sábado, 22 de dezembro de 2012

DAQUI A POUCO SERÁ O NATAL...




Daqui a pouco começam os preparativos para a comemoração do Natal. Formas e rituais diferentes, a depender das experiências de cada um. Nada gratuito. Tudo envolvido nos símbolos deste tempo  da sugestiva harmonia, alimentado por lembranças que chegam a doer, de tão fortes.
 


Daqui a pouco – menos tempo a cada segundo que passa – todos nós nos deixaremos envolver pela clima de PAZ que parece pairar no ar e que sugere reencontros, retornos, afirmação de um querer-bem que tem rostos e braços amados, talvez um tanto esquecidos, mas escondidos nos recônditos do pensamento mais caro e belo.

Daqui a pouco será a hora da celebração de um nascimento – não de uma figura qualquer – mas do Filho de Deus assumido na natureza humana, por Amor, tão somente. E essa celebração terá orações, músicas, desejos expressados, não importa se na nossa sala de jantar do dia a dia ou na suntuosa catedral...

E todos - com ou seu a roupa nova desejada - magoado alegre, disposto ao perdão ou temeroso que aconteça, vamos viver mais um Natal em nossas vidas, quem sabe o primeiro em paz no coração – por resgates de ternura buscados – os em ânsia incontida –de quem ainda não é capaz de mudar, para mudar-se por dentro.

Daqui a pouco será Natal. Bem-vindo e esperado Natal de cada ano, mensageiro da PAZ proclamada um dia “aos homens de boa vontade” e possível de acontecer, se formos capazes de dar o primeiro passo.

Tomara que o Menino Jesus nasça em nós e nos faça melhores! Tomara! 
   

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

14 ANOS SEM O MAESTRO


Ele é uma lembrança viva nos corações daqueles que viveram os anos sessenta, setenta, oitenta... Seu talento musical assumia quase todas as festas da época, gerando um público cativo, absolutamente envolvido pela magia das noites dançantes, fossem esses momentos em salões os mais diversos ou espaços abertos, como os "Dançando na rua", que marcaram época!

Fernando Borges era esse homem múltiplo, cantor e instrumentista vocacionado, entregue ao seu público cativo nas muitas apreentações pelo Pernambuco inteiro.

Há 12 anos ele nos deixou. Na madrugada do dia 18 de dezembro de 1998 ele se foi, deixando-nos atônicos, certos de que o seu lugar - na memória de Arte do Estado - aconteceria, fatalmente, por todo o talento com que sua carreira foi construída.

Saudade de nossos tempos de criança, das cantorias constantes na casa dos nossos pais, dos primeiros ensaios dos seu grupo musical - na sala da casa - preparando o maestro que despontaria para o sucesso... Saudade dele, de tudo o que ele construiu na vida!

Deus o guarde, Maestro FERNANDO BORGES!
     

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

UM MONUMENTO DE NIEMEYER PARA FERNANDO DE NORONHA




O ano de 2002 foi atípico. Preparava-se - em Fernando de Noronha - um elenco de comemorações para celebrar os 500 anos do descobrimento daquele espaço insular. As sugestões eram muitas. Uma pareceu ousada demais... Nascia do arqueólogo Paulo Tadeu Albuquerque, à época consultor da ADEFN a proposta de procurar-se o extraordinário arquiteto Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro, e sensibilizá-lo para imaginar um monumento para o arquipélago.

O pedido era grandioso. E os sonhos de fazer-se uma festa inesquecível e marcante animou-nos a todos, Três dos nossos -, representando os demais - arriscaram cumprir esse rasgo de ousadia: Jório Cruz, Vera Araújo e o idealizador, Paulo Tadeu.

Os resultados foram animadores. Diante do gênio Niemeyer, o entendimento se deu. E, feitos os primeiros ensaios do que seria o Monumento aos 500 anos do descobrimento da ilha, foi ele mesmo que assim descreveu a obra: “Nossa idéia seria projetar um salão de exposições, simples, com paredes cegas, lembrando as velhas fortalezas dos tempos coloniais, tendo como fecho uma escultura metálica. Qualquer coisa abstrata, formas soltas no espaço.”
 
Pena aquele sonho não se concretizou. Muitas dificuldades impediram que, pela primeira vez, Pernambuco abrigasse o traço único daquele arquiteto-feiticeiro, capaz de sonhar e propor beleza e ser reconhecido por isso!

Agora, Niemeyer se foi, depois de uma longa e fecunda vida de mais de cem anos... Ficam conosco – nos seus traços - sua exclusiva criação, no monumento que jamais se fez erguer na ilha, que sseria localizado na região da Ponta da Air France, rodeado pelas ilhas secundárias e bem próximo ao encontro do mar-de-dentro com o mar-de-fora, aberto ao mundo! Pena, mesmo!!!     

