sábado, 30 de outubro de 2010

AMIZADE


Não te furtes ao gesto amigo e valioso
de apoio ou de incentivo que faz falta.

Não recolhas a mão que acolheria
uma outra mão, carente e estendida.

Não omitas a palavra necessária
que acalmaria a dor inconfessada.

Não esperes que venham ao teu encontro
se queres bem e podes sair em busca.

Não deixes nunca de dizer (mesmo calado)
o quanto te faz bem sabê-lo perto.

Não te falte, no olhar, a luz serena,
testemunha do calor que tens na alma.

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Cada dia, e sempre,
a amizade é uma conquista.
Nunca se esgota a fonte amorosa
de onde jorra a força, a fibra, a fé
daqueles que se deixam cativar...

Cada dia, e sempre,
amar é aprendizado
na direção do coração do amigo,
na direção do alto,
em busca de Deus!

(do meu livro "Cantando o amor o ano inteiro", Paulinas/1986)


terça-feira, 19 de outubro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


PULSAÇÕES QUE OUÇO

O coração do mundo
lateja
nas ondas do mar
ou no brilho das estrelas?

Acertaria mais quem dissesse:
no olhar dos heróis,
na mente dos poetas,
no coração dos santos.

(Dom Helder Camara)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AOS MÉDICOS - UMA SAUDAÇÃO!


Diante da dor inevitável
e do desespero de ver-se esvair a saúde,
todos sabem que contam com um "anjo" camuflado,
pronto para intervir, agir, salvar, curar...

Escolher essa forma de viver é quase um sacerdócio,
pelos muitos serões experimentados,
pela luta por vezes insana,
em busca do alívio da dor e das soluções imediatas
que reergam aquele que sofre,
segurando-o nos braços, tratando-o com desvelo,
indo até o limiar do possível
para conseguir curas quase impossíveis...

O MÉDICO é, nessas horas de dor,
aquele que se assemelha aos heróis da nossa infância,
capazes de refazer caminhos para conseguir sucesso,
entregando-se às horas que forem necessárias
para trazer de volta o bem-estar a cada um...

O MÉDICO é, em momentos fatais,
aquele que usa todo o seu saber
e tudo o que exista ao seu redor
para reter o tempo
e permitir a continuidade da vida...

O MÉDICO, quando se entrega e desiste,
é porque esgotou-se no seu saber
e aquele que dele precisa
já não responde às tentativas feitas
e se vai, apesar da luta inglória...

Saudemos o MÉDICO - todos os MÉDICOS -
pela entrega, pela coragem de ir adiante,
pelas tentativas feitas,
pelo sofrimento diante da perda
e pela vontade de recomeçar, cada dia,
sua batalha silenciosa e verdadeira!

Que bom que eles existem!!!
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(No DIA DO MÉDICO - em 2010)


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

LOUVOR AO MESTRE


Não serão para ti
- certamente -
as glórias do mundo.
Nem terás em tuas mãos
tesouros materiais
pelo mundo que fazes.

Tua fidelidade a uma causa
será recompensada
nos anônimos pensamentos
que ensinaste,
e nas tantas cabecinhas
que tiveste diante de ti, um dia...

Tua dedicação ao magistério
permanecerá
- como uma chama -
aquecendo os muitos corações
a que ajudaste a encontrar
o caminho do bem.

Porque tu, PROFESSOR,
és, acima de tudo,
aquele que constrói
um castelo de sonhos
na alma de cada aluno,
sendo tu mesmo
o arauto desse sonho maior
que te levou, um dia,
a ser MESTRE!



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Homenagem no DIA DO PROFESSOR, em 15 / 10 / 2010

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(Publicado no meu livro "As muitas faces do bem-querer", Edições Batista, 1981)


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CANÇÃO PARA QUEM JÁ CHEGOU


De muito longe vieste...
Vieste de sonhos antigos
de esperanças mal confessadas,
da expectativa ansiosa em gerar a vida...
Vieste do afeto que se materializou,
da ternura escondida no íntimo do coração,
do desejo de perpetuação,
natural, a todos os seres humanos.

