segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O REPOUSO DERRADEIRO DO PASTOR


De forma definitiva, Dom Helder Camara agora repousa num espaço apropriado, na Igreja da Sé, Catedral do Arcebispado de Olinda e Recife. Próximos a ele, no mesmo altar preparado com zelo e carinho, estão o querido Dom José Lamartine - farol que iluminou os tempos helderianos, lado a lado com o Profeta, ajudando-o, como Bispo Auxiliar, na condução da Arquidiocese – e, mesmo que pareça estranho, foi unânime a decisão de colocar-se ali também - junto ao mestre e pastor - o mártir Padre Antônio Henrique, apóstolo sereno e atuante, militante em prol da juventude consciente e perseguida, dando sua vida pela causa que abraçara, hoje objeto de busca da verdade, nesses tempos de clareza e explicações.

Um momento especial foi preparado e aconteceu no dia de hoje - 27 de agosto - data em que os 13 anos de sua partida foram rememorados. Conduzindo a cerimônia com o carinho de filho, esteve o especial Arcebispo desse tempo de busca da luz, Dom Fernando Saburido, que tudo providenciou, cumprindo o dever de condutor do seu rebanho e “helderólogo” convicto. E abençoou as urnas que guardavam os restos mortais dos três amigos, para que o Dom repousasse no templo onde tantas vezes celebrou – inclusive as inesquecíveis Missas Natalinas – no seu sossego de agora, após o dever cumprido fielmente, ladeado de companheiros de fé e de lutas.

Claro que as lembranças se avolumam... Este homem pequenino, de gestos largos e enorme capacidade de olhar bem longe, antecipando um tempo em que todos seriam felizes, continuará dormindo e seu eterno sono, na sua catedral, junto dos seus dois grandes amigos, e dali vai emanar o vento bom da certeza do céu que ele fez por merecer chegar e de onde continuará nos abençoando a todos, seus devotos verdadeiros.

Olinda tem agora mais um local de veneração e prece. Na Igreja de tantos séculos, dedicada ao Salvador do Mundo, escolhida para tanto desde 1534, fiéis e turistas, gente do povo, anônimos passantes, hão de persignar-se diante daquele altar especial, por que nele – adormecido - está o santo dos nossos dias, o corajoso homem que o mundo acolheu e concedeu honrarias, descansando das fadigas e incompreensões da vida, confabulando com gente que lhe esteve tão próxima – na vida e nos ideais abraçados – que se fizeram dignos dessa partilha de agora.

Abençoados sejam!

sábado, 11 de agosto de 2012

PAI MUITO MAIS DO QUE APENAS AQUELE QUE GERA A VIDA!


Na primeira fase na vida, PAI é sinônimo de certeza:

ele é o herói, vencedor de qualquer batalha;

seus braças são refúgio de agasalho e segurança;

suas mãos conduzem para frente, decididamente...


Depois, crescer é inevitável:

já não é preciso assumir decisões constantes;

nem se faz necessário o abrigo dos braços, agora nem tão grandes;

ou o guiar-se por mãos que vão se assemelhando às nossas...


No filho que cresce, vão crescendo as lembranças

daquele tempo bom de dependência e partilha,

em que ser filho era alcançar o porto das esperanças

e deixar-se ficar, sem temer o mundo lá fora, ameaçador.


No filho que se transforma e torna-se adulto,

a figura do PAI se muda em companheiro, em amigo,

sem deixar de ser - sempre - o modelo, o espelho,

onde os olhos se miram e se sentem agasalhados...


Doce descoberta que a todos espanta...

Feliz encontro na maturidade alcançada,

realização na vida para quem se deixou experimentar

a felicidade de ser filho, pela alegria enorme de ter PAI.

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Que todos possam experimentar isso, em suas vidas,

No limiar das comemorações do DIA DOS PAIS!!!


domingo, 5 de agosto de 2012

ESTE É O DIA DA REDEDICAÇÃO DO CARMO DE OLINDA

Em Vossa Casa, ó Pai, Vos louvamos;
com festas e luzes nós Vos celebramos”!

Hoje e o dia de dar graças, de unir-se a tantos que perseveraram, na luta em favor da restauração e reabertura definitiva da Igreja do Carmo de Olinda, a mais antiga igreja carmelita das Américas, O dia de “voltar para casa”, dessa vez para ficar...