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

FREVO – O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL




Somente aqui ele existe. Daqui saiu, timidamente no seu nascedouro, para contagiar, eletrizar, apaixonar e seduzir lá fora, recebendo os merecidos méritos! 

“Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem, Quando a gente entra na dança não se lembra de ninguém...“ Foi o imortal compositor Capiba quem assim definiu, o FREVO de Pernambuco, muito tempo antes que ele – o contagiante e “frenético” ritmo nordestino - viesse a encantar o mundo e ser, reconhecidamente, considerado PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE.

Nascido mesclado pela marcha, pelos dobrados tocados nas ruas pelas Bandas de Música, sob a proteção dos capoeiristas, que defendiam músicos e instrumentos da loucura contagiante dos brincantes de Carnaval, o Frevo tornou-se o ritmo marcante de Pernambuco e dançá-lo foi inevitável, incluindo nos “passos” que se iam multiplicando e “pernadas” de capoeiristas, seguindo o compasso binário do que ouviam pelas ruas. Tão forte foi esse aparecimento que, para todos que assistiam ou se envolviam na dança, aquilo parecia “ferver”, “frevê”, “frever”... E assim nascia o novo vocábulo que passou a identificá-lo.

Para o pesquisador Rebato Phaelante, “o frevo é vibrante, emocional e participativo, características muito típicas do povo pernambucano”. Para todos nós, o titulo recebido é um orgulho, uma alegria, uma razão a mais para se dar graças”

Salve o FREVO! Salve esse novo patrimônio cultural imaterial” Salve cada um daqueles que, pela vida, repetiu passos, suou a camisa, sentiu seu sangue ferver, alucinadamente, em contato com essa forma única e própria expressão carnavalesca desse sofrido e corajoso nordeste!

Palmas para todos por que - no linguajar do povo – essa folia é mesmo “um caldeirão frevente”. E tenho dito.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

COMO NASCE A MÚSICA?





COMO NASCE A MÚSICA?

Não se explica como nasce a Música...
Um dom? Uma inclinação inconfessada?
Algo casual? Premonição?
Ah! As explicações são muitas.

E ela surge de forma inesperada,
única, própria, cadenciada,
com a “marca” do seu criador
e a beleza que lhe foi possível externar..

Algumas criações se eternizam:
atravessam o tempo, têm vida longa;
superam a lembrança do seu autor
e parecem ganhar vida própria...

Outras perdem-se na memória dos homens
e paralisam sua trajetória, estagnadas,
como se nunca houvessem significado emoção
e não tivessem nenhuma importância.

Mas todas são o grito da alma do artista,
o afloramento de sua sensibilidade,
a beleza do seu pensamento,
tocado pelo sentimento que se faz verdade...

Música: um deixar-se ficar em sons compreensíveis;
um sonho que se concretiza e parte
para tocar a sensibilidade
dos que – com ela - se identificarem...

Música: dom especial que vem do alto
para fazer-se verdade e caminho,
tocando corações por ela libertados,
fonte fecunda de felicidade!
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No "DIA DA MÚSICA" - 2012



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

FAZ TANTO TEMPO...





Um homem contraditório. Capaz das mais belas expressões de ternura e de gestos difíceis de serem entendidos. Que derramava carinho sobre os filhos nascidos no Brasil e somente por carta mantinha contato com aquelas deixadas em Portugal.

Um homem de bem, sem dúvida... Até ingênuo, em algumas ações. Autodidata, escrevia como poucos, mesmo tendo parado os estudos ainda menino, pelas dificuldades enfrentadas na vida.

Este foi ALFREDO BORGES, o “Seu Borges”, o “português da camisa de meia”, o introdutor do fabrico de placas no Norte e Nordeste do Brasil, fossem esmaltadas ou em metal, para carros, ruas, casas... Também o sonhador, cantador de fados muito antigos, que costumava receber qualquer visita em casa com a mais suculenta bacalhoada que minha mãe viesse a fazer, ensinada por ele, claro!

Lembro-me hoje, de forma especial, porque foi num 19 de novembro que ele partiu, depois de uma longa e nada tranqüila vida, marcada por momentos muito especiais, dos quais todos nos lembramos com saudade!

Um dia, ele tentou me definir, dizendo: “minha filha, você é toda coração... Onde lhe baterem, machucam!”. Ninguém – nunca mais – disse coisa mais sábia, mais parecida comigo...