Vieste do agora,
daqueles que foram escolhidos para te gerarem
- como filha querida -
portadores da pequenina semente
que te permitiu concretizar a vida.

Vieste de todas as esperanças,
de todas as ansiedades,
da responsabilidade assumida
e do enorme desejo de deixar-se ficar,
na continuidade da vida,
como maravilhoso dom de Deus!

Vieste do amor,
soberano e definitivo amor,
capaz de todas as renúncias
e de infinitas doações...

E porque vieste assim,
saúdo esse teu chegar, MANUELA,
acolhendo-te, como mensagem viva,
da velha e eterna chama que jamais morre:
homem / mulher, a quem hás de chamar:
papai / mamãe!

Bem-vinda, pequenina criança!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOSSA SENHORA APARECIDA - PADROEIRA DO BRASIL

Senhora,
chamam-te com tantos nomes
e de tantas forma te prestam culto.

Senhora,
um dia apareceste, quase milagrosamente,
morena - como todos os sofridos escravos
que esta terra conheceu.

Surpresa... Devoção...
Estranha aparência aquela.
Estranha senhora de cor,
negra - como uma noite interminável...

Senhora,
o Brasl se consagrou a ti,
como a redordar-se
de que sua maior ferida
tinha a cor do negro e da noite.

E, no teu santuário de amor,
passaste a ser a Mãe-Aparecida,
nas águas, nos sonhos,
nas esperanças de todos os brasileiros!

Vela por nós, Senhor,
que tanto precisamos de ti.
Amém.
(Peblicado no meu livro "Cantando o amor o ano inteiro", Paulimas, São Paulo, 1986)


DIA DA CRIANÇA


OS PEQUENINOS

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Aos bandos ou sozinhos,
seus olhos, sua irrequieta forma de ser
deixam no ar a inesquecível força
que paira por muito tempo
quando vão embora...

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Aí estão eles, Senhor, os pequeninos,
tão queridos doTeu amoroso coração.

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Há nos seus olhos curiosos
uma luz que se irradia
e inunda os espaços por onde passam,
permanecendo no ar, quando se vão.

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Suas mãos parecem mágicas,
no buliçoso ir e vir,
malandrinho e irrequieto,
característico de um coraçãozinho ávido
para dar-se por inteiro.

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Seus pés voam, por vezes,
como asas invisíveis...
Suas cabecinhas mergulham, fácil, fácil,
na fantasia de sonhos curiosos e fecundos.

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Guarda-os, Senhor, da maldade do mundo.
impede, enquanto for possível,
que eles naveguem no mar do adulto egoísmo,
mantendo intocada a pureza de ser simples,
para que possam povoar nossa vida de "gente grande"
com a velha doçura de viver,
que foi o encantamento do nosso tempo
de ser criança também.

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(Publicado no meu livro "No silêncio do coração", Paulinas - São Paulo, 1986)










domingo, 10 de outubro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


POR QUE TE APRESSAS?

Se pretendes fazer muito
se sonhas
com criações perenes
não te apresses.

Só constrói para a eternidade
quem no meio dos trabalhos
encontra vagar
para descobrir as criaturas,
muitas das quais
mal conseguem esconder
o Criador.

(Dom Helder Camara)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

LEVANDO O DOM NO CORAÇÃO...


Um encontro especial, em Lisboa/ Portugal, reuniu, naquela cidade querida, escritores "lusófonos", ávidos todos pela partilha e a sintonia com gente de muitos lugares onde se fala o português. Era o VII CONGRESSO DA UMEAL, para o qual acorreram escritores e artistas do Brasil, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, de Moçambique, da Cidade da Praia e de lugares diversos de Portugal.

Todos nós sabíamos que teríamos oportunidades de expressão, em poesia ou prosa, nas muitas sessões programadas para esse fim. E eu, fiel ao meu compromisso "helderiano", enviei o meu poema UMA VIDA ILUMINADA, para lê-lo quando escalada para isso, carregando toda a minha emoção em imaginar-me assim fazendo.