5 de agosto de 2012. Desde cedo, a movimentação pelas ruas dos sítios históricos, precedendo a grande emoção de caminhar em direção ao templo, por tantos anos semi-destruído. Depois, a chegada “em casa”, soberba no alto da colina suave, profusamente iluminada e ornada com flores e cantos. E deu-se a celebração solene da rededicação daquela que é o berço da presença Carmelita no continente americano.

A espera foi longa... Mais de um século da perda do imóvel para União. Décadas de resistência amorosa alimentando o sonho. Força e fé de um punhado de gente de alma carmelitana. Busca da Lei que - vencidas todas as etapas, em todas as instâncias - consolidassem a merecida posse.

E o convento, erguido no século XVI, na antiga ermida de Santo Antônio e São Gonçalo, onde se abrigaram os primeiros frades desembarcados “por acaso” em Pernambuco, naquele distante 1580, desabrocha agora, símbolo do núcleo inicial nesse “Novo-Mundo”, de onde partiram os frades para cristianizar o continente inteiro.

As emoções deste dia nem podem ser descritas, tal foi a força com que se sucederam... Quatro horas inteiras de orações, cantos, incenso, no ritual próprio da solenidade, que depositou relíquias no altar, benzeu-o com o óleo do Crisma, trasladou o Santíssimo Sacramento para o seu lugar de permanência, na lateral do templo – o altar do Crucificado – tendo acima de si, o singelo afresco do Monte Carmelo, por tanto tempo escondido sob camadas de tinta.

Para mim, devota da Virgem do Carmo, integrante daquele grupo cheio de esperanças, que amparou a reabertura da igreja mesmo ainda fora das condições de acolhida, é momento de curvar a cabeça em Ação de Graças, por toda a coragem que nos uniu e impulsionou a seguir adiante; por todos que estiveram conosco e que já se foram, para a morada eterna; por tudo que ansiávamos e acreditávamos que chegaria, um dia.

Hoje é esse dia! De agora em diante, pelo mundo afora, esse monumento olindense terá o destaque merecido, por ser o primeiro da Ordem Carmelita, o deflagrador, o marco inicial de uma aventura religiosa, a casa dos que veneram A Mãe de Deus, sob a invocação de N. Sª do Carmo.

Abençoados sejam todos que tornaram possível tudo isso acontecer!

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Fotos: Jamildo Melo / Maria Luiza Borges

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DIA DO PADRE E DOS PÁROCOS


ENTREGA


Um Amigo te esperava

na curva do teu caminho

e te aguardava, confiante,

sabendo que chegarias.


Um amigo precisava

de teus jovens braços disponíveis

para abrigar a solidão que os homens sentem

e pela qual se desorientam na caminhada.


Este Amigo – o teu Cristo - hoje ao teu lado,

recebeu teu coração ansioso

e habitou dentro dele, em plenitude,

dando-te a força para prosseguir

buscando a coragem para não temeres,

os atropelos do caminho,

a ousadia para continuares andando,

o amor, capaz de fazer de ti

um arauto do Reino de Deus!


Deus te abençoe por isso, PADRE!


(No dia do Padre e do Pároco)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

NO DIA DEDICADO AOS AVÓS


Um dia vieram os filhos...

e a gente se enredou, se entregou,

em meio à algazarra de crianças que cresciam,

alegrias singelas, momentos especiais,

felicidade partilhada e vivida...


E o tempo foi passando.


Os filhos cresceram.

Os ruídos distantes despertavam lembranças.

Já não havia alaridos, brincadeiras,

colo de gente pequenina

para acalmar o choro e aquietar a alma...


E o tempo foi passando.


Um dia, no milagre da vida que se renova,

quase sem aviso, chegaram os NETOS....

Com eles, a lufada de vento novo,

a presença de gente miudinha

bracinhos que traziam ternura ao aconchego dos mais velhos...


Agora, parece que o tempo parou...

Suave milagre faz transbordar o coração.

Ver de novo. Ouvir de novo. Sorrir de novo.

Como um jardim, tudo floresce,

descortina-se um novo caminho,

e a vida passa a fazer sentido mais uma vez...


O tempo continuará a passar, sim.

Mas, na doce trajetória de amor de cada avó/ avó,

os NETOS significam um amanhecer sem fim,

porque, quando eles se acomodam em nossos braços,

o mundo para - e a vida fica cheia de sol!


