domingo, 13 de fevereiro de 2011

O ARCEBISPO DE OLINDA E RECIFE VOLTA A CELEBRAR NA SÉ


Principal igreja do Arcebispado de Olinda e Recife, a Sé de Olinda, Catedral metropolitana, vai voltar a ser o local de celebração dominical do seu pastor, sempre às 9h da manhã.

No passado, celebrações na Sé de Olinda eram uma constante, sobretudo os momentos especiais do calendário litúrgico. E o belo templo, emoldurado por uma paisagem de sonho, ganhava ares ainda mais solenes pelos ritos que se seguiam, pelas procissões que convergiam para ela ou dela partiam, trazendo seminaristas, membros de irmandades, confrarias e ordens seculares.

Com o tempo, as missas na Sé foram rareando, limitando-se a deixar-se ver repleta de fiéis em umas poucas celebrações oficiais. Claro, a visitação é que continuou a ser diária...

Agora, renasce o desejo de ver-se essa igreja acolher a muitos, nas manhãs de Olinda, para acompanhar o Arcebispo Dom Fernando Saburido, tão cordial, no seu jeito tranquilo de ser... Que bom que isso vai ocorrer, a partir do Domingo da Páscoa, neste ano de 2011, retomando um costume bem-vindo e permitindo que todos rezem diante dos elementos decorativos que ornamentam o templo e do singelo túmulo onde repousa Dom Helder Camara, o inesquecível pastor de todos nós...

Não esqueçam: será após o Domingo de Pascoa! Aleluia!



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NO "DIA MUNDIAL DO ENFERMO"


Existem dores que não são visíveis,
males inconfessados,
sofrimentos heroicamente suportados...
Existem sequelas não superadas,
abalos secretos silenciosos,
desesperos calados na alma...

Mas existem, também,
mãos que oferecem ajuda,
sorrisos que funcionam como bálsamos,
palavras oportunas e necessárias
que podem restaurar
a esperança no coração...

E só o homem,
diante de um outro homem que sofre,
pode ser capaz de restabelecer a confiança,
reerguer quem já nem consegue crer,
acolher o que precisa de ajuda,
ser um arauto da PAZ.

Que sejamos todos,
diante de um doente,
aquele que auxilia,
que se dedica,
que faz o impossível
para que ele seja feliz,
apesar de tudo!


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

NO DIA DO ANIVERSÁRIO DO DOM



07 de fevereiro de 1909. Uma data especial para o Ceará, para o Brasil, para o mundo! Nascia, nesse dia, um predestinado: DOM HELDER CAMARA.

Penúltimo filho de uma família numerosa, aquele cearencizinho foi chamado - por iniciativa do seu pai - de HELDER, nome de uma fortificação na Holanda; nome que significa "céu claro", "claridade". E ele vinha ara ser LUZ, para clarear caminhos, para arrastar seguidores por onde passasse, cativados todos pela sua voz, pelo seu saber, pelo seu profundo amor a Deus e aos homens.

102 anos se passaram... A onze anos ele nos deixou órfãos... Sua trajetória se fez entre aplausos e repulsas, entre gente que o amava completamente e os que procuravam nele o mal, a dúvida, o engano.

102 anos completam-se hoje que um profeta chegou a este mundo e fez da PAZ e da JUSTIÇA as bandeiras pelas quais lutaria!

Hoje, no dia do aniversário do seu nascimento, olhamos tudo aquilo que ele nos deixou e fazemos - baixinho - uma prece: "Dom Helder, abençoa a nossa vida e nos faz melhores, mais empenhados em defender as causas que defendeste, como arauto do Deus a quem amaste tanto"

"São" Helder, roga por nós! Amém!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

À PROCURA DO PASSADO NORONHENSE



As evidências construtivas em Fernando de Noronha apontam para um passado de vilas e de fortes erguidos no século XVIII, entrelaçados por caminhos que interligavam cada um dos espaços construídos.

O tempo, o abandono dos homens e o uso por vezes indevido e diverso desses lugares fez com o aspecto urbano fosse sendo descaracterizado e arruinado, chegando-se aos nossos dias com um grande número de informações sepultadas embaixo de escombros ou de construções novas.