O local foi o Restaurante Martinho da Arcada, na Praça do Comércio, centro de Lisboa, um dos locais preferidos do imortal poeta Fernando Pessoa... Após o jantar fraternamente participado, cada poeta se fez porta-voz do seu próprio saber, declamando versos carregados de beleza e diversidade.

Para ilustrar o meu momento de poesia em louvor a Dom Helder Camara, carreguei comigo inúmeras imagens daquele Profeta brasileiro, esperando ilustrar minha fala com fotos que concretizassem o que o poema dizia, mostrando-o menino, jovem seminarista, padre, bispo, unido a tanta gente com quem se relacionou, pela vida... Mas o local não o permitia... Não havia onde projetar as cenas trazidas...

Então, erguendo-me para falar, contei da minha intenção em trazê-lo aos intelectuais que falam portugues pelo mundo afora e que já o conheciam pela trajetória de vida... Na impossibilidade da fazê-lo, abri o casaco que me abrigava do frio e afirmei: "eu o trouxe comigo no coração!", deixando que vissem, na camisa que vestia, seu rosto sereno e a expressão "O DOM DA VIDA". Os aplausos que se seguiram foram um estímulo a mais. E eu comecei.

O longo texto falava do "menino mirradinho', que "tinha tudo para não dá certo", nascido no pobre e esquecido nordeste do Brasil. Falava da sua caminhada, do seu aprendizado enquanto crescia e envelhecia, do silêncio obrigatório que lhe foi imposto num tempo doloroso de golpe militar no País... E da sua caminhada pelo mundo afora, acolhido por gente importante em todos os setores (inclusive eclesiásticos) e por pobres, sofredores, excluídos, novos e velhos, todos fascinados pelo seu carisma e seu jeito próprio de ser. Poucas vezes vivi emoção maior!

Ali estava eu, também brasileira e nordestina, fiel ao ideário daquele anjo de asas camufladas, dando-o - em palavras e emoção - aos tantos que comigo experimentavam a alegria do Congresso. E isso só foi possível porque eu o levava impresso no meu coração! Como sempre. Como antes. Como ele merecia estar!

Dom Helder, meu querido: sua "vida iluminada" serviu como exemplo para os patrícios e os irmãos no idioma de Camões e de Fernando Pessoa, e me fez muito feliz!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CONVERSA COM SÃO FRANCISCO DE ASSIS


O que foi que fez de ti
o santo preferido de tanta gente?

Em que momento de tua vida fizeste seguidores,
fiéis a ti pelo tempos que haveriam de vir?

O que foi, em ti, que encantou multidões
elegendo-se , para sempre, como exemplo a ser seguido?

Talvez nem mesmo tu o saberias,
santinho querido de Assis...

Por fidelidade a Deus
e diante da missão ameaçadora recebida,
como Maria, disseste SIM
e foste seguindo em frente, destemidamente...

Não olhaste as dificuldades dos caminhos
nem ficaste intimidado com os fardos
que carregarias dentro do coração,
e sorrias, certamente, no momento em que partias...

Deixaste tua casa, tua riqueza,
teus amigos frívolos e tolos e te foste,
como um anjo de luz,
pelo mundo afora...

Timidamente, saiste trilhando sendas,
apregoando uma PAZ que assustava os homens,
pelas difuculdades em seguir por caminhos novos
e pela luta inglória, por vezes, para obtê-la...

Os estigmas com que foste marcado
foram a certeza da preferência do Pai.
O encantamento com que tantos te seguiram
proclamaram ao mundo as tuas certezas.

E hoje???

Quanto tempo se passou depois que te foste
e nos continuamos almejando
os mesmos sonhos que apregoaste,
mesmo sabendo-nos inseguros
e vacilantes na fé...

E hoje, Francisco???

O que tens a nos dizer,
dessa louca aventura que foi a tua marca,
a não ser que procuremos ser santos como foste,
para um dia merecermos o céu que agora é teu,
querido pobrezinho de Assis...