ABENÇOADOS SEJAM OS NETOS


(Dia dos avós)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

20 de julho - DIA DO AMIGO E DA AMIZADE


RECEITA DE BEM QUERER

No começo,

apenas um olhar desconfiado

e o cumprimento formal,

sem calor, sem comprometimento...

Depois,

o crescente envolvimento,

a procura cada vez mais freqüente,

a descoberta de possibilidades.

o afeto, a emoção de estar junto...

Pronto.

Na suave teia da afeição verdadeira,

o homem se emaranha por completo,

deixando-se envolver no carinho amigo.

E, de repente,

já não há frieza no olhar ansioso,

nem reservas, no abraço acolhedor.

Mais uma vez, no mundo,

desfaz-se a capa da indiferença

dos apegos verdadeiros

e explode a deliciosa forma de querer bem,

única capaz de restaurar,

no coração do homem,

a amplitude dos espaços transcendentes

e levá-lo a sonhar, cheio de esperanças...

Mais uma vez

pode-se chamar de amigo

àquele que tocou o nosso coração,

e a gente descobre como é doce o bem querer!

(do livro meu "Em louvor de amigo" - inédito)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

16 DE JULHO – O DIA DA MÃE DOS CARMELITAS

Todas as lembranças infantis afloram neste dia...

16 de julho – o dia da Mãe dos Carmelitas!


Desde cedo, a soberba Basílica acolhia seus filhos,

sempre profundamente decorada,

sempre povoada dos sons fortes do “Coral de Frei Pio

(o CORAL DO CARMO DE RECIFE,

antes a “Schola Cantorum N. Sª do Carmo”),


O ritual se repetia: missas ao longo do dia,

nos altares laterais e no altar-mor;

a procissão no meio da tarde; a missa de encerramento...

Lá fora, brinquedos atraiam a menina devota,

Ávida por re-descobrir as alegrias dos “cavalinhos”, da “roda-gigante”

e re-experimentar o sabor do algodão-doce, das maçãs-do-amor,..

Festa vivida ano a ano, roupa nova, coração aos saltos,

músicas de sempre, do devocionário carmelitano...


A menina se fez mulher. O amor pela Virgem do Carmo perdurou...


Ali ela disse “sim”, um dia, ao eleito do seu coração:

naquele mesmo suntuoso altar, onde três frades carmelitas

abençoaram o seu momento de escolha...

Ali ela trouxe, um dia, sua pequenita,

para batizá-la no altar da Virgem Peregrina...

Ali ela acompanhou – por décadas – o som que a encantara um dia:

- do Coral do Carmo – onde fez amigos

e onde seu eleito também viria a cantar, para atende-la!


Não há como mensurar esse tempo que vai passando...

Ele é fervor, saudade, compromisso, esperança...

Já não há brinquedos dos tempos de menina...

Tantos que viveram esse tempo e já se foram

estão guardados no coração e reaparecem nas lembranças de hoje.

16 de julho – o dia da Mãe dos Carmelitas!

O dia da minha Mãe, da mãe de todos os cristãos!”

Aleluia!!! Aleluia!!! Aleluia!!!



sábado, 14 de julho de 2012

EU “ADOTEI” UMA AVÓ

Quando minha mãe sugeriu que eu recebesse em casa aquela senhora, fiquei muito preocupada. “Só por uns dias”, insistia ela. “Coitada, está tão doente! Os médicos não lhe dão mais que seis meses de vida...”

Eu conhecia a Sra. T. apenas superficialmente, da igreja do nosso bairro. Era uma mulher bonita, de posses e muito querida por todos. Estava numa situação desesperadora, após ter sofrido um rude golpe: seu enteado morrera tragicamente e, em conseqüência, também seu marido, pai do rapaz que, ao saber da noticiam fora fulminado por um infarto. Tamanha dor a derrubara. Com onze perfurações de úlceras, submetera-se a uma delicada cirurgia. Agora os médicos a desenganavam. Machucada e com uma depressão terrível, fraca e dependente, a Sra. T. autorizara a venda da casa onde tinha sido tão feliz e não tinha para onde ir, pois seus poucos parentes distantes viviam no Sul.

Eu estava casada havia menos de um ano e grávida de oito meses. Como receber alguém como hóspede nessa situação, ainda mais sabendo-a acostumada a confortos que meu marido e eu, ambos professores, não poderíamos lhe proporcionar? Mas fui vencida pelos argumentos de minha mão. Cedi.

