quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FERNANDO DE NORONHA MAIS UMA VEZ ÁREA DE DEFESA NACIONAL

Está em curso uma grande movimentação naval que implantará, no Brasil, um sistema grandioso. que funcionará como um grande centro de operações. Radares de longo alcance deverão ser instalados no litoral, em pontos diversos, como parte do planejamento estratégico pensado e um deles será implantado em Fernando de Noronha, como o serão também na área do “Cabo Calcanhar” (próximo a Natal/RN, na Bacia de Campos, na Bacia de Santos e na fronteira marítima sul.

Isto é anunciado na Imprensa como o megaempreendimento que integra o planejamento da Estratégia Nacional de Defesa do País e que vem sendo expandido pouco a pouco, iniciado com a montagem de esquadras da Marinha em pontos estratégicos, sendo a primeira dessas no Rio de Janeiro e a segunda prevista para ter como base às águas da Ponta da Espera, na Baía de São Marcos, em São Luís/MA.

Não é de hoje que o Arquipélago noronhense é incluído como ponto importante no rastreamento e defesa do litoral, tendo sido, inclusive, base de apoio na II Guerra Mundial (de 1942 a 1945), período em que contou com um efetivo de três mil brasileiros e cerca de trezentos americanos, esses instalados na ilha, na região entre a Baía Sueste e a Praia de Atalaia.

Anos mais tarde, a corrida espacial novamente fez de Fernando de Noronha um espaço de defesa, no rastreamento de mísseis teleguiados, com doze pontos de observação montados a partir do Cabo Canaveral (nos Estados Unidos) até a ilha de Ascensão, no Brasil, sendo o 11º ponto exatamente o “Posto de Observação” noronhense.
As duas iniciativas duraram pouco tempo, modificaram parte do espaço insular, receberam americanos para trabalhos específicos, nos quais pouquíssimos residentes tiveram a chance de participar e, quando o fizeram, foi sempre em atividades simples de apoio, sem nenhum envolvimento com quaisquer dos planos em curso, para os quais uma enormidade de equipamentos foram trazidos para lá.

Da Base Americana de Guerra resta muito pouco da enorme estrutura construída, composta de barracões para moradia, serviços e lazer. Parte da área veio a ser usada para a vila da Aeronáutica, com o seu Departamento de Proteção ao Vôo. E resta o aeroporto, construído pelos americanos – o 2º que o Arquipélago mereceu receber – hoje ampliado e modernizado.

Do Posto de Observação de Mísseis Teleguiados resta a área do Boldró, com alguns dos seus barracões (chamados de “iglus” pelos noronhenses, pela sua estrutura arredondada), onde já se implantou o Hotel Esmerada (desativados nos nossos dias) e os serviços de geração de energia – Usina Tubarão - e controle do abastecimento d´água.- a Estação de Tratamento Piraúna.

É natural que, pensando-se mais uma vez na Defesa Nacional, aquele pedaço avançado de Brasil no oceano não seja esquecido, embora seja ele hoje lembrado muito mais como um lugar paradisíaco, onde convivem residentes, oriundos das muitas destinações dadas ao espaço insular, com visitantes que chegam de todas as partes, formando um contingente humano grande, diversificado, que exige a manutenção. Vejamos o que o futuro nos reserva...
Fotos: "Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha"

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