E hoje, Francisco???
E hoje???
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(no dia de São Francisco de Assis, em 04/10/2010)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

RE-VISITANDO A VELHA (E LINDA) EUROPA!


Foram apenas 15 dias. Foi a vontade de rever lugares já conhecidos e descobrir outros, sonhados sempre, que me levaram longe e me proporcionaram momentos de plenitude de beleza!

Primeiro a sempre e amada Lisboa, na partilha e bo companheirismo do VII Congreso da UMEAL, a reunião de escritores lusófonos, vindos dos muitos paises de língua portuguesa. E, nele, a chance de descobrir locais e experiências fabulosas, como a da Quinta da Regaleira (em Sintra); o Palácio e o Convento de Mafra (num dia de festa religiosa completamente engalanada); o delicioso Museu do Fado e, em complemento: o espetáculo "Fado - História de um Povo", na beleza do Cassino Estoril; e solenidades e jantares em lugares inusitados, num congraçamento fecundo e enriquecedor.

Depois, a descoberta de Praga, a "Cidade Dourada", com suas pontes sobre o rio, seus espaços antigos e seus monumentos e estátuas (a Igreja de São Nicolau, o Palácio Real Velho, o Castelo, a Catedral de São Vito...). E o desejo é andar devagarinho por aqueles caminhos que se entrelaçam, contemplando ruas floridas, entremeadas de história e de boniteza...

E, como num conto de fadas, o passeio à cidade balneária de Karlovy Vary, carregada do esplendor das termas do século passado, com seus jardins, suas esculturas e suas fontes, que oferecem águas medicinais a serem tomadas em goles, para saciarem a inquietação interior e aquecerem o coração...

E Budapeste, na Hungria, com sua Praça de Heróis, registro fiel de um tempo de realeza e de modificações que se sucediam e foram todas marcadas pela monumentalidade das esculturas que contam o passado. Ver suas igrejas, seus balneários termais, seu Mercado original, seus violinistas que tocam pelas ruas a boa música húngara. Ou navegar pelo Danúbio, contemplando Buda e Peste à luz das luzes que a fazem brilhar na escuridão...

E Viena, na Aústria, a antiga capital do Império Austro-Húngaro; sua Ópera, suas muitas Igrejas dedicadas a tantos santos, seu Palácio Imperial Schönbrunn ajardinado (residência de Verão da família imperial); seus monumentos em meio às ruas... Tudo lembra a valsa, o mágico Strauss, as Tavernas populares e medievais...

Sempre vale deixar-se levar nas asas da fantasia e seguir em busca, deixando-se envolver pela história de lugares que atravessaram o horror das guerras, retomaram seus caminhos e são hoje vencedores, oferecendo-se ao Turismo com suas feridas cicatrizadas e seu povo em marcha, feliz e para a frente, sempre!

Descobrir o mundo amplia nossa inserção na vida e nos faz melhores, claro!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


AUMENTA, SEMPRE MAIS, A NOSSA
Sede de água
em união
com os milhões
que cada dia
morrem e morrerão de sede...
Sede de compreensão humana,
neste mundo tão dividido
e tão cheio
de quem se diverte
de dividir,
de separar,
de desunir...
Sede de amor autêntico,
que contra tudo e contra todos,
só faz crescer.

(Dom Helder Camara)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

188 DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL


INDEPENDÊNCIA

A Independência
não é um momento, apenas.
um grito que ecoa,
um ato isolado de bravura...

A Independência
é uma conquista de cada dia,
é uma reafirmação constante e paciente
que se constrói lentamente...

A Independência
é o desamarrar dos laços que,
constantemente,
envolvem nossa coragem que vacila

para de novo proclamar
a ventura de ser LIVRE!




domingo, 5 de setembro de 2010

MADRE TEREZA DE CALCUTÁ


Uma missionária católica albaneza
que escolheu ser indiana...
Uma mulher que fez dos pobres e abandonados
a sua opção de vida e, por isso,
chegou a ser chamada "a santa das sargetas".