Ela chegou num domingo. Alquebrada, magrinha, humilde em sua dor, repetia que “não queria das trabalho” e que ficaria “só por uns tempos”, até resolver o que faria de sua vida, agora sem objetivos.

Uma semana mais tarde era seu aniversário. Faria 61 anos e, por isso, resolvemos fazer-lhe um almoço especial. Eu estava na cozinha com o marido, preparando o peixe, quando entrei em trabalho de parto. Às 12h35 nascia minha primeira filha, Maria Luiza. O almoço acabou não acontecendo. Voltando da maternidade para buscar nossa hóspede, meu marido profetizou: “Sra. T., seu presente de aniversário chegou!”

Curvada sobre o berço, ela olhava encantada minha pequenina. Tinha até receio de pegá-la, tão fraca se sentia. Viemos para casa. E ela fez o primeiro pedido: queria ir ao Banco, buscar suas jóias e dar “um banho de ouro” na menininha, que ela fosse rica quando crescesse, segundo uma tradicional crendice do Sul do Brasil. Cordões, medalhas, anéis e brincos, dentro da banheira, solenizaram aquele momento mágico. Depois dele a Sra. T. passou a alimentar-se cada vez melhor, para ter forças para carregar sua “netinha postiça”, acarinhá-la, levá-la para o banho de sol.

O que se seguiu, a partir daí, foi como um milagre. A mulher fraca foi se fortalecendo. Seu amor materno, latente, jamais experimentado em filhos que não gerou, extravasou-se por inteiro naquele bebê que lhe havia sido “presenteado” numa hora de aparente derrota.

Um ano depois, numa praia de Pernambuco, ela corria pelo coqueiral, levando Maria Luiza pela mão, quando homem parou ao seu lado, incrédulo... Era o cirurgião que a operara e lhe dera seis meses de vida. “Que milagre foi esse, mulher?” O que aconteceu?” Ele lhe perguntou. “Olha aqui o meu remédio”, explicou ela , orgulhosa, apontando para a menina, cheia de amor.

Vieram novas dores para ela. Um outro enteado morto num desastre de avião. Uma outra filha minha, como conforto. Um jovem, filho da antiga empregada, que ela ajudara a criar, foi assassinado. A terceira “netinha” em minha casa. “Para cada dos que Deus me deu você me trouxe o consolo de mais uma neta”, dizia.

Vivemos juntas catorze anos e meio. O ritual de amor diário era sempre comovedor. Preparar os uniformes das meninas, acondicionar o lanche, supervisionar as tarefas escolares, inventar brincadeiras, preparar refeições... Todas as crianças da rua a adoravam e a chamavam de “Vo”. Os jovens e adultos, igualmente. Os amigos, sem exceção, adoraram também aquela amiga linda, culta, serena, que aconselhava cada um e ria das piadas de todos.

No dia do aniversário dela, a cada ano, a dupla festa era formidável! Um bolo com motivos infantis e outro para a avozinha. Cantorias para as duas. Serenata para ela, depois do cansaço dos menores. E os festejos populares, então? Como criavam “alma” nas mãos dela! Milho assado nas fogueiras de São João, noite adentro. Presépios iluminados no Natal. Surpresas escondidas pela casa, na Páscoa. Ambrósia na compota para a noite de Ano Novo. Havaianas, ciganas, baianas para pular no Carnaval. Uma alegria em dar, organizar, envolver-se nos rituais tradicionais do nosso povo...

Nesses anos de convivência, vi adoecer e morrer minha mãe e minha sogra. Para ambas, nenhuma enfermeira teria sido mais amorosa. Em seus ombros abri muitas vezes o coração, desabando problemas pessoais ou profissionais. O mesmo fizeram parentes e amigos. Nossa afinidade se construiu assim, repleta dos risos infantis que nos cercavam. Jamais senti ciúmes. Jamais imaginei que ela quisesse o meu lugar, no coração das meninas ou em minha casa. Eu era a mãe. Havia o pai, os tios e havia a avozinha, doce como um favo de mel, contando histórias, embalando o sono, ajudando cada um.

Milhares de fotos testemunham essa “adoção” que, certamente, foi traçada num outro plano. Instantes aprisionados de um coridiano extremamente rico, gosto, inesquecível.