Agora, com recursos do PRODETUR 2, está em curso - na ilha - um trabalho arqueológico com vistas a buscar - no chão de alguns espaços - respostas àquilo que os escritos apontam e as fotos antigas revelam, tratando -se paisagisticamente o Arquipélago e evidenciando-se e/ou revitalzando-se o que de significativo for sendo identificado.

O trabalho vem sendo conduzido pelo Prof. Marcos Albuquerque, da UFPE e sua equipe, com o acompanhamento local da arqueóloga Miriam Cazzeta, da ADFN. E, o mais interessante, é saber que tudo vem sendo acompanhado por crianças e jovens, alunos todos da Escola Arquipélago, como aporte da disciplina Educação Patrimonial.

Certamente esses alunos estão vivendo um momento raro, no seu aprendizado e na sua "
noronhensização", descobrindo um passado que não viveram e respeitando tudo aquilo que for sendo interiorizando e/ou expressado das formas mais diversas.

Palmas para todos que disso participam!

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Foto 01 - acervo original: Relatório de Vitório Caneppa, 1938.
Foto 02 - acervo original: arqueóloga Miriam Cazzetta, 2010

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CRIADO O CENTRO DE INFORMAÇÃO DOM HELDER CAMARA



A iniciativa foi tomada no Rio de Janeiro, pelos que fazem a Paróquia dos Santos Anjos, no Leblon: criou-se o "CENTRO DE INFORMAÇÃO DOM HELDER CAMARA", dando início à série dos "Grandes Personagens da História do Brasil" naquele local.


Essa paróquia se situa na área onde de implantou - em 1955 - a Cruzada São Sebastião, um conjunto habitacional no bairro do Leblon, zona sul da cidade, por iniciativa do então Bispo Auxiliar do Rio e Secretário Geral da CNBB, Dom Helder Camara, agora homenageado - com justiça - nesse museu que se inicia.


Inaugurado no dia 15 deste mês de janeiro, o Museu é um espaço educativo, equipado para servir à comunidade e tem, na sua entrada, um bonito painel pintado com a imagem de Dom Helder, realizador do ambicioso projeto de erradicar, naquela época, em dez anos, as 150 favelas então existentes na cidade do Rio de Janeiro.


Quem visita a paróquia percebe, claramente, a imensa devoção dos que ali vivem, pela figura carismática daquele profeta do século XX... Todas as iniciativas tomadas carregam a marca daquele visionario, que sonhou uma terra sem miséria, que desse ao pobre a possibiildade de viver bem, num ambiente limpo e urbanizado, uma espécie de "plano piloto" que chegasse a alcançar a meta traçada por ele de acabar, em dez anos, com as favelas da cidade, naquele tempo.


Seus primeiros moradores vieram da favela vizinha, na Praia do Pinto, que foi incendiada. Um conjunto de dez prédios, com 945 apartamentos foi financiado num prazo de 15 anos e lá está ele até hoje, sendo uma das mais importantes ações concretas para dar dignidade ao pobre favelado.


Abençoado pelo Padre Marcos Belisário, pároco dos Santos Anjos e estudioso da vida de Dom Helder, o Museu - Centro de Informações Dom Helder Camara contou, na sua inauguração, com a presença dos moradores mais antigos da Cruzada São Sebastião e com autoridades e colaboradores que se empenharam para que a obra existisse... Seu objetivo maior é facilitar a integração da Cruzada com o resto do bairro, desfazendo o seu estigma de "gueto" e resguardando os ideais de Dom Helder, meio século depois que ele viveu ali e tornou seu sonho uma realidade. É um núcleo de referência sobre a história do Brasil, com um espaço virtual interativo de informações e pesquisas, através de biografias de personalidaeds importantes de todo o País.


Os usuários poderão interagir através do site www.museudacruzada.com.br e o banco de dados será alimentado pelos pesquisadores do Museu, pelo público e por internautas de todo o Brasil.


Bem-vindos todos à lembrança de Dom Helder, imortalizado em uma grande iniciativa carioca!

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Foto 1 - Paróquia dos Santos Anjos
Foto 2 - Painel com a imagem de Dom Helder na entrada do Museu

domingo, 16 de janeiro de 2011

ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE TEM MAIS UMA BASÍLICA



Mais um santuário da Arquidiocese de Olinda e Recife recebe o título de "Basílica Menor", concedido pelo Papa Bento XVI: a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos do Recife. A proclamação dessa honraria foi feita hoje, dia 16 de janeiro, em celebração especial, naquele santuário, presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido.

