sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A IGREJA E O CARNAVAL DE OLINDA ESTÃO DE LUTO


Certas perdas são irreparáveis... Sobretudo, quando aqueles que se vão não deixam seguidores, quando o saber fica nos frutos que "nasceram", daquelas mãos, daquela alma, daquele dom.

Esse é o sentimento que predomina no coração de muitos, ao prantearem MARIA DO MONTE MARQUES BURITY, a talentosa e singela bordadeira de Olinda, que fez do seu ofício um exercício de beleza, criando as mais belas peças litúrgicas, os mais característicos estandartes de Carmaval, os mais rebuscados mantos para imagens de procissão...

Foram inúmeros clubes, troças e blocos, de Olinda, do Recife, de Vitória de Santo Antão e de outras localidades que se entregaram à folia momesca precedido do seu marcante estandarte ricamente bordado por ela... Foram muitas as irmandades, congregações religiosas que quiseram-na ter como autora dos suntuosos mantos dos seus padroeiros, das imagens significativas que guardariam no interior das suas igrejas ou nos andores percorrendo as ruas, nas festas marcantes.

MARIA DO MONTE foi considerada "um patrimônio vivo de Olinda", ao tempo do Prefeito Germano Coelho, ao lado de outros ícones olindenses, como o Mestre Salustiano, o artífice Julião das Máscaras, o compositor Alex Caldas (autor do Hino de Pitombeira) e outros diversificados artistas, importantíssimos para a Cidade Monumento Nacional e Patrimônio Cultural da Humanidade... E foi a homenageada do Carnaval da cidade em 1990.

MARIA DO MONTE usou suas mãos abençoadas para trançar delicados fios de ouro e de prata, dando forma à beleza sobre tecido. E fez desse ofício uma missão, dedicando-se ao ensino profissional e às especiais encomendas dessas peças durante toda a vida...

MARIA DO MONTE viveu o franciscanismo como leiga consagrada, da Ordem Terceira de Olinda, espalhando a PAZ e o BEM como queria o "pobrezinho de Assis"...

MARIA DO MONTE vai deixar saudade. Ah! Como vai!

E nós todos, que vivemos o privilegio de conviver com ela, vamos "senti-la" pairando pelas ruas e pelos templos, cada vez que uma manifestação religiosa católica ou um clarim carnavalesco trouxerem o eco dos tempos em que era dela a manifestação primeira de cada momento cultural e religioso.

Tomara que o processo de reconhecê-la como PATRIMÔNIO VIVO DE PERNAMBUCO não pare, não se interrompa e sim ganhe mais força, diginificando-a com o título in memoriam, por merecimento e por reconhecimento de todos, sobretudo do Governador de Pernambuco!

Ela merece isso! Pernambuco, também!


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