Quase quinze anos mais tarde ela se foi. Uma meningite hemorrágica a levou. E eu velei, por dez dias, junto ao seu leito de hospital, sentindo a imensa dor daquela perda irreparável. Doei suas roupas para os pobres que viviam por ali, esperando a esmola certa, sempre acompanhada de muito carinho. Encaminhei, por meio dos advogados, seus bens para os parentes herdeiros, distantes. Para minha família ficou o bem imaterial, guardado no coração. Ficaram os exemplos, o riso, a ternura compartilhada – a vida, enfim, plena e maravilhosamente vivida!

Já lá se vão muitos anos... Se decidi partilhar com vocês essa história é porque acredito que o coração “escolhe” os parentes que quer. E mais: quando a gente se dispõe a enfrentar uma situação nova, intrigante, talvez nem se dê conta daquilo que nos espera, nessa estrada que muitos chamam de “destino” mas que eu creio ser parte de um plano Superior, traçado para apontar os rumos de cada vida.

Era uma vez uma avozinha sem netos e sem razão para viver”... Bobagem. Os milagres acontecem, sim. Na minha vida, pelo menos, eles aconteceram porque ela, a “voinha” foi a luz que a iluminou!

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OBS:

Esse texto foi publicado na Revista Cláudia, seção “Minha história”, em julho de 1995. Republicá-lo aqui é uma homenagem aos 30 anos da partida dessa mulher excepcional, que mudou a minha vida e que se chamava Tosca Celli Barbieri, aqui fotografada em diversos momentos...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

JULHO - O MÊS DA VIRGEM DO CARMO

Dentre os seres humanos criados por Deus Maria está em 1º lugar... Nós, cristãos católicos, a veneramos porque Deus a escolheu para ser a mulher que traria o Salvador ao mundo. “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. disse Isabel, ao recebê-la em sua casa...

Essa mulher especial, de mais de mil títulos, é celebrada - no dia 16 de julho - como N. Sª. do Carmo, um nome que vem do século XIII, quando, no Monte Carmelo (que significa Jardim), na Palestina, juntou-se um grupo de eremitas, que queria seguir o exemplo do profeta Elias, num jeito novo de viver que, mais tarde, se estenderia ao mundo. Daí nasceu a comunidade dos "Carmelitas".

Diz a tradição que esses eremitas ergueram uma capela dedicada à Maria que, mais tarde, seria chamada "N. Sª do Carmo" ou "N. Sª do Monte Carmelo". Essa devoção se espalhou pela Europa e, daí, foi levada para todo o continente americano, instalando-se primeiramente em Olinda, onde está a mais antiga casa carmelita das Américas. E a Virgem foi assim louvada em igrejas, lugarejos, capelas, oratórios, como uma prova de como esta devoção saiu dos âmbitos dos conventos carmelitanos e se tornou propriedade do povo, enraizada no coração de todos.

A festa da Padroeira dos Carmelitas foi fortalecida entre 1376 e 1386, comemorando a aprovação da sua regra pelo Papa Honório III. A data foi fixada para o dia 16 de julho, porque é também a data em que - segundo a tradição -, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário, um sinal efetivo de devoção carmelitana.

A ordem carmelita é uma das mais antigas na história da Igreja, Considera o profeta Elias como o seu patriarca. Elias e Maria estão unidos numa narração que se assemelha a uma lenda. Fala de uma visão que mostrou ao profeta a vinda da Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saia da terra e se dirigia para o Monte Carmelo. Perseguidos pelos sarracenos no século XII, os frades se dividiram em dois grupos: os que ficaram ali foram massacrados e o convento incendiado; os que se refugiaram em outros lugares partiram depois para a Europa, onde fundaram conventos. A um desses frades, Simão Stock, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de anjos, segurando nas mãos o escapulário e disse a ele: "Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas". Vem daí a devoção do Escapulário (cujo nome significa “armadura”, “proteção”). O uso do escapulário é um sinal de confiança em Nossa Senhora, para que ela cubra de graças aquele que o usa e o proteja de todos os perigos espirituais e corporais.