Esse honroso título já foi dado nesta Arquidiocese a quatro outros templos, sempre reconhecendo-se o destaque de cada uma dessas Basílicas, tanto pela sua arquitetura, como um bem cultural de grande valor, como pelos trabalhos desenvolvidos nas suas comunidades.

No Recife, estão a Basílica da Penha e a Basílica do Carmo, ambas no centro da cidade. Em Jaboatão dos Guararapes está a Basílica de N.Sª Auxiliadora, da Colônia dos padres salesianos daquele município. Em Olinda está a Basílica de São Bento, do Mosteiro beneditino, situado no sítio histórico olindense. A esses se vem juntar mais um espaço cultural de grande beleza, ligando-o diretamente ao Vaticano, como acontece com todos os outros já elevados à essa honra.

A solicitação foi feita por Dom Fernando Saburido em 2010, em documento também assinado pelo Reitor da igreja salesiana, Dom Edvaldo Amaral, Arceebispo Emérito de Maceió/AL e até pouco tempo Delegado Eclesiástico de Fernando de Noronha. Padres e fieis frequentadores da igreja referendaram a solicitação, tendo a aprovação ocorrido em outubro do ano passado e agora sido concretizada, com a proclamação feita no dia de hoje.

A Basílica do Sagrado Coração de Jesus está situada no espaço ocupado pela Ordem Salesiana, no bairro da Boa Vista, vizinha ao Colégio Salesiano do Sagrado Coração e à Faculdade Salesiana do Nordeste - FASNE. Comporta cerca de mil pessoas e é um espaço muito procurado pelos recifenses para grande solenidades.

Ela e as demais Basílicas da AOR são filiadas à às quatro Basílicas maiores - São Pedro, São Paulo, São João de Latrão e Santa Maria Maior - situadas em Roma/ Italia.

A Igreja, em Pernambuco, está de parabéns!
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Foto 1: Basílica do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos
Foto 2: Dom Edvaldo Amaral, Reitor da Basílica

PALAVRAS DO PROFETA


PACIÊNCIA

"Tem paciência conosco, Senhor!
Perdoa se, de quando em vez
- mau grado meu -,
a tristeza sombrear meu rosto.
O próprio céu não consegue manter alegria perene...
Quantas vezes, de dia, se nubla o sol!
Quantas vezes, de noite, as estrelas se apagam!"
(Dom Helder Camara)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LEMBRANDO MALBA TAHAN


O vitorioso evento "Festa Literária Internacional de Pernambuco - FLIPORTO", no seu importante espaço "FLIPORTO-CRIANÇA 2011", homenageará uma figura quase lendária dentre os brasileiros: o professor e escritor MALBA TAHAN.

Ninguém, nenhum estudante dos anos cinquenta, sessenta, resistia à enorme curiosidade de ler "O Homem que Calculava". E todos acabavam fascinados, após a leitura, com a genial capacidade para a Matemática evidenciada no livro, nascido do cérebro privilegiado do escritor árabe Malba Tahan. Pasmo maior era sabê-lo brasileiríssimo, escondido pelo arguto e inteligente olhar do Prof. Júlio César de Mello e Souza, considerado o maior divulgador da "Ciência dos números", com mais de cem livros publicados e um fascinante contador de histórias verdadeiras ou inventadas.

Nascido no Rio de Janeiro, em 6 de maio de 1895, Júlio César viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz, retornando ao Rio em 1905 para estudar. Cursou Engenharia Civil. Tornou-se professor de várias discipllinas, inclusive - e principalmente - de Matemática. Aos poucos, sua obra fantástica foi surgindo: fábulas, lendas antigas, romances, com dados matemáticos, em enredos quase sempre passados no Oriente e publicados com o pseudônimo "Malba Tahan". Como educador atuou em escolas conceituadas e ministrou cursos e treinamentos para educadoras e estudantes de magistério (as "professorinhas dos cursos primários"), treinando-as na difícil arte de contar histórias. E foi assim que morreu, no Recife, em 18 de junho de 1974, no Hotel Boa Viagem, aos 79 anos, quando iniciava uma capacitação para docentes da rede estadual de educação.

