ongas e sofridas travessias, os caminhos marítimos foram sendo experimentados, procurados, desbravados e registrados das maneiras possíveis, na época, levando o homem muito mais longe do lugar onde vivia...
Quantas vidas se perderam pelo sonho de navegar? Quantas inteligências estiveram a serviço dessa ânsia de viajar, de partir em busca, reinventando o mundo e ampliando as fronteiras do homem?
Intocado e isolado, no meio do Atlântico, um Arquipélago, rodeado de águas transparentes e de intensa vida marinha, aguardava ser visto, descoberto, povoado, entrando na história dos homens, Até que as embarcações, na sua maioria de forma não intencional, foram chegando, descrevendo-o, dando-lhe uma identificação como lugar de “infinitas águas e infinitas árvores”, que merecia ser conhecido.
Os séculos que se passaram viram surgir o avião, rápido e preciso, como meio de comunicação. E o Brasil deixou de desfrutar o encantamento da viagem marítima, do ir e vir tendo o imenso oceano como sua “estrada líquida” de partida e de chegada.
Em 1981 ocorreu a primeira tentativa de inclusão de Fernando de Noronha num roteiro turístico pelo mar, com o navio de passageiros Navarino, num percurso de 14 dias, entre Santos/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Fortaleza/CE, Fernando de Noronha/DF (na época, Território Federal militar) e Recife/PE. As dificuldades operacionais inviabilizaram a continuação dessa atividade, somente retomada em 1990, com o advento do Funchal e sua rota marítima entre Salvador e Fernando de Noronha, parando também nos portos de Maceió/AL, Recife/PE. Foi um sucesso tão grande que, dali em diante, todos os esforços levaram à melhoria do Porto de Santo Antônio, adaptando o molhe iniciado em 1987 para receber turistas, mesmo com o navio não atracando no porto e sim ficando fundeado a certa distância, sendo seus passageiros levados para a ilha principal do arquipélago em embarcações menores e o auxílio de uma plataforma acoplada provisoriamente a ele.
Muitas (e inesquecíveis) embarcações cumpriram essas rotas, sobretudo nos meses de novembro a março/ abril. Outros o fizeram durante quase todo o ano (como o navio Pacific) ou mesmo nos meses de junho a agosto (o lindíssimo navio Vasco da Gama). Todos vieram da Europa e, na sua maioria, com tripulação e comando por portugueses, cercados de muitas nacionalidades, no desempenho das tarefas exi
gidas.
Um após outro tivemos o Funchal, o Vasco da Gama, o Rembrandt, o Blue Dream, o Pacific, o Orient Queen, o Ocean Countess, o Bleu de France e, na temporada 2011/2012, temos o Ocean Dream. Para cada um foi pensada um entretenimento intenso, que tornasse mais e mais prazerosa cada viagem e as alternativas de desembarque em Fernando de Noronha para o desfrute do lazer marítimo (em atividades que permitissem o desbravamento do mar noronhense) e por terra, seguindo as orientações das instituições cuidadoras da preservação insular, como área de Área de Proteção Ambiental e Parque Nacional Marinho., sujeito às normas federais, estaduais e distritais, como garantia de uso dos recursos naturais de forma consciente e voltada para ações preservacionistas.
Agora vive-se a nova temporada. E o interesse dos brasileiros de todos os lugares só se consolida, provando que “navegar é preciso” e que o homem – ao se entregar à essa atividade– rumo a Fernando de Noronha, descobre o quando é bom fazer isso pelo mar (como no passado da ilha), tendo como grande objetivo da maioria dos embarcados “descobrir” aquele paraíso, presente no sonho da grande maioria que se aventura.
