Para os recifenses, julho é um mês especial. O novenário começa hoje... Milhares de fiéis acorrem à bela Basílica do Carmo do Recife, para lembrar a “videira florescente” que é Maria! Flores, tapetes, cortinas e tantos outros ornamentos, tornam ainda mais bonito o templo da Padroeira! No ar, o precioso som do CORAL DO CARMO DE RECIFE, com mais de 60 anos de existência, dedicados à Virgem do Carmo, entoando seus louvores, extraindo do Cancioneiro Carmelita as belas e imorredouras canções, a elas somando a privilegiada obra composta pelo saudoso Maestro M. Bezerra, para louvar sua e nossa Mãezinha.

Ó Rainha do céu, flor do Carmelo”, cantou ele na inesquecível “Prece”. E, comovidos nós todos repetimos, essa que é a mais bela prece de toda a criação de Bezerra: “Ó Rainha do céu, flor do Carmelo”,!

Vamos saudar a Virgem do Carmo?

sábado, 30 de junho de 2012

PALAVRAS DO PROFETA


"Só as grandes humilhações

nos levam ao recesso último

de nós mesmos,

lá onde as fontes interiores

nos banham de luz,

de alegria e de paz."


(Dom Helder Camara)


segunda-feira, 25 de junho de 2012

HOUVE UM HOMEM CHAMADO JOÃO


Foste abençoado antes de nascer,

no ventre da tua mãe, João...


Desde aquele momento,

tua missão de precursor pontificava.

Era teu o compromisso de “preparar o caminho

daquele que viria para salvar todos os homens,

em todos os tempos.


E assim aconteceu.

Feliz o ventre que te concebeu,

como um milagre, na velhice da tua mãe, Isabel!

Doce espera vivida por ela, portando em seu ventre

o esperado homem que antecederia a missão do Mestre!


João Batista, humilde e dedicado servo do Senhor,

incapaz de pedir privilégios para si mas inteiramente dedicado

à tarefa maior de anteceder aquele que viria,

carregando a paz e a esperança para um mundo

que parecia perdido...


João Batista, o singelo habitante do deserto,

que se alimentava de mel e frutas silvestres,

e pastoreava rebanhos, enquanto fitava o céu que o escolhera

para ajudar o mundo no caminho da salvação...


João Batista, em tua memória rezamos, confiantemente,

para que o teu exemplo se perpetue

naqueles que acolhem a chamado à missão

e se doam inteiros para cumprir, amorosamente,

o seu dever!


sexta-feira, 22 de junho de 2012

OS PRIMEIROS CONVENTOS FRANCISCANOS NO BRASIL


Recebi, do escritor Antônio Noberto, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, um interessante trabalho sobre o mais antigo convento capuchinho do Brasil – o Convento São Francisco, em São Luiz (le Couvent Saint-François), edificado em 1612 onde hoje se encontra o Seminário Santo Antonio, no Centro da capital maranhense, Quatro capuchinhos acompanhavam Daniel de la Touche naquela viagem: Frei Yves d’Evreux (superior da missão), Frei Claude Abbeville, Frei Ambroise d’Amiens e Frei Arsene de Paris. Mais tarde, em 1613, viriam mais 11 capuchinhos, para viverem nessa casa conventual, construída de taipa de pilão e de pedra “como se fazia na França” tornando-se mais sólida, com o uso posterior de outros materiais construtivos.

Ler sobre isso despertou-me dois desejos:

  • : falar de um outro convento também franciscano, erguido em Olinda, em 1585: o Convento de São Francisco da Ordem dos Frades Menores, o mais antigo do Brasil daquela congregação,
  • : falar sobre Frei Claude d´Abeville, integrante da expedição que se dirigia ao Maranhão mas que, aproximando-se do Brasil, sentiu necessidade de parar em um arquipélago encontrado na sua rota marítima, para se abastecer.

O Convento franciscano de Olinda é muito conhecido pelos devotos de São Francisco e muito visitado pelos turistas que chegam à 1ª capital pernambucana. Erguido numa colina suave, a caminho do Alto da Sé (a Catedral do Arcebispado), no coração do sítio histórico da Cidade Patrimônio Mundial, foi invadido pelos holandeses no século XVII, abandonado à sua própria sorte por muitos anos, reconstruído, ornamentado com azulejos portugueses, preciosas talhas douradas, pinturas que trazem a natureza para enfeitar o interior do conjunto – mostrando folhas e frutos - e figuras de anjos com traços fisionômicos índígenas, entalhados em jacarandá.