Lembro-me, fascinada, daquela figura veneranda, no auditório do Centro Interescolar Almirante Soares Dutra, naquele dia... Custava crer que um homem com quase 80 anos pudesse encantar daquela forma uma platéia jovem, presente no curso "A Arte de Contar Histórias"... Ao longo de um período de trabalho, incansável, todo tempo de pé, com seu jaleco branco quase até os joelhos e um grande apontador de madeira (que lhe ampliava os movimentos), Malba Tahan despediu-se da vida do jeito que sempre viveu: lecionando e divertindo sua exigente assembléia. Eu coordenava aquele curso. Coube-me acompanhá-lo, no fim da tarde, ao então Secretário de Educação de Pernambuco, Cel. Costa Cavalcanti e assistir à entrevista dada aos jornais locais, contagiada pelo seu fascínio diante da vida, seu bom humor, sua juventude escondida nas rugas do seu rosto que desafiavam os anos...

Perto das 19h deixei-o no hotel, em Boa Viagem. Uma despedida fraterna, da educadora diante do seu ídolo-professor. Eu não sabia que seria a última a estar com ele em vida... Naquela madrugada seu coração o traiu. E atônitos. todos nós, os que acorreram na manhã seguinte para a segunda aula do curso, choramos a perda do mestre inigualável!

Sua obra ficou. Muitos dos seus livros foram traduzidos em diversos países. O saber pedagógico estava a salvo naquilo que ele deixou, dismistificando a "vilã" das escolas (como a Matemática costuma ser encarada pela maioria esmagadora dos estudantes), na saborosa obra que produziu, instigando a imaginação de crianças, jovens e adultos, com textos de ficção, de folclore, de tantas e tantas nuances.

O escritor de nome fictício, tão famoso ao seu tempo, foi um dos primeiros a ter impresso, na sua Carteira de Identidade, o ilustre pseudônimo que assinava na maioria de seus livros, por permissão do presidente Getúlio Vargas. E o dia do seu nascimento - 6 de maio - foi escolhido como o "Dia do Matemático", pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em muito boa hora, pois, prepara-se a homenagem a ele na FLIPORTO-CRIANÇA 2011, que trará de volta o inesquecível MALBA TAHAN, mestre das palavras, dos números e dos gestos, para a alegria das crianças de agora e a saudade dos jovens que fomos um dia!

sábado, 8 de janeiro de 2011

REZAR NO POR-DO-SOL NORONHENSE...



O convite é tentador: participar de uma Missa diante da pequena capelinha de São Pedro dos Pescadores, em Fernando de Noronha, cercado por paisagens deslumbrantes, deixando-se envolver pela magia do por-do-sol...

Quando a celebração começa, turistas desavisados que por ali caminham param, aproximam-se e, quase sempre, deixam-se ficar, sentindo que ali a presença de Deus é clara e definitiva.

Aos poucos, o sol vai se tingindo de cores as mais diversas o mar a tudo rodeia... Os rochedos e ilhotas secundárias tão próximas e, ao mesmo tempo, tão inacessíveis, compõem o cenário que se vai tingindo de escuros, até que o sol desaparece no horizonte... É inesquecível!

Isso é a mais nova maneira de orar-se em Fernando de Noronha. Todos os dias úteis da semana, às 17h, o ritual se repete. E é sempre surpreendente!

A capela - no alto do morro - próxima à região da Air France, visível de muitos lugares (sobretudo nos passeios de barco) é um encanto! Ao seu redor o mar-de-fora (de um lado da ilha) e o mar-de-dentro (no lado contrário)... E a beleza que entra no coração, devagarinho, sobretudo quando esse lugar é o altar onde se pode agradecer a magia de estar ali e reencontrar-se com o Pai...

Fica o convite: venha rezar no final do dia diante da beleza em plenitude!

Fernando de Noronha espera...






sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

QUEM DERA, SENHOR...


QUEM DERA, SENHOR:

Que a vida continuasse a reservar aos homens surpresas constantes,
tornando-os mais receptivos à chegada das alegrias de cada dia,
gratuitamente nascidas do Teu Amor e da Tua Misericórdia...