Minhas lembranças vagueiam, recordando esse homem querido, que nos deixou...  

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

336 ANOS DA CRIAÇÃO DA DIOCESE DE OLINDA



Do alto do morro, ela vê e é vista por todos que se aproximam. É a principal igreja do Arcebispado de Olinda e Recife e remonta ao século XVI, quando aqui chegou o donatário Duarte Coelho. Erguê-la era imperativo porque, como cabeça da capitania, seria a concretizaçao do que se ordenava no Alvará-Régio de 1534 - antes mesmo que aqui chegasse o senhor das terras – que indicava o Santíssimo Salvador do Mundo como titular da primeira paróquia a se fazer na nova terra.. Surgia então, singela e pequena, aquela que viria a ser a Igreja da Sé de Olinda.
 
Iniciada em 1540, sua construção primitiva foi em “taipa de mão e madeira”. Em 1578 já era uma “formosa matriz com três naves, com muitas capelas ao redor”. E foi na segunta metade do século XVII que ela se tornou a Catedral do Bispado que surgia.

Amanhã será esse dia: 16 de novembro. O ano foi 1676: criava-se a DIOCESE DE OLINDA, a 3ª diocese do Brasil, depois da Bahia e do Rio de Janeiro, pela Bula Papal "Ad sacram Beatri Petri". Era a organização da igreja no Norte e Nordeste do Brasil, subordinada à autoridade do Papa, sucessor do apóstolo Pedro. Em 1910 essa Diocese iria se tornar Arquidiocese de Olinda e, em 1918, Arquidiocese de Olinda e Recife, título que tem até os dias atuais.

Diocese é uma unidade geográfica localizada numa região, chefiada por um Bispo, sucessor direto dos apóstolos. A nossa -  a ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE - é a única do Brasil que tem duas titulações na sua identificação e duas cidades-irmãs nos seus domínios. A Catedral está em Olinda, na Igreja da Se e a có-catedral está no Recife, na Igreja de São Pedro dos Clérigos. Entre as duas são programadas as celebrações oficiais da AOR.

Temos 336 anos de história eclesiástica. E essa data - dia 16 de novembro – mais uma vez celebrada, marca a força de Olinda, no século XVII, escolhida que foi para abrigar a primeira Diocese do Norte e Nordeste do Brasil.

Que o Salvador do Mundo, padroeiro da Arquidiocese e de Olinda, proteja todos os que estão sobre a sua chancela, por todos os seus  Bispos e Arcebispos que a ela serviram e servem, e por nós, rebanho desses pastores de almas!


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DONA PITUCA VAI DEIXAR SAUDADES...


 
Se alguém, chegando a Fernando de Noronha, quisesse saber “quem era Maria do Carmo Barbosa Dias” talvez não conseguisse resposta. O nome aparecia na Catálogo Telefônico e nos registros oficiais do arquipélago... Mas o reconhecimento popular, não. Para todos, a pessoa procurada teria que ser buscada pelo apelido tão característico que a identificava: PITUCA.  

Figura emblemática da ilha, aquela “baixinha redondinha”, andava por todos os lugares com seus vestidos coloridos, seu jeito curioso de olhar a vida e enfrentar as adversidades que viessem. Costureira, bordadeira, excelente cozinheira e até mesmo rezadeira, Dona Pituca viveu aí momentos significativos. 

Seu zelo pela Igreja de N. Srª dos Remédios a fizera uma espécie de guardiã do templo, local onde passava a maior parte do seu dia e junto do qual morava, na antiga “Casa Paroquial”, por ela transformada - por uns tempos - em pousada simples, quase pioneira na acolhida de um Turismo que chegava e que hoje é uma saída econômica tão necessária.
 
Alguns momentos em sua vida foram especiais... Em 1964 ela foi requisitada para atender - como cozinheira - alguns dos presos políticos daquele difícil momento do Brasil, inclusive os ex-governadores Miguel Arraes (de Pernabuco) e Seixas Dória (de Sergipe).. Todos os anos, na festa em louvor a São Pedro, o padroeiro dos pescadores, era ela que comandava - na praia - a preparação da tradicional peixada, distribuída ao final da “Barqueata”, num congraçamento alegre e deliciosamente experimentado...

Dona Pituca se foi, nesse final de outubro. Fernando de Noronha pranteou sua ilustre moradora, rezou por ela, acompanhou-a ao singelo Cemitério dedicado à Virgem da Conceição, guardando no coração a forte lembrança dessa figura autêntica, guerreira, que conquistou o seu lugar na ilha onde viveu, como uma folclórica e querida figura, sem dúvida, inesquecível!

Que ela descanse em paz.