta anos da declaração de guerra, que levou o mundo a um conflito mundial desnecessário. E serão igualmente assunto de artigo a ser publicado na Revista da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, neste 2009.

O passado não pode ser esquecido. Isso é um compromisso!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O "PALÁCIO DOS GOVERNADORES" EM OLINDA


Construído no século XVII (em 1660), esse Imponente edifício de arquitetura palaciana, iluminado por lampiões imperiais conserva o piso e as escadarias da nobreza e janelões com varandas de ferro, molduras de pedra e frontão triangular.

Seu nome é a herança histórica das três vezes em que o Brasil foi governado a partir de Pernambuco, por Vice-Governadores, sediados nessa edificação, em Oliinda. Mesmo não mantendo esse uso, o nome Palácio dos Governadores foi eternizado.

Muitas foram as ocupações dadas ao monumento da arquitetura civil... Aí, no século XIX, instalou-se o antigo Paço da Assembléia Constituinte e Legislativa da Confederação do Equador. Abrigou, em 1852, os Cursos Jurídicos, que haviam sido criados no Mosteiro de São Bento, em 1827. Também sediou o Teatro Melpôneme, o Fórum e o Colégio Arquidiocesano de Olinda. Desde o século XX é a sede do Poder Executivo do Município.

Em um dos seus salões térreos está a Galeria Bajado, exposição de obras daquele pintor primitivo, que é uma bela coleção de 20 quadros pintados na década de 1970, retratando o cotidiano e as festas populares de Pernambuco. Outras obras de valor artístico emolduram suas outras paredes antigas...
Em janeiro de 2004 o Palácio dos Governadores foi tombado pela Municipalidade como símbolo máximo da Restauração Pernambucana, movimento que resultou na expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro no século XVII. A iniciativa fez parte das comemorações pelos 350 anos da rendição flamenga, que havia ocupado o Nordeste desde as margens do Rio São Francisco até o atual Estado do Maranhão.

Em 2008, ocorreu a instalação do governo do Estado neste Palácio, em Olinda, em homenagem à história da cidade e do seu povo, iniciativa do Governador Eduardo Campos. Em 2009, quando das comemorações da data magna da cidade – 12 de março – o corte do bolo e as apresentações artísticas ocorreram em frente ao Palácio dos Governadores, como manda a tradição da cidade.

E assim resiste esse monumento, na sua imponente e bela presença nos Sítios Históricos de Olinda, testemunhando a passagem do tempo e servindo como mirante para contemplação da vida da cidade, nos seus desfiles, nos cortejos estudantis, nas bandas de música, nas procissões, nos folguedos carnavalescos, juninos e natalinos. Sua janelas seculares contam tantas histórias...


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PALAVRAS DO PROFETA


"Só as grandes humilhações
nos levam
ao recesso último
de nós mesmos,
lá onde as fontes interiores
nos banham de luz,
de alegria
e de paz."


(Dom Helder Camara)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

MINHA PÁTRIA, MEU AMOR!


A Independência
não é um momento, apenas,
um grito que ecoa,
um ato isolado de bravura...
A Independência
é uma conquista de cada dia,
é uma reafirmação constante e paciente
que se constrói lentamente...
A Independência
é o desamarrar dos laços que, constantemente,
envolvem nossa coragem que vacila
para proclamar
a ventura de ser livre!

(07 de setembro - Independência do Brasil)


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"TEREZA DE TODAS AS HORAS"


Uma mulher múltipla, que viveu as fases da vida intensamente, tendo sido a princesa de uma família aristocrática pernambucana, a dona-de-casa e mãe devotada para os padrões da sua época, a guerrilheira nômade por amor e engajamento político, a Artista que chega aos 80 anos contando uma história de vida fascinante e apresentando uma obra concretizada numa exposição grandiosa, pela qualidade dos seus trabalhos e tamanho de cada tela criada.

Hoje é o seu dia. O dia de mostrar-se por inteiro na exposição TEREZA DE TODAS AS HORAS. O dia de falar livremente do amor que a levou embora do Brasil e a fez voltar um dia, sofrida e determinada. O dia de exibir as 52 telas que se entregam ao mundo no Museu do Estado de Pernambuco (do qual já foi Diretora), em noite de gala.

Da experiência de pintar motivos políticos, na “Brigada Portinari” da campanha de Miguel Arraes veio o interesse por quadros maiores, por muros, crescendo sue trabalho em proporções talvez nunca imaginadas... A vida lhe ensinou que o mundo é grande e começa no interior de cada um, fazendo brotar suas crenças, seus temores, suas verdades.

Andou pelo mundo... A volta ao Brasil, em 1979, conduziu-a para Olinda, onde veio se instalar em definitivo, impregnando-a de outras experiências, inclusive no poder público, onde é hoje a Diretora do Museu do Mamulengo, vitoriosa e pioneira casa de valorização do boneco olindense, que já se multiplicou pelo Brasil.

Salve, Tereza Costa Rego, sábia, forte e enternecedora mulher!

Hoje é seu dia!