Que a paz fosse o fruto de uma busca permanente,
insistentemente perseguida, como uma meta,
possível de ser atingida, quando se deseja muito construí-la...

Que os sonhos servissem de suporte para cada um,
anumando-nos a lutar pelo que se almeja e, assim,
sermos alimentados pela força que trazem à nossa alma...

Que o bem prevalecesse, mesmo em meio a tantas dificuldades,
tornando os seres humanos mais dóceis, mais tolerantes
e mais corajosos, na luta em favor dos irmãos...

Que a esperança reacendesse nos corações de tantos,
na antevisão de dias felizes e plenos de graças,
miragem accessível, para onde caminharíamos cantando...

Que fôssemos mais compreensivos, uns com os outros,
consolidando em nós o entendimento e a aproximação
para, assim, melhorarmos tudo ao nosso redor...

QUEM DERA, SENHOR,
crer mais no amor e na razão dele existir em nós;
trilhar os ansiados caminhos da amizade verdadeira,
tesouro fundamental para a salvação das vidas,
por mais complicadas que possam parecer...

QUEM DERA, SENHOR:
que 2011 nos encontrasse assim!!!
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(no limiar do Ano Novo, em 2010)


domingo, 26 de dezembro de 2010

NAQUELA NOITE ESPECIAL...


O Menino acabara de nascer.
Ruídos vinham de longe
e se aproximavam, para anunciar
a chegada de pastores curiosos
e animais inesperados.

A noite se agigantava.
No céu, brilhava a estrela andarinha
que partira, solitária e apressada,
para chamar os estrangeiros
que viriam da noite sem fim para adorá-Lo.

Em nada aquela noite era diferente de outras,
a não ser no segredo daquele estábulo,
daquela manjedoura singela,
daquele homem e daquela mulher
que velavam o sono do Menino.

Ali, na paz dos campos escuros,
o céu resplandecia, de repente,
inaugurando o novo tempo esperado
para a salvação dos homens
de todos os tempos, até nós...

Era o primeiro Natal.
Era a promessa que se cumpria,
Era o desejo de paz que os anjos entoavam.
Era a redenção e o resgate das culpas
que carregavam os que ali estavam
... e os que haveriam de vir,
pelos séculos sem fim,
como eu, como você, como todos.

Abençoado Natal que repetimos,
sempre, sempre, como a lembrar
que ainda há chance de salvar-se a PAZ,
quando ela brota do nosso coração
e se faz oferenda de amor
... para mim, para você, para os
"homens de boa vontade",
para todos. Amém.

(No Natal de 2010)


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O MAIOR PRESÉPIO DO MUNDO ESTÁ EM OLINDA


É o segundo ano da experiência: em Olinda, a tradição de bonecos - pequenos (mamulengos) e grandes - transformam-se em figuras bíblicas, agigantadas, compondo um cenário surrealista no Morro do Carmo, rodeando a mais antiga igreja carmelita das Américas: a Igreja do Carmo de Olinda,

Como um passe de mágica, as cenas dão vida a momentos narrados na Bíblia, cercados da luz cenográfica que lhe concede uma a aparência e sonho e atrai multidões, envolvidos todos nessa beleza e nessa tradução natalina com a marca registrada da Cidade Capital da Cultura.

Nada ali é pequeno. Na ousadia das peças enormes, está o diferencial tão apreciado, na sua primeira aparição, em 2009, que se repete e se amplia para mostrar 140 figuras, algumas com a té 8m de tamanho, num conjunto repleto de grandeza e encanto!

Diante dele, famílias inteiras passeiam... Crianças deliciam-se na identificação do que contemplam. A música invade o ar, com tradicionais canções de Natal e música clássica, entremeada, por vezes, com jornadas de pastoril ou do cancioneiro popular. Uma deliciosa mistura de sons que levam longe a som do tempo natalino que se vive.

Até o "Dia de Reis", em 06 de janeiro, o PRESÉPIO GIGANTE" estará lá, para o deleite de todos, nascido da criatividade de um extraordinário artista: Fernando Augusto Gonçalves e sua equipe "SÓ-RISO". E como vale a pena correr para vê-lo, rezar diante dele, captar imagens incríveis, reviver um tempo olindense cheio de ternura e felicidade, que parecia ter-se acabado!