Ali nasceu o Mamulengo, expressão criativa de usar-se o boneco feito em mulungu, para a catequese dos índios e escravos, usada pelos franciscanos da primeira hora. Ali vive – desde aquele tempo - a comunidade de Frades Franciscanos Menores, em terras doadas por Dona Maria da Rosa, a 1ª franciscana secular, que fez nascer daquela casa, desde 1577, a mais antiga e Venerável Ordem Terceira Franciscana secular do País, núcleo tradicional de religiosos que chegam até os nossos dias.

Frei Claude d´Abeville, um de dos companheiros de La Touche, conquistador do Maranhão, como seu escrivão na expedição, escreveu uma bela obra: “História da Conquista do Maranhão e Terras Circunvizinhas” e nela incluiu um capítulo “Fernando de Noronha”, no qual descreve o arquipélago com riqueza de expressões e de detalhes, do que seria a esplendorosa natureza que descobriu, ao parar por 15 dias na ilha principal do arquipélago, onde quis deixar plantada a força da fé católica, improvisando uma paliçada sob a qual celebrou a 1ª Missa naquelas paragens. Esse feito é contado também na coleção “História da Igreja no Brasil”, do Pe. Arlindo Rupert, ao referir-se aos frades capuchinhos franceses que andaram pela nossa terra.

Detalhes da uma grande história que se construiu aos poucos, mas que deixou sólidas informações e nos ajudam a resgatar o passado, seja em Pernambuco, seja no Maranhão, com gosto de eternidade!

Imagem: claustro do convento franciscanos de Olinda - o mais antigo do Brasil.


domingo, 17 de junho de 2012

O DESCONHECIMENTO SOBRE FERNANDO DE NORONHA


A história dos homens, em todos os tempos, exerce um enorme fascínio sobre muita gente, pelo que reserva de surpresas, pelas emoções que desperta, pelos segredos que aponta, pela ignorância lamentável da tantos que pode ser preenchida por sabedoria...

No meu caminho em busca das verdades sobre Fernando de Noronha, tenho vivido momentos preciosos de descobertas e, reconhecendo o quanto o foi o arquipélago relegado ao ostracismo, na grande História do Brasil, a vontade é sempre de propagar descobertas, falar sobre elas de todos as formas possíveis, elucidando momentos de beleza, de dor e de glória, ali experimentados.

Gente de muitos lugares vem em busca de dados ou de confirmações, no seu envolvimento pessoal com esse ou aquele tema... E, para mim, contribuir para esclarecer esse passado que me propus a descobrir estabelecem-se laços fortes, que se continuam quando a curiosidade foi satisfeita e aquele que se sentiu amparado na sua sede de saber sentiu-se saciado.

As buscas são as mais diferentes possíveis... Alguém me busca porque pesquisa a presença dos integralistas no arquipélago, no difícil período do Presídio Político oficial (1938/1942): e apresso-me a enviar fotos e informações disponibilizadas pelo “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”, proposta onde deposito meu saber noronhense e, em parte, consolidado nos livros que escrevi sobre o tema. Outro viveu na Ilha Grande, como familiar de um preso político ali confinado e, à procura de dados daqueles outros presos que vieram “da ilha”, inicia-se uma troca fantástica de conhecimentos, enriquecendo o conteúdo já tão diversificado do programa. Outro descende de um militar que serviu ali, no “Destacamento Misto da II Guerra Mundial”... E dessa troca surgem imagens expressivas das peças (canhões) levados para lá, que mostram a implantação do “sistema de defesa do século XX”, considerado necessário como armamento bélico mas que danificou os seculares caminhos em pedra, deixando marcas visíveis até hoje...

E assim tem sido... É da soma de cada contribuição, de cada foto doada, de cada “pedaço” dessa história de cinco séculos que um programa de resgate se alimenta. E conta sempre com a boa vontade dos inúmeros doadores, dispostos a abrirem mão de umas poucas heranças recebidas de seus antepassados para explicar um presente cada vez mais necessitado de atenção.

E, ainda neste ano de 2012, parte desse saber, desses “presentes” recebidos de muitos e da persistência na procura e organização desses bens inestimáveis, renascerá – em Fernando de Noronha – o MEMORIAL NORONHENSE / Espaço Cultural Américo Vespúcio - apresentando e disponibilizando - aos ilhéus e a cada visitante – a saga de um espaço insular de natureza exuberante e de uma história riquíssima, com muito ainda a descobrir-se!

Abençoado seja esse tempo que chega!!!