Um ser humano que,
para dar um sentido à sua vida,
entregou-se ao serviços dos outros,
fazendo-se missionária da Caridade
como freira, como peregrina do amor
aos pobres, aos doentes, aos excluídos...

O azul e branco do seu hábito despojado
escondiam a enfermeira, a mestra, a mulher forte,
apesar da aparência tão frágil...
O mundo reconheceu o seu zelo missionário
e a sua luta pela "não-violência"
dando-lhe o prêmio Nobel da Paz.

Milhares acompanharam seu corpo inerte,
como se velassem uma autoridade
e não uma freirinha, apenas...
Porque é assim que os bons se eternizam,
mesmo que sejam vítimas
da incompreensão dos poderosos.

Ao definir seu rumo de vida,
Madre Tereza de Calcutá
optou pelo caminho mais difícil,
aos olhos dos homens
e tão agradável, aos olhos de Deus!

Ele a recebeu em Seu regaço
colocando-a dentre aqueles
que mereceram ser chamados de "santos"
por serem irrepreensíveis no seu dia a dia,
construindo sua morada eterna
pelo dom de doar-se,
definitivamente!


(no ano do seu centenário de nascimento e no dia da sua partida para o céu)


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

RENASCEM AS ESPERANÇAS NA RESTAURAÇÃO TOTAL DO CARMO DE OLINDA...



Hoje poderia parecia ser um dia qualquer, nos sítios históricos de Olinda. Parecia... Mas não era. Uma movimentação diferente acontecia na sede da Prefeitura da cidade, para onde acorriam religiosos, autoridades nas esferas municipais, estaduais e federais, políticos, gente comum... Preparava-se o momento da "alforria" para os carmelitas, que sonharam sempre com a restauração e entrega ao culto da sua "Casa-Mãe", o primeiro conjunto carmelitano erguido nas Américas, a partir de 1580.

Foi longa a espera. Foram muitos os sonhos da comunidade que se formou em torno da retomada daquele espaço religioso, constituindo a chamada "turma da resistência carmelitana", que tornou possível as celebrações semanais, a vivência do calendário litúrgico, convivendo com manifestaçoes artísticas no seu entorno, como as cenas da Paixão de Cristo - (por ocasião das Semanas Santas de 2009 e 2010 - e o magnífico Presépio-de-figuras-gigantes - no Natal de 2009. Para essas expressões de Arte, nenhum cenário seria mais adequado e belo do que a colina do Carmo, tento a soberba Igreja como pano-de-fundo...

Pois hoje, dia 02 de setembro de 2010, após uma espera de décadas, todos os que lutaram e se fizeram presentes nos ofícios religiosos celebrados em meio aos escombros, aos altares semi-destruídos e a um chão desprovido de piso, festejaram a alegria da assinatura da "Ordem de Serviço" para as obras de completa restauração, da Igreja e do seu entorno, com afloramentos arqueológicos e douramento de seus altares. Aleluia!

Muitos que começaram conosco essa causa meritória já se foram para a outra vida. Certamente, de lá, da glória celeste, olham-nos felizes e agradecidos, porque fomos capazes de continuar lutando, persistindo e sonhando. Companheiros de caminhada, eles se foram antes que o momento de hoje ocorresse...

Outros, chegados a pouco tempo, sentiram-se engajados pelo significado da ação que se fez concreta nesta data, talvez porque sentiram a força com que conduzimos esses tempos de penúria, de conviver com o abandono, sonhando sempre que um dia teríamos de volta a Casa-Mãe, para que nela viessem viver novamente Carmelitas.

Assim são as coisas dos homens. Dias de sofrer, pela desesperança e lentidão os atos que garantam as ações nenessárias e dias de aplaudir, de chorar de alegria, porque o momento esperado chegou!

A certeza: a Igreja do Carmo de Olinda será restaurada. Na íntegra. Por dentro e por fora.

Valeu a pena esperar tanto!