Venha. Não perca. Você pode estar diante de um empreendimento que recebeu o apoio oficial da Prefeitura Municipal e que é, por si só, talvez a mais bela manifestação de ARTE, no Natal de 2010...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


COMO PODE?

Contemplando um presépio com a imagem do Menino Deus
nos questionamos:
Como pode o finito
abraçar o Infinito?
Como pode o relativo
absorver o Absoluto?
Como pode o imperfeito
ser servido pelo Perfeito?

O melhor é perguntar
a quem acendeu na criatura humana
fome e sede de transcendência...
Nossos limites não nos seguiram.
Rebentamos o que nos amarra.
Na aparência,
nossos alimentos são perecíveis
- mas o que, de fato, nos permite
caminhar entre as estrelas
são alimentos divinos
como a verdade, a beleza e o bem,
e, por incrível que pareça,
o Corpo e o Sangue
do próprio Filho de Deus!

(Dom Helder Camara, no livro "Um olhar sobre a Cidade", Paulus, 1995)

domingo, 5 de dezembro de 2010

CENTENÁRIA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Texto de minha autoria, lido nas festividades dos 100 anos da Arquidiocese de Olinda e Recife, em 05/12/2010, pelos jornalistas Francisco José e Beatriz Castro, em praça pública,
precedendo o início da celebração.

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Olhar Olinda, plantada entre verdes colinas, torres de igrejas e mar que se oferece como um refrigério para os olhos é sempre uma ocasião de louvação e deleite. Da "linda situação para erguer-se uma vila" à ação, e aqueles ermos foram sendo povoados, pouco a pouco, sob a inspiração e a fé no Salvador do Mundo, seu padroeiro.

Nem o criminoso incêncio holandês de 1631 apagou o seu brilho! Ferida em seus flancos, arruinada em seus bens culturais edificados, ela resistiu, deixou-se abandonar, restou lá, no alto que tanto encantara o donatário, desde 1535, para voltar a receber honrarias após a expulsão do invasor, em 1654, ganhando o foro de cidade em 16 de novembro de 1676, com a criação da DIOCESE DE OLINDA, pela bula papal "Ad sacram Beatri Petri Sedan", e a determinação de ser a Sé a sua Catedral.

Restabelecia-se um tempo de esplendor e glória, ainda que a opulenta Vila estivesse ferida no seu abandono. A elevação da Sé a Catedral do Bispado que surgia, com seu Corpo Capitular, só poderia ser mesmo naquela igreja, designada como primeira Paróquia do Salvador do Mundo em 1534, antes mesmo que Duarte Coelho viesse tomar posse de sua Capitania. E sua primitiva construção, feita de taipa de mão e madeira, era testemunha da intenção de cristianizar-se as terras de Brasil.

Agora, tantos anos depois, Olinda não está mais sozinha na identificação comemorativa. Ela cresceu. Os séculos viram essa Diocese ser transformada em Arquidiocese e Sede Metropolitana, pelo Decreto da Sagrada Congregação Consistorial, em 05 de dezembro de 1910 - data centenária que comemoramos no dia de hoje - e, mais tarde, pela Bula "Com Urbs Recife", do Papa Bento XV, de 25/07/1019, passou a denominar-se ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE.

É essa data - 05 de dezembro de 2010 - que aqui se rememora, vivendo esse centenário que nos orgulha e engrandece!

Saudemos essa Olinda, mãe e matriz do Nordeste do Brasil!

Saudemos esse Recife onde estamos, Capital cosmopolita dessa parte do País, também plantado à sombra da Cruz!

Saudemos essa Arquidiocese centenária, que acolheu tantos santos e fervorosos Bispos e Arcebispos!

Saudemos suas Dioceses sufragâneas, espalhadas pelo Estado: Palmares e Nazaré - na Zona da Mata; Caruaru, Garanhuns e Pesqueira - na Zona do Agreste. Afogados da Ingazeira, Floresta, Salgueiro e Petrolina, - no Sertão, filhas todas de um mesmo tronco quatro vezes centenário!

Saudemos Olinda e Recife, irmãos na titulação arquidiocesana!

Saudemos os tempos novos, que consolidaram a vocação primeira da antiga Capitania, razão de orgulhe e de veneração por todos!

Parabéns, Arquidiocese de Olinda e Recife!!!

sábado, 4 de dezembro de 2010

UMA ANTIGA PARÓDIA PARA FERNANDO DE NORONHA


Faz muito tempo que um poema em louvor a Fernando de Noronha vem sendo aprendido, cantado, lembrado por muitos que visitam o Arquipélago e até mesmo por grande parte dos que aí residem.

No começo, era quase uma brincadeira... Havia uma canção linda, cantada em todo o Brasil: "Pombo Correio", criada por Dodó, Osmar e Moraes Moreira. Havia um costume de usar-se a paródia na escola como um recurso didático. E numa dessas adaptação, para favorecer a memorização de conteúdos pedagógicos, professores em capacitação foram desafiados a criarem textos que pudessem ser cantados e, dessa forma, memorizados de forma prazerosa. Nasceu ali o texto VIAGEM A NORONHA, cantando a beleza e a descoberta do espaço insular, na melodia baiana. Nunca mais deixou de ser apreciada... Acabou por ser eternizada no seu registro, como poema, no 10º Capítulo do livro "FERNANDO DE NORONHA - CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA", lançado em 2007.

E seguiu seu curso, encantando a muitos, repetida por todos que um dia a ouviram, na voz da sua criadora ou por outros tantos presos ao encantamento inicial. Até que, neste novembro de 2010 que se acabou, Moraes Moreira veio ao Pernambuco, na comemoração dos seus 40 anos de carreira... E a chance não poderia ser perdida. Corajosamente, diante do artista, no seu camarim, ele conheceu aquela "letra" diferente, que enaltecia um lugar especial, que ele ainda nem conhece, usando a melodia da canção que gravou há tanto tempo...

O histórico momento está aqui registrado. A autorização dele para que "Viagem a Noronha" continuasse seu curso de despertar emoçóes foi dada. Coração saciado, sai do Teatro Guararapes de coração leve e a certeza do dever cumprido.

Agora posso cantar minha paródia por aí, de espírito desarmado e a alma em festa! Afinal, tudo o que ela quer é falar desse "pedacinho de terra muito verde, aparentemente perdida em lindos tons de azul"!

E eis a letra que tantas alegrias já despertou:

VIAGEM A NORONHA
Música: Dodó / Osmar / Moraes Moreira
Letra: Marieta Borges

01 - Chegue em Noronha e vá, de barco, ver os golfinhos a brincar no meio do mar... Mergulhe fundo nesse azul inesperado; se entregue ao sol que vai, depressa, todo o seu corpo dourar. Suba ligeiro ao Forte dos Remédios para, de lá, ver a beleza ao seu redor: pedras enormes, praias sem fim, a natureza em todo esplendor!

02 - Chegue em Noronha e, em Atalaia, por sobre pedras veja um "frade" a rezar... Arrisque tudo num passeio ao Sueste; junto ao "chapéu", o aratu você bem pode contemplar... Desça ao Sancho, cansado e disposto. Enfrente as ondas altas, lindas do Boldró. Suba ao Francês: veja de lá a terra linda como Deus criou!

03 - Chegue em Noronha e veja, em toda parte, o importante Pico a ilha dominar... Sinta as delícias do Cachorro ou de Italcable. Experimente, lá do Porto, ver o dia clarear. Enfrente as ondas e vá ver a Sapata. Não se espante se avistar um tubarão. Veja a Rata, Sela Gineta, Baía dos Porcos: uma tentação!

04 - Chegue em Noronha e, na Vila dos Remédios, veja a Igreja de história secular... Vá ao Palácio São Miguel e veja, em frente, entre canhões um monumento com a esfera armilar. Vá à Quixaba pra ver a Capelinha e, nas Pousadas, pare para descansar. Num bar da Vila mate sua sede. Vá ao Buraco da Raquel, olhar!

05 - Chegue em Noronha e pegue um cação sem nenhum medo lá na Praia do Leão... Vá caminhando até a Cacimba do Padre: veja de perto as pedras gêmeas: o Morro dos Dois Irmãos. Em noite escura, com um facho pela praia, apanhe agulha até mesmo com a mão e, para sempre, em sua vida, leve Noronha no seu coração!